DR. PLINIO: O QUE MAIS ME ATRAIA EM NOSSA SENHORA

Às vezes, conhecemos pessoas que perdem a esperança de deixarem o estado de pecado em que estão. A razão de tal atitude é a falta da noção da imensidade de amor que Nossa Senhora tem por nós.

Mesmo em se tratando de pessoas que não chegaram tão fundo, a não compreensão deste amor de Nossa Senhora por ele (ou ela) os leva a desistirem de corrigir de defeitos pequenos ou grandes.

As palavras a seguir, de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, mostram o quão estão enganadas estas almas, pois, evidentemente, Nossa Senhora quer mais nos ajudar do que nós sermos ajudados.

“O que mais me tocou primeiramente em Nossa Senhora não foi tanto a santidade d’Ela, mas foi a compaixão com que essa santidade olhava para quem não é santo.

Quer dizer, é a santidade virginal, regia, enfim, tudo mais quanto possam querer — nunca se dirá bastante d’Ela — mas é a compaixão com que Ela olhava para quem não é santo.

E atendendo, com pena, com vontade de ajudar, uma misericórdia cujo tamanho era o das outras qualidades, quer dizer, inesgotável, pacientíssima, clementíssima, pronta a ajudar a qualquer momento de modo inimaginável, sem nunca um suspiro de cansaço, de extenuação, de impaciência, de nada disso, mas sempre disposta a não só a repetir-se a Si própria, mas a superar-se a si própria, de maneira tal que a gente tendo uma misericórdia mal correspondida, vem uma misericórdia maior.

E por assim dizer, nossos abismos [de pecado] vão atraindo a luz para o fundo; e quanto mais nós fugimos d’Ela, mais as graças d’Ela se prolongam e se inclinam em nossa direção”.

(Conversa em 9 de janeiro de 1991)


Fonte: Arautos do Evangelho em Vitória

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O AMOR DE DEUS POR NÓS

Um dos maiores fatores de felicidade é saber-se amado por alguém. Pode ser o amor da mãe, do pai, ou de outra pessoa. Entretanto há um amor do qual muitos se esquecem. E é um amor que supera até o amor de mãe. Esse amor é o amor de Deus por cada um de nós.

Mons. João Clá, Fundador dos Arautos do Evangelho, trata desse amor, maior que qualquer amor, no texto a seguir.

 

O AMOR INCONDICIONAL DE DEUS A CADA UM DE NÓS

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Por meio da consideração do universo, de modo especial sob o aspecto da beleza, pode o homem a todo momento reportar-se a Deus, vendo nas criaturas reflexos do Criador.

Entretanto, muitos dos nossos contemporâneos vivem engajados em um ritmo de vida que os absorve por completo, dificultando-lhes tomar distância dos afazeres cotidianos e se deter, mesmo por alguns instantes, para admirar algo de nobre, elevado ou belo capaz de alçá-los à esfera sobrenatural.

Quem assim procede, demonstra ignorar o lado mais profundo da realidade, uma vez que Deus está em toda parte e intimamente em todas as coisas. ⁽¹⁾ “N’Ele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17, 28).

Deus é sumamente comunicativo e “não cessa de chamar todo homem a procurá-Lo para que viva e encontre a felicidade. (2)Deseja entrar em contato conosco e tem por nós um amor gratuito, incomensurável e incondicional, que perdoa as infidelidades até o extremo de Nosso Senhor afirmar haver mais alegria no Céu pela conversão de um pecador do que pela perseverança de noventa e nove justos (cf. Lc 15, 7).

“Não quero a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida” (Ez 33, 11), diz a Sagrada Escritura. Esse pensamento expresso através da Revelação deve nos encher de confiança, qualquer que seja nossa situação espiritual.

Tanto mais que a vida desejada por Nosso Senhor, para nós, não se esgota nos limites de uma existência terrena cheia dos deleites dos sentidos, o que além de ilusório, quase nada seria face ao que Ele quer nos dar, ou seja, uma participação na própria natureza divina. Deus nos criou para gozarmos de sua plena e perpétua felicidade. Dádiva maior, não é possível excogitar!

PRECISAMOS, SOBRETUDO, NÃO COLOCAR OBSTÁCULOS À GRAÇA

Desde toda a eternidade, Deus tem um plano específico para cada um de nós e o mantém, mesmo se a este não tenhamos correspondido como deveríamos. Em sua misericórdia, Ele vê o que toda pessoa seria se tivesse sido sempre fiel às graças recebidas, vivendo no auge de perfeição para a qual foi criada.

Deus espera que nossa vocação um dia se torne realidade e serve-Se dos acontecimentos cotidianos para nos mover à conversão. Assim, ainda que alguém se encontre num estado de extrema infelicidade por ter cometido uma falta grave — ou, pior ainda, por ter abraçado decididamente as vias do mal — o Divino Juiz não Se apressa em punir o pecador. Ao contrário, aguarda pacientemente o momento adequado para reconduzir o filho pródigo à casa paterna.

Mais ainda, o amor de Deus pelos homens é tão incondicional que, diante do anseio salvífico do Criador, nossa vontade fica relegada a um segundo plano. Bem sintetizou essa realidade Santa Maravilhas de Jesus em seu célebre lema: “Si tú le dejas…” — “Se tu O deixas…”. Pois, para trilharmos as vias da virtude, precisamos, sobretudo, não colocar obstáculos à ação da graça em nossas almas.

A santidade não é principalmente resultado do nosso esforço, mas de uma iniciativa amorosa de Deus.

¹ Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica I, q.8, a.1, resp.
² Catecismo da Igreja Católica, n.30.

(in “O inédito do Evangelho”, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, Libreria Editrice Vaticana, 2012, Vol. V, pp. 209-210)


Fonte: Arautos do Evangelho em Montes Claros

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SANTO DO DIA: SÃO VICENTE, DIÁCONO E MÁRTIR

Pertencia a uma ilustre família. O avô paterno fora cônsul. Jovem e bem proporcionado, fizera excelentes estudos, e o bispo de Saragoça, após o instruir na ciência divina, o S?o Vicente.JPGordenara seu arquidiácono, com a incumbência de instruir os outros, no seu lugar, por não lhe ser possível falar com facilidade. O bispo chamado Valério, pertencia igualmente a uma família distinta, que já dera vários bispos.

O governador Daciano mandou que tanto um como o outro fossem presos. Torturaram-nos a princípio em Saragoça; depois, transferiram-nos para Valência, onde foram lançados a uma horrível prisão. Daciano lá os conservou longo tempo, carregados de grilhões e privados do necessário alimento. Esperava o tirano que o peso das correntes e os padecimentos da fome lhes abatesse o corpo e a alma. Mandando-os chamar, surpreendeu-se ao vê-los de corpo vigoroso e espírito inquebrantável. Repreendeu os guardas, como se não tivessem executado as ordens no tocante aos prisioneiros; e em seguida, tratou de a estes conquistar com promessas e ameaças.

Visto que Valério, em virtude da sua dificuldade de falar, nada respondia, disse-lhe Vicente: Meu pai, se me ordenares, falarei. – Meu caro filho, retrucou Valério, assim como vos confiei a palavra de Deus, assim também vos encarrego de responder pela fé que aqui sustentamos. Vicente, então, declarou que eram ambos cristãos e prontos a tudo padecer pelo único e verdadeiro Deus, e por Cristo. Daciano, encolerizado, condenou o bispo ao exílio, e submeteu Vicente à tortura.

Em primeiro lugar, mandou que o pusessem no cavalete, e ordenou aos verdugos que lhe puxassem os pés e as mãos com cordas, o que eles fizeram com tal violência, que lhe deslocaram os ossos. A tal tortura, acrescentaram-lhe unhas de ferro. Vicente dizia tranquilamente ao governador: -” Eis o que sempre desejei; eis o fim de todos os meus desejos. Nunca ninguém me deu, como tu, tão grande prova de amizade.” Ria-se dos verdugos, e lhes censurava a falta de força e coragem. Teve o santo alguns momentos de descanso, enquanto os verdugos eram esbordoados por ordem de Daciano que deles desconfiava. Não tardaram, porém, em voltar, resolvidos plenamente satisfazer a barbaridade do amo, que os instigava por todos os meios possíveis. Por duas vezes interromperam as torturas, a fim de descansar e de tornarem mais vivas as dores do mártir, deixando que as chagas se esfriassem.

Em seguida, animados de nova fúria, recomeçaram, rasgaram-lhe todas as partes do corpo com tal desumanidade que, em vários pontos, se viam os ossos e as entranhas. Daciano manifestava a ira pelos violentos tremores do corpo, pelos olhos brilhantes, pela voz entrecortada.

O mártir, sorrindo, disse-lhe: “Eis aqui o que se lê alhures: os que vêem não verão, os queS VICENTE_1.jpg ouvem não ouvirão, pois eu confesso a Cristo, Senhor, Filho do Altíssimo, do Pai, Filho único de um Pai único; e confesso que é um só e o mesmo Deus com o Pai e o Espírito Santo. Confesso a verdade, e tu asseguras que a nego. Sem dúvida, deverias atormentar-me se mentisse, se chamasse deuses os teus príncipes. Atormentar-me ainda mais, não cesses, para que possas ao menos, dessa maneira, com o teu espírito, por mais sacrílego que seja, respirar a verdade assim experimentada, e reconhecer em mim o seu invencível confessor. Quanto aos deuses que queres que eu reconheça, são ídolos de pedra e de madeira. Torna-te tu, se assim o desejas, mártir deles, torna-te o pontífice morte de mortas divindades; quanto a mim, sacrifico ao único Deus vivo, abençoado em todos os séculos.”

Confessou-se Daciano vencido, e foi como se a raiva lhe desaparecesse um pouco. Mandou cessar a tortura na esperança de que pelos caminhos da doçura obtivesse, talvez, o fim almejado. “Apiada-te de ti próprio, disse a Vicente; sacrifica aos deuses ou pelo menos dá-me as Escrituras dos cristãos, segundo os últimos éditos que ordenam sejam queimadas.” A única resposta do mártir foi que temia muito menos a tortura que a falsa compaixão.

Daciano, mais furioso do que nunca, condenou-o ao suplício do fogo, o mais cruel. Vicente, insaciável de sofrimento, montou sem hesitar no instrumento do suplício. Tratava-se de um leito de ferro, cujas barras, feitas em forma de foice e guarnecidas de pontas agudíssimas, ficavam por cima de um braseiro ardente. Estenderam e amarraram o santo no leito. Todas as partes do seu corpo que não se encontravam voltadas para o lado do fogo, foram dilaceradas a chicotadas e queimadas com lâminas incandescentes. Lançaram-lhe sal nas chagas. Torturaram-lhe, em seguida, da mesma maneira as diversas partes do corpo, e por repetidas vezes. A gordura, que se derretia de todos os lados, servia de alimentos às chamas. Tal suplício que nos faz estremecer de horror só de imaginá-lo, parecia reanimar incessantemente a coragem de Vicente, pois, quanto mais sofria, tanto mais alegre e contente parecia. O juiz, confuso e arrebatado de cólera, já se não dominava. Perguntava sempre aos ministros da sua crueldade o que fazia, o que dizia Vicente: “Continua o mesmo, respondiam-lhe; persiste na primeira resolução; dir-se-ia que os tormentos só lhe aumentam e firmam a constância.” Com efeito o invencível mártir nada perdia da soberana tranquilidade. Limitava-se a erguer os olhos para o céu e a conversar, interiormente, com Deus, por meio de constante oração.

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São Vicente, Museu Prado – Madrid

O Governador, desesperado, mandou que o pusessem num calabouço repleto de cacos, para lhe renovar as chagas: deixaram-no lá, sozinho, com os pés estendidos. Adormeceu e, ao despertar, viu o calabouço iluminado por uma luz celestial e os cacos transformados em flores: viu, mais, um grupo de anjos que iam consolá-lo e com eles entoou os louvores de Deus. Os guardas, ouvindo aquelas vozes tão suaves, espreitaram pelas frestas da porta, e viram que o mártir passeava, cantando. Diante do milagre, converteram-se, e o mártir os confirmou com as suas palavras.

Sabedor do que se havia passado, Daciano, querendo tirar-lhe a glória de morrer no tormento, mandou que o colocassem num fofo leito, para deixá-lo repousar e, depois, atormentá-lo de novo. Acudiram os fiéis da cidade; beijaram-lhe as chagas e enxugaram-nas com panos, para conservar aquele sangue, benção da família deles. O mártir, mal se viu no leito, morreu.

Daciano ordenou fosse o corpo atirado a um campo, para que os animais o comessem; mas um corvo o defendeu das demais aves, e até expulsou um lobo que pretendia aproximar-se. Daciano, então mandou que lançassem aquele corpo em alto mar, metido num saco e preso numa pedra. Mais uma vez malogrou o intento governador; o saco foi repelido para a praia. O mártir, aparecendo, a um santo varão, declarou-lhe que chegara à terra, e mostrou-lhe o lugar. Hesitando o santo varão, duvidoso da verdade da visão, uma santa viúva foi também avisada, em sonho, do lugar em que o corpo se achava coberto pela areia; contou aquilo a vários cristãos, e guiando-os, descobriram o santo corpo e levaram-no a uma igrejinha, em que o sepultaram. (1)

(1) Ruinart e Acta SS.. 22 jan.

(Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume II, p. 100 à 104)


Fonte: Arautos do Evangelho

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NOVENA EM HONRA A NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS REÚNE FIÉIS EM CAMAÇARI (BA)

A devoção a Nossa Senhora das Candeias deverá tomar conta das ruas do município de Camaçari, na Bahia. Os milhares de fiéis, que costumam entoar o seguinte trecho do hino da Mãe Santíssima: “Virgem Santa das Candeias, virgem santa milagrosa, nossa fé e nossa crença é sempre em vós fervorosa”, pretendem marcar presença nas celebrações do novenário em honra a Padroeira.

Novena em honra a Nossa Senhora das Candeias reúne fiéis em Camaçari (BA).jpg

Entre os dias 24 de janeiro e 3 de fevereiro, cerca de 7 mil pessoas são esperadas à noite, a partir das 19h30, na praça que leva o nome da Virgem Maria para louvar, agradecer por graças alcançadas e renovar promessas.

Com o tema “Dá-nos a tua luz”, os festejos serão abertos oficialmente às 5h, com alvorada e queima de fogos, seguido pelo hasteamento da bandeira e oração do Ofício de Nossa Senhora, no Santuário de Nossa Senhora das Candeias.

“Com esse tema queremos refletir, sobretudo, trazendo como cenário, a atual conjuntura que vivemos no Brasil, onde tantas situações, onde tantas coisas que estão acontecendo em nossa volta dão a impressão de que nós estamos meio que inseridos em um mundo obscuro, onde as coisas parecem que não tem mais jeito, onde há uma crise nas instituições, onde há falta credibilidade, onde há falta de confiança em tantas coisas. Queremos pedir a intercessão de Nossa Senhora das Candeias que em nossos corações possam ser iluminados pela luz de Jesus”, ressaltou o pároco e reitor do Santuário, Frei Jorge Luiz Soares.

Em 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora das Candeias, acontecerá a Missa Solene em honra a Padroeira do município, às 19h30, presidida pelo bispo diocesano Dom João Carlos Petrini.

Já o ápice dos festejos ficará por conta da procissão, que será realizada no dia 3 de fevereiro, a partir das 17h. Aproximadamente 11 mil fiéis devem percorrer as principais ruas da cidade em um ato de fé e amor pela Virgem das Candeias. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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SANTO DO DIA: SANTA INÊS, VIRGEM MÁRTIR

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Não tinha Santa Inês mais do que doze ou treze anos, quando sofreu o martírio.

