O QUE É O ÓBOLO DE SÃO PEDRO?

Todos os anos por ocasião da festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo, a Igreja Católica promove uma coleta mundial destinada a apoiar o Óbolo de São Pedro.

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O Óbolo de São Pedro é a ajuda econômica que os fiéis oferecem ao Santo Padre, como sinal de adesão à solicitude do Sucessor de Pedro relativamente às múltiplas carências da Igreja universal e às obras de caridade em favor dos mais necessitados.

A prática teve origem no final do século VIII, após a conversão dos anglo-saxões, que “se sentiram tão unidos ao Bispo de Roma que decidiram de maneira estável fazer uma contribuição anual ao Santo Padre”.

Esta coleta foi chamada ‘Denarius Sancti Petri’ (Esmola a São Pedro) e se difundiu pelos outros países da Europa. Em 05 de agosto de 1871 a prática foi reconhecida oficialmente e regularizada pelo Papa Pio IX através da encíclica ‘Saepe Venerabilis’.

Algumas das obras de caridade financiadas com o Óbolo de São Pedro são a melhora da estrutura do Hospital Pediátrico na República Centro-africana, o alívio da crise humanitária no Haiti e a concessão de dez bolsas de estudo universitárias para os jovens desabrigados pela guerra e pelo terrorismo no Curdistão iraquiano.

No final de 2016, a Santa Sé lançou a página oficial do Óbolo de São Pedro na internet para os fiéis que desejam colaborar com as obras de caridade da Igreja. No site, disponível em italiano, inglês e espanhol, é possível acessar também mensagens do Papa e fazer doações.

Acompanhando os avanços tecnológicos, em 2017 foram criadas as contas no Twitter e Instagram desta iniciativa. No Twitter as contas estão em três idiomas: @obolus_it (em italiano), @obolus_es (em espanhol) e @obolus_en (em inglês). No Instagram há apenas uma conta: obolus_va. (EPC)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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CARDEAIS RECEBERAM O PÁLIO. O QUE É, COMO SE FAZ E PARA QUE SERVE?

Depois de criar 14 novos Cardeais, ontem, dia de São Pedro e São Paulo, o Papa deu continuidade ao que se estabeleceu no interior do Consistório e presidiu a cerimônia de realização da entrega do denominado “Pálio”.

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A entrega do Palio está ligada ao juramento de lealdade ao Papa e seus sucessores pelos metropolitas. Na ocasião em que os novos Cardeais recebem das mãos do Sucessor de Pedro o Pálio, receberam também o barrete e o anel cardinalício.

Significado da Cerimônia e do Pálio

O nome “Palio” vem da palavra latina “pallium” que significa “manto de lã”. Trata-se de uma vestimenta litúrgica usada na Igreja Católica, que consiste numa faixa de tecido de lã branca que é colocada sobre ombros dos Arcebispos.

Ele tem como significado representar a ovelha que o pastor carrega nos ombros, assim como fez ‘o Bom Pastor’, Nosso Senhor Jesus Cristo, com a ovelha perdida.
Ou seja, Palio é a representação simbólica da missão pastoral do bispo.

O Pálio representa também uma das prerrogativas dos arcebispos metropolitanos: é o símbolo de jurisdição a eles outorgada, estando em comunhão com a Santa Sé.

Pálio na História
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Originariamente, o pálio era o manto usado pelos filósofos.
Na arte páleo-cristã, a figura de Jesus e dos apóstolos era pintada neste “manto”.

Esta prática foi posteriormente encampada também pela Igreja que adotou um uso semelhante ao uso do “omoforion”, aquela tira de pano, bem mais larga que o Pálio e que atualmente continua sendo pelos bispos católicos orientais de rito bizantino.

Outrora o Pálio era uma única tira de pano enrolada nos ombros e caída no peito na altura do ombro esquerdo; nos primeiros séculos do cristianismo seu uso foi implantado e ele passou a ser utilizado por todos os bispos.

A iconografia que representa os primeiros bispos e santos documenta isso e só vermos ícones de Santo Ambrósio, Santo Atanásio, São João Crisóstomo, Santo Inácio de Antioquia, São Hilário e outros.

Em 513, quando o Papa São Simmaco concedeu o pálio a São Cesário, que era bispo de Arles, registra-se o primeiro caso conhecido de imposição do pálio a um bispo.

Foi só a partir do século IX que o Pálio recebeu o formato de “Y” que atualmente tem e do qual as duas extremidades descem abaixo do pescoço até o meio do peito e nas costas. Um formato que passou a ser característica do símbolo da autoridade outorgada pelo Papa e recebida pelos arcebispos metropolitanos.

Apenas como reminiscência, na noite de Natal de 1999, o Papa João Paulo II, ao presidir as cerimônias de abertura do Jubileu de 2000, usava um “omoforion”com cruzes vermelhas.

Como se confecciona o pálio

Dois cordeiros cuja lã é destinada, no ano anterior, são criados pelos monges trapistas da Abadia de Tre Fontane, em Roma. E desde 1644, são abençoados pelo Abade Geral dos Cônegos Lateranenses em Basílica, na Via Nomentana Complexo Monumental de Santa Inês, fora dos muros, no dia em que se faz memória da Santa, em 21 de janeiro.

Depois são levados ao Papa no Palácio Apostólico.
O pálio é tecido e costurado pelas freiras de clausura do convento romano de Santa Cecília em Trastevere.
Os pálios são armazenados na Basílica de San Pietro, em Roma, aos pés do altar central da Basílica que é conhecido como “Altar da Confissão”, bem muito próximo ao túmulo do Apóstolo Pedro.

Como é um pálio

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O pálio, em sua forma atual, é uma faixa estreita de tecido, com cerca de cinco centímetros de largura, tecida em lã branca, curvada no meio para poder repousar sobre os ombros acima da casula e com duas franjas pretas penduradas na frente e atrás, de modo que – visto tanto na frente quanto atrás – a vestimenta lembra a letra “Y”.

Ele é decorado com seis cruzes negras de seda que recordam as chagas e feridas de Cristo, uma em cada tira pendente e quatro na curvatura, e é cortado na frente e atrás, com três alfinetes em forma de espinhos. Duas características parecem ser uma recordação dos momentos em que o pálio era um simples lenço duplo dobrado e pregado com um alfinete no ombro esquerdo de quem o portava.

O Papa Bento XVI restaurou o uso do longo e cruzado pálio no ombro esquerdo usado até o século IX, deixando inalterada a forma do pálio concedido aos arcebispos, com as duas franjas penduradas no alto centro do peito e no meio das costas.

Porém, por ocasião da Missa da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, em 29 de Junho de 2008, o Papa voltou a usar um pálio em formato de “Y”, similar ao usado comumente pelos metropolitas, mas com forma mais ampla e com a cor vermelha das cruzes.

Essas diferenças de hoje põem em evidencia a diversidade da jurisdição, reservada para o Bispo de Roma, enquanto que em épocas anteriores em períodos remotos, não havia este significado particular, dado que eles eram comuns a todos os bispos, sem distinção.

O Papa Francisco, após a cerimônia solene de imposição do Pálio das mãos do proto-diácono cardeal Jean-Louis Tauran, portava o mesmo Pálio durante a Missa de inauguração do seu ministério petrino. (JSG)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

Um simples pescador da Betsaida proclama que o filho de um carpinteiro é realmente o Filho de Deus, por natureza. Ali é plantado o grão de mostarda, do qual nasceria a Santa Igreja Católica Apostólica e Romana.

Evangelho:

Ao chegar à região de Cesaréia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” Eles responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Perguntou-lhes de novo: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”.

Jesus disse-lhe em resposta: “És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na Terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na Terra será desligado no Céu” (Mt 16, 13-19).

I – Considerações iniciais

Difícil é encontrar alguém que nunca tenha comprovado a consonância da sonoridade obtida através de cristais harmônicos. Basta um simples golpe, em um só deles, para os outros ressoarem em concomitância. É, até, uma prova para se conhecer a autenticidade destas ou daquelas taças.

Solenidade de São Pedro e São Paulo - A Pedra Inabalável - Revista Arautos do Evangelho - Revista CatólicaAssim, também, no campo das almas. Discernimos a que é entranhadamente católica e com facilidade a diferenciamos da tíbia, atéia ou herética, quando fazemos “soar” uma simples nota: o amor ao Papado, seja quem for o Papa. Tornam-se encandescidas as almas fervorosas, indiferentes as tíbias, indispostas algumas, etc.

Pois esta é a matéria do Evangelho de hoje. A fim de nos prepararmos para contemplar as perspectivas que ele nos manifesta, ocorreu-nos reproduzir as considerações transcritas a seguir. Poderemos, assim, ter uma noção da qualidade do “cristal” de nossa alma:

“Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autoridade, de virtude sobrenatural, tudo isto, mas absolutamente tudo sem exceção, nem condição, nem restrição, está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de São Pedro. As instituições mais sagradas, as obras mais veneráveis, as tradições mais santas, as pessoas mais conspícuas, tudo enfim que mais genu­ína e altamente possa exprimir o Catolicismo e ornar a Igreja de Deus, tudo isto se torna nulo, maldito, estéril, digno do fogo eterno e da ira de Deus, se separado do Romano Pontífice. Conhecemos a parábola da videira e dos sarmentos. Nessa parábola, a videira é Nosso Senhor, os sarmentos são os fi­éis. Mas como Nosso Senhor Se ligou de modo indissolúvel à Cátedra Romana, pode-se dizer com toda segurança que a parábola seria verdadeira entendendo-se a videira como a Santa Sé, e os sarmentos como as várias Dioceses, Paróquias, Ordens Religiosas, instituições particulares, famílias, povos e pessoas que constituem a Igreja e a Cristandade. Isto tudo só será verdadeiramente fecundo na medida em que estiver em íntima, calorosa, incondicional união com a Cátedra de São Pedro.

“‘Incondicional’, dissemos, e com razão. Em moral, não há condicionalismos legítimos. Tudo está subordinado à grande e essencial condição de servir a Deus. Mas, uma vez que o Santo Padre é infalível, a união a seu infalível magistério [só] pode ser incondicional.

“Por isto, é sinal de condição de vigor espiritual, uma extrema susceptibilidade, uma vibratilidade delicadíssima e vivaz dos fiéis por tudo quanto diga respeito à segurança, glória e tranqüilidade do Romano Pontífice. Depois do amor a Deus, é este o mais alto dos amores que a Religião nos en­sina. Um e outro amor se confundem até. Quando Santa Joana d’Arc foi interrogada por seus perseguidores que a queriam matar, e que para isto procuravam fazê-la cair em algum erro teológico por meio de perguntas capciosas, ela respondeu: ‘Quanto a Cristo e à Igreja, para mim são uma só coisa’. E nós podemos dizer: ‘Para nós, entre o Papa e Jesus Cristo não há diferença’. Tudo o que diga respeito ao Papa diz respeito direta, íntima, indissoluvelmente, a Jesus Cristo” 1.

II –  O Evangelho: “Tu es petrus”

Pergunta de Jesus e circunstância em que foi feita

Ao chegar à região de Cesaréia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”.

A cidade na qual se desenvolve o Evangelho de hoje havia sido construída pelo tetrarca Filipe que, para angariar a simpatia do imperador César Augusto, deu-lhe o nome de Cesaréia. Desconhece a História o exato percurso empreendido pelo Senhor e pelos Apóstolos àquela altura dos acontecimentos; a hipótese mais provável é a de que tenham atravessado a via de Damasco a Jerusalém, perto da ponte das Filhas de Jacó. O território onde nasce o rio Jordão, compreendido entre Julias e Cesaréia, é rochoso, solitário e acidentado. Foi nessa localidade montanhosa e pétrea que Herodes, o Grande, erigiu um vistoso templo de mármore branco em homenagem ao imperador César Augusto. Calcando as pedras da região, e talvez à vista do tal templo sobre o alto das rochas, foi que se estabeleceu o diálogo durante o qual se tornaram explícitas para os Apóstolos a natureza divina de Jesus e a edificação da Santa Igreja.

Convém não esquecermos o quanto a divina pedagogia de Jesus escolhia os acidentes da natureza sensível para efeito didático, e assim poderem seus ouvintes ter melhor compreensão das realidades invisíveis do universo da Fé. A esse respeito, seriam inúmeros os casos a serem citados, mas basta-nos lembrar o modo pelo qual Ele convocou os dois irmãos pescadores, Pedro e André: “Segui-me e Eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4, 19). Não se trata, portanto, de nos basearmos em razões meramente poéticas para supor que o desenrolar dessa conversa verificou-se sobre as pedras; há por detrás, um elevado teor simbólico. Ali estavam rochas que deviam perpetuar-se, e a contemplação dessas criaturas minerais, fruto de sua onipotência, tornava mais bela a solene profecia da edificação de sua indestrutível Igreja.

Alguns autores ressaltam outro importante aspecto: o fato de Jesus ter escolhido uma região pertencente à gentilidade para manifestar-Se como Filho de Deus e fundar o primado de sua Igreja. Eles interpretam como sendo um prenúncio da rejeição do reino messiânico, pelos judeus, e sua definitiva transferência para os gentios.

“Aconteceu que estando a orar, em particular…” (Lc 9, 18). Conforme nos relata São Lucas, toda a conversa narrada no Evangelho de hoje realizou-se depois de Jesus ter-Se recolhido e deixado “perder-Se”, com suas faculdades humanas, nas infinitudes de seu Pai eterno. Utilizou-Se desse meio infalível de ação, a prece, para conferir raízes e seiva imortais à obra que lançaria.

Segundo a Glosa, “querendo confirmar seus discípulos na Fé, o Salvador começa por afastar de seus espíritos as opiniões e os erros que outros poderiam ter infundido neles” 2; ou seja, convidando-os a terem clara consciência dos equívocos da opinião pública a respeito da identidade dEle, fortificava-lhes as convicções. É curioso o comentário de São João Crisóstomo sobre o caráter “sumamente malicioso” 3 do juízo emitido pelos escribas e fariseus a respeito do Divino Mestre, muito diferente daquele da opinião pública que, apesar de errôneo, não era movido por nenhuma malícia.

Jesus não pergunta o que pensam os outros a respeito dEle, mas sim do Filho do Homem, “a fim de sondar a Fé dos Apóstolos e dar-lhes ocasião de dizer livremente o que sentiam, embora Ele não ultrapassasse os limites daquilo que poderia lhes sugerir sua santa Humanidade” 4. Por todos os conhecimentos que Lhe eram próprios, do divino ao experimental, Jesus sabia quais eram as opiniões que circulavam com relação à Sua figura, não necessitava, portanto, informar-Se; desejava, isto sim, levá-los a proclamar a verdade em contestação aos equívocos da opinião pública.

O povo não considerava Jesus como o Messias

Eles responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas”.

