“SE MILAGRES DESEJAIS, RECORREI A SANTO ANTÔNIO”

“Glorioso Santo Antônio, sobre vossos devotos lançai vossas bênçãos carinhosas do céu as graças nos daí”

“Meu insigne português oferecer-vos hoje quero, com todo meu coração, este meu culto sincero”. Através deste oferecimento e de outras orações, os Arautos do Evangelho realizaram a Trezena em honra ao glorioso Santo Antônio, na Sede Nossa Senhora da Reconquista e São Domingos de Gusmão, em Lauro de Freitas.

“Doutor da Igreja”, “Martelo dos Hereges”, “Arauto do Evangelho”, Santo Antônio é um dos Santos mais queridos do povo cristão que, através de procissões, cantos, ladainhas e outras orações, recorre à sua poderosa intercessão: “Pela sua intercessão foge a peste, o erro e a morte, o fraco torna-se forte e o enfermo torna-se são. Recupera-se o perdido, rompe-se a dura prisão…”. Desse modo, no primeiro dia da Trezena, sob os direcionamentos do Pe. Godofredo Rojas, EP, os Arautos do Evangelho seguiram em procissão com a imagem de Santo Antônio. Entraram no Batalhão de Polícia de Choque da Polícia Militar, em Lauro de Freitas, sendo recebidos pelo sub-tenente Rogério.

“Aqui todos reunidos, amigos devotados, louvando a Santo Antônio, rezando ao seu lado”

“O campo é muito grande aonde vai pregar, Antônio de Lisboa como se quer chamar. Não há dificuldades pregar aqui e ali. Se faz o que Deus quer, não há que preferir”

O Santo Doutor destacou-se por ser um grande orador. Nas suas pregações, falava muito sobre Nosso Senhor Jesus Cristo com inúmeras passagens das escrituras. Por conta disso, Ele ficou conhecido como “Doutor Evangélico”. A devoção popular à Santo Antônio dar-se em inúmeros países. “Queremos Santo Antônio que é o nosso Padroeiro, pois Ele é conhecido por este mundo inteiro”. Ele nos dá o seu exemplo não só por meio dos seus sermões, mas também através do estímulo de vivermos a nossa vocação cristã de discípulos e missionários de Jesus. Para conhecer um pouco mais sobre a vida de Santo Antônio, quem teve o Menino Jesus nos braços, clique aqui.

No último dia da Trezena, os Arautos do Evangelho saíram em procissão pelas ruas próximas à Sede Nossa Senhora da Reconquista e São Domingos de Gusmão, entoando cânticos em louvor a Santo Antônio. Em seguida, ocorrera a Santa Missa celebrada pelo Pe. Carlos Tonelli, EP.

“Passaram muitos séculos e continua o povo: a festejar Antônio, parece um Santo novo”

Pe. Tonelli nos recorda a simplicidade do Santo, bem como modelo de amor à Deus

“Subi precioso incenso até o trono do altíssimo, incensai Glorioso Antônio
com perfume suavíssimo!”

Muitos recorrem a este Santo no auxílio de graças, invocando-o: “pois também meu Santo ouve o que vos peço, ouve o que vos peço sabéis o que quero. Auxílio de graça, cuja graça espero”. Porém, além das intercessões a que recorremos, devemos ter este grande apóstolo de Nosso Senhor como modelo de santidade. Assim como Ele fora um grande Arauto do Evangelho para com todos, sejamos, pois, pregadores do Evangelho a todas as criaturas, com as nossas palavras e, sobretudo, com a nossa vida. Para isso, através das nossas atitudes, possamos anunciar o Menino Jesus, assim como Santo Antônio fez, enxergando-o como exemplo de caminhada, modelo de caridade, “Pão dos pobres”, “padrão de virtudes”, o “amigo dos aflitos”, o “amigo dos necessitados”, “amigo dos que invocam o vosso auxílio”.  Por isso:

Eu vos peço, Oh! Antônio,
por vossa trezena querida,
que nos lance a vossa bênção
durante a nossa vida.
Rogai por nós, Oh! Antônio,
lá no céu, onde reina a alegria,
junto a Deus.