Segundo velhos atos, voltava da escola, quando o filho do prefeito de Roma dela se enamorou. Após informar-se acerca dos pais da jovem, ofereceu-lhe vestidos mais esplendidos, valiosas pedrarias, e prometeu-lhe outras coisas, riqueza, casas, todas as delícias do mundo, no caso dela consentir em desposá-lo. Inês repeliu com desprezo os presentes, e disse ao jovem que estava noiva de um varão muito mais nobre que ele, o qual já lhe dera presentes muito mais inestimáveis. O filho do prefeito, desesperado, caiu doente. Os médicos descobriram-lhe a causa do mal e advertiram o pai, o prefeito Sinfrônio, que mandou renovar à virgem as ofertas e os pedidos. Respondeu-lhe Inês que nunca faltaria ao compromisso com o noivo. Achou o prefeito bastante estranho que houvesse outro preferido e tratou de indagar quem seria.

Um dos seus parasitas disse-lhe, então, que a jovem era cristã desde a infância, e que, enfeitiçada por artes mágicas, chamava a Cristo seu esposo. Radiante com o descobrimento, mandou o prefeito a conduzissem, com aparato, ao seu tribunal. Inês foi igualmente insensível às lisonjas e às ameaças. Chamou o prefeito os pais da jovem, e não podendo maltratá-los, por serem nobres, apresentou a acusação do cristianismo.

No dia seguinte, pois, em seguida a novos e inúteis esforços para a persuadir, disse-lhe: “- É a superstição dos cristãos, de quem te gabas de conhecer as artes mágicas, que te impede seguir bons conselhos. É preciso, portanto, que vás imediatamente para a deusa Vesta, a fim de que, se te apraz a virgindade perpétua, cuides noite e dia dos seus augustos sacrifícios.” Respondeu a santa: “- Se, por amor a Cristo, recusei vosso filho o qual, embora torturado por um amor sem regra, não deixa de ser homem vivo, capaz de raciocinar e de sentir, como poderei, ultrajando o Deus supremo, adorar ídolos mudos, surdos, insensíveis, inanimados, pedras inúteis numa palavra.” Retrucou o prefeito: “Escolhe de duas uma: ou sacrificarás à deusa Vesta com as suas virgens, ou te prostituirás, num péssimo lugar, com as filhas de má vida.”

Santa Inês - Revista Arautos do Evangelho - Revista Católica

Mosaico de Santa Inês, na Basílica de Santa Inês – Extra Muros

E disse-lhe Inês com segurança: ” Se soubésseis qual é o meu Deus, não falaríeis dessa maneira. Eu, que sei qual a força de meu Senhor Jesus Cristo, desprezo as vossas ameaças, certa de que me não poluirão as impurezas alheias, como não sacrificarei aos vossos ídolos; tenho comigo, como guarda do meu corpo, o anjo do Senhor.” Com efeito, tendo sido levada a um antro de prostituição, lá se lhe deparou ao anjo do Senhor, que a circundou de uma luz tão esplendorosa que ninguém a podia ver.

Tendo começado a orar, percebeu na sua frente uma túnica branca com a qual se cobriu, abençoando a Deus. O lugar de infâmia tornou-se, assim, lugar de prece e piedade. Quem quer que lá entrasse, sentia-se tocado por um aspecto religioso à vista daquela luz inesperada, e saía mais puro do que quando entrava. O filho do prefeito, chamando a todos de covardes, atirou-se ao meio da luz, mais caiu cegado e até, segundo os atos, sem vida. Um dos seus companheiros, ao vê-lo morto, pô-se a gritar: “Socorro! Uma prostituta, por artes mágicas, matou o filho do prefeito!” O povo atirou-se ao recinto, gritando: – “É uma feiticeira! – É inocente! – É um sacrilégio!” O prefeito, sabedor da morte do filho, acorreu precipitadamente, aflito, dizendo à santa que era a mais cruel dentre todas as mulheres, e perguntando-lhe de que modo havia matado o filho. Respondeu ela que o rapaz fora sufocado pelo impuro demônio cujos desígnios tratava de levar a efeito.

Era manifesta a prova, pois os que haviam respeitado a luminosa presença do anjo, tinha saído são e salvos. O prefeito respondeu-lhe que acreditaria nas suas palavras, se ela rogasse ao anjo devolver-lhe o filho. “Se bem que o não mereça a vossa fé, retrucou a jovem, sendo tempo de manifestar-se o poder de meu Senhor Jesus Cristo, saí todos, para que eu lhe ofereça a prece habitual.” Saíram todos,, e ela se prosternou, e rogou ao Senhor, com lágrimas, que ressuscitasse o jovem. O anjo, aparecendo, devolveu-lhe a vida. O jovem começou a bradar: “Só há um Deus no céu e na terra, e é o Deus dos cristãos.”

Àquelas palavras, todos os arúspices e pontífices dos templos estremeceram, e instigaram o povo à sedição. Todos gritam: “Abaixo a feiticeira, que muda opiniões e transtorna!” O prefeito diante de tão grandes maravilhas, ficou estupefato. Mas temia a proscrição, no caso de agir contra os pontífices e defender Inês contra a sua própria sentença. Assim, tristemente, deixando no seu lugar o substituto, afastou-se. O substituto, chamado Aspásio, mandando que se acendesse uma grande fogueira, a ela atirou a santa. Mas as chamas, afastando-se para um lado e outro, queimaram vários dos espectadores. Inês, de braços estendidos, abençoava a Deus pelas suas maravilhas, quando o fogo se apagou de súbito. Os pagãos mais ainda bradavam contra a feitiçaria. O substituto, não encontrando outro meio para apaziguar os ânimos enfurecidos, deixou que a santa morresse pelo gladio.


Fonte: Revista Arautos do Evangelho
TV Arautos

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SANTO DO DIA: SÃO SEBASTIÃO, MÁRTIR

Jovem e virgem, conhecido por sua alta posição social e militar, rapidamente sua vida se tornou exemplo para a crescente comunidade cristã que tomava conta do Império Romano pagão.

A imensa quantidade de brasileiros que ostenta o nome Sebastião permite imaginar o quanto aquele santo militar romano é admirado e venerado em nosso país, o que também ocorre em numerosas outras nações, especialmente do Ocidente. Crianças são batizadas com seu nome, paróquias o têm por padroeiro, igrejas o festejam como titular, bairros e cidades também a ele se vinculam na devoção ao santo que é tido como padroeiro dos soldados, arqueiros e atletas, sendo muito invocado no combate às epidemias. A Cidade Maravilhosa, uma das mais conhecidas em todo o mundo, tem por nome oficial “São Sebastião do Rio de Janeiro” (assim como a importante arquidiocese ali sediada), uma homenagem ao santo cujo nome era ostentado pelo então soberano português reinante à época em que a localidade recebeu a nominação.

Quem foi, porém, São Sebastião?

Os registros oficiais são escassos a seu respeito, o que não impede que dele possamos ter muitas informações que emanam da feliz e indissociável combinação entre a história e a piedade popular, e que permite retratar, ainda que não exatamente a realidade, ao menos (o que é o mais importante) o espírito da realidade com que um militar cristão, servindo no exército de um dos mais sanguinários imperadores romanos, ajudou numerosas almas a não enfraquecerem na fé, consolando-as e permitindo-lhes trilhar de cabeça erguida o caminho do Paraíso; ademais, ele próprio não deixou, no momento oportuno, de declarar-se cristão, dando o testemunho e servindo de exemplo a numerosos outros seguidores de Jesus que enfrentavam as perseguições da Era dos Mártires, como foi chamado o período de busca e morte aos fiéis conforme ordenado pelo sanguinário imperador Deocleciano.

Já antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo os romanos chamavam Mare Nostrum (“nosso mar”) ao Mediterrâneo, uma vez que todas as terras por ele banhadas faziam parte do império. Foi em uma região costeira, na província da Gália, correspondendo à atual cidade de Narbonne (França), que Sebastião veio ao mundo. Sua família era de Milão (na atual Itália), e não era ele inclinado à carreira das armas, tendo-a seguido por causa do desejo de servir aos irmãos na fé, que sofriam as perseguições.

Sebastião desempenhou corretamente seus deveres como soldado, mas por baixo das vestes militares estava um verdadeiro cristão, e dentro de seu corpo pulsava um coração ardente de desejos de apoiar os perseguidos e ajudá-los a seguir o Divino Mestre, não só durante esta vida mas também quando se encontravam prestes a partir para a outra. Mantinha em segredo sua fé, como era comum entre os cristãos nas épocas de perseguição, pois assim podia ajudar os que dele precisavam, mas não tinha receio de perder seus bens ou sua própria vida.

Uma de suas ações apostólicas refere-se aos irmãos gêmeos Marcos e Marceliano, que haviam sido aprisionados em Roma, os quais eram visitados diariamente por Sebastião. Submetidos a chicotadas, apesar de serem membros de família de senadores, foram condenados à decapitação, tendo seus familiares obtidos do administrador romano, chamado Cromácio, um prazo para que se tentasse mudá-los quanto à opinião. Mantidos acorrentados na casa do escriba da prefeitura, Nicóstrato, eram submetidos a tentativas de convencimento por parte de seus pais, suas esposas e seus filhos ainda pequenos, além de amigos, mas quando estavam em risco de fraquejar foram as palavras de Sebastião que os reanimaram, as quais impressionou a todos que as ouviram.

São Sebastião - Revista Arautos do Evangelho - Revista CatólicaZoé, esposa de Nicóstrato, discernindo em Sebastião um homem de Deus, atirou-se aos seus pés e por gestos indicou-lhe a doença de que padecia: uma doença lhe fizera perder a capacidade de falar. Sebastião fez o sinal da cruz sobre a boca de Zoé e pediu em voz alta a Nosso Senhor Jesus Cristo que a curasse, e imediatamente ela recuperou a dicção e pôs-se a louvar aquele homem, acrescentando que acreditava em tudo o que ele acabara de dizer. Diante da cura da esposa, o próprio Nicóstrato lançou-se aos pés de Sebastião e pediu perdão por ter mantido os dois cristãos aprisionados, libertando-os em seguida e declarando que se sentiria feliz se viesse a ser aprisionado e morto em lugar deles. E os dois irmãos, naquele momento libertados, recusaram-se a abandonar a luta para a ela expor outra pessoa, firmando-se na fé ao ver a ação de Deus, que anulou todos os esforços feitos para fazê-los abandonar a Igreja, além de nela ingressarem os donos da casa em que estiveram aprisionados.

Nas horas que se seguiram, outras pessoas também abraçaram a fé cristã, sendo 68 o número de pessoas convertidas e batizadas por São Policarpo, ali chamado por Sebastião: Nicóstrato, sua esposa Zoé, toda a família de Nicóstrato, seu irmão Castor, o carcereiro Cláudio com dois filhos e sua esposa Sinforosa, o pai dos gêmeos, chamado Tranquilino, com sua esposa Márcia e seis amigos, as esposas dos gêmeos, e dezesseis outros encarcerados.

Sem saber os detalhes – pois houvera sido enganado – o prefeito de Roma, Cromácio, que havia concedido aos gêmeos o período de espera para que renunciassem à fé, chamou o pai de ambos, Tranquilino, determinando que eles oferecessem incenso aos deuses; Tranquilino então afirmou-se cristão, acrescentando que assim houvera sido curado de uma enfermidade da qual o prefeito também padecia. Cromácio disponibilizou dinheiro para conseguir a cura da enfermidade, arrancando de Tranquilino risos, tendo este assegurado que para ser curado bastaria recorrer a Cristo.

Após um instrutivo catecumenato, no qual foi explanada a superioridade da fé sobre a simples cura de sua doença, Cromácio e seu filho se tornaram também cristãos, permitindo que fossem quebradas mais de duzentas estátuas de ídolos que eram por eles adorados, bem como que fossem destruídos os instrumentos que eram utilizados para astrologia e outras práticas divinatórias. Porém não apenas aquele pai e seu filho se tornaram cristãos em sua casa, mas um total de 1.400 pessoas, incluindo escravos a quem deu a liberdade dizendo que os que passaram a ter Deus por pai não mais podiam ser escravos de um homem.

Diocleciano, tendo assumido o império romano, conservou Sebastião no posto, e lhe deu o cargo de capitão da primeira companhia de guardas pretorianos em Roma, depositando nele muita confiança.

São Sebastião - Revista Arautos do Evangelho - Revista CatólicaChegou, porém, o momento em que Sebastião afirmou-se cristão, depois de ter cuidado para que muitos trilhassem o caminho do Paraíso. Inconformado o imperador o enviou para a morte: foi preso a um tronco, e teve o corpo perfurado por flechas. Crendo-o morto, foi abandonado pelos que o supliciaram, mas uma piedosa viúva, que pretendia sepultá-lo com honras cristãs, encontrou-o vivo, tendo dele cuidado para que se recuperasse. Algum tempo depois, ei-lo apresentando-se a Diocleciano (que se surpreendeu ao vê-lo vivo), a quem censurou pela injustiça com que perseguia os cristãos, pois estes rezavam pelo império e por seus exércitos, mas eram supliciados como se fossem inimigos do estado.

O cruel imperador, obstinado em seus erros, mandou que Sebastião fosse imediatamente levado a um local próximo, onde foi morto a bordoadas. Foi sepultado na catacumba que atualmente leva seu nome, sobre a qual se ergue uma das sete principais igrejas de Roma, a Basílica de São Sebastião, na Via Appia. FONTES: Vida dos Santos, Padre Rohrbacher / Dix Mille Saints, Beneditinas de Ramsgate / Catholic of Saints, John Delaney

Hino a São Sebastião

REFRÃO: Glorioso Mártir São Sebastião
dê a seus devotos firme proteção,
dê a seus devotos firme proteção

Por nós intercede junto ao Bom Senhor
que salva seu povo em qualquer horror (bis)

Da peste e o flagelo, a fome e a guerra
por tua bondade afasta da terra (bis)

Que assim preservados possamos viver,
p’ra seu santo nome sempre bendizer (bis)


Fonte: Arautos do Evangelho
TV Arautos

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A PERFEITA ORAÇÃO DO CATÓLICO É REZADA COM CORAGEM E FÉ, DIZ FRANCISCO

O Papa Francisco fez sua homilia durante a Missa que celebrou na Capela da Casa Santa Marta, na sexta-feira, dia 12 de janeiro, tendo como fundo de quadro uma pergunta: Como é a oração no Evangelho daqueles que conseguem obter do Senhor aquilo que pedem?

Francisco comentou a cura do leproso e do paralítico e afirmou que, como eles, devemos aprender a rezar com coragem e fé.

12-01-A perfeita oração do católico é rezada com coragem e Fé, diz Francisco.jpg

Oração na fé, Oração a partir da fé

A resposta a essa pergunta o Papa a buscou no Evangelho de São Marcos cujos trechos são os indicados tanto para a liturgia de ontem quanto para hoje. E, nos dois, ele fala de curas a partir de orações: a do leproso e a do paralítico.

Os dois fazem orações pedindo pela cura de cada um. E fazem essa oração rezando com fé.

Francisco comenta que um deles, o leproso, desafiou Jesus com coragem: “Se queres, tens o poder de curar-me!”.
Jesus respondeu prontamente à pergunta corajosa:
“Eu quero”.

Afirmou o Pontífice que, portanto, tudo é possível para quem crê, como ensina o Evangelho:

Sempre, quando nos aproximamos do Senhor para pedir algo, se deve partir da fé e fazê-lo na fé: “Eu tenho fé que tu podes cura-me, eu creio que tu podes fazer isto” e ter a coragem de desafiá-lo, como este leproso de ontem, este homem de hoje, este paralítico de hoje. A oração na fé”.