Os Apóstolos tinham exata noção do juízo que os “homens” de então faziam a propósito do Divino Mestre. Apesar de todas as evidências, dos milagres, da doutrina nova dotada de potência, etc., o povo não O considerava como o Messias tão esperado. Jesus surgia aos olhos de todos como a ressurreição ou o reaparecimento de anteriores profetas. Não encontravam nEle a eficaz magnificência do poder político, tão essencial para a realização do mirabolante sonho messiânico que os inebriava. Daí imaginarem-No o Batista ressurrecto, ou Elias, enquanto mais especificamente um precursor, ou até mesmo um Jeremias, lídimo defensor da nação teocrática (cf. 2 Mac 2, 1-12). Vê-se claramente neste versículo como o espírito humano é inclinado ao erro e como facilmente se distancia dos verdadeiros prismas da salvação. Mas, pelo menos, aqueles seus contemporâneos ainda discerniam algo de grandioso em Jesus. Seria interessante nos perguntarmos como Ele é visto pela humanidade globalizada, cientificista e relativista de nossos dias.

Pedro O reconhece como Filho de Deus

Perguntou-lhes de novo: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”

Bem sublinha São João Crisóstomo a essência desta segunda pergunta 5. Sem refutar os erros de apreciação dos outros, Jesus quer ouvir dos próprios lábios de seus mais íntimos o juízo que dEle fazem. Para lhes tornar fácil a proclamação de Sua divindade, não usa aqui o título humilde de Filho do Homem.

Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”.

Pedro falava como intérprete da opinião de todos, por ser o mais fervoroso e o principal 6, embora não fosse a primeira vez que Jesus era reconhecido como Filho de Deus. Já Natanael (cf. Jo 1, 49), os Apóstolos após a tempestade no mar de Tiberí­ades (cf. Mt 14, 33) e o próprio Pedro (cf. Jo 6, 69) haviam externado essa convicção.

Sola fides! Aqui não há elemento algum emocional ou sensível, como em circunstâncias anteriores. Em meio às rochas frias de um ambiente ecológico, longe de acontecimentos arrebatadores e da agitação das turbas ou das ondas, só a voz da Fé se faz ouvir.

“Certíssimo argumento é que Pedro chamou a Cristo de Filho de Deus por natureza, quando O contrapôs a João, a Elias, a Jeremias e aos profetas, os quais foram — claro está — filhos de Deus por adoção” 7. Ademais, como comenta o mesmo Maldonado, Pedro dá a Deus o título de “vivo” para distingui-Lo dos deuses pagãos que são substâncias mortas. E, por fim, o artigo — como sói acontecer na língua grega — antecedendo o substantivo “filho”, designa “filho único” segundo a natureza, e não um entre vários.

A ciência humana não tem força para atingir a união hipostática

Jesus disse-lhe em resposta: “És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu”.

Ao felicitar seu Apóstolo, Jesus avalia a afirmação de Pedro a respeito de sua filiação e, portanto, de sua natureza divina e consubstancialidade com o Pai. Sobre este particular são unânimes os comentaristas. Era um costume judaico indicar a filiação da pessoa para ressaltar sua importância; neste caso concreto havia a intenção de manifestar o quanto “Cristo é tão naturalmente o Filho de Deus como Pedro é filho de Jonas, quer dizer, da mesma substância daquele que o engendrou” 8.

Solenidade de São Pedro e São Paulo - A Pedra Inabalável - Revista Arautos do Evangelho - Revista CatólicaAs palavras de Pedro não são fruto de um raciocínio com base num simples conhecimento experimental. Não haviam sido poucas as curas logo após as quais os beneficiados conferiam com exclamações ao Salvador o título de “Filho de Davi” (cf. Mt 15, 22; Mc 10, 47, etc.), conhecido como um dos indicativos do Messias. Os próprios demônios, ao se encontrarem com Ele, proclamavam-No “o Santo de Deus” (Lc 4, 34), “o Filho de Deus” (Lc 4, 41), “Filho do Altíssimo” (Lc 8, 28; Mc 5, 7). Ele mesmo declarara ser “dono do sábado” (Mt 12, 8), e após a multiplicação dos pães a multidão queria aclamá-Lo “Rei” (Jo 6, 15). Assim como estas, muitas outras passagens poderiam facilmente nos indicar as profundas impressões produzidas por Jesus sobre seus discípulos 9. Porém, em nenhuma ocasião anterior Pedro recebeu tal elogio saído dos lábios do Salvador. Nesta passagem, ele “é feliz porque teve o mérito de elevar seu olhar além do que é humano e, sem deter-se no que provinha da carne e do sangue, contemplou o Filho de Deus por um efeito da revelação divina e foi julgado digno de ser o primeiro a reconhecer a Divindade de Cristo” 10.

Portanto, a afirmação de Pedro se realizou com base num discernimento penetrante, luzidio e abarcativo da natureza divina do Filho de Deus. A ciência, a genialidade ou qualquer outro dom humano não têm força suficiente para atingir os páramos da união hipostática realizada no Verbo Encarnado. É indispensável ser revelada pelo próprio Deus e aceita pelo homem. Mas o homem sem Fé aferra-se às suas próprias idéias, tradições e estudos, rejeitando, às vezes, as provas mais evidentes, como o são os milagres. Para este, Jesus não passa — e quando muito — de um sábio ou de um profeta. Haverá também aqueles que não O verão senão como “o filho do carpinteiro” (Mt 13, 55).

Essa é a nossa Fé ensinada pela Igreja, revelada pelo próprio Deus, anunciada pelo Filho, o enviado do Pai, e confirmada pelo Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho. As verdades da Fé não são fruto de sistemas filosóficos, nem da elaboração de grandes sábios.

Jesus edifica Sua Igreja sobre Pedro

Também Eu te digo: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nada poderão contra ela”.

Foi indispensável e excelente ter afirmado Orígenes inspiradamente: “Nosso Senhor não precisa se é contra a pedra sobre a qual Cristo construiu sua Igreja ou se é contra a própria Igreja, construída sobre a pedra, que as portas do inferno não prevalecerão. Mas é evidente que elas não prevalecerão nem contra a pedra nem contra Igreja” 11. Sim, porque para destruir essa pedra, ou seja, o Vigário de Jesus Cristo na Terra, muitos esforços e diligências de um considerável número de hereges têm sido empregados, na tentativa de abalar o sagrado edifício da Igreja a partir de seu fundamento, o qual é a alegria, consolo e triunfo dos verdadeiros católicos. Nesse “edificarei” se encontra o real anúncio do Reino de Jesus. O grande e divino desígnio começa a se delinear nesse nome, até então nunca usado: “minha Igreja”.

O plano de Jesus é proclamado sobre as rochas de Cesaréia, pelo próprio Filho de Deus, que Se apresenta como um divino arquiteto a erigir esse edifício indestrutível, grandioso e santíssimo, a sociedade espiritual, constituída por homens: militante na Terra, padecente no Purgatório, triunfante no Céu. O conjunto de todos aqueles que se unem debaixo da mesma Fé, nesta Terra, chama-se Igreja. Desta, o fundamento é Pedro e todos os seus sucessores, os romanos pontífices, pois, caso contrário, não perduraria a existência do edifício. Eis um ponto vital de nossa Fé: “o fato da Igreja estar edificada sobre o próprio Pedro”  que aliás — “é admitido por todos os autores antigos, excepto os hereges” 12.

Um só corpo e um só espírito em torno do Sucessor de Pedro

“Há na Igreja muitas pessoas constituídas em autoridade, às quais devemos estar unidos pela obediência. No entanto, toda essa variedade precisa reduzir-se a um prelado primeiro e supremo, em quem principalmente se concentre o principado universal sobre todos. Deve reduzir-se não só a Deus e a Cristo, mas também a Seu vigário; e isto não por estatuto humano, mas por estatuto divino, mediante o qual Cristo constituiu São Pedro príncipe dos Apóstolos, estabelecidos estes, por sua vez, como príncipes na Terra. Conversão de São Paulo - Revista Arautos do Evangelho - Revista CatólicaE Cristo fez isso convenientissi-mamente, por assim o exigirem a ordem da justiça universal, a unidade da Igreja e a estabilidade, tanto dessa ordem, quanto dessa unidade” 13.

O “Tu es Petrus …” será aplicado a todos os escolhidos em conclave para se sentarem na Cátedra da Infalibilidade. Assim, morreu Pedro, mas não o Papa; e é em torno dele que a Igreja mantém a sua unidade.

“Fácil é a prova que confirma a Fé e compendia a verdade. O Senhor fala a São Pedro e lhe diz: ‘Eu te digo que tu és Pedro’ (Mt 16, 18). E noutro lugar, depois de Sua ressurreição: ‘Apascenta minhas ovelhas’ (Jo 21, 17). Somente sobre ele edifica Sua Igreja, e o encarrega de apascentar seu rebanho. E embora confira igual poder a todos os Apóstolos e lhes diga: ‘Como meu Pai Me enviou, assim Eu vos envio’ (Jo 20, 21), sem embargo, para manifestar a unidade, estabeleceu uma Cátedra, e com sua autoridade dispôs que a origem dessa unidade se fundamentasse em um. Por certo, todos os Apóstolos eram o mesmo que Pedro, adornados com a mesma participação de honra e poder; mas o princípio dimana da autoridade, e a Pedro foi dado o Primado para demonstrar que uma é a Igreja de Cristo e uma a Cátedra. Todos são pastores, mas há um só rebanho apascentado por todos os Apóstolos de comum acordo […].

“Pode ter Fé quem não crê nessa unidade da Igreja? Pode pensar que se encontra dentro da Igreja quem se opõe e resiste à Igreja, quem abandona a Cátedra de Pedro, sobre a qual ela está fundada? São Paulo também ensina o mesmo, e manifesta o mistério da unidade, ao dizer: ‘Há um só corpo e um só espírito, como também só uma esperança, a de vossa vocação. Só um Senhor, uma Fé, um batismo, um Deus’ (Ef 4, 4-6)” 14.

Jurisdição plena, suprema e universal

Se lermos os Atos dos Apóstolos, encontraremos Pedro exercendo esse supremo poder, ao falar em primeiro lugar nas reuniões dos Apóstolos, ao propor o que se deve fazer, inaugurando a missão apostólica, encerrando discussões com sua palavra, etc. E assim se têm perpetuado, ao longo de dois milênios, a jurisdição e o magistério dos Papas.

Todo sucessor de Pedro possui verdadeira jurisdição, pois tem o poder de promulgar leis, julgar e impor penas, de forma direta, em matéria espiritual, e indireta, no campo temporal, sempre que se apresente como necessária para obter bens espirituais. Essa jurisdição é plena: não há poder na Igreja que não resida no Papa. É universal, ou seja, todos os membros da Igreja (fiéis, sacerdotes e bispos) a ele estão submetidos. É, ademais, suprema: o Papa acima de todos, e ninguém acima dele. Até mesmo os Concílios Ecumênicos não podem se realizar sem ser por ele convocados e presididos. Os próprios estatutos conciliares não o obrigam, tendo ele o poder de mudá-los ou de derrogá-los.

Magistério infalível

Outro tanto se pode afirmar sobre uma análoga e grande função de Pedro e de seus sucessores: o supremo Magistério que, como coluna que sustenta a Igreja, não pode equivocar-se. O Papa é infalível ao falar ex cathedra, ou seja, enquanto doutor de todos os cristãos, ao definir com autoridade apostólica doutrinas sobre Fé e moral, que devem ser admitidas por toda a Igreja universal.

Aí está o motivo pelo qual “as portas do inferno” não poderão se sobrepor a um edifício construído sobre a pedra que é Pedro.

“Doce Cristo na Terra”

“Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na Terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na Terra será desligado no Céu”.

Cristo retornaria ao Pai, deixando nas mãos de Pedro as chaves de Sua Igreja. “Quem tem o uso legítimo e exclusivo das chaves de uma casa ou de uma cidade, este é o administrador, o intendente supremo que recebeu os poderes de seu senhor. A Igreja é o reino dos Céus neste mundo; a Igreja Triunfante será o reino definitivo e eterno dos Céus, prolongamento desta mesma Igreja da Terra, já purificada de toda impureza. Pedro terá poder de abrir e fechar a entrada nesta Igreja temporal e, conseqüentemente, na eterna” 15.

A cabeça desse corpo místico sempre será Cristo Jesus. Durante a História da humanidade, Ele será o chefe invisível, mas deixa entre nós um Pedro acessível, o “doce Cristo na Terra” — segundo expressão usada por Santa Catarina de Sena —, a quem todos devemos amar como bom pai, obedecer até às suas mais leves insinuações e conselhos, honrar como a um supremo monarca, rei de reis.

III – Nasce uma obra indestrutível

Solenidade de São Pedro e São Paulo - A Pedra Inabalável - Revista Arautos do Evangelho - Revista CatólicaÉ de pasmar o desenrolar desse acontecimento histórico ocorrido na “região de Cesaréia de Filipe”. Um simples pescador da Betsaida proclama que o filho de um carpinteiro é realmente Filho de Deus, por natureza. Este, em seguida, anuncia que edificará uma obra indestrutível e deixará em mãos de seu administrador, com plenos poderes de jurisdição e magistério, “as chaves do Reino do Céu”. O ambiente que os cerca é pobre, árido mas com certa grandeza. Ali é plantado “o grão de mostarda”, do qual nasceriam as igrejas, as catedrais, as cerimônias, os vitrais, as universidades, os hospitais, os mártires, os confessores, as virgens, os doutores, os santos, enfim, a Santa Igreja Católica Apostólica e Romana.

Passaram-se dois milênios e, depois de tantas e catastróficas procelas, inabalável continua essa “nau de Pedro”, tendo Cristo, com poder absoluto, em seu centro. Nenhuma outra instituição resistiu à corrupção produzida pelos desvios morais ou pela perversão da razão e do egoísmo humano. Só a Igreja soube enfrentar as teorias caóticas, opondo-lhes a verdade eterna; arrefecer o egoísmo, a violência e a volúpia, utilizando as armas da caridade, justiça e santidade; pervadir e reformar os poderes despóticos e materialistas deste mundo, com a solene e desarmada influência de uma sábia, serena e maternal autoridade. Não podiam mãos meramente humanas erigir tão portentosa obra, só mesmo a virtude do próprio Deus seria capaz de conferir santidade e elevar à glória eterna homens concebidos no pecado.