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ARAUTOS NO MUNDO: PROCISSÃO E CELEBRAÇÃO DE CORPUS CHRISTI EM VENEZA

O Santíssimo saiu pelas ruas de Veneza para que todos pudessem adorá-Lo.   

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“NÃO SOU QUEM VIVO, MAS É O CRISTO QUE VIVE EM MIM”

A Solene Cerimônia de Corpus Christi aconteceu nesta quinta-feira, dia 15 de junho, realizada pela Arquidiocese de Salvador, na Igreja São Pedro dos Clérigos, no Terreiro de Jesus. Logo após a Missa campal, o Santíssimo Sacramento foi às ruas da Cidade, acompanhado pelos fiéis que contemplaram o Mistério de Amor, que é o Cristo Senhor. “Temos a graça de pertencer a esta família de Deus”. Mesmo diante de fortes chuvas, durante a Celebração, os devotos puderam permanecer no seu testemunho de amor.

Igreja São Pedro dos Clérigos – Terreiro de Jesus

A Celebração foi presidida pelo Arcebispo e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, e concelebrada por Dom Gilson Andrade, que representava os demais bispos da Arquidiocese. Ademais, estiveram presentes o Coral dos Terciários dos Arautos do Evangelho que muito contribuiu para a atenção e o espírito de fé de todos que participaram da Solene Celebração Eucarística.

Missa celebrada por Dom Murilo e concelebrada por Dom Gilson Andrade

Animada pelo Coral dos Terciários dos Arautos do Evangelho

Meditação do Salmo na celebração de Corpus Christi

Em sua homília, Dom Murilo lembra o que aconteceu na Última Ceia: a Instituição da Santíssima Eucaristia. Hoje, Nosso Senhor Jesus Cristo permanece no Santo Sacrário, que se faz morada de amor em nossos corações, no sacrifício da Santa Missa: “Deus jamais abandona seu povo”. Porém, devemos estar preparados para acolher Jesus Misericordioso em nossas vidas, transformando-nos em amor à Deus e aos nossos irmãos.

Além disso, o Arcebispo nos recorda que Paulo, na Carta aos Coríntios, afirma que a “Eucaristia nos une”, porque formamos um só corpo e “Jesus nos transforma”. Se cada um de nós comungarmos da Eucaristia, tornamo-nos semelhantes a Ele, porque “eu vivo, mas não é eu quem vive, é o Cristo que vive em mim, que pensa em mim, é Ele que age em mim”. Neste momento, nos tornamos unidade. Somos unidos pela Eucaristia. “Jesus se faz alimento, onde permaneceremos em Cristo”, para um dia ressuscitarmos na Glória eterna. Por isso, nos deixemos ser amados, mas com um amor que nos aquece e nos entusiasma com Ele e para Ele.

A procissão com o Corpo de Cristo foi às ruas do Terreiro de Jesus, percorrendo a Rua Carlos Gomes, até a bênção final no Campo Grande.

Praça do Campo Grande – Adoração e bênção do Santíssimo Sacramento

JESUS SE DOA POR AMOR À HUMANIDADE

Em Lauro de Freitas, a Celebração aconteceu a noite, sendo celebrada pelo Pe. Carlos Tonelli, EP. Esta solenidade acontece quarenta dias após a Páscoa de Cristo e um domingo depois de Pentecostes. Como o Pai não nos abandona, Ele deixa Seu filho para “habitar entre nós” (Jo  1, 14), através da Sua Palavra que é “Verdade e Vida” e, sobretudo, do Seu Corpo, “alimento” necessário para contemplarmos a glória eterna e vivermos dignamente.