Nas dificuldades, Rezar com Fé, vontade e coragem

Para Francisco, Evangelho nos conduz a uma reflexão que nos convida a nos interrogarmos a propósito de nosso modo de rezar.
Não devemos rezar da boca para fora, como “papagaios” e “sem interesse” no que pedimos.
A oração deve ser uma súplica ao Senhor, um pedido do fundo da alma, com fé e mesmo assim pedindo ainda que o Senhor “ajude a nossa pouca fé” diante das dificuldades.

E as dificuldades que se tem para aproximar-se do Senhor veem narrados em vários episódios do Evangelho com a finalidade de servir de exemplo de como nos comportamos.

O paralitico, do qual o Evangelho de Marcos nos fala hoje, é um exemplo disso. Ele é baixado do teto em sua maca para poder chegar até Jesus que está pregando no meio de uma multidão.

“A vontade leva a encontrar uma solução”, destacou Francisco, faz “ir além das dificuldades”:
Coragem para lutar e chegar ao Senhor. Coragem para ter fé, no início: “Se tu queres, tens o poder de curar-me. Se tu quiseres, eu creio”. E coragem para aproximar-me do Senhor, quando existem tantas dificuldades. Aquela coragem… Muitas vezes, é preciso paciência e saber esperar os tempos, mas não desistir, ir sempre em frente. Mas se eu com fé me aproximo do Senhor e digo: “Mas se queres, podes me dar esta graça” e depois mas… como a graça depois de três dias não veio, então uma outra coisa….e me esqueço. Coragem.

Oração cristã é oração corajosa

O Papa recordou a história de Santa Mônica, mãe de Agostinho. Ela rezou e “chorou muito” até obter a conversão do seu filho.
Para Francisco, Santa Mônica está entre os Santos que tiveram coragem em sua fé.

Ela teve coragem “para desafiar o Senhor”, coragem para “acreditar”, mesmo que não se obtenha logo o que se pede, porque na “oração se joga tudo” e “se a oração não é corajosa, não é cristã”:

“A oração cristã nasce da fé em Jesus e segue sempre com a fé, para além das dificuldades. Uma frase para trazê-la hoje no nosso coração nos ajudará, do nosso pai Abraão, a quem foi prometida a herança, isto é, ter um filho aos 100 anos.

Diz o apóstolo Paulo: “Creiam” e com isto foi justificado. A fé e “se colocou em caminho”: fé e fazer de tudo para chegar àquela graça que estou pedindo.

O Senhor nos disse: “Peçam e vos será dado”. Tomemos também esta Palavra e tenhamos confiança, mas sempre com fé e acreditando. Esta é a coragem que tem a oração cristã. Se uma oração não é corajosa, não é cristã.” (JSG)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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NO CORAÇÃO DO HOMEM, A INSCRIÇÃO DE DEUS

Imaginemos a cozinha onde a mãe termina de enfeitar um bolo. Enquanto isso, o filhinho acompanha, fascinado pelas cores e pelo delicioso aroma. Concluído o serviço, ela guarda na geladeira e avisa:

— Agora vou sair, e você não toque neste bolo, pois é para o aniversário de seu irmão!

Dali a pouco o pequeno encontra-se sozinho na casa. Brinca um pouco no jardim, mas seu pensamento permanece em outro lugar… Não resiste e vai até a geladeira, “apenas para olhar”… Afinal, passa o dedinho pela saborosa cobertura… e acaba se servindo fartamente. Depois volta para o jardim, deixando por todos os cantos adocicadas e ingênuas impressões digitais.

Quando a mãe retorna, logo percebe as “marcas do crime”.

— Foi você?! — pergunta.

— Não, não fui eu! — responde o filho.

—Não, está mentindo. —indaga a mãe, e o pequeno logo enrubesce.

Quem o ensinou que não se pode mentir? Ninguém… Em sua tenra idade, nem frequentou as aulas de Catecismo ainda. E nem sequer conhecia o sentido da palavra “mentir”. No entanto, seu rubor constituía a melhor prova de ter ele compreendido a maldade de uma mentira, simplesmente ao tomar contato com ela.

INTUIR OS PRIMEIROS PRINCÍPIOS MORAIS

Com efeito, as Sagradas Escrituras, a Tradição e a filosofia apontam para a existência de uma qualidade da alma humana: desde os primórdios do uso da razão, intuir os primeiros princípios morais, distinguindo o bem do mal, capacitando-a a orientar-se para a reta conduta.

“Imprimirei minha lei em suas entranhas e hei de inscrevê-la em seu coração” — afirma o próprio Deus (Jr 31, 33b)

A Escritura mostra que, já nos primórdios da sociedade, ainda sem possuir letras, os profetas ou juízes, bem como comum dos homens conheciam seus deveres morais.

PESQUISAS CIENTÍFICAS O CONFIRMAM

Mas, para que nossa reflexão não permaneça circunscrita aos tempos imemoriais, será de interesse analisar as contribuições oferecidas por modernos estudos.

Uma equipe de cientistas do Departamento de Psicologia da Universidade de Yale (Connecticut, EUA), liderada pelo Prof. Paul Bloom, vem realizando pesquisas cujos resultados, vistos por muitos como uma descoberta inédita — em certo sentido, de fato o é —, confirmam o ensinamento multissecular da Igreja, e “contrariam aquilo que foi ensinado durante décadas a legiões de graduandos em psicologia”. (1)

Reunindo grupos de bebês de 4 a10 meses — muito antes, portanto, do uso da razão —, os peritos apresentaram-lhes a seguinte situação: uma bola tenta escalar uma íngreme colina. Por duas vezes ela cai sem conseguir alcançar o objetivo, mas na terceira é ajudada por um triângulo e chega por fim ao topo. Logo a cena se repete com uma variante: por mais duas vezes tenta a bola subir a ladeira sem consegui-lo e, na terceira, em lugar de receber ajuda, um quadrado a empurra para baixo. Interessadas, as crianças acompanham o desenrolar da trama e reagem de forma surpreendente: 80% se manifestam a favor do triângulo amigo e rejeitam o quadrado malévolo.

Num terceiro enredo, surge em cena um coelho ladrão que rouba a bola de um gato, enquanto outro a devolve. Neste caso, crianças de cinco meses escolhem o coelho benfazejo, e algumas um pouco maiores tomam a iniciativa de bater no malvado. Poder-se-ia afirmar que eram bebês justiceiros! (2)

Aprofundamentos rigorosos feitos a partir dessas constatações comprovam que os bebês diferenciam ações sociais como boas ou más, e atribuem boas e más qualidades a quem as pratica.

“Evidentemente, muitos aspectos de um sistema moral plenamente desenvolvido estão fora do alcance de crianças que ainda não falam. […] Nossas descobertas indicam que seres humanos se envolvem na avaliação social numa fase de desenvolvimento muito anterior ao que se pensava previamente, e sustentam a opinião de que a capacidade de avaliar os indivíduos a partir de suas interações sociais é universal e não aprendida”, (3) concluem Bloom e seu grupo.

PROPENSÃO NATURAL PARA A RETIDÃO E PARA A JUSTIÇA

Esse hábito da sindérese nos possibilita uma intuição rápida e certeira dos primeiros princípios que regem os atos morais, como o exemplo do bolo e as experiências com bebês denotam.

Toda pessoa o possui pelo simples fato de ser racional; no período anterior ao do uso pleno da razão, ele atua no mesmo lusco-fusco em que age a própria razão; e no posterior, conduz ao cerne da verdade moral, propiciando à consciência emitir um parecer verdadeiro.

Desse modo vemos existir no homem uma propensão natural para a retidão e para a justiça, o qual lhe é tão natural quanto o ar que respira ou as cores que enxerga. Ou, exprimindo de outro modo, é um senso que não depende de raciocínio, de modo semelhante ao que se passa com um pessoa caso se lhe encoste na pele um objeto gelado (ou quente): ele reagirá independente de fazer qualquer raciocínio.

A sindérese não é pois, a uma aptidão adquirida. Embora não nasçamos com ideias latentes, trazemos desde o berço este selo indelével que nos conduz à intuição dos primeiros princípios.

Mesmo assim, é sabido que a sindérese não nos oferece princípios explícitos e formulados, tornando-se indispensável, por tal motivo, explicitar os termos que compõem os princípios, mediante o contato experimental com a realidade concreta: os bebês acima mencionados, por exemplo, não reagiriam como foi visto, sem o confronto com o comportamento dos bonecos. Mas, será a partir de constatações como estas que, na idade da razão, serão formados todos os critérios morais que nortearão o curso de nossas existências.

-oOo-

 

(1) BLOOM, Paul. The Moral Life of Babies. In: The New York Times Magazine, 9/5/2010, p. MM44: www.nytimes.com.

(2) Idem. Os vídeos de alguns testes estão acessíveis no mesmo site citado acima.

(3) Hamlin, J. Kiley; WYNN Karen; BLOOM Paul. Social evaluation by  preverbal infants. In: Nature. London, 2007, v.450, p.558-559.

(4) São Tomás qualifica de: “um hábito natural especial” (SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, I, q.79, a.12, resp.); uma disposição interior inata, que atua como um habitus: “O habitus dos primeiros princípios, que se chama sindérese” (Idem, I, q.79, a.13, ad 3.). Sobre os hábitos, sua natureza, distinção, possibilidade de perda e diminuição, São Tomás trata com profundidade na Suma Teológica, I-II, q.49-54.

(5) RATZINGER, Joseph. “Elogio della coscienza: il brindisi del Cardinale” In: Il Sabato, 16/3/1991, p. 83-91.


Fonte: Arautos do Evangelho em Vitória

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SANTO DO DIA: SANTA MARGARIDA DA HUNGRIA

Margarida era uma princesa, filha do rei Bela IV, da Hungria e da rainha Maria, de origem bizantina. Ela nasceu no castelo de Turoc, em 1242, logo foi batizada, pois os reis eram fervorosos cristãos.

Seus pais, que a tinham consagrado ao Senhor por um voto, desde o nascimento, mandaram-na, com a idade de três anos e meio, ao convento das dominicanas de Vesprin.

Tendo, em seguida, o rei fundado um mosteiro da mesma ordem numa ilha do Danúbio, Margarida para lá foi transferida, e fez profissão dois anos mais tarde, isto é, com a idade de doze anos. O fervor substituiu nela o número de anos, e mereceu-lhe as íntimas comunicações do Espírito Santo, que se destinam apenas às almas perfeitas.

Fazia da prática da mais completa abjeção as suas delícias. Tê-la-iam sensivelmente mortificado falando-lhe do seu nascimento, e houvera preferido dever a vida a pobres e não a reis. É assombroso a que ponto levava o amor à penitência; deitava-se sobre o piso do quarto, coberto simplesmente de uma pele bastante rude, e por cabeceira dispunha de uma pedra apenas. Quando via serem punidas as irmãs por uma transgressão qualquer da regra, invejava santamente a ventura que tinham de poder praticar a mortificação. SANTA MARGARIDA DA HUNGRIA.jpgSe Deus a fazia padecer uma doença, ocultava o seu estado com maior cuidado, para não ser obrigada a usar alívios concedidos aos enfermos. Era admirável a sua doçura, e qualquer receio de ter uma das irmãs o menor motivo de descontentamento a levava a lançar-se-lhe aos pés, para suplicar-lhe perdão.

Teve Margarida, desde a infância, terna devoção por Jesus Crucificado. Trazia constantemente uma cruzinha feita de madeira da do Salvador, e muitas vezes a levava à boca, quer de noite, quer de dia. Observava-se que na igreja orava de preferência diante do altar da Cruz. Ouviam-na proferir com bastante frequência o nome sagrado de Jesus da maneira mais afetuosa. As abundantes lágrimas que lhe rolavam dos olhos durante a celebração dos divinos mistérios e à aproximação da santa comunhão, diziam bem o que lhe ia no âmago do coração.

Na véspera do dia em que devia unir-se a Jesus Cristo pela recepção da sua adorável carne, o seu único alimento era pão e água; passava também a noite em oração. No dia da comunhão, orava em jejum até o entardecer, e só comia o necessário para sustentar o corpo. O seu amor a Jesus Cristo a levava, outrossim, a honrar especialmente a criatura da qual desejou ele nascer no tempo; daí o júbilo que lhe iluminava o rosto quando se anunciavam as festas da Mãe de Deus. Celebrava-as com piedade e fervor pouquíssimo frequentes.

Alma tão santa como a de Margarida não podia ter apego às coisas terrenas. Morta para o mundo e para si própria, suspirava apenas pelo momento que se uniria ao Divino Esposo. Finalmente, viu satisfeito o desejo; adoeceu e morreu com a idade de vinte e oito anos, em 18 de Janeiro de 1271.

A sua sepultura se tornou meta de peregrinação, pelas sucessivas graças e milagres atribuídos à sua intercessão. Um ano depois da sua morte, seu irmão, Estevão V, rei da Hungria, encaminhou um pedido de santidade, a Roma. Mas este processo desapareceu, bem como um outro, que foi enviado em 1276. Porém na sua pátria e em outros países, Margarida já era venerada como Santa.

Depois de muitos desencontros, em 1729 um processo chegou em Roma, completo e contendo dados de autenticidade inquestionável. Neste meio tempo as relíquias de Margarida tinham sido transferidas, por causa da invasão turca, do convento da Ilha das Lebres para o de Presburgo em 1618.

Em 1804, mesmo sem o reconhecimento oficial, seu culto se estendia na Ordem Dominicana e na diocese da Transilvânia. No século XIX, sua festa se expandiu por todas as dioceses húngaras.

A canonização de Santa Margarida da Hungria foi concedida pelo Papa Pio XII em 1943, em meio ao júbilo dos devotos e fiéis, de todo o mundo, especialmente pelos da comunidade cristã do Leste Europeu, onde sua veneração é muito intensa. (Vida de Santos, Padre Rohrbacher, Volume II, p. 230 à 231)


Fonte: Arautos do Evangelho

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SANTO DO DIA: SANTO ANTÃO, CARÁTER SOSSEGADO E PUREZA DE ALMA!

Santo Antão Abade.jpgSeu rosto tinha grande e indescritível encanto. E o Salvador lhe tinha dado por acréscimo este dom: se se achava presente numa reunião de monges e algum a quem não conhecia desejava vê-lo, esse tal, ao chegar, passava por alto os demais, como que atraído por seus olhos.

Não eram nem sua estatura nem sua figura que o destacavam entre os demais, mas seu caráter sossegado e a pureza de sua alma. Ela era imperturbável e assim sua aparência externa era tranquila.

O gozo de sua alma transparecia na alegria de seu rosto, e pela forma de expressão de seu corpo se sabia e conhecia a estabilidade de sua alma, como o diz a Escritura: “O coração contente alegra o semblante, o coração triste deprime o espírito” (Pr 15, 13). […]

Nunca estava agitado, pois sua alma estava em paz; nunca estava triste porque havia alegria em sua alma.

Da vida de Santo Antão, por Santo Atanásio de Alexandria

“Santo Antão Abade”, detalhe de “Nossa Senhora no seu trono, com Santos”, por Puccio di Simone – Metropolitan Museum of Art, Nova York / Foto: Gustavo Kraj – (Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2014, n. 145, p. 2)


Fontes: Arautos do Evangelho
TV Arautos

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DOCE VIRGEM, MINHA MÃE, MINHA CONFIANÇA!

Entre as orações propostas por São Luís Maria Grignion de Montfort para crescer no amor mariano, destaca-se este belíssimo “Ato de cego abandono e de amorosa confiança na doce Virgem Maria”.

Doce Virgem Maria, Vós me firmastes na mais inabalável confiança. Mil vezes obrigado por tão preciosa graça! De agora em diante, permanecerei em paz, apoiado em vosso Coração tão puro; não me preocuparei senão de Vos amar e Vos obedecer, enquanto Vós mesma, ó boa Mãe, cuidareis de meus mais caros interesses.