1 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A Guerra e o Corpo Místico, em “O Legionário”, de 16/4/1944.
2 AQUINO, São Tomás de. Catena Aurea.
3 CRISÓSTOMO, São João. Homilia 54 sobre o Evangelho de São Mateos, § 1.
4 MALDONADO, SJ, P. Juan de. Comentario a los cuatro Evangelios. Madri: BAC, 1950, v. I, p. 579.
5 Cf. CRISÓSTOMO. Op. cit. § 1.
6 Cf. CRISÓSTOMO. Idem ibidem.
7 MALDONADO, Op. cit. p. 580.
8 CRISÓSTOMO. Op. Cit. § 3.
9 Ver seu poder de perdoar os pecados, em Mt 9, 6; sua superioridade sobre o Templo, em Mt 12, 6; a suspeita sobre sua messianidade, em Mt 12, 23; etc.
10 HILÁRIO DE POITIERS, Santo, in Evangelium Matthaei Commentarius, c. XVI.
11 Apud AQUINO. Catena Aurea.
12 MALDONADO. Op. cit. p. 584.
13 BUENAVENTURA, San. La perfección evangélica, c. 4 a. 3 concl. in Obras de San Buenaventura. Madri: BAC, 1949, t. 6, p. 309.
14 CIPRIANO, San. De unitate ecclessia, § 4.
15 GOMÁ Y TOMÁS, Dr. D. Isidro. El Evangelio Explicado. Barcelona: Ediciones Acervo, 1967,  v. II, p. 38.

Fonte: Revista Arautos do Evangelho

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PAPA NOMEIA DOM GILSON ANDRADE COMO COADJUTOR PARA A DIOCESE DE NOVA IGUAÇU (RJ)

Após acolher o pedido de Dom Luciano Bergamin da Diocese de Nova Iguaçu, o Papa Francisco nomeou Dom Gilson Andrade da Silva como bispo coadjutor, transferindo-o do ofício de auxiliar da Arquidiocese de Salvador, na Bahia.

Papa nomeia coadjutor para a Diocese de Nova Iguaçu (RJ).png

Oriundo do Rio de Janeiro, Dom Gilson Andrade da Silva foi ordenado sacerdote em 4 de agosto de 1991, na Catedral de Petrópolis. Entre 1985 e 1987, cursou Filosofia no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino.

Além de ser bacharel em Sagrada Teologia na Universidade de Navarra, na Espanha, entre 1988 e 1991, é licenciado em Sagrada Teologia pela Pontifícia Università della Santa Croce, em Roma, de 1997 a 1999.

Em 2011, foi nomeado pelo Papa Bento XVI como bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador. A ordenação episcopal aconteceu no dia 24 de setembro, em Petrópolis, e a posse em Salvador, em 10 de outubro, na Catedral Basílica, localizada no Terreiro de Jesus. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Misericórdia sem limites - Revista Arautos do Evangelho - Revista Católica

Haverá alguém que nunca tenha se sentido aflito em horas de dificuldades ou na perspectiva de alguma tragédia? Ou que jamais tenha tido necessidade de uma ajuda, seja ela espiritual, psicológica, afetiva ou material?

Com toda certeza, não, pois o ser humano, longe de ser auto-suficiente, é contingente por natureza: não tem condições de viver sem apoio de seus semelhantes, muito menos sem a contínua sustentação de Deus, Criador do universo.

Uma carência inevitável, uma solução infalível

Para esse estado de carência inevitável, Deus nos oferece uma solução infalível: o recurso à sua e nossa Mãe. Daí ser muito apropriado o título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com o qual se patenteia a certeza do auxílio que Ela nos dá quando a Ela recorremos.

“Perpétuo Socorro” indica uma fonte de misericórdias que nunca se esgota, jamais se interrompe. “Nunca” significa em nenhum tempo, nenhum lugar, nenhuma circunstância. Por pior que seja a situação, por mais graves e numerosos que sejam nossos pecados, a Virgem Maria quer manter-nos continuamente sob sua insondável proteção e celestial amparo.

Um quadro rico em símbolos

O milagroso ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro mede 53 por 41,5 centímetros. É uma pintura de estilo bizantino, executada em madeira sobre fundo dourado, cor muito usada pelos artistas no antigo Império Romano quando se tratava de retratar grandes personalidades. O ouro, no caso, é um expressivo símbolo da glória da Rainha dos Céus.

Mais do que um simples retrato de Maria, a pintura reproduz uma cena.

A Virgem Mãe segura com desvelo, afeto e adoração o Menino-Deus; seu olhar, porém, não está voltado para Ele, mas para nós, seus filhos adotivos. Jesus não olha nem para sua Mãe nem para nós, mas parece querer abarcar com seu olhar divino os dois anjos que seguram os instrumentos da Paixão: à esquerda, São Miguel, de manto verde, com a lança e a esponja de fel; à direita, São Gabriel, de manto lilás, com a cruz e os cravos que perfuraram pés e mãos do Redentor.

Pormenor altamente expressivo é a sandália pendente do pé direito do Menino Jesus, segura por um fio, quase caindo. Ela é bem o símbolo da situação da alma em estado de pecado mortal: presa a Jesus por um fio, a devoção a Nossa Senhora.

Sob o manto azul, Maria veste uma túnica vermelha. Nos primórdios do Cristianismo, as virgens se distinguiam pela cor azul, símbolo da pureza, e as mães pela cor vermelha, signo da caridade. Essa combinação cromática define, pois, excelentemente Nossa Senhora, Virgem e Mãe. Nota-se também o verde no forro de seu manto. Ora, a composição dessas três cores era de uso exclusivo da realeza. Assim, a dignidade régia da Rainha dos Anjos e dos Santos está bem representada em suas vestimentas.

Bem no alto do quadro, metade em cada lado, estão escritas, em letras gregas, as iniciais da expressão “Mãe de Deus”; ao lado da cabeça do Menino Jesus, as iniciais de “Jesus Cristo”; acima do anjo da esquerda, “Arcanjo Miguel”; e do anjo da direita, “Arcanjo Gabriel”. (Revista Arautos do Evangelho, Jun/2006, n. 54, p. 36 à 39)

Clique no vídeo acima para assistir


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org
TV Arautos

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TRÍDUO A NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO: MÃE, PROTEGEI-NOS!

Haverá alguém que nunca tenha se sentido aflito em horas de dificuldades ou na perspectiva de alguma tragédia? Ou que jamais tenha tido necessidade de uma ajuda, seja ela espiritual, psicológica, afetiva ou material? Com toda certeza, não, pois o ser humano, longe de ser autossuficiente, é contingente por natureza: não tem condições de viver sem apoio de seus semelhantes, muito menos sem a contínua sustentação de Deus, Criador do universo. Para esse estado de carência inevitável, Deus nos oferece uma solução infalível: o recurso à sua e nossa Mãe. Daí ser muito apropriado o título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com o qual se patenteia a certeza do auxílio que Ela nos dá quando a Ela recorremos. Por isso, clique na imagem acima e reze conosco o Tríduo a Mãe do Perpétuo Socorro e confie na Sua intercessão.


Fonte: Arautos do Evangelho

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CENTRO HISTÓRICO DE SALVADOR FESTEJA SÃO PEDRO E SÃO PAULO

Organizando os festejos para a celebração dedicada a Festa São Pedro e São Paulo, colunas da Igreja, a Igreja São Pedro dos Clérigos (Terreiro de Jesus) realiza entre 26 e 28 de junho, sempre às 16h30, um tríduo preparatório com missa dedicada aos apóstolos e orações por uma Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Centro Histórico de Salvador festeja São Pedro e São Paulo.jpg

No dia dedicado a São Pedro e a São Paulo, 29 de junho, a programação terá início com alvorada e repique de sinos, às 6h30. Em seguida, haverá o Bazar dos Apóstolos, das 8h30 às 11h30. E mais tarde, os fiéis serão convidados para o momento de louvor e Adoração ao Santíssimo Sacramento, às 15h.

A Missa Solene terá início às 16h30, e após, uma procissão pelas principais ruas do Centro Histórico encerrará os festejos. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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TRÍDUO A NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO: MÃE, AJUDAI-ME A SER SEMPRE FIEL!

Haverá alguém que nunca tenha se sentido aflito em horas de dificuldades ou na perspectiva de alguma tragédia? Ou que jamais tenha tido necessidade de uma ajuda, seja ela espiritual, psicológica, afetiva ou material? Com toda certeza, não, pois o ser humano, longe de ser autossuficiente, é contingente por natureza: não tem condições de viver sem apoio de seus semelhantes, muito menos sem a contínua sustentação de Deus, Criador do universo. Para esse estado de carência inevitável, Deus nos oferece uma solução infalível: o recurso à sua e nossa Mãe. Daí ser muito apropriado o título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com o qual se patenteia a certeza do auxílio que Ela nos dá quando a Ela recorremos. Por isso, clique na imagem acima e reze conosco o Tríduo a Mãe do Perpétuo Socorro e confie na Sua intercessão.


Fonte: Arautos do Evangelho

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TRÍDUO A NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO: REZE CONOSCO!

Haverá alguém que nunca tenha se sentido aflito em horas de dificuldades ou na perspectiva de alguma tragédia? Ou que jamais tenha tido necessidade de uma ajuda, seja ela espiritual, psicológica, afetiva ou material? Com toda certeza, não, pois o ser humano, longe de ser autossuficiente, é contingente por natureza: não tem condições de viver sem apoio de seus semelhantes, muito menos sem a contínua sustentação de Deus, Criador do universo. Para esse estado de carência inevitável, Deus nos oferece uma solução infalível: o recurso à sua e nossa Mãe. Daí ser muito apropriado o título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com o qual se patenteia a certeza do auxílio que Ela nos dá quando a Ela recorremos. Por isso, clique na imagem acima e reze conosco o Tríduo a Mãe do Perpétuo Socorro e confie na Sua intercessão.


Fonte: Arautos do Evangelho

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NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA

Natividade de São João Batista - Arautos do Evangelho

A liturgia faz-nos celebrar a Natividade de São João Batista, o único
Santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o
início do cumprimento das promessas divinas

João é aquele «profeta», identificado com Elias, que estava destinado a preceder imediatamente o Messias para preparar o povo de Israel para a sua vinda …

Depois de Nossa Senhora, talvez seja João Batista o santo mais venerado pelos Cristãos. Como a Santa Mãe de Deus, dele também se celebra a data de dois nascimentos: para a vida terrena, em 24 de junho, e para a vida eterna em 29 de agosto. Aliás, São João e Maria Santíssima eram parentes bem próximos.

São João Batista.jpg

Já no Antigo Testamento encontramos trechos que se referem a São João Batista, o Precursor: estrela da manhã que com o seu brilho excedia o brilho de todas as outras estrelas e anunciava a manhã do dia abençoado, iluminado pelo Sol espiritual de Cristo (Mal. 4:2). Ver Isaías.

Por causa de suas pregações, São João foi logo tido como profeta. Aquela categoria de homens especialmente escolhidos pela Providencia que, falando por inspiração divina, prenunciam os acontecimentos, ouvem e interpretam os passos do Criador na história, orientando o caminhar do povo de Deus.

Os Santos Evangelhos referem-se a ele como sendo um desses homens. Talvez como sendo o maior deles (Lc 7, 26-28), uma vez que com São João Batista a missão profética atingiu sua plenitude e ele é um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.

Os outros profetas foram um prenúncio do Batista. Só ele pôde apresentar o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa como sendo o messias prometido, o salvador e redentor da humanidade.

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O Evangelista São Lucas nos conta que João, o “Batista”, o “Precursor”, nasceu numa cidade do reino de Judá, perto de Hebron, nas montanhas, ao sul de Jerusalém e que era descendente do santo patriarca Abraão, iniciador da historia do povo de Israel.

Seu pai foi o sacerdote São Zacarias (da geração de Aarão) e sua Mãe foi Santa Isabel (da geração de Davi), prima da Virgem Maria, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. São Lucas ressalta também as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento de João Batista: Isabel, estéril e já idosa, viu ser possível realizar seu justo desejo de ter um descendente quando o arcanjo São Gabriel anunciou a Zacarias, seu esposo, que ela daria a luz a um filho. O menino deveria chamar-se João e seria o precursor do Salvador.

Pela graça de Deus o menino não foi morto no massacre dos inocentes quando milhares de crianças foram assassinadas na região de Belém a mando de Herodes. Alguns meses depois de engravidar-se, Isabel recebeu a visita de Nossa Senhora: “Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

E exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.” (Lc 1:39-44).

Essas circunstâncias, impregnados de um clima sobrenatural, foram preparadas sabiamente pela Divina Providencia para que o papel de João Batista fosse realçado como precursor de Cristo. Esses fatos aconteceram por volta do ano 5, antes de Cristo, no território onde habitava a tribo de Judá.

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Estando ainda em sua juventude, João retirou-se para o deserto. Nesse ambiente austero, recolhido e afastado dos homens ele preparou-se para sua missão. Vestido de pêlos de camelo e um cinturão de couro, ele alimentava-se apenas de mel silvestre e gafanhotos. Com jejuns e orações, colocou-se por inteiro na presença do Altíssimo, levando uma vida extremamente coerente com seus ensinamentos. Permaneceu no deserto até por volta de seus trinta anos quando iniciou suas pregações às margens do rio Jordão.

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A relevância do papel de São João Batista reside no fato de ter sido ele o “precursor” de Cristo. Foi ele a voz que clamava no deserto anunciando a chegada do Messias não cessando, jamais, de chamar os homens à conversão: “Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo”. Em suas pregações Insistia sempre para que os judeus, pela penitência, se preparassem pois estava próxima a chegada do Messias prometido.

João passou a ser conhecido como “Batista” por causa da importância que dava ao batismo, um ritual de purificação corporal onde a imersão na água simbolizava a mudança de vida interior do batizado.

Prisao de Sao Joao Batista - Igreja de São João Batista, Halifax (Canadá).jpg

Não deixava nunca de salientar aos seus ouvintes e discípulos que “Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia! Eu também não o conhecia, mas vim batizar com água para que ele fosse manifestado a Israel”.

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João pregou também na corte de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia. Foi ai que ele teve oportunidade de denunciar a vida escandalosa que o governante levava. E foi também essa denuncia que serviu de motivo para que João Batista fosse preso. Ele só não foi condenado à morte nessa ocasião porque o tetrarca sabia da popularidade do já muito conhecido pregador e temia a reação do povo diante dessa medida extrema.

Porém, como relata o evangelista São Marcos (6: 21-29), aconteceu que durante as comemorações do aniversário de Herodes, Salomé, filha de Herodíades – mulher com a qual o governante mantinha um relacionamento irregular e imoral – agradou tanto ao aniversariante que este prometeu atender qualquer pedido feito pela moça.

Instigada pela mãe, ela pediu a cabeça de João Batista. Herodes cumpriu o que havia prometido: mandou degolar João Batista e sua cabeça foi trazida numa bandeja e entregue a Salomé.

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“Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista” (Lc 7,28): a vaidade, o orgulho, a soberba, jamais encontraram lugar em seu coração. Por causa de sua austeridade e de sua fidelidade cristã, ele foi confundido com o próprio Jesus Cristo, mas, imediatamente, ele retruca: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele.” (Jo 3, 28) e “não sou digno de desatar a correia de sua sandália”. (Jo 1,27). João batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?” (Mt 3:14).