 

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QUAL O INTUITO DO SR. ANDREA TORNIELLI AO ATACAR OS ARAUTOS DO EVANGELHO? CRIAR UM CISMA NA IGREJA?

Quem lê os artigos e livros do prestigioso vaticanista, Sr. Andrea Tornielli, pode regozijar-se com a recordação da figura pitoresca de um camaleão. Assim, suas publicações registram uma arguta capacidade de adaptar-se ao ambiente em que se encontra, para desenvolver a sua atividade: soube sorrir para João Paulo II, afagar o pontificado de Bento XVI e, ao mesmo tempo, preteri-lo discretamente, quando já andava de braços dados com Francisco…

Recentemente, o Sr. Tornielli publicou um artigo polêmico no blog Vatican Insider, do jornal La Stampa: “Arautos, a doutrina secreta: ‘Correa incentiva a morte do Papa’”. Considerando a conhecida característica camaleônica do articulista, duas questões despontam a partir desta publicação: quais são as suas pretensões? Para que ambiente ele antecipa uma adaptação?

É interessante observar que o autor ressuscita, através do mencionado artigo, antigas, muito antigas, denúncias contra o Professor Plinio Corrêa de Oliveira, relativas à veneração que muitos lhe prestavam em vida, bem como à devoção privada a sua mãe, D. Lucília. Agora, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho, é alvo dos mesmos ataques. Essas são acusações obsoletas, todas respondidas e devidamente refutadas conforme os ditames da mais estrita doutrina católica.

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Timeo hominem unius libri. É bem o que os leitores da imprensa católica são inclinados a concluir nestes momentos, sobre o conhecimento do Sr. Tornielli sobre o tema de seu artigo: estudioso de um só livro causa temor. O que não fica nada bem para um articulista desse porte… Vejamos por que.

Em primeiro lugar, poderíamos sugerir ao Sr. Tornielli voltar um pouco ao passado da instituição, por ele tão veementemente atacada, e deitar alguma atenção sobre uma obra publicada em 1985 – Servitudo ex Caritate – com o parecer do eminente teólogo Pe. Victorino Rodríguez y Rodríguez, OP. Nesse estudo, nunca replicado, o assunto da Sagrada Escravidão a Jesus, pelas mãos de Maria, bem como os vínculos espirituais entre o Prof. Plinio e seus discípulos, que ele menciona em seu artigo, foram completamente esclarecidos para o passado, para o presente e para o futuro.

E por que não ler, também, o livro Dona Lucilia, de 1995, com prefácio laudatório do Pe. Antonio Royo Marín, OP, reeditado em parceria com a Libreria Editrice Vaticana em 2013, também em língua italiana? Sua leitura teria sido suficiente para compreender que os fundamentos da devoção a esta grande dama brasileira estão baseados em sua vida de ilibada virtude e no bimilenar costume da Santa Igreja. Permita-nos dizer-lhe, Sr. Tornielli, que talvez seja conveniente rever as suas anotações do tempo de catecismo, pois antes mesmo de alguém ser canonizado, pede a Santa Madre Igreja que seja reconhecida sua fama de santidade.

E quanto à devoção a Dr. Plinio? Se lhe interessarem dados mais atuais, convidamos o Sr. Tornielli a fazer um dedicado estudo a uma obra recentíssima, de 2016, publicada em cinco volumes também pela Libreria Editrice Vaticana, com mais de 100 mil coleções impressas, sob o título O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira. Nesse trabalho encontram-se detalhadas as origens históricas e o embasamento teológico desse tema, tratado de forma tão tendenciosa em seu artigo.