Doce Virgem Maria, que dentre os homens alguns procurem nas riquezas ou em seus próprios talentos a felicidade; que outros se apoiem na inocência de sua vida, no rigor de sua penitência, no fervor de suas orações ou no grande número de suas boas obras; quanto a mim – pobre pecador, que não tenho senão meu pouco amor –, esperarei somente em Vós, depois de Deus, e o fundamento de minha esperança será minha confiança em vossa maternal bondade.

Doce Virgem Maria, poderá a perversidade humana roubar minha reputação e os poucos bens que eu possua; poderão as doenças tirar-me as forças e a capacidade externa de Vos servir; infelizmente, ó minha terna Mãe, poderei eu mesmo, pelo pecado, perder vossas boas graças; mas minha amorosa confiança em vossa bondade materna, esta jamais perderei! Não, nunca a perderei! Conservarei esta inabalável confiança até exalar meu último suspiro. Todas as forças do inferno juntas não serão capazes de me roubá-la. Morrerei, ó boa Mãe, repetindo mil vezes vosso nome bendito, depositando em vosso Coração toda a minha esperança.

E por que estou tão seguro de confiar sempre em Vós, senão porque Vós mesma, dulcíssima Virgem, me ensinastes que sois toda misericórdia, nada mais que misericórdia? Portanto, ó bondosíssima e amantíssima Maria, estou seguro de que sempre Vos invocarei porque sempre me consolareis; sempre Vos agradecerei porque sempre me aliviareis; sempre Vos servirei porque sempre me ajudareis; amar-Vos-ei sempre porque me amareis sempre; de Vós sempre obterei tudo, porque sempre vosso magnânimo amor ultrapassará minha esperança.

Sim, ó doce Virgem, é somente de Vós que, apesar de meus pecados, espero o único bem que almejo: a união com Jesus no tempo e na eternidade. Exclusivamente de Vós, porque sois Vós a escolhida por meu divino Salvador para me dispensar todos os favores e a Ele conduzir-me com segurança.

Sim, minha Mãe, sois Vós que, depois de me ter ensinado a compartilhar as humilhações e os sofrimentos de vosso Divino Filho, me introduzireis em sua glória e suas delícias para, junto a Vós e convosco, louvá-Lo e bendizê-Lo por todos os séculos dos séculos. (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2017, n. 185, p. 24 à 25)

SÃO BERNARDO. Acte d’aveugle abandon et d’amoureuse confiance en la douce Vierge Marie. 
In: DENIS, Gabriel. “Le Règne de Jésus par Marie”. 
3.ed. Luçon: S. Pacteau, 1873, p.242-244


Fonte: Arautos do Evangelho

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A BALA CONVERTIDA EM MEDALHA

Nos primeiros tempos da conquista da velha África, um jovem capitão do 25º regimento de linha, ia, cheio de ardor, tomar parte no assalto de Constantina.

Antes de embarcar, foi abraçar sua mãe, senhora nobre e muito cristã:

– Meu filho – disse ela, entre lágrimas e carícias –, lembra-te, no meio dos combates, de tua Mãe do Céu. Desde a mais tenra infância, ensinei-te a honrá-la mais do que a tua mãe da terra, e me parece que não A invocas mais. Pendura ao pescoço esta medalha, que será tua proteção.

Nenhuma testemunha presenciou esta cena, e o militar ocultou o presente materno sob a farda, para não provocar os gracejos dos camaradas.

Sabe-se quanto durou e como foi laborioso aquele memorável assédio. No momento do assalto, intrépido como todo oficial francês, nosso jovem herói arroja-se à frente de seus soldados, e logo ao primeiro passo, uma bala inimiga o lança por terra. A bala atravessou a farda da qual destacou um pedaço; parou sobre a medalha, e tomou a impressão milagrosa da imagem sagrada, a ponto de deixar ler a inscrição: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.1

No ano seguinte, isto é, em 1837, o jovem capitão voltou para a França. Teve a felicidade de converter-se sinceramente: deixou o serviço dos senhores da terra pelo Senhor do Céu. Morreu em Nice, em 1877, debaixo do hábito branco de Padre missionário da África.

Foi de sua própria boca e à vista da bala maravilhosa, que o autor (Cônego Arnaud) recebeu esta narração.

(MARIA, ENSINADA À MOCIDADE).

1. A medalha milagrosa e a bala de Constantina são religiosamente conservadas na casa das missões africanas, em Nice (França). Estão à disposição das pessoas que desejam verificar a intervenção sobrenatural de Maria (Cf. Efeitos maravilhosos da medalha milagrosa, p. 158, Casterman, editor).


Fonte: Arautos do Evangelho em Maringá

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MEIO SIMPLES DE ESTAR SOB A PROTEÇÃO DE MARIA

Paris, novembro de 1830, quase meia-noite. No convento das Filhas da Caridade reina o silêncio. As religiosas dormem profundamente depois de uma jornada de orações e atendimento aos desvalidos. Dorme também a Irmã Catarina Labouré.

— Irmã Catarina! Irmã Catarina! — Diz uma voz infantil, junto ao leito da Irmã Catarina Labouré.

Deixemos que ela mesma narre o que se passou:

“Abri a cortina e vi um menino de quatro a cinco anos, vestido de branco, que me disse:

—Vinde à Capela. A Santíssima Virgem vos espera.

Acompanhei o menino que irradiava luz, iluminando nosso caminho. Tocou com a ponta dos dedos a pesada porta da Capela e esta se abriu. A Capela estava toda iluminada como para a Missa de meia-noite no Natal.

Ajoelhei-me junto a cadeira vazia do diretor espiritual e ouvi um ruído como o frufru de um vestido de seda. Era a Santíssima Virgem; sentou-se. Dei um salto, ajoelhando-me com as mãos apoiadas sobre seus joelhos. Ali passou-se o momento mais doce de minha vida.

Disse-me a Virgem:

— Minha filha, Deus quer te encarregar de uma missão. (…) Os tempos atuais são muito ruins. Calamidades vão se abater, o mundo inteiro será agitado por todo tipo de males (a Santíssima Virgem tinha o ar muito entristecido ao dizer isso)”.

A VIRGEM SANTÍSSIMA REVELA A MEDALHA

Pouco tempo depois, a 27 de novembro, Nossa Senhora aparece revelando a Medalha e as promessas de misericórdia.

Diz Santa Catarina:

“A Santíssima Virgem Maria, resplandecente, trajava um vestido branco-aurora. Seus pés pousavam sobre a metade de um globo; nas mãos, anéis emitem feixes de raios luz.

— Este globo representa o mundo, a luz dos anéis são o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que me pedem.

Formou-se em torno da Santíssima Virgem um quadro ovalado, no qual se liam estas palavras, escritas em letras de ouro: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorrermos a Vós’. De repente o quadro pareceu girar e vi o reverso da medalha: o monograma de Maria (o “M” encimado por uma cruz), os Corações de Jesus e de Maria. Nas bordas as doze estrelas”.

“Depois uma voz: ‘Faze cunhar uma medalha conforme este modelo; as pessoas que a portarem com piedade receberão grandes graças, sobretudo se a levarem no pescoço; as graças serão abundantes para aqueles que tiverem confiança’.

A Medalha foi cunhada e espalhou-se com rapidez pelo mundo inteiro. Em toda parte foi instrumento de misericórdia, arma terrível contra o demônio, remédio para muitos males, meio simples e prodigioso de conversão e de santificação.

MEIO SIMPLES DE ESTAR SOB A PROTEÇÃO DE MARIA

É tão simples usufruir dessas graças, caro leitor: em qualquer livraria católica você obtém a medalha e pede a um sacerdote que a abençoe e passe a usá-la ao pescoço, procurando levar uma vida agradável aos olhos de nossa querida Mãe, cumprindo os Mandamentos, pedindo o aumento do amor a Deus e a Ela, amando o próximo por amor de Deus.

A Virgem Santíssima lhe protegerá, guiará e obterá as bênçãos de seu Divino Filho.

(Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, “A Medalha Milagrosa – História e celestiais promessas”. ACNSF, São Paulo, 3ª Edição, 2001.)

Ilustrações: Arautos do Evangelho


Fonte: Arautos do Evangelho em Montes Claros

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POSTURAS E ATITUDES NA IGREJA E NAS MISSAS

Na liturgia da Missa, a Igreja ordena que certos gestos e posições sejam adotados porque são apropriados para reconhecer o mistério que se celebra


Pe. Rafael Ramón Ibarguren Schindler*, EP

Membros do Oratório em Missa na Basílica dos Arautos em Caieiras/SP

É evidente que diante do Santíssimo Sacramento, uma posição reverente deve ser tomada, e ao dizer isso, diz-se pouco, pois se está diante do próprio Deus! A dignidade no vestir, a sobriedade nos movimentos, a circunspecção no discurso, mesmo o cuidado de silenciar o celular, em suma, tudo isso, são atenções e atitudes que se impõe.

Na liturgia da Missa, a Igreja ordena que certos gestos e posições sejam adotados porque são apropriados para reconhecer o mistério que se celebra. Não é um show, nem um hobby, nem muito menos uma diversão. Tanto quanto a companhia do Senhor nos enche de alegria, a dimensão do mistério que se celebra não pode deixar de ser considerada uma prioridade.

Desta forma, com a postura corporal e o decoro, estaremos fazendo a participação inteligente e frutífera que a celebração do mistério cristão exige. Esse cuidado a Igreja quer não apenas nas celebrações em comunidade; Também é válido para adoração pessoal silenciosa ou em pequenos grupos.

A Instrução Geral do Missal Romano (que contém as normas para a celebração da Missa) nos diz algo muito importante: “A postura uniforme, seguida por todos os que fazem parte da celebração, é um sinal de comunidade e unidade da assembleia , uma vez que expressa e promove a unidade de todos os participantes”.

Nada mais grotesco e até chocante que, no meio da Missa ou adoração eucarística, uma pessoa se destaque por suas atitudes originais e chamativas, como se prostrar no chão ostensivamente, falar alto ou coisas assim. E infelizmente existem! Na adoração de Deus, deve-se considerar Sua Divina Majestade e não os sentimentos do fiel. É claro que haverá particularidades próprios para regiões com diferentes tradições; Como, por exemplo, em certas regiões do Oriente onde se retira os sapatos e se cobre a cabeça …

Em qualquer caso, as posturas corporais diante da Eucaristia são basicamente três: estar de joelhos, ficar de pé e sentado. Essas modalidades não são exclusivas, haverá outras; mas estas são as mais apropriadas.

Parece uma banalidade dizer algo tão óbvio. Ou uma mediocridade chegar a este ponto, uma vez que o principal não é o que é exibido, mas o que se leva interiormente. Por exemplo, é mais importante do que sentar ou estar de joelhos, é ter feito uma boa confissão para que se possa aproximar do Senhor com uma consciência limpa. Claro, isso vale mais do que a qualidade do vestido ou a posição do corpo.

Mas hoje nota-se que a compostura não é das melhores nos dias que correm e a educação está em queda livre. Não é incomum ver em momentos importantes e solenes de adoração, homens com as mãos nos bolsos ou as pessoas que falam em telefones ditos “inteligentes”…

Estando de joelhos, ficar de pé ou sentado são posições apropriadas que correspondem a razões de fé, história e estética. A postura ajoelhada é penitencial, de arrependimento e humildade. São Basílio diz que é assim que se mostra que o pecado nos levou à terra. Mas não é apenas penitencial, é oração e súplica. No Novo Testamento existem várias referências sobre o quanto os primeiros cristãos, especialmente São Paulo, ficavam de joelhos. O apóstolo chega a dizer: “é por isso que eu inclino meus joelhos diante do Pai”(Ef 3, 14).

Celebração Eucarística na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima dos Arautos em Cotia/SP

Estar de pé é a postura do sacerdote, mas também dos fiéis nas celebrações litúrgicas, especialmente na espiritualidade do Oriente, de onde veio o cristianismo. Levantar-se e ficar de pé diante de uma pessoa que se quer honrar é a atitude certa. Em pé, enquanto colocamos nosso corpo na direção do céu, enfatizamos para louvar o Senhor. É uma atitude de escuta. Hoje em dia, o normal é ouvir uma exposição sentado enquanto o falante está em pé. Mas antes não era assim: o professor ou o conferencista sentavam-se e as pessoas o ouviam, perto ou distantes, mas de pé.

Sentado ajuda a relaxar e facilitar a meditação. As leituras na missa (exceto o Evangelho) são ouvidas enquanto estão sentadas. Foi assim que Maria Madalena estava aos pés do Senhor, bem como, o próprio Menino Jesus no meio dos doutores da lei.

Missa na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, Águas da Prata/SP

Agora, acontece que nosso corpo geralmente sofre desconforto, especialmente quando se está em idade avançada. É importante que o corpo não seja um obstáculo para a oração, ao contrário, deve ser um “aliado”. Dependendo das circunstâncias, às vezes temos que saber como domesticá-lo e outras vezes temos que entrar em um acordo diplomático … Queremos estar de joelhos, mas o incômodo é grande? Então nos sentamos. Estamos sentados e o sono nos tenta? Nos levantamos.

Ama Deum et fac quod vis, “ame a Deus e faça o que quiser”, afirmou Santo Agostinho. Esta é uma regra de ouro. Se amamos a Deus ou, pelo menos, se quisermos amá-lo seriamente, necessariamente agiremos bem, mesmo nos pequenos gestos.

Por sua parte, o autor dessas linhas pode testemunhar que foi isso que ele aprendeu e se esforça para viver na comunidade dos Arautos do Evangelho da qual faz parte. O carisma dos Arautos é muito bem expresso no sublime mandamento: “Sede, portanto, perfeitos, assim como o vosso Pai Celestial é perfeito” (Mt 5, 48). Portanto, fiquemos “perfeitamente” diante do Senhor!

Assunção, Paraguai, novembro de 2017.

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* Conselheiro de Honra da Federação Mundial das Obras Eucarísticas e da Igreja.

Fonte: Apostolado do Oratório

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AS CORES QUE A GENTE VIA QUANDO ERA CRIANÇA

As recentes cenas de rigoroso inverno no hemisfério norte fizeram-me lembrar uma expressão que expressa bem uma realidade em que todos já vivemos um dia… e gostaríamos de nunca tê-la deixado. Depois da citação, o leitor verá qual é essa realidade.

Num livro sobre a Rússia, pouco antes do domínio comunista (1), o autor se imagina chegando a Moscou nos primeiros dias de janeiro. Fazia um frio que nós brasileiros não temos ideia do que seja: 40 o negativos, e devido a neve e o gelo abundante, os “carros” puxados a cavalo não tinham rodas, mas patins semelhantes aos que usam os esquiadores.

Indicado o destino ao condutor do carro, em certo momento, se vê a Basílica de São Basílio, no Kremlin, conhecida mundialmente pelas suas cúpulas multicores, multiformes, a alturas, formatos e tamanhos diferentes. O autor então comenta, extasiado:

“O que vejo? Uma Catedral? Não. Uma cascata de maravilhas que ficaram ali, pairando entre o céu e a terra, brilhando com todas as cores que nós víamos quando éramos criança”.

Ou seja, as cores que víamos na inocência…

Inocência. Quão rara e pouco duradoura esta se vai fazendo em nossos dias, destroçada pelas não-famílias, pelos mau exemplos de quem devia dar bons exemplos, pela miragem das novas tecnologias, em especial pelo vício do celular, por padrões totalmente alheios às leis da natureza e do bom senso, etc. (Aqui seria preciso por vários “etc”…)

Peçamos a Nossa Senhora, exemplo mais magnífico de inocência, que tenha piedade da situação em que as novas gerações vão encontrando, mas estejamos confiantes de que Ela reverterá a situação, pois em Fátima prometeu: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!”.