Quando seus discípulos hesitantes não sabiam a quem seguir, ele apontava na direção daquele que é o único caminho: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (Jo 1,29).

E dava testemunho de Jesus: “Eu vi o Espírito descer do céu, como pomba, e permanecer sobre ele. Pois eu não o conhecia, mas quem me enviou disse-me: Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é ele que batiza com Espírito Santo. Eu vi, e por isso dou testemunho: ele é o Filho de Deus!”

Oração a São João Batista

São João Batista, fostes a voz que clamou no deserto: “Endireitai os caminhos do Senhor… fazei penitência, porque no meio de vós está quem não conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias”, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas para que eu me torne digno do perdão daquele que vós anunciastes com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo”. São João Batista, rogai por nós.


Fonte: Arautos do Evangelho

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MEDITAÇÃO SOBRE A SANTIDADE!

Aprovadas em 1868 pelo Cardeal Victor Augusto Isodoro Deschamps, Arcebispo de Malinas (Bruxelas) e Primaz da Bélgica, SAO VICENTE DE PAULO................jpgas Meditações Práticas para Todos os Dias do Ano compostas pelo jesuíta Pe. Bruno Vercruysse se destacam pela solidez da doutrina. Ressaltou o cardeal, ao aprová-las, que seu uso seria de grande utilidade para os que aspiram à perfeição, ou seja, à santidade. A seguir são apresentados alguns excertos da inspirada obra do dedicado sacerdote, referentes a meditações recomendadas para a vigília e para a festividade de Todos os Santos.

Muitos deles (os santos) viram-se numerosas vezes entre o terem de ir contra a sua consciência ou sujeitarem-se às terríveis conseqüências com que os ameaçava a impiedade triunfante. Que fizeram? Resistiram, combateram, bem decididos a antes morrer do que consentir na iniqüidade. Antes morrer do que manchar a alma: esse era o seu grito de guerra. A fé os amparava, a fé os tornava invencíveis.

Tais pensamentos são muito apropriados para nos manter a coragem. Os santos não estavam, portanto, melhor colocados do que nós para se salvarem. Muitos tinham paixões mais violentas a domar do que as que temos, obstáculos maiores a vencer do que os que enfrentamos. Ademais, nós dispomos dos mesmos meios de santificação que eles, ou, melhor dizendo, nós, na situação em que Deus nos colocou, dispomos de meios mais numerosos e eficazes do que muitos dentre eles. Por que, então, parecemos tão pouco com eles? Porque temos sido fracos e covardes no combate; porque nossa vontade não tem energia; porque, enfim, a santidade sempre supõe uma vontade forte, sempre exige violência. O Reino dos Céus sofre violência e só os esforçados o alcançam, diz Jesus Cristo.

Os santos foram fortes e ardentes nos combates espirituais, mas foram ainda mais constantes em empregar os meios de santificação que tinham ao seu alcance. Perseveraram até o fim, e assim cumpriram a condição que Jesus estabeleceu para se ganhar a vitória. Quem tiver perseverado até o fim, esse será salvo. Por isso triunfaram de tudo: das zombarias, dasSao_Pio_X.jpgsolicitações e das ameaças do mundo, da malícia e da raiva dos demônios, de todos os suplícios inventados pelo ódio dostiranos e, o que é mais difícil ainda, das fraquezas e seduções do seu próprio coração.

O que nos falta, em geral, não é a boa vontade, n ão são nem mesmo os bons propósitos: é a fidelidade em pô-los por obra, é a perseverança.

Imaginemos a que grau de perfeição teríamos chegado se tivéssemos executado fielmente o plano de vida que tínhamos traçado nos belos dias do nosso primeiro fervor, no nosso primeiro retiro, no nosso noviciado, ou mesmo nos retiros consecutivos! Mas, ai! Os nossos bons propósitos, em vez de durarem um ano, não duram muitas vezes nem um dia! Não nos acontece de já nos termos esquecido, ao meio-dia, de um propósito que fizemos pela manhã, na meditação?

Depois de termos meditado nos combates e nas vitórias dos santos, meditemos também no seu triunfo definitivo. Foi por Deus que eles combateram e perseveraram no combate; Deus quer mostrar-lhes e dar-lhes a saber o que é terem sido fiéis até o fim. Ele recompensará como Deus que é, quer dizer, magnificamente. Tudo o que pudermos imaginar de glória, de gozo, de felicidade e delícias, isso nada é em comparação com as recompensas celestes. É a fé que no-lo diz: nunca o coração do homem pode compreender – exclama o Apóstolo – o que Deus preparou para os que o amam.

Meditando nesses pensamentos, sentiremos dilatar em nós o coração, inflamar-se a nossa coragem, e então exclamaremos co
m São Paulo: nenhum sofrimento desta vida tem proporção com a glória que se manifestará em nós. Longe, pois, de nos desanimarmos com as dificuldades, suspiremos – com um São Francisco Xavier, e uma Santa Teresa – pelos combates, humilhações e sofrimentos. Façamos tudo o que está ao nosso alcance para nos animarmos desses sentimentos, como fruto de sta meditação preparatória para a festa de Todos os Santos. Ofereçamos ao Senhor com esse fim as orações, os sacrifícios e as boas obras nesse dia.

Suponhamos que um homem convoque os habitantes de uma cidade, e lhes dirija as seguintes palavras: “Meus senhores, eu percorri todo o mundo, viajei por mares desconhecidos, e por fim descobri uma terra maravilhosa, uma ilha encantadora, em que as condições de vida são muito diferentes das de cá. Lá, os homens nada têm a sofrer, nem sequer os incômodos do frio e do calor: a temperatura mantém-se sempre agradável, e não há necessidade alguma de trabalhar, pois a terra tudo produz espontaneamente. Lá não se teme os ladrões ou os invejosos, porque não existem más paixões; lá não há o que recear, nem as doenças, nem os incômodos da velhice, nem as angústias da morte”. Nesta altura, que diriam os ouvintes? Que o viajante estava zombando deles, ou que estava contando um lindo sonho, ficção poética.

O que neste mundo não passa de um lindo sonho, de uma ficção poética, no Céu… é a realidade! Isso, a fé nos assegura: “e não mais haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor”, diz
São João (Ap 21, 2). Ah! E se o Céu não fosse mais do que isso, SANTO INACIO DE LOYOLA.jpgnão valeria já a pena fazer, se fosse necessário, grandes sacrifícios para adquirirmos segura garantia de o alcançarmos? Com toda a certeza: os que acreditassem na existência da ilha afortunada apressar-se-iam a vender as suas propriedades só para terem dinheiro para a viagem porque, enfim, diriam que “aqui não se pode escapar da velhice, nem da morte que tudo leva”.

No Céu possuiremos Deus, o Ser infinito que co ntém em si todos os bens possíveis no mais alto grau de perfeição. Por conseguinte, a nossa felicidade será perfeita. Perfeita em todas as faculdades da alma. Na memória, que doces recordações, que deliciosos pensamentos, mais que tudo o que se pode exprimir, a povoarão constantemente… No entendimento, cada um receberá um conhecimento de tudo, infinitamente superior ao de todos os sábios do mundo. A vontade, ela será instantânea e completamente satisfeita em todos os seus desejos. Teremos felicidade perfeita em todos os sentidos do nosso corpo, tornado semelhante ao de Jesus Cristo ressuscitado.

Toda a beleza que os olhos possam ver, toda a melodia que os ouvidos possam ouvir, toda a suavidade que o sabor e o olfato possam perceber… Numa palavra, todo o gozo ou prazer que o corpo possa experimentar será herança nossa, sem medida e sem temor
de excesso, porque então a concupiscência já não terá outro atrativo que o do bom e do honesto.

A nossa felicidade no Céu será então, sob todos os aspectos, realmente perfeita. Nós acreditamos, nós felicitamos os santos que a possuem, invejamos a sua sorte e, contudo – coisa estranha! – estamos ainda tão agarrados a esta miserável terra, lugar do nosso exílio! Pouco pensamos no Céu. Ah, se nos fosse dado sermos arrebatados, como São Paulo, ao terceiro céu e saborearmos, ainda que não fosse mais que um instante, as delícias que lá se gozam: como ficariam os outros! Nada mais poderíamos amar na terra, e não faríamos mais que ansiar e suspirar pelo Céu.

O que deve encarecer sobremaneira, na nossa estima, os bens inefáveis que nos estão prometidos no Céu, é que os possuiremos sem temor de os vir a perder, porque jamais terão fim. Mas, poderá alguém objetar: a contemplação e o gozo eterno das mesmas coisas não produzirá uma espécie de fastio ou de enjôo? Repilamos depressa essas idéias grosseiras,Nossa_Senhora_do_Bom_Conselho.jpg pois sendo Deus o Ser Infinito, a infinita Beleza, a infinita Amabilidade, os bem-aventurados descobrirão sempre nele coisas novas, novas belezas, novos gozos, sem jamais poder esgotá-los, porque o finito não poderá abarcar o infinito.

Compenetremo-nos bem desses pensamentos e em todas as nossas penas do corpo ou do espírito digamos com o Apóstolo: não têm proporção alguma os sofrimentos da vida presente com a glória que há de brilhar em nós no céu. E, longe de nos agarrarmos à terra, tardar-nos-á sempre, como tardava aos santos, entrar na posse do Céu. Também nós exclamaremos como o rei-profeta: quando irei a ver-vos, Senhor meu Deus, na mansão da vossa glória? Oh, quem me dera ter asas, pois eu voaria.

Façamos um colóquio com a Santíssima Virgem, Rainha de todos os santos. Felicitemo-la, peçamos a ela que nos obtenha uma fé mais viva, uma caridade mais ardente, um desprezo maior de todos os gozos que o mundo pode nos oferecer, uma vontade mais fecunda em boas obras, e os mais ardentes suspiros pela Pátria Celestial.

Excertos extraídos e adaptados da obra Meditações Práticas Para Todos os Dias do Ano (Pe. Bruno Vercruysse S.J., versão em português pelo Pe. Luís Moreira de Sá e Costa S.J., terceira edição, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1950).


Fonte: Arautos do Evangelho

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SR. DR. PLINIO COMENTA: SÃO LUÍS GONZAGA

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira comenta nesse vídeo sobre uma bela pintura de São Luiz Gonzaga, e explica sobre uma firmeza extraordinária que se percebe no olhar deste grande santo.

 

Para assistir:

 

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SANTO DO DIA: SÃO LUÍS GONZAGA, MODELO DE VIRTUDES EXEMPLARES

Altíssimo foi o grau de santidade por ele alcançado pela via da inocência. Nada de terreno o atraía, vivia em contemplação e todas as suas ações estavam em conformidade plena com os desígnios divinos.

– Então, o que faremos, Irmão Luís? – perguntou o Padre Provincial, ao entrar no quarto do enfermo.
– Estamos a caminho, Padre.
– Para onde?
– Para o Céu… Se não impedirem meus pecados, espero, pela misericórdia de Deus, ir para lá.

No meio dos prazeres e honras da corte, o jovem Luís permaneceu ancorado no desejo de se fazer religioso. São Luís Gonzaga, aos 17 anos e meio de idade Óleo de autor desconhecido, da escola de Paulo Veronese

Esta era a disposição de alma do jovem noviço da Companhia de Jesus, que interrompera seus estudos de Teologia por força de uma grave doença e há três meses jazia prostrado no leito. Oito dias antes, predissera que estes seriam para ele os últimos.

Morrerei esta noite”

Já pela manhã, pediu o Viático, o qual só lhe foi trazido à tarde, por julgarem-no ainda com saúde. Passou o dia em atos de fé, petição e adoração. Os padres jesuítas não se consolavam por perder o santo irmão, e tentavam persuadi-lo de que sua hora ainda não chegara. Ele, inflexível, respondia:

– Morrerei esta noite. Morrerei esta noite.

Padres e noviços de todas as casas, tendo sabido da predição de sua morte, acorreram para despedir-se dele, encomendar-se às suas orações e pedir seus últimos conselhos. A doença minara-lhe a saúde do corpo, mas a alma a cada momento crescia em santidade. Assim, atendia a todos com afeto, prometendo lembrar-se deles no Céu.

Tendo anoitecido e vendo o Padre Reitor que Luís ainda falava com facilidade, concluiu que não morreria nessa noite e deu ordem aos irmãos para se recolherem a dormir. Ficaram no quarto apenas dois sacerdotes para auxiliar o enfermo, além do seu confessor, São Roberto Belarmino.

Luís não escondia sua profunda alegria. Ir para o Céu, unir-se definitivamente com Deus: era o que mais almejara durante sua curta vida!

Passado algum tempo, disse ao confessor:

– Padre, podeis fazer a encomendação.

O sacerdote logo a fez, com muita compenetração e devoção. Recolhido, calmo e confiante, Luís aguardava o momento supremo, o qual não tardou: por volta das vinte horas, com os olhos fixos no crucifixo que segurava em suas mãos, entrou serenamente nas terríveis dores da agonia. Nenhum gemido lhe saiu dos lábios, seu olhar não se desviou um instante sequer d’Aquele que tanto sofrera por nós na Cruz. Pronunciando o Santíssimo Nome de Jesus, entregou sua alma a Deus na mais inteira paz.

O perfeito pensa constantemente em Deus

Luís Gonzaga era dessas almas diletas, sobre as quais Deus derrama graças e dons em superabundância para mantê-las na inocência. Altíssimo foi o grau de santidade alcançado por ele nessa via. Nada de terreno o atraía, vivia em contemplação e todas as suas ações estavam em conformidade plena com os desígnios divinos.

Eis como o famoso dominicano Padre Garrigou-Lagrange descreve uma alma nesse estado de perfeição:

“Depois da purificação passiva do espírito, os perfeitos conhecem a Deus de uma maneira quase experimental, não mais passageira, porém quase contínua. Não somente durante as horas da Missa, do Ofício Divino ou demais orações, mas também no meio das ocupações exteriores, sua alma permanece voltada para Deus. Por assim dizer, eles não perdem sua presença e guardam a união atual com Ele.

” Compreenderemos com facilidade a questão se a analisarmos em contraposição ao estado de alma do egoísta. Este pensa sempre em si mesmo e, naturalmente, refere tudo a si; entretém-se sem cessar consigo mesmo sobre suas veleidades, suas tristezas, ou suas superficiais alegrias; sua conversa íntima, por assim dizer, é incessante, mas vã, estéril e esterilizante para todos. O perfeito, ao contrário, em lugar de pensar em si, pensa constantemente em Deus, em Sua glória, na salvação das almas e, para isso, faz tudo convergir para este objetivo, como por instinto. Sua conversa íntima não é consigo mesmo, mas com Deus”.1

Vejamos alguns episódios da existência terrena, breve, mas pervadida de santidade, de São Luís Gonzaga, que refletem bem sua inocente alma.