Bento XVI e Monsenhor João Clá Dias Arautos do Evangelho.jpg

É verdade que surgiu, entretanto, diante do Sr. Tornielli, uma grande e insólita novidade: um vídeo privado, divulgado fora do contexto e superado pelo tempo, pois é velho de um ano e meio. Sendo ele de uso restrito da instituição, foi, entretanto, obtido de forma ilegal por um homem apaixonado no desafeto à TFP e aos Arautos – ele mesmo ex-membro da TFP -, casado com uma senhora, ex-membro da Opus Dei, que ocupam ponderada parte de seu tempo em atacar as entidades às quais pertenceram. Nesta fonte que o influente Sr. Tornielli foi buscar sua informação imparcial…

Trata-se do registro de uma reunião de clérigos, reservada, que não implicou em nenhuma mudança de rumos nos Arautos do Evangelho, seja em seu relacionamento para com a Sagrada Hierarquia e a sociedade civil, seja na atuação com a imensa quantidade de aderentes do movimento. O objetivo do encontro registrado era, simplesmente, intercambiar impressões a respeito de determinados fenômenos preternaturais, num ambiente de amena e distendida intimidade. Mãos criminosas, ainda desconhecidas, resolveram divulgar seu conteúdo de forma malévola e inconsequente para um público que não tem, em sua grande maioria, conhecimentos teológicos suficientes para fazer a respeito do seu conteúdo um juízo aprofundado. Não era difícil, assim, criar confusão em suas mentes. Por outro lado, essas mesmas mãos não se interessaram, naturalmente, em divulgar as conclusões dessas análises.

Ora, por que o Sr. Tornielli não procurou os Arautos para obter um esclarecimento? Bem poderíamos dizer: timeo hominem unius factionis, tememos os homens da meia verdade, os homens parciais, aqueles que não sabem e não querem ouvir as duas partes.

Estará o Sr. Andrea Tornielli agindo sozinho? Isso não sabemos…

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Mas podemos afirmar, analisado o artigo do renomado vaticanista e as circunstâncias mencionadas, a cega contribuição que ele está oferecendo no sentido de destruir aquela tão sonhada unidade que os Padres do Concílio Vaticano II quiseram levar adiante e que concretizaram três grandes homens: São João Paulo II, Bento XVI e Mons. João Clá. Eis um modo de arruinar a doutrina de um Concílio Ecumênico, e a dedicada ação de dois papas – um ainda vivo e entre nós – e de um Fundador, de quem um Prefeito da Congregação para os Religiosos, Cardeal Franc Rodé, disse ser a Igreja devedora!

Cui prodest? A quem aproveita esta atitude? O mundo católico está certamente perplexo: desta vez o camaleão apresenta tons tão surreais que, feitas as devidas ponderações, ainda continua suscitando perguntas acerca de suas variadas novas colorações:

– A quem representa o Sr. Andrea Tornielli?

– Pretende ele provocar um cisma na Igreja?

– Com que intenções?

Por fim, esclarecidas as inverdades e distorções, fazemos-lhe um convite para retornar às vias de um jornalismo culto, sério e ético. Os Arautos do Evangelho consagram a São José, padroeiro da Igreja, a própria defesa, na certeza de não serem desamparados pelo pai virginal de Jesus e castíssimo esposo de Maria. Sem prejuízo dos próprios direitos, estão eles dispostos a sempre acolher com benevolência a retratação dos caluniadores e a perdoa-los sinceramente, pois não guardam qualquer ressentimento.

Arautos do Evangelho


Fonte:
GaudiumPress

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A SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI

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Corria o ano de 1264. O Papa Urbano IV mandara convocar uma seleta assembleia que reunia os mais famosos mestres de Teologia daquele tempo. Entre eles encontravam-se dois varões conhecidos não só pelo brilho da inteligência e pureza da doutrina, mas, sobretudo, pela heroicidade de suas virtudes: São Tomás de Aquino e São Boaventura.

A razão da convocatória relacionava- se com uma recente bula Pontifícia instituindo uma festa anual em honra do Santíssimo Corpo de Cristo.