Peçamos a Maria Santíssima graças de confiança, de esperança de que, muito antes do que muitos imaginam, esse triunfo se dará. E para aqueles que se sentem na voragem de tudo quanto é o contrário da inocência, da pureza, da ordem e sobretudo do amor a Deus, que esses confiem na misericórdia d’Ela e voltem a ser verdadeiramente seus filhos.

É o que lhes desejamos nesse novo ano.

(1) Henri Troyat, A Vida Quotidiana na Rússia no Tempo do Último Czar, Ed. Livros do Brasil, Lisboa, 1988.

Ilustrações: Arautos do Evangelho, pixabay, Открытая Россия


Fonte: Arautos do Evangelho em Montes Claros

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O CANTO DE SANTA CECÍLIA

O que levou o consenso católico a declarar Santa Cecília padroeira da música?

Cecília era filha de cristãos, de uma das famílias mais ilustres de Roma no século III, época auge da perseguição aos católicos por parte dos pagãos romanos.

Os martírios eram o dia a dia na vida da Igreja, apenas superada pela atual perseguição espalhada pelo mundo. O próprio Papa lembrou disso recentemente: o número de católicos martirizados cada dia, atualmente, supera o de mártires dos primeiros séculos.

Cecília foi educada por uma católica, à qual deveu boa parte de sua formação religiosa. Os pais apoiavam tal educação com alegria, mas sendo Cecília ainda adolescente vieram a falecer.

Passou a viver com os tios, pagãos que levavam uma vida frívola e mundana. Incitavam Cecília a lhes seguir os passos, mas ela sempre sabia se esquivar e estar longas horas em oração, participando com frequência das Missas nas catacumbas.

Logo que pôde, pediu para receber a Eucaristia, a qual lhe foi ministrada pelo próprio Papa.

CONVERTE O ESPOSO PAGÃO

Tinha feito voto de virgindade, pois queria seu coração só para Deus. Seus tios, porém, fizeram uma tal insistência que o Papa aconselhou-a casar-se.

Seu esposo, Valeriano, nobre como ela, admirava-a sobretudo pelas qualidades morais, pela vida modelar, se bem fosse Cecília muito formosa.

Logo após a cerimônia nupcial, Cecília explicou a Valeriano ter feito voto de virgindade e queria mantê-lo. Explicou de tal maneira imbuída pelo puro amor de Deus, que Valeriano pediu para ser instruído na fé católica, recebendo o Batismo e fazendo ele também voto de viver com Cecília como irmãos.

Descobertos pelos perseguidores, Cecília foi condenada a morrer numa fornalha, mas após um dia e uma noite, encontraram-na viva, ajoelhada e rezando calmamente.

O prefeito romano ordenou que fosse decapitada. Cecília ajoelhou-se expôs o pescoço e sorridente esperou o golpe. O carrasco deu-lhe três golpes de espada, sem conseguir degolá-la.

Uma multidão de cristãos invadiu o pretório. Cecília estava caída, com a ferida sangrando, mas viva. Pediu os Sacramentos e, enquanto os esperava falou aos circundantes com tal fervor que muitos pagãos se converteram.

O próprio Papa ministrou-lhe a Eucaristia e a Extrema Unção. Pouco depois, Cecília, percebendo a chegada da morte, fez seu último ato de fé: mostrava o dedo de uma das mãos e três da outra, reafirmando, assim, sua crença em Deus Uno e Trino.

Imagem com os restos mortais de Santa Cecília

Seu corpo foi colocado sob o altar onde o Papa celebrou a Missa naquela noite, costume este conservado durante muitos séculos: sob os altares ficavam as relíquias de mártires.

POR QUE PADROEIRA DA MÚSICA?

Na ata do martírio de Santa Cecília, há esta frase: “Enquanto ressoavam os concertos profanos das suas núpcias, Cecília cantava, no seu coração, um hino de amor a Jesus, seu verdadeiro Esposo”.

Foi em honra desse hino de amor a Deus que Santa Cecília foi sempre tomada como protetora da música.

Ilustrações: Arautos do Evangelho, gkrajl


Fonte: Arautos do Evangelho em Vitória

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CAVALARIA DE MARIA: HÁ UM ANO

No ano de 2016, os missionários percorreram mais de 25 000 Km, passando por 10 estados do território nacional realizando Missões em mais de 30 cidades. Entretanto, muito mais significativo do que estes números, foram a acolhida dos fiéis e as graças de Nossa Senhora

Ir. Mozart Ramiro, EP

Paróquia São José em Guapiara

Em dezembro o ano encerrou-se na cidade de Guapiara/SP, na Paróquia São José. Em seguida, já em janeiro, as primeiras missões de 2017 foram em Campos Novos Paulista/SP, na Paróquia São José, em Fartura/SP, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, e em Águas da Prata/SP, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Roque. (fotos abaixo).

Com a grata lembrança dos dias que passamos juntos, deixamos aqui nossos calorosos cumprimentos a estas cidades pelo aniversário de um ano de tão importante trabalho de evangelização.


Fonte: Apostolado do Oratório

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OS DONS DO ESPÍRITO SANTO EM MARIA

Os dons do Espírito Santo são hábitos sobrenaturais infundidos nas potências da alma (no momento do Batismo), para (dispô-la) a receber e secundar com facilidade as moções do próprio Espírito Santo.

Em primeiro lugar, ordenam-se a receber a moção divina, e neste sentido podem ser considerados como hábitos receptivos ou passivos. Porém, ao receber a divina moção, a alma reage vitalmente e a auxilia com facilidade e sem esforço graças ao mesmo dom do Espírito Santo, que atua neste segundo aspecto como hábito operativo. São, portanto, hábitos passivo
-ativos, a partir de distintos pontos de vista.

Sete são os dons do Espírito Santo, segundo Isaías (XI, 2-3), a saber: de entendimento, de sabedoria, de ciência, de conselho, de fortaleza, de piedade e de temor de Deus, dos quais, os quatro primeiros pertencem à perfeição do entendimento, e os outros três à perfeição da vontade”.

Distinção entre virtudes e dons

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Maria recebeu o título de Mãe do Bom Con- selho, por resplandecer n’Ela, de modo admirável, este dom do Espírito Santo Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano (Itália)

A distinção essencial entre as virtudes e os dons está na diferente maneira de operarem aquelas e estes: na prática da virtude, a graça nos deixa ativos, sob o influxo da prudência; o uso dos dons, ao invés, quando já chegamos a seu pleno desenvolvimento, requer de nossa parte mais docilidade do que atividade. Uma comparação: quem pratica a virtude navega a remo; quem goza, pelo contrário, dos dons navega à vela, com o que anda mais depressa e com menor esforço. Os dons aperfeiçoam as virtudes teologais e morais (isto é, as cardeais e as que delas derivam).

Deus dá, juntamente com a graça santificante, todos esses dons. Concede-nos, porém, a casa um em determinada medida. Só a Maria, por assim dizer, os deu sem medida. Passemo-lo brevemente em revista.

 A plenitude dos dons de Maria

  • Dom do Conselho

O dom do conselho aperfeiçoa a virtude da prudência, fazendo-nos julgar prontamente e com segurança, por uma espécie de intuição sobrenatural, acerca do que convém fazermos, especialmente nos casos difíceis, o objeto próprio do dom de conselho é a boa direção das ações particulares.

Admirável foi esse dom em Maria, que é chamada pela igreja a Mãe do Bom Conselho. Com efeito, a alma de Maria esteve sempre voltada para Deus, de quem recebia com sua facilidade todas as aspirações, motivo por que a Ela, mais de que a qualquer outro Santo, se podem aplicar as palavras: Tua proteção será o bom conselho e a prudência te salvará (Prov. II, 11).

Mas foi especialmente em duas circunstâncias que Maria Santíssima deixou conhecer o modo eminente em que possuía esse dom precioso.

Isto aconteceu, primeiro, em sua apresentação no Templo, quando, por inspiração divina, soube ser coisa agradável a Deus que Lhe fosse consagrada, desde a infância, pelo voto de perpétua virgindade. Em segundo lugar, foi em sua Anunciação, quando, ao ser saudada pelo Anjo como cheia de graça, e ao ser pedido seu consentimento para o cumprimento da Encarnação, se dirigiu ao Núncio celeste para saber dele quais eram as disposições divinas a seu respeito e, conhecidas estas, se ofereceu totalmente, como serva, ao Senhor.

  • Dom da piedade

O dom da piedade aperfeiçoa a virtude de religião, que é anexa à justiça e produz no coração um afeto filial para com Deus e uma terna devoção às Pessoas e às coisas divinas, para fazer-nos cumprir com santa presteza os deveres religiosos.

Se nos fosse dado penetrar com o olhar íntimo de Maria, ficaríamos maravilhados com os sentimentos de filial afeto para
com Deus, nEla inspirados pelo dom de piedade. Este levou Maria menina a dedicar sua atividade ao serviço do Templo, que Ela, com a mesma terna piedade, venerava por cima de todas as coisas materiais. Foi o dom de piedade que Lhe inspirou uma veneração especial pela Sagrada Escritura, como pelas palavras pronunciadas por seu Filho Jesus, as quais conservava todas em seu coração.

Na alma da Imaculada, tudo cantava a Deus sem resistência alguma, numa perfeita harmonia de suas potências e de todos os seus atos, ao sopro do Espírito Santo. Sua plenitude de graça e de santidade, sua total correspondência às mais leves inspirações divinas, seu desejo único de glorificar a Deus, fizeram da Virgem Maria, o mais belo templo vivo da Santíssima Trindade. Maria é a criatura que mais glória deu ao Senhor.

  • Dom da fortaleza

O dom da fortaleza aperfeiçoa a virtude de mesmo nome, dando à vontade um impulso e uma energia que a tornam capaz de operar e de sofrer animosa e intrepidamente grandes coisas, superando todos os obstáculos.

Se considerarmos, de um lado, a grandeza da obra a realizar-se, a que Maria fora predestinada por Deus e, de outro lado, as inumeráveis dificuldades que Lhe competia afrontar, não por parte da carne, pois era imaculada, mas por parte do demônio e do mundo, veremos que teria havido motivo justo para Ela perder a coragem, se houvesse sido deixada entregue a suas próprias forças. Como poderia jamais uma criatura, santa sim, mas débil por natureza achar tanta coragem para realizar uma obra tão árdua e para vencer inimigos tão feros? Na graça de Deus, por Jesus Cristo, responde São Paulo.

Sim, por meio da graça que Lhe será dada quase sem medida pelos méritos de Jesus Cristo, seu Filho, Maria vencerá todas as dificuldades, todo perigo e cumprirá a árdua empresa de cooperar com Cristo no resgate do gênero humano. Essa graça a tornará inarredável, qual rochedo em meio de um mar tempestuoso, e fará com que Ela repouse em Deus como uma criança nos braços maternos.

  • Dom do temor

O dom do temor aperfeiçoa ao mesmo tempo a virtude da esperança e a virtude da temperança, fazendo-nos temer desagradar a Deus e sermos separados dEle; a virtude da temperança, apartando-nos dos falsos deleites que nos poderiam levar a perdermos Deus.

É um dom, portanto, que inclina a vontade ao respeito filial de Deus, nos afasta do pecado que Lhe desagrada e nos faz esperarmos em seu poderoso auxílio.

Não se trata, pois, daquele medo de Deus que nos inquieta quando nos lembramos de nossos pecados, nos entristece e perturba. Nem se trata do temos do Inferno (Também chamado temor servil, que nos leva a evitar a culpa por medo do castigo), que basta esboçar uma conversão, porém não basta para dar acabamento à nossa santificação. Trata-se do temor reverencial e filial, que nos faz recear toda ofensa a Deus (ainda que esta não acarretasse nenhuma pena ou castigo).

Grande foi, na realidade, o temor de Maria, porém não foi nada servil. Com efeito, cheia como era da graça divina e tão pura, tão santa, que castigo poderia jamais temer? Nem ao menos houve propriamente nEla aquele temor chamado casto, o qual considera a possibilidade e o perigo de perder Deus com o pecado, pois sabia que, por uma assistência especial do Espírito Santo, não podia perder a graça. Pelo que o temor de Maria, à semelhança do temor de que esteve oprimida a própria alma de Cristo, era um temor reverencial, produzido por um sentimento vivíssimo da majestade infinita de Deus e de seu infinito poder.

  • Dom da ciência

Resta-nos considerar os três dons intelectuais: de ciência, de inteligência e de sabedoria. O dom da ciência nos faz julgar retamente das coisas criadas em suas relações com Deus; o dom de inteligência nos descobre a íntima harmonia das verdades reveladas; o dom da sabedoria nos faz julgar apreciar e gostar das coisas divinas (reveladas). Todos os três tem de comum que nos dão um conhecimento experimental, ou quase, porque nos fazem conhecer as coisas divinas não por via do raciocínio ou reflexão, mas por meio de uma luz superior que no-las faz atingir como se delas tivéssemos a experiência.

A ciência de que se fala é a ciência filosófica ou teológica, mas é chamada ciência dos Santos, que nos faz julgar santamente das coisas criadas em suas relações com Deus. Pode, pois, definir-se o dom de ciência como aquele que, sob a ação iluminadora do Espírito Santo, aperfeiçoa a virtude da fé, fazendo-nos conhecer as coisas criadas em suas relações para com Deus.

O objeto do dom de ciência são, portanto, as coisas criadas enquanto nos conduzem a Deus, do qual todas provêm e pelo qual todas são conservadas. Elas são como degraus para se subir até Ele.

A Mãe de Jesus possuía em grau eminente o (dom) de ciência, que A ajudava a distinguir o bem do mal nas criaturas com as quais tratava diariamente. Deus A havia conservado virgem, imaculada. Jamais havia experimentado do mal. Passou pela Terra como puríssimo reflexo de Deus.

E, sem embargo, nenhuma outra criatura julgou com tanta segurança acerca do pecado. Ela percebia o mal com infalível instinto divino. O Espírito Santo A esclarecia e ilustrava a respeito de tudo.

Mãe de um Deus Salvador, seu amor Lhe fazia sentir a bondade e a malícia de todos os homens, seus filhos (…) Ela conheceu todos os nossos sentimentos humanos, sublimados pelo amor divino. O coração de Maria envolvia, numa mesma ternura de Mãe, a seu Filho Jesus e à multidão de seus filhos adotivos.

Passeou pela criação maravilhando-se ao descobrir nela, a cada passo, um reflexo dos esplendores do Verbo (…) Homens e coisas apareciam a seus olhos iluminados pela claridade de Deus e, por contraste, distinguia também perfeitamente a sombra do Mal. (…)

Nenhuma criatura possuiu como Ela a ciência dos Santos, o conhecimento do bem e do mal, das possibilidades de queda e de ressurgimento contidas em nossa liberdade, Com sua translúcida fé, julgava de modo perfeito, o encadeamento das causas segundas no universo, à luz da ciência de Deus.

  • Dom da inteligência

O dom da inteligência se distingue do de ciência, porque seu objetivo é muito mais vasto: não se restringe só às coisas criadas, mas se estende a todas as verdades reveladas. Além disso, seu olhar é mais profundo, fazendo-nos penetrar (Intus legere – ler dentro) no significado das verdades reveladas. Não nos faz, é certo, alcançar os mistérios da fé, mas nos faz compreender que, não obstante sua obscuridade, são críveis, que se harmonizam bem entre si e com o que há de mais nobre na razão humana. E com isso se confirmam os motivos de credibilidade.