Retidão desde a infância

Nasceu em 9 de março de 1568, no castelo de Castiglione, Itália. Foi o primeiro filho de Dom Fernando Gonzaga, Marquês de Castiglione e Príncipe do Sacro Império, e de Dona Marta Tana, dama da Rainha Isabel de Valois.

Muito agradava à marquesa ver quão bem seu filho assimilava, desde pequeno, suas maternais instruções de piedade. Seu pai, porém, se inquietava, pois temia que a devoção o desviasse da carreira das armas, à qual se destinavam os primogênitos.

Quando Luís tinha cinco anos de idade, o marquês recebeu ordem de partir para Túnis à frente de três mil homens da infantaria italiana e, devendo passar em revista as tropas na cidade de Casalmaior, levou-o consigo, para acostumá-lo ao sabor das armas. Passou o menino lá alguns meses e, na convivência com a soldadesca, aprendeu algumas palavras indecorosas, as quais passou a repetir, sem saber seu significado.

De volta a Castiglione, foi repreendido por seu preceptor, e não apenas nunca mais proferiu tais palavras, mas manifestava grande enfado quando ouvia alguém pronunciá-las. Muito se envergonhou por essa falta e, quando já religioso, costumava contá-la para “provar” como fora mau desde criança.

Devoção a Maria e virtudes exemplares

“No entardecer da nossa vida, seremos julgados segundo o amor”. É para esse amor, em uma entrega total, que Deus nos chama desde a juventude.

Quando Luís fez nove anos de idade, Dom Fernando o levou, juntamente com seu irmão Rodolfo, para a corte do Grão-duque da Toscana. A Providência Divina utilizou esses dois anos em que ele viveu em Florença para fazê-lo progredir nos caminhos da santidade. A leitura de um livro sobre os mistérios do Rosário fez desabrochar em sua alma a devoção a Maria Santíssima.

Contribuiu também para tal a fervorosa devoção a Nossa Senhora da Anunciata, venerada nessa cidade. Tanto se lhe inflamou o coração pela Virgem que quis oferecer a Ela seu voto de virgindade.

As diversas virtudes já eram robustas em sua alma. Adquirira uma completa guarda dos sentidos, uma obediência total aos superiores, além de um profundo recolhimento de alma e elevação de espírito.

Deus rapidamente construía a bela catedral da alma de Luís, o qual, com a simplicidade de uma criança, deixava-se conduzir pelo Pai celestial. Tendo passado para a corte de Mântua, não só conservou os hábitos de oração, mas sublimou-os pelas práticas de mortificação. Obrigado pelos médicos a seguir uma dieta alimentar, para curar-se de uma enfermidade, tomou tal gosto pela penitência que, ultrapassando as receitas indicadas, entregou-se aos mais rigorosos jejuns. Considerava ter feito uma lauta refeição quando comia um ovo inteiro!

Intensa vida sobrenatural

De volta ao solar paterno, foi cumulado de graças místicas extraordinárias. Quando se punha a considerar os atributos divinos, experimentava uma tão grande consolação que derramava lágrimas suficientes para empapar vários lenços. Algumas vezes ficava tão arrebatado que perdia completamente os sentidos exteriores. Sua mente estava toda posta no sobrenatural, e sobre as coisas de Deus versavam todas as suas palavras.

Em 1580, chegou a Castiglione o Cardeal Carlos Borromeu, Visitador Apostólico do Papa Gregório XIII. Muito se admirou o Cardeal por ver como aquele pequeno “anjo” discorria sobre os temas da Religião. No final de duas horas de conversa com ele, decidiu o Cardeal dar-lhe por primeira vez a Sagrada Eucaristia.

Aos treze anos de idade sentiu o chamado religioso. Por ser ainda muito jovem, nada comunicou a seus pais, mas redobrou suas austeridades. Aboliu o uso da lareira em seu quarto; levantava-se de madrugada e, de joelhos, rezava durante longo tempo, mesmo durante os rigores do inverno lombardo.

Cada vez mais inquieto à vista dos progressos do filho na trilha da piedade, o Marquês de Castiglione decidiu, para distraí-lo, dirigir-se com toda a família para Madri e colocá-lo como pajem do filho do rei Felipe II. Luís, entretanto, com a alma ancorada em Deus, permaneceu firme e resoluto em seus propósitos, no meio dos prazeres e honras da corte.

Conquista da permissão paterna

“Para qual ordem religiosa sou chamado?” – perguntava-se o jovem pajem. Optou pela Companhia de Jesus. Além da nobre função do ensino à qual esta se dedicava, motivou essa escolha o fato de os jesuítas serem proibidos, pela regra, de ascender a qualquer cargo, salvo se por ordem direta do Papa. Assim, renunciaria para sempre não só às honras do mundo, mas também às eclesiásticas.

Gritos de cólera e ameaças de açoites foi a resposta do marquês ao pedido de seu filho para entregar-se a Deus, na Ordem fundada por Santo Inácio. Usou de sua influência para conseguir que algumas altas dignidades eclesiásticas tentassem dissuadi-lo de sua vocação, ou ao menos fazê-lo entrar por um caminho que conduzisse às possíveis honras do cardinalato. Não tiveram sucesso
maior que o das ondas furiosas do mar sobre a rocha. Pediu-lhe o pai, então, que esperasse a volta à Itália para decidir. Não podia se conformar em perder aquele filho tão dotado, no qual pusera toda a esperança da principesca casa dos Gonzaga.

Começou, então, um período de dois árduos anos de luta para conquistar a permissão paterna de abandonar tudo e seguir a Cristo. Foi a mais dura – e talvez a mais gloriosa – fase de sua vida. Essa luta encerrou-se com um episódio comovedor: certo dia o marquês, olhando pelo buraco da fechadura do quarto de seu filho, viu-o ajoelhado e se flagelando. Só então dobrou-se e lhe deu a tão almejada autorização.

A alegria de entrar na casa do Senhor

“Que alegria quando me vieram dizer: vamos subir à casa do Senhor!” (Sl 121, 1). Chancelada pelo imperador a renúncia pública a seus direitos de filho primogênito, entrou Luís no noviciado da Companhia de Jesus, em Roma. Em todos os lugares por onde passou, o nobre religioso deixou atrás de si o suave aroma de suas virtudes. Despojou-se de tudo quanto podia lembrar sua antiga condição, buscando para si as humilhações e o último lugar. Chegava a enrubescer de vergonha ao ouvir elogios à nobreza de sua família.

Os noviços disputavam lugar a seu lado nas horas de recreação, pelo prazer de participar de suas elevadas conversas. E consideravam seus objetos pessoais como verdadeiras relíquias. No estudo de Filosofia e Teologia, mostrou-se tão sábio que defendeu, com aplausos, uma tese diante de três Cardeais e outras autoridades. Vendo seus superiores o valor da joia que tinham em mãos e, ao mesmo tempo, a fragilidade de sua saúde, multiplicaram os desvelos por ele. Recorreram em vão a uma mudança de ares, na esperança de que lhe faria bem. À vista do insucesso dessa terapêutica, o Padre Reitor deu-lhe ordem de, por um determinado período, não se deter em pensamentos elevados, pois talvez estes o estivessem prejudicando…
Permitiu a Providência esse equívoco para fazer brilhar mais ainda as qualidades de alma daquele “anjo”. Dessa vez a obediência, por ele tão amada, custou-lhe grandes esforços: sair de seu constante estado de oração – confessou a um de seus companheiros – era um enorme tormento, pois, mal se distraía, seu pensamento voava para a consideração dos mistérios divinos.

Luís Gonzaga era dessas almas diletas, sobre as quais Deus derrama graças e dons em superabundância para mantê-las na inocência Primeira Comunhão de São Luís Gonzaga – Igreja dos Jesuítas – Paris

Vítima da caridade

Em 1591, sua caridade para com o próximo encontrou uma ótima ocasião para expandir-se até o heroísmo: atender as pobres vítimas da peste que assolava a Cidade Eterna. Não tardou, porém, em ser ele próprio contagiado. Mas Deus, que decidira colher tão cedo este viçoso lírio, não quis levá-lo antes de ele espargir seus últimos perfumes. Três meses de uma febre ardente, aceita com total abnegação, encerraram os 23 anos de sua permanência na Terra.

Seu confessor, São Roberto Belarmino, afirmou que São Luís tinha levado uma vida perfeita e fora confirmado em graça.2 Mais tarde, declararia Santa Madalena de Pazzi, a propósito de uma visão que tivera da glória imensa da qual gozava no Céu este filho de Santo Inácio de Loyola: “Enquanto viveu, Luís manteve seu olhar sempre atento em direção ao Verbo, e é por isso que ele é tão grande. […] Oh! Quanto ele amou na terra! É por isso que hoje no Céu possui Deus numa soberana plenitude de amor”.3 Luís Gonzaga foi beatificado por Paulo V, em 1605, e canonizado a 13 de dezembro de 1726, por Bento XIII, quem o declarou padroeiro da juventude.

Modelo de santidade no amor

“No entardecer de nossa vida, seremos julgados segundo o amor”.4 É para esse amor, em uma entrega total, que Deus nos chama desde a juventude, tal qual o fez ao moço rico do Evangelho: “Vem e segue-Me!” (Mt 19, 21). Que a juventude atual – tão carente de modelos a seguir e tão confundida acerca do amor – não tome a atitude do moço rico, entristecendo-se por ter de desapegar-se das coisas do mundo, mas reencontre o exemplo de seu patrono, São Luís Gonzaga. A isso a incentivou o saudoso Papa João Paulo II, dirigindo-se aos jovens de Mântua: “São Luís é sem dúvida um santo a ser redescoberto em sua alta estatura cristã. É um modelo indicado também à juventude de nosso tempo, um mestre de perfeição e um experimentado guia no caminho da santidade. ‘O Deus que me chama é Amor, como posso circunscrever este amor, quando para isto seria pequeno demais o mundo inteiro?’- lê-se em uma de suas anotações”.5 (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2010, n. 102, p. 34 à 37)

São Luís Gonzaga - História dos Santos - Revista Arautos do Evangelho - Revista Católica


Fonte: Arautos do Evangelho

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ARQUIDIOCESE DE SALVADOR CELEBRA A MEMÓRIA DE SÃO JOÃO BATISTA

A Arquidiocese de Salvador celebrará junto à Paróquia São João Batista, a única dedicada ao Santo em todo o território arquidiocesano, o dia do Padroeiro, em 24 de junho próximo.

Arquidiocese de Salvador celebra a memória de São João Batista.png

Até o dia 23, véspera dos festejos em honra ao precursor de Jesus, todas as noites, às 19h, os devotos se reunirão na Matriz, localizada no bairro Vasco da Gama, para o novenário, inspirado no tema “João nos ensina o caminho de ser Igreja”.

No dia de São João Batista, as homenagens iniciarão às 7h com a Oração das Laudes, seguida da recitação do Terço e de testemunhos dos devotos.

A primeira Santa Missa do dia acontecerá às 10h e será presidida pelo bispo auxiliar, Dom Marco Eugênio Galrão Leite de Almeida.

Mais tarde, às 15h, os fiéis serão convidados para a recitação do Terço da Misericórdia e a Adoração ao Santíssimo Sacramento. Na sequência, às 16h, ocorrerá a celebração eucarística em ação de graças pela saúde dos fiéis.

Por fim, às 19h, as festividades serão encerradas com a Missa Solene, presidida pelo bispo auxiliar Dom Estevam do Santos Silva Filho. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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SALVADOR ACOLHE EVENTO MUNDIAL DO MOVIMENTO FOCOLARES

O Colégio Salesiano Dom Bosco, em Salvador, acolhe entre 29 de junho e 2 de julho mais uma edição do evento “Mariápolis”, promovido pelo Movimento Focolares. O tema escolhido para este ano é “Quero revê-la em ti: um chamado a reviver Maria”.

Salvador acolhe evento mundial do Movimento Focolares.jpg

Com uma programação extensa, o “Mariápolis” contará com momentos de reflexão e convivência, além de depoimentos e recreações.

Este encontro é considerado o mais característico do Movimento dos Focolares, que se realiza anualmente em numerosos países do mundo.

O intuito é oferecer aos participantes uma experiência de comunidade renovada pelo ideal da unidade, a partir de valores como o amor fraterno, a paz e a solidariedade.

Conforme os organizadores, após o “Mariápolis”, as pessoas sentem-se impulsionadas a colaborar com a construção de uma nova sociedade.

Para participar, o interessado deve realizar a inscrição até o dia 20 de junho pelo site www.focolaresba.org. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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QUAL ORIGEM DAS FESTAS JUNINAS?

Clique no vídeo acima


Fonte: TV Arautos

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POR QUE O LATIM CONTINUA SENDO O IDIOMA OFICIAL DA IGREJA?

Em entrevista à ‘Catholic News Agency’, o Secretário da Pontifícia Academia para o Latim, Padre Roberto Spataro, explicou os motivos pelos quais o latim continua sendo o idioma oficial da Igreja Católica.

Uma das primeiras razões é a de que “no Vaticano alguns dos documentos mais importantes emitidos pelos Papas e a Santa Sé estão oficialmente escritos em latim”. Além disso, a versão padrão da Bíblia, conhecida como Vulgata, também está escrita toda em latim.

Por que o latim continua sendo o idioma oficial da Igreja.jpg
Outro motivo para a preservação desse idioma é a de que através do latim se pode ter contato com a vasta herança da Igreja Católica ao longo dos séculos de história e “descobrir que este mesmo idioma foi durante muito tempo o meio de diálogo entre a Fé e a Razão”.

No ano de 2012, o Papa Bento XVI fundou, através do motu próprio ‘Latina Lingua’, a Pontifícia Academia para o Latim. No documento, o pontífice assegura também a importância do estudo e preservação do latim. “O Papa Bento quis inspirar a Igreja universal para que não esqueça que o latim é a chave de um imenso tesouro de sabedoria e conhecimento”, ressaltou o Padre Spataro.

São João XXIII, no ano de 1962, emitiu a constituição apostólica ‘Veterum Sapientia’, na qual declarou solenemente que o latim possui três características distintivas que tornam este antigo idioma o idioma legítimo para a Igreja Católica Romana.

Da mesma forma como a Igreja é católica ou universal por natureza, a língua latina também é internacional, não pertencendo a nenhum país ou lugar. Além disso, por não ser uma língua viva, é imutável.

Sob estes aspectos, o latim é “perfeito para as avaliações dogmáticas e litúrgicas, já que tal atividade intelectual requer uma linguagem lúcida que não deixa ambiguidade na expressão. É belo e elegante, e a Igreja sempre é amante das artes e da cultura”, concluiu o Secretário da Pontifícia Academia para o Latim. (EPC)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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EXPOSIÇÃO SOBRE OS SANTOS DO MÊS DE JUNHO ACONTECE NA BAHIA

A Exposição Santos Juninos na Colina Sagrada, organizada pelo Projeto Cultural Vila Criativa, contará este ano com os trabalhos de 13 artistas retratando a fé popular nos Santos comemorados no mês de junho: Antônio, João e Pedro.