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Mater Boni Consilii

Que a Santíssima Virgem teve de modo esplendidíssimo o dom da inteligência, consta de que penetrou clarissimamente as coisas que são de fé, na medida do possível a uma alma nesta Terra. E conheceu por abundante experiência, como, por exemplo, que Ela, Virgem, concebeu a Deus; que Deus se fez homem; que Deus é um em essência e trino em pessoas; que o Filho de Deus é Deus e homem em unidade de pessoa. Conheceu também a suma dignidade de sua divina maternidade e a eminência de suas graças, a admirável economia da Redenção humana e a parte que Ela teve por beneplácito divino naquela laboriosa obra. Coisas todas que percebeu Ela com a conaturalidade e afetuoso espírito próprios da Mãe de Deus e cooperadora da Redenção.

  • Dom da sabedoria

O dom de sabedoria, o mais perfeito dos três dons intelectuais do Espírito Santo, aperfeiçoa a virtude da caridade e reside, ao mesmo tempo no intelecto e na vontade. Este dom compendia todos os demais, como a caridade compendia em si todas as outras virtudes.

Pode-se definir, pois, como um dom que, aperfeiçoando a virtude da caridade, nos faz discernir e julgar relativamente Deus e as coisas divinas segundo seus mais altos princípios, e nos dão disso o sabor.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria obteve em alto grau o dom da sabedoria, belamente o atesta Dionísio o Cartuxo: “Assim como Maria foi, depois de Cristo, inefavelmente mais santa que todos os Santos, assim também no dom de sabedoria foi maior, mais perfeita e mais esplêndida que nenhum outro.

Experimentou e saboreou mais que todos com o paladar da mente e de modo inestimável, secretíssimo, suavíssimo, frequentíssimo e exuberantíssimo, quão suave é Deus, quão bom o Deus de Israel para os retos de coração, quão bom o Senhor para os que esperam nEle, para a alma que O busca; quão imensa a sua doçura, quão verdadeiramente é o Deus escondido, mais secreto que todos os mistérios, que brilha candidissimamente e se manifesta à alma purificada com paternal mercê, clemência e abundância para contemplá-Lo e degustá-Lo. (…)

O Espírito Santo, com os sete dons, repousou no coração de Maria com inenarrável plenitude, e com o dom de sabedoria A ornou de incomparável formosura. Mais ainda. A pureza de coração dispõe em grande medida para o aumento e complemento da sabedoria. Na alma malévola não entrará a sabedoria, etc. Dado que a Virgem Maria resplandeceu com tão grande pureza e santidade, que depois de Deus não se pode conceber maior, compreende-se que a Sabedoria incriada se transladasse e se infundisse abundantissimamente na alma de Maria, e nEla o dom de sabedoria fizesse progressos tão indizíveis de modo incomparável nesse dom esta eminente Mãe da Sabedoria”. (CLÁ DIAS, JOÃO. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado. Artpress. São Paulo, 1997, pp. 477 à 481)


Fonte: Arautos do Evangelho

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SANTO AMARO DE IPITANGA É COMEMORADO NA BAHIA

“Vós sois o sal da terra e a luz do mundo. Que o sal não se acabe e que a luz se apague” (cf. Mt 5, 13-14) é a temática que inspira as celebrações da Festa de Santo Amaro de Ipitanga, na paróquia que leva o nome do Padroeiro, localizada no centro do município de Lauro de Freitas, na Bahia.

Santo Amaro de Ipitanga é comemorado na Bahia.jpg

O novenário, que começou em 6 de janeiro, acontecerá até 14 deste mês, sempre na Matriz, a partir das 19h, com exceção do dia 13, quando a novena terá início às 18h.

Em todas as noites, após o novenário, haverá quermesse na Praça da Matriz.

No dia do padroeiro, 15 de janeiro, os festejos terão início pela manhã, às 6h, com a alvorada, seguida de celebração eucarística às 7h.

Já a Missa Festiva será presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Estevam dos Santos Silva Filho, às 9h.

Encerrada a cerimônia, acontecerá uma carreata com a Imagem de Santo Amaro de Ipitanga pelas principais ruas do município até a comunidade Bom Pastor, situada no bairro Vida Nova.

Por fim, às 16h, em procissão, a comunidade São Pedro transladará a imagem de volta para a Matriz. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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MISSA FESTIVA DE NOSSA SENHORA DA AJUDA

No dia 18 de dezembro de 2017, foi celebrada pelo Padre Lázaro Muniz a Missa Solene em louvor a Nossa Senhora da Ajuda. A centenária Igreja, de muita importância na história da Bahia, estava repleta de devotos e fiéis. O Coral dos Arautos do Evangelho teve a honra de animar a Liturgia. A Celebração foi precedida de uma belíssima e fervorosa adoração ao Santíssimo Sacramento, terminada a qual houve a solene Coroação da Imagem de Nossa Senhora da Ajuda.

Durante a Missa, houve a recepção de novos membros da Venerável Irmandade de Nosso Senhor dos Passos. Predicando sobre as leituras do dia, o Padre Lázaro enfatizou a pessoa de São José, homem justo, que cooperou para o cumprimento das promessas de Deus e que acreditou nas palavras do Anjo que Lhe apareceu em sonho, dizendo-Lhe que não tivesse medo de receber Maria como Esposa. E Ele, docilmente, assim o fez, além de ter, ainda, a alta missão de dar ao Menino Deus a descendência do Rei Davi.

Ao final da Celebração Eucarística, o Padre fez agradecimentos a todos que ajudaram na realização da Festa, referindo-se, de modo especial, ao movimento Shalon e à Associação Arautos do Evangelho. Em seguida, houve a tradicional e fervorosa Procissão com a Imagem de Nossa Senhora da Ajuda, que percorreu várias ruas adjacentes à Igreja.

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CELEBRAÇÃO EM CONFRATERNIZAÇÃO NA CATEDRAL DE SALVADOR

Após a Missa na Igreja Nossa Senhora da Ajuda, dia 18 de dezembro de 2017, às 15h, o Coral dos Cooperadores dos Arautos do Evangelho também animou a Celebração do Natal de Jesus realizada em agradecimentos a todos os funcionários, operários e artífices que trabalham na restauração da Catedral de Salvador, o maior  templo construído pelos Jesuítas no Brasil. A celebração foi presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ.

Antes da celebração, o Coral entoou vários cânticos natalinos para os numerosos e competentes trabalhadores que aguardavam a chegada do Arcebispo. Havia um clima de muita interação entre o público e o Coral.  Anteriormente ao início da Liturgia, Dom Murilo dirigiu palavras de incentivo e agradecimento aos funcionários, enfatizando o zelo, a dedicação e competência com que vinham executando seus trabalhos, chamando a atenção deles para não perderem de vista o cuidado que nossos antepassados tiveram na construção do venerável templo, o que podia ser constatado nos mínimos, variados e belos detalhes que a cada momento se descobrem.

A Celebração constou de uma oração inicial, ato penitencial, proclamação do Evangelho, homilia, um interessante e participativo jogral, a bênção, seguida do canto Noite Feliz. Foi um momento simples e, ao mesmo tempo, forte de oração, de modo que as palavras proferidas pelo Excelentíssimo Reverendíssimo Arcebispo foram muito oportunas e tocaram no fundo do coração de todos os presentes. Estas poderiam ser resumidas na explicação do verdadeiro sentido do Natal, a saber: o grande e insuperável presente que Deus nos deu, que é por Ele amado como se fosse um filho único; e, por isso, somos muito importantes para Ele, que de nós quer apenas uma coisa: o nosso amor, a nossa correspondência ao seu amor.

Após a Celebração, Dom Murilo deu uma pequena explicação do papel de Nossa Senhora nos planos de Deus, oferecendo a cada um dos trabalhadores um livro de sua autoria sobre Nossa Senhora, juntamente com belas estampas do Senhor do Bonfim. E, enquanto eram feitas as fotografias de estilo, o Coral entoava cantos natalinos, preparando o clima para a chegada de Jesus, no Natal que se aproxima!

Confira, abaixo, outras fotos deste memorável dia!

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OS MAIS BELOS CÂNTICOS NATALINOS DE DIVERSOS PAÍSES, CANTADOS PELO CORO INTERNACIONAL DOS ARAUTOS DO EVANGELHO

Músicas Alemãs:

Músicas Espanholas:

Músicas Francesas:

Músicas Gregorianas:

Músicas Inglesas:

Músicas Italianas:

Músicas Polifônicas:

Músicas Diversas:

Músicas Em português:

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FESTA DO DIA: O BATISMO DO SENHOR

Duas figuras máximas se encontram: o Precursor e o Messias. Quem foi o Batista e por que quis Jesus ser batizado?

João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Ele pôs-se a proclamar: .Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-Lhe a correia do calçado. Eu vos batizei com água; Ele, porém, vos batizar á no Espírito Santo.. Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão. No momento em que Jesus saía da água, viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre Ele. E ouviu-se dos céus uma voz: .Tu és o meu Filho muito amado; em Ti ponho minha afeição. (Mc 1, 6-11).

No trecho do Evangelho de domingo, tirado de São Marcos, temos o relato do batismo mais simbólico de toda a história. É interessante conhecer preliminarmente o fundo de quadro em que se passou esse tão significativo fato.

Uma voz clama no deserto

Cortando a antiga terra de Israel de norte a sul, o rio Jordão devia sua importância aos acontecimentos históricos que transcorreram ao longo de seu curso, mais do que ao fato de ser elemento indispensável para a manutenção da vida naquele árido território.

Fora ele palco de muitos milagres e assistira a cenas grandiosas, nas quais brilhara a justiça de Deus. Contudo, por volta do ano 28 de nossa era, o que ocorreu ali superava de longe todo o passado. João, filho do sacerdote Zacarias, deixou seu isolamento no deserto e passou a percorrer a região do rio, “pregando o batismo de arrependimento para a remissão dos pecados“. (Lc 3, 3).

A corroborar sua autoridade moral, tinha o Batista sua vida de penitente do deserto, extraordinariamente santa e mortificada: “Andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre”. Acrescia-lhe a reputação seu nascimento milagroso, de muitos conhecido.

Mais ainda: sabido era entre o povo eleito que fora profetizada a vinda de um precursor do Messias: “Como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: ‘Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. (Lc 3, 4). Suas exortações partiam, assim, de alguém com todas as credenciais de autenticidade para conduzir à conversão.

Grande comoção em Israel

Havia cerca de 400 anos que nenhum profeta fazia ouvir sua voz em Israel.

Nada mais explicável, pois, do que o alvoroço causado por São João Batista. De todos os lados afluíam multidões para ouvi-lo. Vendo-as diante de si, ele as admoestava, e suas palavras calavam fundo nas almas, levando muitas ao arrependimento: “Dizia ele: Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus”.(Mt 3, 2).

Símbolo da purificação da consciência, necessária para receber esse “reino dos céus” que estava “próximo”, o batismo conferido por São João confirmava as boas disposições de seus ouvintes. “Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão”, conta São Mateus (3, 6).

Israelitas de todas as classes acorriam ao profeta da penitência, dispostos a purificar o coração. Entretanto, havia também os opositores. Saduceus, fariseus e doutores da lei, que o viram inicialmente com bons olhos, não demoraram a votar-lhe profunda antipatia. Incomodados com sua extraordinária influência, irritados com as pregações, nas quais condenava os vícios em que eles incorriam, passaram a agir contra João. Questionaram seu direito de batizar e lhe prepararam armadilhas. Demonstrando grande sagacidade, São João não se deixou enlear.

Inexorável para com os hipócritas e os soberbos, o profeta mostrava-se doce com os sinceros e os humildes. “Preparai-vos!” repetia incansavelmente, “abri a via do Senhor!”

Apareceram-lhe discípulos, que o assistiam em seu ministério, e que passaram a constituir um modelo de piedade mais fervorosa. Enfim, sua pregação produzia um grande movimento popular rumo à virtude, como nunca se vira na história de Israel.

Encontro com o Messias

A missão do Precursor era preparar os caminhos do Messias. Vivia, portanto, na expectativa do encontro com Ele. Não esperou muito tempo. Certo dia, notou a presença de Jesus no meio dos peregrinos. Tomado de sobrenatural emoção, inclinou-se para o recém-chegado, esquivando-se de Lhe dar o batismo: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” Respondeu-lhe, porém, Jesus: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa”. Obediente, São João O imergiu no Jordão.

Logo que saiu da água, Jesus se pôs a orar. Então o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Ele na forma de uma pomba. “E ouviu-se dos céus uma voz: Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição”.

Missão encerrada

Algum tempo depois de batizar o Messias, São João caminha para o martírio, deixando a cena histórica, como ele mesmo havia predito: “Importa que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). Entrara em cena o Salvador, estava cumprida a missão do Precursor. Restava-lhe apenas o derradeiro ato de sua grandiosa vida: o martírio.

Conforme afirma São Tomás de Aquino, “todo o ensinamento e a obra de João eram preparatórias da obra de Cristo, como a do aprendiz e do operário  inferior é preparar a matéria para receber a forma que há de introduzir o principal artífice”.

Os grandes artistas tiveram aprendizes que pintaram as partes menos importantes de seus quadros, ocupando- se eles apenas dos aspectos essenciais. Também os grandes entalhadores tiveram auxiliares que afiavam as ferramentas, limpavam o ateliê, faziam as compras das madeiras apropriadas, etc. Assim foi o trabalho de São João, preparando a vinda de Nosso Senhor.

Diante da altíssima vocação do Batista, os Doutores da Igreja exprimiram sempre grande admiração. São Tomás de Aquino, por exemplo, colocava João entre os profetas do Novo Testamento. Se o considerássemos do Antigo, dizia o Aquinate, seria maior que Moisés.

Já São Francisco de Sales vê João como profeta do Antigo Testamento, a última luz da Lei mosaica e – diz sem titubear – a maior.

De qualquer modo, a grandeza de João era tal que o próprio Jesus declarou ser ele mais que um profeta, acrescentando este elogio supremo: .Entre os nascidos das mulheres, não veio outro ao mundo maior que João Batista. (Mt 11, 11).

Por que Jesus quis ser batizado?

O batismo conferido por São João não era da mesma natureza que o Batismo sacramental, instituído posteriormente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Provinha verdadeiramente de Deus, mas não tinha o poder de conferir a graça santificante. O próprio Batista pôs em realce a diferença: “Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.” (Lc 3, 16).

O efeito do batismo de João consistia num incentivo ao arrependimento dos pecados, explica São Tomás de Aquino. Ora, em Jesus não havia sequer sombra de pecado, nem poderia haver, uma vez que Ele era o Homem-Deus. Não tinha, portanto, matéria para arrependimento e penitência. O que explica, então, que Ele tenha querido ser batizado?

Sujeitar-se à condição humana

Várias são as razões dadas pelos Padres e Doutores da Igreja.

Eis uma delas: quando o Verbo se fez Homem, Ele quis se sujeitar às leis que regem a vida humana. Por exemplo, obedeceu às leis que estavam em vigor entre os judeus, sendo apresentado no Templo após seu nascimento, sofrendo a circuncisão, e cumprindo os ritos da Páscoa judaica. Assim, quis também receber o batismo penitencial de João. Perdido no meio da multidão, Jesus . inocente . submeteu-se a um rito destinado ao pecador: “Convém cumpramos a justiça completa”, justificou-se Ele perante o profeta.

Comentando essas palavras, Santo Agostinho diz que Nosso Senhor “quis fazer o que ordenou que todos fizessem”. E Santo Ambrósio acrescenta: “A justiça exige que comecemos por fazer o que queremos que os outros façam, e exortemos os outros a nos imitarem pelo nosso exemplo”.

Purificar as águas

Entre as dez razões enumeradas na Suma Teológica para o batismo de Jesus, São Tomás de Aquino coloca em destaque o objetivo da purificação das águas.