Exposição sobre os Santos do mês de junho acontece na Bahia.png

Com o intuito de resgatar as origens e tradições da população católica nordestina, bem como suas representações regionais, memória e valorização do patrimônio artístico e cultural em suas diversas linguagens, a mostra foi aberta oficialmente na sexta-feira, 8 de junho, às 10h, na Casa dos Romeiros, em frente à praça da Igreja do Bonfim.

Seguindo até 30 de junho, de sexta a domingo das 9h às 18h, a exposição mostrará obras que retratam a tradição e a religiosidade dos Santos juninos, feitas por diversos artistas brasileiros.

Além disso, será montada uma instalação com a participação do escultor e entalhador pernambucano, Jairson Rocha. Com mais de 30 anos de carreira, o artista esculpirá uma imagem de Santo Antônio durante a exposição.

Simone Reis, a organizadora da mostra, explicou que o objetivo é promover o diálogo entre as artes, tradição e cultura popular, mostrando o trabalho de artistas entusiastas dos fazeres da fé.

“No nordeste brasileiro principalmente, estes santos são reverenciados e têm enorme importância para comunidades católicas e mesmo de cultos afro-brasileiros. É a fé retratada de forma artística”, disse.

Vale ressaltar que a Vila Criativa, no Bonfim, realizou nos dias 11, 12 e 13 de junho seu tradicional Tríduo de Santo Antônio, com o início sempre às 19h, com momento de oração aos festejos e em honra aos Santos juninos. (LMI)


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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MUNDO REAL, MUNDO VIRTUAL

Vivemos submersos nas redes sociais, corremos o risco de sair da vida real e nos afogarmos na “vida” virtual… Abandonaremos o convívio humano, a oportunidade de nos olharmos e nos querermos bem, para afundarmos no mundo virtual?

Não se pode negar que, como ferramenta multiuso, os aparelhos celulares oferecem numerosas vantagens para além da simples comunicação telefônica. Usamo-los para receber e enviar e-mails, fotos, vídeos e notícias. Através deles interatuamos eletronicamente a todo momento com outras pessoas das mais variadas formas. Até de lanterna e de despertador eles nos servem!

Suas indubitáveis vantagens sob o ponto de vista prático têm, entretanto, pesadas contrapartidas, e não faltam médicos, psicólogos e até jornalistas a alertar sobre os riscos que elas acarretam.

Sono mais curto e menos reparador

Um colunista do jornal portenho La Nación põe em realce, por exemplo, quão grande é o número de pessoas que se acostumaram a dormir com o smartphone ligado, ao alcance da mão: “Hábito de adolescentes, sim, para os quais as redes sociais são esse lugar de interação que não admite recreio nem descanso, mas também para os adultos”.1

Ora, segundo a Dra. Stella Maris Valiensi, neuróloga do Hospital Italiano de Buenos Aires, o aparelho celular ligado à noite traz como primeira consequência uma redução das horas de sono: “Uma enquete realizada com dez mil adolescentes entre dezesseis e dezenove anos revelou que eles usavam dispositivos eletrônicos por mais de quatro horas antes de dormir; em cinquenta por cento dos casos, isto atrasava em uma hora a conciliação do sono; tinham, além disto, três vezes mais possibilidades de dormir cinco horas ou menos por noite”.2

A Dra. Valiensi acrescenta outro inconveniente provocado pelo hábito de dormir com o celular ligado à mesa de cabeceira: o dos “microdespertares”. Eles provocam “um sono não reparador, fracionado, que no dia seguinte repercute em diminuição da qualidade de vida e dificuldades no trabalho, entre outros aspectos. Se isso não for compensado nos dias subsequentes, pode transformar-se em algo crônico”.3

O “medo de ficar por fora”

E se fosse só isso!… O celular penetrou também num momento que uma articulista não hesitou em qualificar de “sagrado”, o do despertar. Foram-se infelizmente os tempos em que se costumava fazer uma breve oração ao sair da cama. Hoje, a primeira preocupação de muitos ao iniciar o dia é… verificar o celular. Como mudaram os tempos e as atitudes humanas!

O pequeno aparelho transformou-se numa parte importante da vida das pessoas. Ora, comenta a articulista Martina Rua: “Quando lhe damos tanto poder, isto controla nossa experiência mais do que podemos perceber. Por exemplo, impulsiona a síndrome de FOMO (sigla de Fear of Missing Out – Medo de ficar por fora), a angústia que experimentamos por tudo o que perdemos, ou imaginamos ter perdido, por não verificar de modo permanente as mensagens”.4

Como governar este singular “convidado”? Como livrar-nos do estresse de viver on-line? Haverá algum meio de nos libertarmos desta pressão anticultural do mundo moderno?

Essena O’Neill, uma “blogueira” australiana que chegou a ter quinhentos mil seguidores no Instagram e duzentos e cinquenta mil no Youtube, resolveu facilmente seu problema. Com um só clique, apagou suas imagens, e escreveu: “Sou a jovem que tive tudo e quero dizer-lhes que ter tudo nas redes sociais não significa nada na vida real. Deixei-me ser definida pelos números e a única coisa que realmente me fazia sentir bem era conseguir mais seguidores, mais ‘gostei’, mais repercussões e visitas. Nunca era suficiente”.5

Ela parecia ter muitos amigos no Instagram e no Youtube, mas, na realidade, levava uma vida solitária, mesmo quando rodeada de familiares ou de colegas de trabalho. Seu “amigo” era o pequeno aparelho de comunicação.

Ficção feita de elementos do cotidiano

Penetrando como uma despercebida radioatividade, “as redes sociais estendem silenciosamente uma cadeia que se infiltra sob nossa pele: impõem-nos a obrigação de estar permanentemente ali, conectados, disponíveis”, comenta outro articulista, acrescentando que vários filósofos e sociólogos as consideram uma “coação da comunicação”,6 que pode chegar a se transformar em uma patologia.

Ocorre que plataformas como Facebook e similares “refletem apenas uma parte da vida: a positiva”, conforme um estudo realizado na Dinamarca pelo Happiness Research Institute. “São um canal ininterrupto de boas notícias, um fluxo contínuo de vidas editadas que distorce nossa percepção da realidade”, afirmam seus autores. O resultado deste estudo levou uma articulista à seguinte conclusão: “Menos estresse, mais satisfação pessoal e melhores relações sociais: são estes os efeitos positivos que muitos sentiriam se deixassem de utilizar o Facebook”.7

E notem que o Facebook, nascido em 2004 na Universidade de Harvard e destinado inicialmente apenas aos estudantes dessa instituição, ultrapassou já a casa dos dois bilhões de usuários ativos.

Analisando o mesmo estudo de Happiness Research Institute, comenta Diego Levis, doutor em Ciências da Comunicação da Universidade de Buenos Aires: “Facebook é uma ficção feita de elementos do cotidiano, tudo quanto nele está é a ‘estilização’ da vida do usuário. É uma realidade filtrada porque se ressalta o bom e se oculta o vergonhoso. Causa a sensação de que ali cada qual constrói seu próprio espetáculo”.8

Em outros termos, o usuário, na condição de artista de sua própria personalidade ou aparência, vai esculpindo sua “imagem” na rede social de modo a ressaltar o que julga mais impactante. No afã de apresentar de si uma “personalidade virtual” diferente da real, derrapa para o plano do fantástico, do quimérico, do ilusório.

Novo significado para o adjetivo “virtual”

Até poucas décadas atrás, entendia-se por real simplesmente aquilo que existe de fato; e por virtual aquilo que tem uma existência apenas potencial, em oposição à existência efetiva, real. Na era da informática, o adjetivo virtual ganhou um novo significado que se manifesta bem na expressão realidade virtual, hoje muito em voga. Eis como a define um filósofo espanhol de nossos dias: “Sistema informático usado para criar um mundo artificial no qual o usuário tem a impressão de estar em dito mundo, sendo capaz de navegar através dele e de manipular os objetos que ali se encontram”.9

Imagem Peregrina do Imaculado Coração de Maria

Facebook, Instagram e outras redes sociais são espaços que estimulam a comparação com os demais? A cada momento cresce em seus usuários a tendência a compartilhar com outros a sua própria vida. Contudo, numa muito grande porcentagem, acabam inventando uma realidade não real, mas virtual. Escolhem ou retocam fotos para divulgar, ressaltam aspectos de suas qualidades reais ou imaginárias; em resumo, procuram ser aceitos pelos outros, centrando-se em si mesmos e esquecendo-se de tudo quanto os rodeia.

Um estudo realizado na Universidade de Palermo, de Buenos Aires, constata o fato de que a comunicação instantânea se tornou uma necessidade para o homem hodierno, dando origem à “criação de personalidades alternativas à nossa realidade social”. E conclui que, nesse contexto, as redes sociais “dão-nos oportunidade de melhorar ou piorar nosso ‘eu’ com base em mundos artificiais criados nesses sistemas de imersão”.10 Os usuários acabam elaborando uma vida virtual que nada tem a ver com sua vida real.

Que transformação estamos vivendo! Até onde chegará ela? Abandonaremos a realidade da vida, o convívio humano, a oportunidade de nos olharmos uns aos outros, de nos querermos bem, e nos afundaremos no mundo virtual? Se isto acontecesse, seria propriamente uma desgraça, pois os vínculos impessoais nunca poderão substituir um olhar, uma palavra, um gesto, uma expressão fisionômica de alegria ou de tristeza.

Deus e a Virgem Maria não permitam essa desgraça que nos transformaria em meros robôs, com seu “convívio” mecânico, sem vida. (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2018, n. 198, p. 30-32)

1 RÍOS, Sebastián. Adiós al sueño corrido: el celular ganó la mesita de luz. In: www.lanacion.com.ar. 2 Idem, ibidem. 3 Idem, ibidem. 4 RUA, Martina. El último momento sagrado en el que se coló el celular. In: www.lanacion.com.ar. 5 VELASCO, Irene Hernández. Desconectados: la nueva tribu urbana que abandona internet para abrazar la vida real. In: www.elmundo.es. 6 KUKSO, Federico. Apología de la desconexión. In: www. lanacion.com.ar. 7 MORENO, Gloria. Una semana sin Facebook quita el estrés. In: www.lavanguardia.com. 8 DE MASI, Victoria. Prueban que sin redes sociales se vive con más satisfacción. In: www.clarin.com. 9 ECHEVERRÍA, Javier. Un mundo virtual. Barcelona: Plaza & Janés, 2000, p.37-38. 10 VIDA REAL VS. VIDA VIRTUAL en Facebook. In: http://fido.palermo.edu/servicios_dyc/blog/docentes/trabajos/2230_23178.pdf.


Fonte: Arautos do Evangelho

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A EUCARISTIA ENQUANTO SACRAMENTO-COMUNHÃO

Quando comungamos, não somos nós que assumimos o Corpo e o Sangue de Cristo, mas nós somos transformados por Ele, tornando-nos, de algum modo, no divino alimento que recebemos.

Uma época habituada a velocidades quase ilimitadas vai acostumando os seus filhos às informações breves e sintéticas, nas quais a reflexão salutar de outrora perde terreno, muitas vezes deixando lugar a uma desenfreada ânsia de novidades. Ora, isso pode tornar o homem propenso a ver a sua fé minguar pela falta de aprofundamento no conhecimento das realidades sobrenaturais.

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A Eucaristia fortalece os vínculos de união entre aqueles que são irmãos em Cristo; ela é “sinal de unidade” Missa na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Giovanni d’Aniello

Talvez desse modo se explique a dificuldade em se abordarem, na atualidade, temas que deveriam ser muito conhecidos pelos fiéis. E o são, mas de uma forma tão superficial que quase equivale a um desconhecimento completo.

Uma definição simples na aparência

Se perguntássemos, por exemplo, a algum assíduo frequentador da Igreja, quais os benefícios trazidos por uma Santa Missa, obteríamos resposta satisfatória? Note-se estarmos nos referindo a algo profundamente vinculado à rotina dominical de um bom cristão…

E se quisermos indagar a respeito do mistério da Sagrada Eucaristia, quantos estariam em condições de nos expor essa verdade de Fé?

Alguém mais atilado dirá: “A resposta está na Bíblia! Eucaristia é a ‘Ceia do Senhor’, instituída ‘na noite em que ia ser entregue’ (I Cor 11, 23), conforme as palavras do próprio Salvador: ‘Tomai, comei, isto é o meu Corpo’ (Mt 26, 26), ‘entregue por vós’ (I Cor 11, 24). E, tomando o cálice, passou aos discípulos dizendo-lhes: ‘Bebei dele todos, pois este é o meu Sangue na Nova Aliança, que é derramado em favor de muitos, para a remissão dos pecados’ (Mt 26, 27-28)”.

À primeira vista, resposta completa… Entretanto, dois milênios não bastaram à Igreja Católica para extrair todos os tesouros que essa definição, aparentemente simples, contém. Somente nela, vemos aparecer as três dimensões do mistério eucarístico: “Tomai, comei”, Sacramento-Comunhão; “isto é o meu Corpo”, Sacramento-Presença; “entregue por vós”, Sacramento-Sacrifício.1

As três dimensões da Sagrada Eucaristia

A Eucaristia, com efeito, poderia ser comparada a um triângulo equilátero: se uma das suas faces fosse ampliada ou diminuída, ele deixaria de ser equilátero. De modo análogo, precisa haver um equilíbrio perfeito entre cada um desses três aspectos do Sacramento da Eucaristia. Se um deles for enfatizado excessivamente em detrimento dos outros, corre-se o risco de o Sacramento perder sua identidade.

Ao longo da História, a Santa Igreja houve por bem realçar um ou outro aspecto da Sagrada Eucaristia, seja para refutar heresias, seja para atender anseios dos fiéis ou conveniências pastorais, a fim de colocar no devido equilíbrio a doutrina acerca dessa augustíssima instituição de Cristo. Note-se bem, a Igreja realçou um ou outro aspecto, mas sem distorcer a realidade do Sacramento.

De grande benefício para a nossa virtude da fé será o fato de nos determos alguns instantes sobre cada um desses três aspectos do Santíssimo Sacramento. Comecemos, então, pelo primeiro: a Eucaristia enquanto Comunhão, seguindo assim a ordem das palavras divinas no momento da instituição “Tomai, comei”.

Traço de união entre diferentes naturezas

Quando falamos em Comunhão, vem à nossa mente a ideia de refeição, unida a um convívio estreito, familiar, amigável, em torno de uma mesa farta em iguarias e caridade fraterna. Propriamente um ágape.2 À mesa, de fato, restauram-se as forças, mas também costumam consolidar-se as amizades, rendem-se graças por benefícios recebidos, solidifica-se a união familiar e destinos de povos podem ser decididos.

Já no Antigo Testamento encontram-se eloquentes passagens mostrando essa íntima relação entre convívio e alimento. Lembremo-nos da Páscoa hebraica, na qual familiares e vizinhos conviviam com estrangeiros, suspendendo temporariamente rixas e desavenças. Juntos comiam ervas amargas em memória de dores passadas, e pães ázimos, para recordar a pressa do êxodo, ocasião em que nem houve tempo para fermentar a massa do trigo.

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A Eucaristia é “banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura”

Por outro lado, Abraão chegou a oferecer pão para restaurar as forças, e um repasto com perfume sacrifical, a três misteriosos mensageiros celestes (cf. Gn 18, 3-5). Noutra passagem, um Anjo veio em socorro do fatigado e ígneo profeta do Carmelo, Elias, o qual recuperou suas forças depois de ter comido o pão angelical, cozido sob as cinzas com algumas brasas vivas, entregue pelo servidor angélico (cf. II Rs 19, 6).

E é curioso notar o sublime intercâmbio: Anjos alimentados por homens, homens por Anjos, e o alimento servindo de traço de união entre naturezas tão diferentes… O que dizer, então, quando o próprio Deus serve o homem com “pão do Céu” (Ex 16, 3), o maná, alimento que revigorou o povo da Aliança durante quarenta anos, a fim de que suportasse as agruras e os horrores da peregrinação?

Sem dúvida, esses episódios são figuras da Eucaristia,3 alimento da Nova Aliança, “verdadeiro Pão do Céu” (Jo 6, 48), por meio do qual Ele Se dá em alimento aos homens.

Verdadeiro alimento para o corpo e para a alma

Nosso Criador quis estabelecer a nutrição como meio de sustento para a vida da natureza humana, mas também quis servir-Se dele para ser imagem de algo muito superior no plano sobrenatural, a vida da graça. Enquanto o alimento material revigora o corpo, e exerce papel fundamental na vida social, a Eucaristia nutre a alma e é meio insuperável de, nesta Terra, convivermos com o próprio Deus e com os irmãos na Fé.

A Eucaristia é alimento genuíno, ensina Cristo no Evangelho: “minha Carne é verdadeiramente uma comida e o meu Sangue, verdadeiramente uma bebida” (Jo 6, 55). Portanto, exercem certa ação em quem comunga, de modo análogo ao que acontece com o alimento material. Entretanto, é necessário distinguir os efeitos de um e de outro.

Quando alguém se serve do alimento material, este é transformado por quem o ingere e torna-se parte integrante do corpo de quem o recebeu. Como diz o ditado popular: “o homem é aquilo que come”… Assim, por exemplo, se precisamos de vitamina C, procuramos uma dieta adequada, onde não podem faltar laranja ou acerola; ou quando temos necessidade de ferro, vamos à procura de alimentos ricos nesse elemento.

Efeito cristológico da Eucaristia

Entretanto, quando comungamos o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por Ele ser infinitamente superior a nós, não somos nós que O assumimos, mas nós somos transformados por Ele, chegando a tornar-nos, de algum modo, no divino alimento que recebemos. Ao comungarmos, podemos entender melhor a exclamação do Apóstolo: “Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gal 2, 20).

É esse o primeiro efeito que em nós produz a Sagrada Comunhão, o efeito cristológico, o qual talvez seja o que toque mais a fundo a nossa sensibilidade, pois, por esse meio, Jesus assume a carne de quem recebe a sua! “Sou o pão dos fortes; cresce e comer-Me-ás. Não Me transformarás em ti como ao alimento da tua carne, mas mudar-te-ás em Mim”,4 ensina Santo Agostinho. E São Cirilo de Jerusalém assevera: “vos tornastes concorpóreos e consanguíneos com Cristo”.5 Essa é, sem dúvida, a união mais entranhada que os cristãos podem ter com Nosso Senhor.

Mediante Cristo, nos unimos entre nós

O segundo efeito da Sagrada Comunhão na alma do comungante é o eclesiológico: a Eucaristia fortalece os vínculos de união entre aqueles que são irmãos em Cristo. Ela é “sinal de unidade”. A própria matéria do Sacramento – pão e vinho – serviu de inspiração aos Padres da Igreja para chegarem a esta conclusão: do mesmo modo como o pão é composto por muitos grãos de trigo e o vinho, por muitos bagos de uva, assim também os cristãos, embora sendo muitos e diferentes, formam parte de um só Corpo Místico de Cristo, a Igreja Católica.

O padre Antônio Vieira, servindo-se da passagem do Evangelho que diz “quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue, permanece em Mim e Eu nele” (Jo 6, 57), comenta: “Se a união [com Cristo] fora uma só, bastava dizer: in me manet [permanece em Mim] ou ego in illo [Eu nele]; mas diz in me manet, et ego in illo duplicadamente, para significar as duas uniões que obra aquele mistério: uma união imediata, com que nos unimos a Cristo, e outra união mediata, com que, mediante Cristo, nos unimos entre nós”.6

Assim, quando recebemos a Sagrada Comunhão, com as devidas disposições de alma, unimo-nos, em Cristo e na Igreja, a todos aqueles que dignamente recebem o Santíssimo Sacramento, embora estejamos fisicamente distantes, pois a vida da graça faz-nos ramos da mesma videira (cf. Jo 15, 5) e membros do mesmo Corpo, segundo as palavras do Apóstolo: “O cálice da bênção, que abençoamos, não é comunhão com o Sangue de Cristo? E o pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só Corpo, pois todos participamos desse único pão” (I Cor 10, 17).

Ela é penhor da vida eterna

A Eucaristia é, pois, “sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura”.7 É este o terceiro efeito que a Comunhão produz em nós, chamado escatológico, porque diz respeito aos últimos acontecimentos do homem: morte, juízo, salvação ou condenação eternas.

Penhor é a entrega de um objeto como garantia de cumprir-se certa promessa feita a alguém. Por exemplo, quando se quer determinado empréstimo do banco, pode-se penhorar uma joia. Depois de avaliada a peça, recebe-se determinada quantia, e a instituição financeira retém o objeto de valor, em sinal de garantia de que se pagará o empréstimo.

Ora, a afirmação de que a Eucaristia é “penhor da vida eterna” envolve um significado esperançoso: todas as vezes que comungamos, nas devidas condições, recebemos o penhor de passarmos pelo juízo divino e alcançarmos a vida eterna, respaldados pela afirmação do Divino Mestre: “Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). Mas, para tal, a morte deve nos colher nas disposições de alma necessárias para estarmos aptos de receber a Eucaristia, nesse momento derradeiro, ainda que por desejo.

Cristo com a Eucaristia - Museu de Arte Religiosa - Puebla - México..jpg

Jesus não poderia ter dito “isto é o meu Corpo” ou “este é o cálice do meu Sangue”, caso não houvesse recebido um corpo das entranhas da Virgem Maria Cristo com a Eucaristia – Museu de Arte Religiosa, Puebla (México)

A Santa Igreja sempre incentivou que, em perigo de morte, os cristãos recebam a Sagrada Comunhão.8 Sacramento que, in extremis, recebe o nome de Viático. Era assim que se chamava o alimento reservado para uma viagem longa, e daí deriva o nome dessa Comunhão derradeira, ministrada a quem parte definitivamente rumo à Pátria Celeste.

O III Concílio de Cartago (397) proibiu o costume difundido entre alguns cristãos, de colocar uma Hóstia consagrada na boca dos defuntos, antes de serem sepultados. Por meio de tal prática, acreditava-se que os falecidos portariam o penhor da salvação eterna. Atitude, sem dúvida, reprovável e ingênua, pois se tratava de cadáveres desprovidos de alma. Entretanto, ela não deixa de revelar quanto os cristãos tinham presente, já naquele tempo, o valioso efeito escatológico da Comunhão.

Papel da Santíssima Virgem

Delineados alguns traços da primeira dimensão da Eucaristia, deixemos as outras duas para artigos posteriores. Mas detenhamo-nos, antes de concluir, numa referência a Nossa Senhora, pois este augustíssimo Sacramento é, de algum modo, “prolongamento da Encarnação”.9 Na Última Ceia, Jesus não poderia ter dito “isto é o meu Corpo” ou “este é o cálice do meu Sangue”, caso não houvesse recebido um corpo das entranhas da Virgem Maria. Concebendo-O fisicamente, Nossa Senhora preparou e, em algo, antecipou a Sagrada Comunhão, tanto por ter contribuído com a realidade física do Homem-Deus, quanto por Ele ter habitado o interior do seu claustro virginal, durante nove meses.

Assim, seja o nosso “amém!”, ao recebermos a Sagrada Comunhão, também um prolongamento da fé da Santíssima Virgem, quando respondeu “faça-se” ao apelo do Anjo, pelo qual Lhe anunciava que o próprio Deus seria fruto bendito do seu ventre. (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2016, n. 174, pp. 18 a 21)


Fonte: Arautos do Evangelho

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SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREMOS A IGREJA

“Sonhe, que Deus realiza” costuma-se dizer quando se tem fé. Foi o que aconteceu. Deus já começou a realizar um belo sonho que nós Arautos do Evangelho sempre tivemos – e conosco, muitos dos que partilham as mesmas esperanças: foi lançada a pedra fundamental da igreja de São José, em Cariacica, na “Grande Vitória”.

O dia amanhecera chuvoso, a dificuldade em conseguir combustível para os automóveis ainda perdurava. E o evento, a tanto tempo marcado e esperado parecia comprometido… para quem não tivesse fé.

Entretanto, um “fator” fez desaparecer os obstáculos e a cerimônia se realizou. Também, pudera, o “fator” chama-se São José, o esposo virginal de Maria Santíssima e pai legal do Menino Jesus.

SONHAMOS…  E DEUS REALIZOU

Dado o transcendente  da obra que se inicia, Dom José Mancilla, Arcebispo de Vitória, abençoou e lançou a pedra fundamental da nova igreja.

Os atos tiveram início com a Missa solene, celebrada pelo Arcebispo e concelebrada pelos padres Antônio Guerra, EP, Caio Newton Fonseca, EP, Carlos Antônio da Conceição, titular da Paróquia do Bom Jesus — onde se situa a casa dos Arautos do Evangelho — e o Pe. Cristian Bitencourt, EP. A presença do Coral composto de Arautos abrilhantou enormemente o evento.

Em sua homilia Dom Luiz, desejou riquíssimas bênçãos de Deus para obra que se inicia, elogiou bastante a ideia dos Arautos terem colocado a futura Igreja sob a proteção de São José, Patrono da Igreja Católica. Ressaltou a obediência de São José, homem justo, que sempre caminhou com Jesus, soube ouvir e obedecer os desígnios de Deus. Nós, também, somos chamados a caminhar com Jesus, tendo Maria Santíssima e São José como modelos perfeitos de obediência.

A colocação da pedra fundamental, ao lado de todo simbolismo do ato, teve um aspecto pitoresco: o próprio Arcebispo quis, ele mesmo, lançar as primeiras pás de terra, como a desejar que logo se iniciem as obras.

A solenidade e sacralidade do ato, a esperança que despertava fez com que inúmeras pessoas quisessem uma lembrança daqueles abençoados momentos. Por isso muitos levaram um pouquinho de terra do local, ou tocaram os folhetos da cerimônia na pedra fundamental.

Seguiram-se uns bons momentos de convívio num animado almoço, em que em inúmeras mesas ouviam-se expressões como “não vejo a hora de estar aqui, já na igreja pronta” eram ouvidas nas inúmeras mesas.

A certeza da plena realização do sonho dava aos presentes a alegria e a esperança de que o mesmo se realizará plenamente.

Veja agora a galeria de fotos.


Fonte: Arautos do Evangelho em Vitória

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ARAUTOS NO MUNDO: ACONTECERAM NA ÁFRICA BATISMOS E FESTEJOS A NOSSA SENHORA

A grande festa da Igreja na África são os batismos. Na Páscoa, são a alegria de todo o mundo. Muita graça e bênção. É um verdadeiro acontecimento nestas terras de Missão. As pessoas colocam seus melhores trajes de gala para o momento. A catequese dura 5 anos…

Confira, abaixo, as imagens deste momento importante!

 

Moçambique

Em Moçambique, encontra-se o primeiro santuário Mariano dedicado a Nossa Senhora, de toda África. Foi construído pelos portugueses para celebrar os 25 anos das aparições de Fátima. Está dedicado a esta invocação.

É o local onde acontece uma das maiores -se não a maior- celebração católica de todo o Continente Africano: uma peregrinação impressionante de dezenas de milhares de pessoas duas vezes ao ano: 13 de maio e 13 de outubro. Gente de todas as idades e condições caminha, ás vezes por dois dias, para louvar Nossa Senhora de Fátima.

Passando frio e fome, com os corpos extenuados e muitos sem poder caminhar pela dureza da travessia, o cansaço é totalmente esquecido durante a procissão onde o sangue africano, com o pitoresco e a alegria que a Providencia privilegiou este povo, louva a Mãe de Deus e Senhora deles. Os cantos são na maioria em dialeto local.

Como cada ano, os Arautos do Evangelho tem uma participação fundamental com um destaque muito grande. Foram encarregados da animação (com banda sobre caminhão e vários carros de som), anunciando um futuro de muita Fé e esperança.

Clique no vídeo acima para assistir


Fonte: Arautos do Evangelho em Maringá

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DR. PLINIO COMENTA: SANTO ANTÔNIO

Um “Santo coluna” sobre o qual se pode alicerçar o Universo, Martelo dos hereges. Assista os comentários de Dr. Plinio sobre Santo Antônio, clicando no vídeo abaixo:

 

Para assistir em:

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A VOZ MISTERIOSA DA GRAÇA

Não há dia em que a graça não nos fale. Não há dia em que Deus não nos convoque a dar um passo a mais na união com Ele. Para escutar com clareza essa voz misteriosa e discreta, basta nos afastarmos um pouco da voragem do mundo hodierno.

Outono nos bosques da Romênia

Quem, estando imerso nas ocupações diárias, no meio da labuta cotidiana, não se sentiu tocado alguma vez por uma voz discreta e misteriosa a lhe dizer: “Se hoje ouvires a minha voz, não endureças teu coração”? Quem nunca escutou sussurrar em seu interior: “Vem a mim e te darei paz de alma, serenidade no combate, forças quando tua fragilidade clamar por ajuda, e vitória nos teus intentos”? Quem jamais se sentiu assumido por palavras de suave bálsamo, que penetram a fundo no coração?

A presença dessa íntima e enigmática voz é muito mais comum do que se pode imaginar. Ao longo do dia, embora de forma quase imperceptível, ela fala, adverte, aconselha, corrige. Em meio às tribulações, costuma tranquilizar; diante de uma ocasião próxima de pecado, nos previne; após uma falta, nos repreende. É a graça falando em nosso interior.