Citando Santo Ambrósio, diz o Doutor Angélico que “o Senhor foi batizado, não por querer purificar-se, mas para purificar as águas”. Desse modo, continua ele, as águas “purificadas pelo contato com o corpo de Jesus Cristo, que não conheceu o pecado, tivessem a virtude de batizar”. E conclui citando o mesmo argumento, de São João Crisóstomo, de que Jesus “deixou as águas santificadas para os que, depois, deveriam ser batizados”.

Temos aqui um interessante problema teológico-metafísico: por que razão Deus escolheu a água como matéria para o Batismo?

A água é um elemento rico em simbolismo. Por exemplo, é uma imagem da exuberância de Deus. Basta considerar que três quartas partes da superfície da Terra são constituídas por água.

Também é símbolo de vida. É elemento essencial para a manutenção de todos os seres vivos. Quanto mais abunda a água numa região, maior é a quantidade de plantas e animais que ali se desenvolvem. Além disso, ela é o elemento preponderante da matéria viva, de modo tal que o próprio corpo humano é composto, na sua maior parte, de água.

Podemos considerá-la também um símbolo da bondade, do carinho e da magnanimidade de Deus para com a humanidade. Agrada ao ser humano vê-la cair, em forma de chuva, cristalina, refrescante, tornando fértil o solo, favorecendo as plantações, limpando o ar.

Vista por outro prisma, tem ela uma potência descomunal de destruição. Apesar de toda a técnica moderna, e de um presunçoso progresso que se julgou capaz de um dia conseguir dominar os elementos da natureza, os homens se espantam e se aterrorizam com a força destruidora das águas. E ainda nisso ela é para nós um símbolo, o do poder onipotente de Deus.

Por sua capacidade de lavar, ela lembra a limpeza espiritual. Por diversas vezes a Sagrada Escritura assim a ela se refere, como no seguinte trecho: “Derramarei sobre vós águas puras, que vos purificarão de todas as vossas imundícies e de todas as vossas abominações” (Ez 36, 25). Nessa passagem, o profeta Ezequiel prediz o batismo de São João e, mais especialmente, o Batismo sacramental, instituído por Jesus. Do mesmo modo, ele é referido por Zacarias, quando este diz: “Naquele dia jorrará uma fonte para a casa de Deus e para os habitantes de Jerusalém, que apagará os seus pecados e suas impurezas” (13, 1).

Nada mais conveniente, portanto, do que a água ser a matéria do Batismo. E nada mais adequado que Deus encarnado ter querido purificá-la pelo contato de seu sacratíssimo corpo.

Incentivo ao Batismo

Outro motivo, dos mais importantes, para o Senhor decidir sujeitar-se ao ritual do Jordão era estimular nos homens o desejo do Batismo sacramental. A recepção do Batismo é necessária para a salvação, como demonstram as palavras de Jesus a Nicodemos: “Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus”(Jo 3, 5). Pelo tom categórico da afirmação, avalia-se a importância desse Sacramento.

O batismo de João levava ao arrependimento dos pecados, mas não tinha o poder de perdoá-los. O Batismo sacramental, instituído por Jesus Cristo, tem efeitos infinitamente maiores.

Adão transmitiu a todos os seus descendentes a culpa original. O Sacramento do Batismo limpa a alma da mancha desse pecado, confere a graça santificante, eleva o homem à condição de filho de Deus e abre-lhe as portas do Céu. Ele é a chave de todos os outros Sacramentos, indispensáveis para o homem cumprir com fidelidade a Lei de Deus.

Tal é a grandeza e a eficácia do Sacramento do Batismo.

Exortação que permanece até o fim do mundo

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29), declarou São João Batista a dois de seus discípulos, indicando Nosso Senhor Jesus Cristo que passava.

São João Evangelista e seu irmão, São Tiago, que até então haviam seguido fielmente o Batista, compreenderam que Jesus era Aquele ao qual deviam entregar suas vidas. E deixando seu antigo mestre, procuraram logo o Senhor, pedindo-Lhe permissão para O acompanharem e viver com Ele.

Pelos séculos dos séculos, essas palavras do grande .profeta da penitência . ressoarão no mundo, convidando todos os homens a também colocarem seus olhos no Divino Salvador, a se encantarem com a figura d.Ele e . como católicos fiéis . a seguirem seus mandamentos, até o momento em que forem chamados para estar definitivamente com Ele, na vida Eterna.


Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2003, n. 13, p. 7 à 11

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SÃO RAIMUNDO DE PEÑAFORT: UM HOMEM PARA TODAS AS MISSÕES

São Raimundo de Peñafort - Arautos do Evangelho

Diretor espiritual do rei, apóstolo das gentes, célebre canonista, professor, reformador dos costumes, protetor dos pobres, conciliador de litígios, não havia campo de apostolado ao qual ele não se lançasse.

Alguns santos a Providência dá uma missão restrita, bem delimitada. Outros são chamados para acudir às necessidades gerais da Igreja, nos mais diversas campos de apostolado. Eles sustentam a causa de Deus em toda parte, são, por assim dizer, factótuns (faz-de-tudo) de Deus.

Uma vocação universal

Nessa perspectiva, a vida de São Raimundo se torna mais facilmente compreensível. Trata-se de um Santo com uma vocação universal. Chamado pela Providência para as missões Sao Raimundo Penafort_.jpgmais diversas, ele, com uma versatilidade prodigiosa, “faz de tudo”, quase ao mesmo tempo.

Nasceu em 1175, no castelo de Peñafort, na Catalunha, Espanha. Seus pais eram de nobre estirpe de cavaleiros. Ainda leigo, com a idade de 20 anos, já ensinava filosofia em sua cidade, mais com o intuito de formar os corações do que de instruir os espíritos. O tempo que lhe sobrava, empregava- o em socorrer os infelizes e conciliar divergências entre seus concidadãos.

Aos 30 anos ingressou na Universidade de Bolonha, onde estudou Direito Canônico e Civil com tal êxito que não tardou em doutorar-se e passar de aluno a mestre. As qualidades e virtudes do piedoso doutor faziam dele um dos mais belos ornamentos da famosa Universidade. Em pouco tempo, sua reputação já alcançava países distantes.

Em 1219, o Bispo de Barcelona, Dom Berenger, foi a Bolonha, com o objetivo de levar consigo Raimundo para sua diocese. Bem sabia o Prelado quanto este lhe seria valioso instrumento para reforma dos costumes, reafervoramento do povo e até mesmo do clero da Catalunha. O famoso professor, entretanto, não se mostrava disposto a abandonar seu campo de trabalho, onde podia fazer tanto bem para a salvação das almas.

O Bispo, porém, sabia como tocar as cordas sensíveis do Santo. Após expor- lhe as prementes necessidades da Igreja em Barcelona, afirmou que ele tinha uma particular obrigação de atender primeiro seu país natal. Depois lhe mostrou o perigo de se afastar do caminho de Deus, ao qual ele ficaria mais exposto se seguisse apenas sua própria vontade. E encerrou com o seguinte argumento: em Bolonha, o brilho de sua reputação lhe atraía tão grandes aplausos que não poderia deixar de aumentar desmedidamente suas ocupações, com prejuízo da vida interior. Por fim, Raimundo se deixou persuadir e transferiu-se para Barcelona, dedicando-se de corpo e alma ao serviço do Altar.

Modelo dos sacerdotes

Nomeado cônego, e pouco depois arqui-diácono, logo tornou-se o modelo dos sacerdotes na igreja de Barcelona, tanto pela inocência de sua vida quanto pela regularidade e exatidão no cumprimento de todos os ministérios.

Empenhou-se para que os atos litúrgicos fossem realizados com a maior dignidade e beleza. Autorizado pelo Bispo, promoveu pela primeira vez a celebração da festa da Assunção de Nossa Senhora, com ofício solene.

Raimundo estava sempre pronto a socorrer os indigentes e auxiliar a todos quantos iam consultá-lo. Em pouco tempo fez-se amado e respeitado por todos. O exemplo de suas virtudes contribuiu mais para a reforma dos costumes que toda a autoridade da qual fora revestido pelo Bispo.

Mas o desejo de levar uma vida mais perfeita, mais penitente e menos exposta aos olhos dos homens, cujos louvores temia, o impelia a procurar um estado de maior dedicação. Quando professor em Bolonha, testemunhara as grandes virtudes de São Domingos e os milagres que Deus realizava por meio desse Santo. Era grande admirador da vida angélica dos primeiros dominicanos estabelecidos em Barcelona. Dócil à voz de Deus que o chamava a ser como eles, recebeu o hábito religioso de São Domingos na Sexta-Feira Santa de 1222, na idade de 47 anos.

Seu exemplo atraiu para a Ordem Dominicana vários personagens ilustres, como Pedro Ruber, Raimundo de Rosannes e outros piedosos eclesiásticos, cuja vocação e talento deram novo brilho à Ordem em toda a Catalunha.

Homem de grande ciência

Esse novo estado de vida foi para ele um acréscimo de fervor e uma escola de perfeição. As graças que recebia na oração aumentavam-lhe sempre o desejo de se mortificar e tornar-se útil no serviço da Igreja e do próximo.

Os superiores valeram-se sabiamente de tais disposições para fazer frutificar suas qualidades. Tendo ele rogado que lhe impusessem umaSao_Raimundo_Penafort_.jpg severa penitência para expiar, segundo dizia, as vãs complacências que tivera ensinando no mundo, ordenaram-lhe que compusesse um compêndio dos casos de consciência, para facilitar a delicada missão dos confessores.

Frei Raimundo executou esse trabalho com admirável exatidão, apresentando de forma ordenada os “casos de consciência” e dando a solução para cada um deles, com base nos ensinamentos das Sagradas Escrituras, nos cânones das leis eclesiásticas, na doutrina dos Padres da Igreja e nos decretos pontifícios. O Papa Clemente VIII fez grandes elogios a essa obra, afirmando ser ela igualmente útil aos penitentes e necessária aos confessores.

Conhecedor da grande ciência de São Raimundo, o Papa Gregório IX chamou-o a Roma como Penitenciário Papal e lhe deu a incumbência de realizar um trabalho de proporções universais, a compilação da vasta legislação canônica então em vigor.

Dela se desincumbiu o insigne canonista dominicano com o zelo e a competência de costume. Em 1234 apresentou ao Pontífice a obra concluída. Sob o título de Decretais, essa codificação vigorou na Igreja até 1918, quando foi publicado o primeiro Código de Direito Canônico.

Insaciável zelo pelas almas

Em 1238 foi eleito Superior Geral dos Dominicanos. Desejoso, porém, de dedicar-se por inteiro ao apostolado de conquista de almas para Jesus Cristo, pediu e obteve dispensa desse cargo. O zelo da salvação das almas o devorava. Seus pensamentos estavam voltados para fazer novas conquistas para a Igreja, sobretudo entre os infiéis.

Com o objetivo de facilitar a conversão de judeus e muçulmanos, criou centros para o ensino de suas línguas e pediu a São Tomás de Aquino para escrever a Suma Contra Gentiles. Servindo-se deste poderoso instrumento de apostolado, o Santo pôs-se a campo, e os bons resultados não se fizeram esperar: em uma carta sua ao Superior Geral, datada de 1256, pode- se ler que obteve a conversão de mais de dez mil árabes na Espanha. Esse célebre canonista organizou também missões para a conversão dos judeus e dos muçulmanos. Não havia, por assim dizer, campo de apostolado ao qual não se lançasse: trabalhar sem esmorecimento para converter os pagãos, ou pelo menos impedir que corrompessem os cristãos; atrair os pecadores à penitência e reconciliá-los no tribunal do confessionário; instruir os fiéis pelo ministério da palavra; apoiar os bons, consolálos nos seus sofrimentos; obter para os pobres as esmolas e os auxílios dos ricos – nada era demasiado para o desejo de salvar almas, que nele crescia mais e mais.

Navegando sobre um escapulário de lã

São Raimundo é um dos mais esplendorosos exemplos de confirmação das palavras de Cristo: “Aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço, e fará ainda maiores do que estas” (Jo 14,12).

O Rei Jaime de Aragão era senhor da Ilha de Maiorca, localizada no mar Mediterrâneo a 360 quilômetros de Barcelona. Numa de suas viagens a essa ilha, convidou para acompanhá-lo Frei Raimundo, que na época exercia as funções de capelão da corte. Durante o percurso, o monarca – cujo procedimento moral muito deixava a desejar – tentou forçar a consciência do Santo, exigindo que ele complacentemente fizesse vistas grossas a esse mau proceder.

O homem de Deus resistiu com vigor, chegando a ponto de pedir licença para descer do navio, em pleno mar, e retornar a Barcelona. O Rei negou autorização para essa “loucura” que para o Santo, entretanto, parecia coisa simples, uma vez que Jesus veio até seus discípulos “caminhando sobre as águas do mar” (Mt 14,25). Confiante em Deus, ele respondeu ao monarca:

– Um rei da terra me fecha a passagem, mas o Rei do Céu há de me abrir caminho melhor; ou por outra, Ele próprio é meu caminho!

Porém o Rei, à negativa de autorização, acrescentou uma ameaça de pena de morte, caso o Santo tentasse fugir. E ao desembarcar na ilha, Frei Raimundo notou que uma escolta armada havia sido incumbida de guardá-lo para impedir sua fuga.

Após, com sua acolhedora bondade, conquistar a confiança dos guardas, manifestou-lhes o desejo de rezar andando pela praia. Eles consentiram. Afinal, pensavam, o que poderia fazer esse bom frade, desarmado, para escapar de nossa vigilância? Tal raciocínio, inteiramente válido para outros homens, revelou- se ilusório para o indomável Santo.

Sob o olhar estupefato dos soldados, ele estendeu seu escapulário de lã sobre as águas do mar, e nele “embarcou”. Após agasalhar-se com parte de seu manto, içou a outra ponta ao seu bastão, constituindo uma vela. O resto… foi só invocar o santo nome de Maria, a Senhora dos ventos, de quem era fiel devoto. Um sopro suave, mas veloz, impulsionou o veleiro de Deus e em menos de seis horas ele chegava ao porto de Barcelona, vencendo milagrosamente a distância de 360 km que separam a Ilha de Maiorca dessa cidade espanhola.

Era alta madrugada quando chegou a seu convento, onde a grande porta abriu-se por si mesma, como braços maternos a acolher um filho que há tempos não a transpunha. Ele dirigiu-se à sua cela conventual, onde até as paredes pareciam exultar de alegria. Ao amanhecer, com a despretensão característica dos santos, ele foi tomar Sao Raimundo de Peñafort - Catedral de Barcelona.jpga bênção do Superior e comunicar que sua missão na corte real estava cumprida. Do portentoso milagre, só muito depois os irmãos tomaram conhecimento, e por outras vias.

E o Rei, como reagiu?

Caindo em si, ante essa manifestação de um poder sem comparação maior que o seu, passou a seguir fielmente as advertências de Frei Raimundo, tanto no que dizia respeito à direção de sua consciência, quanto no que concernia ao governo do Reino.

Cem anos de vida inocente

Recolhido no convento de Barcelona, São Raimundo cuidou de preparar-se para sua última viagem. Com redobrado fervor, consagrava dias e noites à oração e à penitência.

Chegou afinal o almejado e temido dia do encontro com Deus, 6 de janeiro de 1275. Justamente nesse dia, ele completava 100 anos de idade! Após receber os sacramentos da Igreja, sua grande alma retornou às mãos do Criador, tão inocente quanto delas havia saído. Antes de sua partida para a eternidade, os reis de Castela e Aragão o visitaram com suas respectivas cortes, para receber pela última vez sua bênção.