Ela pode entrar em contato conosco de maneiras diversas: através de uma música que nos equilibra e eleva; da contemplação de um vasto e belo panorama, imagem da grandeza e dadivosidade divinas; ou quiçá da visão de um mar cristalino e translúcido, com a cor da água-marinha, que nos arranca da vulgaridade e agitação hodiernas.

Nascer do sol na Praia da Caçandoca, Ubatuba (SP)

Pode manifestar-se também por meio de uma pedra preciosa, cujo esplendor evoca a ação da Providência sobre certas almas muito escolhidas. Rudes e opacas no início, elas são lapidadas pelo sofrimento e polidas pela ação do Espírito até atingirem uma beleza rutilante, reflexo da inefável Luz do Criador.

O sereno voo de uma águia rumo ao cume das montanhas, bem junto às nuvens do céu, fala-nos também ao espírito com força. Admira-nos a enorme distância que a separa da mediocridade das coisas terrenas, sobre as quais parece lançar um olhar de sobranceira indiferença. Quem a contempla deslizando nas alturas logo é tocado por aquela voz misteriosa, que diz: “Vem tu também singrar os altos panoramas da criação, saboreia os voos sobrenaturais do espírito, não te prendas aos vazios e efêmeros objetos da terra. Foste chamado a ultrapassar em ousadia essa ave insigne. Ama com todas as forças de tua alma tudo o que tange a Deus e detesta tudo o que a Ele se opõe”.

Não há dia em que a graça não nos fale; não há dia em que Deus não nos convoque a dar um passo a mais na união com Ele. Para ouvir essa voz misteriosa e discreta não é necessário possuir dons místicos extraordinários. Basta nos afastarmos um pouco da voragem do mundo hodierno à procura dos valores mais altos. Paremos por alguns instantes junto ao Santíssimo Sacramento, aos pés de uma imagem piedosa ou diante do retrato de algum Santo. Sem dúvida a graça se fará ouvir ali com maior nitidez do que no meio das ocupações do dia a dia.

Águia real voando sobre a Serra de Guadarrama (Espanha)

O ser humano é um composto substancial de matéria e forma, de corpo e alma e, por isso a graça se utiliza de algo ou alguém para agir sobre nós. A matéria produz uma influência benéfica sobre o homem quando ligada a Deus e lhe serve de obstáculo quando ligada ao mal. Quanto maior contato tenhamos com lugares, objetos ou pessoas que Lhe pertencem por inteiro, mais perto d’Ele conseguiremos estar.

Uma rutilante pedra preciosa, ou ainda uma alma preciosa, quando considerada nos seus aspectos mais nobres e admirada enquanto reflexo do Altíssimo, jamais será instrumento de afastamento de Deus, como julgam muitos insensatos e ignorantes, senão um instrumento que nos conduz até o Céu.

Ouçamos atentamente essa voz da graça que a todo momento nos fala, mesmo na insensibilidade da alma, para que no dia do Juízo possamos escutar com gáudio Nosso Senhor nos dizer: “Essa ovelha escutou a minha voz. Eu a conheço e agora ela há de Me seguir para sempre!” (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2018, n. 198, p. 50-51)


Fonte: Arautos do Evangelho

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FESTA DE SANTO ANTÔNIO!

Em 13 de junho as igrejas de todas as nações, do ocidente pelo menos, se encherão de fiéis para comemorar sua festa e por toda parte as imagens do grande Santo serão expostas para objeto de veneração dos fiéis

Por alguns ele é chamado de Santo Antônio de Lisboa, cidade onde nasceu. Outros preferem chamá-lo de Santo Antônio de Pádua, lembrando a cidade onde exerceu suas funções e nas cercanias da qual morreu. Cada um desejando a glória de que o Santo tenha sido de sua cidade.

Santo Antônio viveu no século XIII e, para a glória da Ordem Franciscana e de toda a Igreja, é um dos santos mais populares do mundo.

Entretanto, apesar de muito popular, há certos aspectos da vida deste santo que são pouco conhecidos. Seguem  abaixo alguns relatos históricos, que ressaltam ainda mais a beleza, o vigor e a amplitude de sua atuação, já tão bela, rica e repleta de exemplos.

Eloquente pregador

Santo Antônio pregou em Portugal, na África, na Itália e na França. Seu zelo levava-o a interessar-se por qualquer um que estivesse sem conhecimento da verdade católica.

De tal maneira cativava as multidões com sua eloquência, que seus ouvintes, vindos de todas as partes, esqueciam-se do tempo e de suas ocupações e, tocados profundamente, punham-se com decisão a odiar os seus pecados.

Milagres

São incontáveis os “sinais e prodígios” que Deus manifestou através de Santo Antônio.

Santo Antônio de Pádua – detalhe Giotto – Legend of St Francis: Apparition at Arles – 1297-1300

Em 1224, o santo religioso foi enviado a pregar no sul da França, onde se alastrava a heresia cátara ou albigense. Durante três anos percorreu as cidades de Montpellier, Toulouse, Le Puy e Limoges, levando-lhes a luz da verdadeira Fé. De muitos dos seus ouvintes recebeu manifestações de sincero arrependimento; de outros, desprezo e zombaria, apesar de serem acompanhadas suas pregações por numerosos milagres.

Em Toulouse, por exemplo, um cátaro* que persistia em negar a presença real de Cristo na Eucaristia propôs-lhe um desafio: durante três dias deixaria uma mula sem qualquer alimento, e a levaria depois para a praça pública, onde Frei Antônio lhe apresentaria a custódia com o Santíssimo Sacramento, enquanto o herege lhe ofereceria um monte de feno. Assim se fez e o animal, ainda que faminto, não provou o alimento sem antes fazer uma profunda reverência a Jesus Eucarístico. Muitos se converteram à vista de tamanho milagre.

Martelo do hereges

Santo Antônio foi chamado de “Martelo dos Hereges”, isso porque em seus sermões os adversários da Igreja encontravam nele um inimigo formidável. A mais antiga de suas biografias conta que “dia e noite (Frei Antônio) tinha discussões com os hereges; expunha-lhes com grande clareza o dogma católico; refutava vitoriosamente os preceitos deles, revelando em tudo ciência admirável e força suave de persuasão que penetrava a alma dos seus contrários”. Talvez por isso sua língua esteja miraculosamente conservada em Pádua, há quase 800 anos.

Combativo e militar

Santo Antônio com as insígnias de Capitão de Infantaria

Em 1710, Santo Antônio, cuja imagem esteve colocada na muralha de um convento, defendeu o Rio de Janeiro contra os franceses, o que lhe valeu a patente de Capitão de Infantaria.

Esta imagem é histórica , visto que acompanhou o Exército brasileiro na vitória sobre os franceses quando eles invadiram a Baia da Guanabara, e em gratidão, o Santo  foi feito membro do Exército brasileiro e passou a receber soldo como um herói de guerra. Esse soldo foi pago a Santo Antônio até 1911.

Ademais, nos seguintes Estados do Brasil S. Antônio tem patente de oficial do Exército: Paraíba, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás. Recebia antigamente também o soldo correspondente. Era uma esmola que entregavam geralmente aos Conventos Franciscanos para o culto do Santo, em agradecimento pela proteção a que dispensava à suas armas.

Em outra ocasião, fora do Brasil, foi objeto de um ato de devoção especial da parte de um almirante espanhol. Uma esquadra espanhola sitiava a cidade de Orán, na África e não havia meio de conseguir resultado eficaz.

Então, o almirante espanhol dirigiu-se a uma imagem de Santo Antônio, colocou o chapéu de almirante sobre a imagem, deu-lhe as insígnias de comando e pediu-lhe que investisse [contra] Orán. Os mouros** fugiram inesperadamente e interrogados, disseram que tinha estado entre eles um frade vestido com o chapéu do almirante e que tinha ameaçado Orán com o fogo de céu, e que por causa disso eles tinham achado mais prudente ir embora.

Fontes:  “Santo Antônio – vida, milagres, culto”, pgs. 144-146, Frei Basílio Röwer, “Santo Antonio: Arca do Testamento e Martelo do Hereges”, Plinio Correa de Oliveira.

_____________

*Cátaros (puros, em grego) ou albigenses: designa movimento herético na Europa do século XII. Seus seguidores repudiavam o matrimônio, a autoridade eclesiástica, os Sacramentos; a veneração das imagens etc. Acreditavam na reencarnação. Foram condenados repetidas vezes, e finalmente reprimidos através de expedições militares.

**Mouros, mauritanos, mauros ou sarracenos são considerados, originalmente, os povos oriundos do Norte de África, praticantes do Islam, nomeadamente Marrocos, Argélia, Mauritânia e Saara Ocidental.


Fontes: Apostolado do Oratório
TV Arautos

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TRÍDUO A SANTO ANTÔNIO: LÍRIO DE CASTIDADE!

“Doutor da Igreja”, “Martelo dos Hereges”, “Doutor Evangélico”, “Arca do Testamento” é como os Papas o chamaram. Para o povo fiel, ele protege os pobres, auxilia na busca de coisas e pessoas perdidas, orienta os sentimentos e inspira a vida de oração…Por alguns, ele é chamado de Santo Antônio de Lisboa, cidade onde nasceu. Outros preferem chamá-lo de Santo Antônio de Pádua, lembrando a cidade onde exerceu suas funções e nas cercanias da qual morreu. Cada um desejando a glória de que o Santo tenha sido de sua cidade. Por isso, clique na imagem acima e reze conosco o Tríduo a Santo Antônio, confiando na sua intercessão.


Fonte: Arautos do Evangelho

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TRÍDUO A SANTO ANTÔNIO: AUXÍLIO DOS AFLITOS!

“Doutor da Igreja”, “Martelo dos Hereges”, “Doutor Evangélico”, “Arca do Testamento” é como os Papas o chamaram. Para o povo fiel, ele protege os pobres, auxilia na busca de coisas e pessoas perdidas, orienta os sentimentos e inspira a vida de oração…Por alguns, ele é chamado de Santo Antônio de Lisboa, cidade onde nasceu. Outros preferem chamá-lo de Santo Antônio de Pádua, lembrando a cidade onde exerceu suas funções e nas cercanias da qual morreu. Cada um desejando a glória de que o Santo tenha sido de sua cidade. Por isso, clique na imagem acima e reze conosco o Tríduo a Santo Antônio, confiando na sua intercessão.


Fonte: Arautos do Evangelho

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COMUNGAR COM TÃO POUCA IDADE? LEIA ESTA HISTÓRIA

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TRÍDUO A SANTO ANTÔNIO: REZE CONOSCO!

“Doutor da Igreja”, “Martelo dos Hereges”, “Doutor Evangélico”, “Arca do Testamento” é como os Papas o chamaram. Para o povo fiel, ele protege os pobres, auxilia na busca de coisas e pessoas perdidas, orienta os sentimentos e inspira a vida de oração…Por alguns, ele é chamado de Santo Antônio de Lisboa, cidade onde nasceu. Outros preferem chamá-lo de Santo Antônio de Pádua, lembrando a cidade onde exerceu suas funções e nas cercanias da qual morreu. Cada um desejando a glória de que o Santo tenha sido de sua cidade. Por isso, clique na imagem acima e reze conosco o Tríduo a Santo Antônio, confiando na sua intercessão.


Fonte: Arautos do Evangelho

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SANTO DO DIA: O ANJO DE PORTUGAL

O maravilhoso encontro com a Mãe de Deus não fora a primeira visita que os três pastorzinhos receberam do Céu. A fim de prepará-los para aceitar e divulgar a Mensagem de Fátima, a Providência Divina lhes enviara no ano anterior o Anjo de Portugal, para manifestar os desígnios de misericórdia de Jesus e Maria sobre eles.

Foi quando se abrigavam de uma chuva fina na Loca do Cabeço, pequena gruta situada numa propriedade do padrinho de Lúcia, que o Anjo lhes apareceu claramente pela primeira vez. À medida que ele se aproximava, os meninos iam distinguindo sua fisionomia: era a de um jovem de 15 anos, parecendo feito de neve, muito formoso e mais reluzente que um cristal atravessado pelos raios do sol. Surpreendidos diante de tanta beleza sobrenatural, não conseguiam pronunciar palavra.

Ao chegar junto dos pastorinhos, o mensageiro celeste lhes disse:

ANJO DE PORTUGAL_1.jpg– Não temais, sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

Ajoelhou-se e se curvou até tocar o chão com a fronte. Os três meninos fizeram o mesmo e repetiram as palavras que lhe ouviam pronunciar:

– Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Após ter recitado esta oração três vezes, o Anjo levantou-se e disse-lhes que rezassem sempre, porque Nosso Senhor e Nossa Senhora estavam atentos às suas orações. E desapareceu.

Algumas semanas depois, quando os pastorinhos brincavam junto ao poço no quintal da casa de Lúcia, o Anjo surpreendeu-os novamente.

– O que fazeis? – perguntou. – Rezai, rezai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofen¬dido, e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.
Dizendo isto, desapareceu.

Mais tarde, por volta de outubro de 1916, novamente na Loca do Cabeço, deu-se a última aparição do Anjo. Depois de terem tomado a merenda, as crianças se puseram a rezar, com o rosto em terra, repetindo a oração que dele haviam aprendido. De repente, perceberam uma luz desconhecida a brilhar sobre eles. Ergueram-se e viram o Anjo, que trazia na mão esquerda um cá­lice, sobre o qual, com a direita, segurava uma Hóstia. Desta caíam algumas gotas de Sangue dentro do cálice.

Deixando a Hóstia e o cálice suspensos no ar, o Anjo se colocou junto às crianças, curvou-se também e lhes ensinou outra oração ainda mais bela:

– Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.ANJO DE PORTUGAL_2..jpg

Levantando-se, o Anjo tomou na mão a Hóstia e a deu a Lúcia. Francisco e Jacinta se perguntavam se receberiam também a Hóstia, pois ainda não tinham feito a Primeira Comunhão. O Anjo avançou até eles e deu-lhes a beber do cálice, dizendo:

– Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos! Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

Depois, ajoelhou-se e repetiu a mesma oração três vezes: “Santíssima Trindade…”, etc. E desapareceu.

Nunca mais o veriam. Porém, haviam ficado profundamente impressionados pelas palavras dele. A partir de então, passaram a rezar mais e a fazer constantes sacrifícios em reparação a Deus e pela conversão dos pecadores.

E assim foi que suas almas inocentes, alguns meses depois, encontravam-se preparadas para o bendito e inesquecível momento em que contemplariam, na Cova da Iria, uma Senhora mais brilhante que o sol.

(Livro Jacinta e Francisco Prediletos de Maria – Monsenhor João Clá)


Fonte: Arautos do Evangelho
TV Arautos

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