São Raimundo foi canonizado em 1601, pelo Papa Clemente VIII. Em seu túmulo, operaram-se numerosos milagres, muitos dos quais são mencionados na bula de sua canonização. Sendo o dia 6 de janeiro dedicado à festa dos Reis Magos, a Igreja celebra no dia 7 a entrada gloriosa de sua alma no Céu.
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São Raimundo e a Ordem dos Mercedários

São Raimundo de Peñafort está também na origem da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, cujas Constituições foram redigidas por ele. Seu fundador, São Pedro Nolasco, na idade de 25 anos, travou contato com ele em Barcelona e logo se pôs sob sua direção espiritual.

Naquela época, milhares de cristãos eram aprisionados por piratas mouros no Mar Mediterrâneo ou nas regiões costeiras, e encerrados em sombrias masmorras ou vendidos como escravos nas cidades maometanas.

O milagre das Cadeias de São Pedro, narrado nos Atos dos Apóstolos, serviu de inspiração para a fundação de uma ordem religiosa com o objetivo de resgatar esses infelizes cativos: “Pedro dormia entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Um anjo do Senhor resplandeceu no cárcere e, tocando-o, disse: Levanta-te, e segue-me. E as correntes caíram das suas mãos (…) Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo” (At 12, 6-10). Em homenagem a este milagre, a Igreja estabeleceu a festa das Cadeias de São Pedro, comemorada no dia 1º de agosto.

Justamente nesta festa, no ano 1218, Nossa Senhora apareceu a São Pedro Nolasco e lhe disse ser do agrado de Deus a fundação de uma congregação com o título de Nossa Senhora das Mercês, para o resgate dos cativos cristãos. Ele foi logo comunicar o fato a São Raimundo, o qual declarou ter recebido a mesma graça da Mãe de Deus.

Pouco depois, foram os dois tratar com o Rei Jaime sobre os meios para levar avante a fundação, e este lhes informou que também a ele a Santíssima Virgem havia aparecido, fazendo idêntica comunicação.

Assim, graças a uma conjugação de fatores sobrenaturais, e ajudada pelo prestígio de São Raimundo, a Ordem de Nossa Senhora das Mercês se desenvolveu rapidamente, atraindo para suas fileiras numerosos fidalgos da França, Alemanha, Inglaterra e Hungria.  (Antonio Queiroz; Revista Arautos do Evangelho, Jan/2005, n. 37, p. 34 à 37)

São Raimundo de Peñafort


Fonte: Arautos do Evangelho

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PRIMEIRO SÁBADO DO ANO DE 2018

Lembremos das promessas que a Santíssima Virgem fez na aparição de 13 de julho de 1917 à irmã Lúcia: “Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”. Para receber esse benefício, basta ao fiel fazer a comunhão reparadora dos primeiros sábados de cinco meses seguidos, além de se confessar, rezar o terço e fazer quinze minutos de meditação sobre os Mistérios do Rosário. Essa comunhão deve ser oferecida em desagravo à Santíssima Virgem e ao seu Divino Filho, pelos pecados e ofensas contra Eles cometidos.

A Celebração Eucarística aconteceu na Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia, Padroeira Excelsa do estado da Bahia, realizada pelo Pe. Carlos Tonelli, EP e animada pelo Coral dos Terciários dos Arautos do Evangelho. Em sua homilia, o Sacerdote mencionou sobre a importância de participarmos da festa celebrada no domingo, que é a manifestação de Cristo aos três reis magos guiados por “uma luz”, ou seja, a Epifania do Senhor. Esta Luz aparece para nós nos dias de hoje. Para isso, basta que deixemos o menino Deus habitar, dia após dia, em nossos corações.

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FESTA DE BOM JESUS DOS NAGEVANTES EM SALVADOR

Confira, abaixo, as fotos e um vídeo da Festa da procissão de Bom Jesus dos Navegantes, em Salvador, Bahia, que ocorreram nos dias 31 de dezembro de 2017 e 01 de janeiro deste corrente ano.

 

 

 

 

 

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DEDICAÇÃO DO ALTAR DA CAPELA DA SEDE DE PONTA GROSSA

Na cidade de Ponta Grossa no Paraná, os Arautos do Evangelho realizaram uma importante cerimônia na capela de São Paulo Apóstolo. A Solene celebração eucarística foi presidida pelo excelentíssimo e reverendíssimo Dom Sérgio Arthur Braschi, Bispo diocesano de Ponta Grossa. 

Após o sermão, Dom Sérgio realizou aos olhos atentos dos fiéis, que lotaram as dependências da capela, a benção do oratório de São Paulo Apóstolo, bem como a dedicação do altar.

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FESTA DO SENHOR DO BONFIM 2018 CELEBRA A “MISSÃO DO AMADO JESUS”

A Basílica Santuário Senhor Bom Jesus do Bonfim iniciou o novenário em preparação à tradicional festividade nesta quinta-feira, 4 de janeiro.

Festa do Senhor do Bonfim 2017 celebra a missão do amado Jesus.jpg

O tema escolhido para a edição de 2018 da festa intitula-se “Origem, identidade e missão do amado Jesus, Senhor do Bonfim”. Já o lema é “Quem dizes os homens ser o Filho do Homem” (Mt 16, 13).

Neste dia, às 18h, houve um palco montado em frente ao templo, no qual aconteceu uma apresentação musical, sob a regência do maestro Letieres Leite. Às 18h30, foi feito o hasteamento da bandeira do Senhor do Bonfim.

Na sexta-feira, dia 5, as celebrações eucarísticas ocorreram de hora em hora, a partir das 5h até às 18h30, sendo a novena realizada às 19h. A programação do novenário se repete até o dia 10.

Já no dia 11 de janeiro, os fiéis serão convidados para a tradicional lavagem do adro da Basílica.

Nesta data, será realizada a Caminhada Lavagem de Corpo e Alma, que sairá às 9h da Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia com destino ao Bonfim. Ao longo do percurso, os católicos carregarão o andor com a Imagem do Senhor do Bonfim.

A novena será retomada no dia 12 de janeiro, em horário normal, às 19h. E no dia 13, acontecerá a tradicional apresentação dos Ternos de Reis, logo após a novenário.

No dia da festa, 14 de janeiro, haverá Missa Solene às 10h, presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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BAHIA SEDIA SEMINÁRIO SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

A Arquidiocese de Salvador, por meio da Ação Social Arquidiocesana (ASA), promove o Seminário sobre a Campanha da Fraternidade 2018, que este ano tem como tema “Fraternidade e superação da violência” e lema “Vois sois todos irmãos!” (Mt 23,8).

Bahia sedia seminário sobre a Campanha da Fraternidade 2018.jpg

As inscrições estão abertas para o evento, que acontecerá no dia 4 de fevereiro, das 7h30 às 17h, no Auditório Dom Geraldo Majella, localizado na Cúria Metropolitana Bom Pastor.

Para participar, o interessado deve escolher uma das três modalidades de inscrição: pelo site da ASA, nas livrarias católicas “Paulinas”, “Paulus” e “Vozes” ou na Secretaria de Pastoral (Cúria). O investimento é no valor de 15 reais.

A programação contará com missa e palestras a partir dos métodos ver, julgar e agir, além de canto, intervenções artísticas e oficinas.

No momento da inscrição, é possível escolher, por ordem de prioridade, três das 14 oficinas oferecidas. Caso a primeira opção do participante já esteja preenchida, ele será direcionado para a sua segunda alternativa e assim sucessivamente. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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O SANTÍSSIMO NOME DE JESUS!

É em nome do Divino Salvador que a Igreja reza, cura os enfermos, evangeliza os povos, expulsa os demônios, enfim, realiza sua obra de salvação das almas

E seu nome será: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Is 9, 5).

Sim, quanto é maravilhoso, rico e simbólico este nome que, segundo o Profeta Isaías, significa “Deus conosco”! Como o Arcanjo Gabriel deve  ter enlevado a Santíssima Virgem Maria – que ponderava todas as coisas em seu coração – com estas palavras no momento da Anunciação: “E Lhe porás o nome de Jesus”! (Lc 1,31).

Fecunda fonte de inspiração

Esta frase, que ficou indelevelmente gravada no Imaculado Coração de Maria, chega aos ouvidos dos fiéis de todos os tempos, no orbe terrestre inteiro, fecundando os bons afetos de todo homem batizado. Ao longo dos séculos, diversas almas monásticas e contemplativas foram inspiradas por ela a tal ponto que inúmeras composições de canto gregoriano versam sobre o suave nome do Filho de Deus.

Há uma misteriosa e insondável relação entre o nome de Jesus e o Verbo Encarnado, não sendo possível conceber outro que lhe seja mais apropriado.

É o mais suave e santo dos nomes. Ele é um símbolo sacratíssimo do Filho de Deus, e sumamente eficaz para atrair sobre nós as graças e favores celestiais. O próprio Nosso Senhor prometeu: “Qualquer coisa que peçais a meu Pai em meu nome, Ele vo-la concederá” (Jo 14,13). Que magnífico convite para repeti-lo sem cessar e com ilimitada confiança!

Invoque este nome poderosíssimo!

A Santa Igreja, mãe próvida e solícita, concede indulgências a quem invocá-lo com reverência, inclusive põe à disposição de seus filhos a Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus, incentivando-os a rezá-la com freqüência.

No século XIII, o Papa Gregório X exortou os bispos do mundo e seus sacerdotes a pronunciar muitas vezes o nome de Jesus e incentivar o povo a colocar toda sua confiança neste nome todo poderoso, como um remédio contra os males que ameaçavam a sociedade de então. O Papa confiou particularmente aos dominicanos a tarefa de pregar as maravilhas do Santo Nome, obra que eles realizaram com zelo, obtendo grandes sucessos e vitórias para a Santa Igreja.

Um vigoroso exemplo da eficácia do Santo Nome de Jesus verificou-se por ocasião de uma epidemia devastadora surgida em Lisboa em 1432. Todos os que podiam, fugiam aterrorizados da cidade, levando assim a doença para todos os recantos de Portugal. Milhares de pessoas morreram. Entre os heróicos membros do clero que davam assistência aos agonizantes estava um venerável bispo dominicano, Dom André Dias, o qual incentivava a população a invocar o Santo Nome de Jesus.

Ele percorria incansavelmente o país, recomendando a todos, inclusive aos que ainda não tinham sido atingidos pela terrível enfermidade, a repetir: Jesus, Jesus! “Escrevam este nome em cartões, mantenham esses cartões sobre seus corpos; coloquem-nos, à noite, sob o travesseiro; pendurem-nos em suas portas; mas, acima de tudo, constantemente invoquem com seus lábios e em seus corações este nome poderosíssimo”.

Maravilha! Em um prazo incrivelmente curto o país inteiro foi libertado da epidemia, e as pessoas agradecidas continuaram a confiar com amor no Santo Nome de nosso Salvador. De Portugal, essa confiança espalhou-se para a Espanha, França e o resto do mundo.

Uma retribuição agradável a Deus

O ardoroso São Paulo é o apóstolo por excelência do Santo Nome de Jesus. Diz ele que este é “o nome acima de todos os nomes”, e louva seu poder com estas palavras: “Ao nome de Jesus dobrem-se todos os joelhos nos céus, na terra e nos infernos” (Fil 2,10).

São Bernardo era tomado de inefável alegria e consolação ao repetir o nome de Jesus. Ele sentia como se tivesse mel em sua boca, e uma deliciosa paz em seu coração. São Francisco de Sales não hesita em dizer que quem tem o costume de repetir com freqüência o nome de Jesus, pode estar certo de obter a graça de uma morte santa e feliz. Outro imenso favor!

Mas este grande dom não nos pede alguma retribuição?

Sim. Além de muita confiança e gratidão, o desejo sincero de viver em inteira consonância com as infinitas belezas contidas no santíssimo Nome de Jesus. E também – a exemplo do venerável bispo português Dom André Dias – o empenho em divulgá-lo aos quatro ventos. Digna de honra e louvor é a mãe verdadeiramente católica, que ensina seus filhos a pronunciar os doces nomes de Jesus e de Maria mesmo antes de dizer mamãe e papai, bem como a pautar sua vida pela desses
dois modelos divinos.

Muitos habitantes de Jerusalém assistiram à cena tão bem narrada nos Atos dos Apóstolos, que o leitor tem a impressão de estar também presente.

Pedro e João subiam ao Templo para rezar. Um coxo de nascença, postado na Porta Formosa, lhes pediu esmola.

– Olha para nós! – disse-lhe o Príncipe dos Apóstolos. – O pobre fitou-os com atenção, perguntando- se quanto iria receber.

– Não tenho prata nem ouro, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus de Nazaré, levanta-te e anda. – Dando um salto, o aleijado pôsse de pé e entrou com eles no Templo, saltando e louvando a Deus. E de tal forma agarrou-se aos dois Apóstolos que em torno destes juntou-se uma multidão estupefata. Ao ver isso, Pedro assim falou:

– Varões israelitas, por que olhais para nós, como se por nosso poder tivéssemos feito andar este homem? O Deus de nossos pais glorificou seu filho Jesus. Mediante a fé em seu nome é que esse mesmo nome deu a cura perfeita a este homem que vós vedes e conheceis.

Não há outro nome pelo qual sejamos salvos

Continuou São Pedro seu discurso, exortando os ouvintes à conversão, até ser interrompido por alguns sacerdotes e saduceus, acompanhados do chefe da guarda do Templo, o qual prendeu os dois homens de Deus. No dia seguinte, foram eles conduzidos à presença do Sumo Sacerdote e seu Conselho.

– Com que poder e em nome de quem fizestes isso? – perguntaram-lhe. A resposta veio serena, mas firme:

– Príncipes do povo e anciãos, ouvi- me! Já que somos aqui interrogados sobre a cura de um homem enfermo, seja notório a todo o povo de Israel que é em nome de Jesus Cristo Nazareno, é por ele que este homem está são diante de vós. Não há salvação em nenhum outro, porque não há sob o céu nenhum outro nome pelo qual devamos ser salvos.

Por que proibir?

A firmeza do Primeiro Papa deixou desconcertados os inimigos de Jesus. Fazendo-os sair da sala do Conselho, deliberaram entre si: “Que faremos destes homens? Porquanto o milagre por eles feito se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém, e não o podemos negar. Todavia, para que esta notícia não se divulgue mais entre o povo, proibamos que no futuro falem a alguém nesse nome” (At 4, 16-17).

Chamaram, então, de volta os dois discípulos do Senhor e os intimaram terminantemente a nunca mais falar ou ensinar em nome de Jesus. Ordem à qual, aliás, Pedro e João declararam de forma categórica que não obedeceriam, pois deviam obediência a Deus antes de tudo. Qual o motivo de tão injustificada proibição?

Na perspectiva dos inimigos de Deus e de sua Igreja, não é difícil entender a razão: muitos dos que ouviram aquela pregação de São Pedro creram, e o número dos fiéis elevou-se a mais ou menos cinco mil” (At 4, 4). Compreende-se, assim, a sanha do Sinédrio, pois percebia bem que, nessa proporção, em pouco tempo a Igreja se expandiria por todo o mundo.

Pregar o evangelho é proclamar o nome de Jesus

Como poderia a Santa Igreja deixar de orar, pregar, batizar e curar em nome de Jesus?

Desde os primeiros dias do Cristianismo, pregar o Evangelho é proclamar esse nome glorioso entre todos. É pelo seu poder divino que se operam os milagres: “Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas (…) imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados” (Mc 16, 17-18).

O nome do Redentor não podia deixar de ocupar um lugar proeminente na vida da Igreja, uma vez que Ele próprio afirmou: “Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei” (Jo 14, 13). E no ato do Batismo, pelo qual nasce o cristão, é “em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus” que a alma é lavada, santificada e justificada (Cf. 1Co 6, 11).

Tudo isso tem uma valiosa aplicação em nossa vida de católicos: a invocação do Santíssimo Nome de Jesus é uma fonte inesgotável de graças para a santificação pessoal e as obras de evangelização.


Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2005, n. 37, p. 22-25

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