Para o máximo esplendor desta comemoração, desejava Urbano IV que fosse composto um Ofício, bem como o próprio da Missa a ser cantada naquela solenidade. Assim, solicitou de cada um daqueles doutos personagens uma composição a ser-lhe apresentada dentro de alguns dias, a fim de ser escolhida a melhor.

Célebre tornou-se o episódio ocorrido durante a sessão.

O primeiro a expor foi Frei Tomás. Serena e calmamente, desenrolou um pergaminho e os circunstantes ouviram a declamação pausada da Sequência por ele composta:

Lauda Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem in hymnis et canticis (Louva, Sião, o Salvador, o teu guia, o teu pastor com hinos e cânticos)… Maravilhamento geral!

Frei Tomás concluiu: …tuos ibi commensales, cohæredes et sodales, fac sanctorum civium (admiti-nos no Céu, à Vossa mesa, e fazei-nos coerdeiros na companhia dos que habitam a Cidade Santa).

Frei Boaventura, digno filho do Poverello, rasgou sem vacilações sua composição, e os demais o imitaram, rendendo tributo ao gênio e à piedade do Aquinate. A posteridade não conheceu as demais obras, sem dúvida sublimes também, mas imortalizou o gesto de seus autores, verdadeiro monumento de humildade e despretensão.

Origem da festa de “Corpus Christi”

Vários motivos haviam conduzido a Sé Apostólica a dar esse novo impulso à piedade eucarística, estendendo a toda a Igreja uma devoção que já se praticava em certas regiões da Bélgica, Alemanha e Polônia.

O primeiro deles remonta à época em que Urbano IV, então membro do clero de Liège, na Bélgica, analisou de perto o conteúdo das revelações com as quais o Senhor Se dignara favorecer uma jovem religiosa do mosteiro agostiniano de Mont Cornillon, próximo a essa cidade.

Em 1208, quando contava apenas 16 anos, Juliana fora objeto de uma singular visão: um refulgente disco branco, semelhante à lua cheia, tendo um dos seus lados obscurecido por uma mancha.

Após alguns anos de intensa oração, fora-lhe revelado o significado daquela luminosa “lua incompleta”: ela simbolizava a Liturgia da Igreja, à qual faltava uma solenidade em louvor ao Santíssimo Sacramento. Santa Juliana de Mont Cornillon fora por Deus escolhida para comunicar ao mundo esse desejo celeste. Mais de vinte anos se passaram até que a piedosa monja, dominando a repugnância proveniente de sua profunda humildade, se decidisse a cumprir sua missão, relatando a mensagem que recebera.

A pedido seu, foram consultados vários teólogos, entre os quais o padre Jacques Pantaléon – futuro Bispo de Verdun e Patriarca de Jerusalém – e este mostrou-se entusiasta das revelações de Juliana. Transcorridas algumas décadas, e já após a morte da santa vidente, quis a Divina Providência que ele fosse elevado ao Sólio Pontifício, em 1261, tomando o nome de Urbano IV.

Encontrava-se esse Papa em Orvieto, no verão de 1264, quando chegou a notícia de que, a pouca distância dali, na cidade de Bolsena, durante uma Missa na Igreja de Santa Cristina, o celebrante – que passava por provações quanto à presença real de Cristo na Eucaristia – vira transformar- se em suas próprias mãos a Sagrada Hóstia em um pedaço de carne, que derramava abundante sangue sobre os corporais.

A notícia do milagre espalhou-se rapidamente pela região. Informado de todos os detalhes, o Papa mandou trazer as relíquias para Orvieto, com a reverência e a solenidade devidas.

E ele mesmo, acompanhado de numerosos Cardeais e Bispos, saiu ao encontro da procissão formada para conduzi-las à catedral. Pouco depois, em 11 de agosto do mesmo ano, Urbano IV emitia a bula Transiturus de hoc mundo, pela qual determinava a solene celebração da festa de Corpus Christi em toda a Igreja.

Uma afirmação contida no texto do documento deixava entrever ainda um terceiro motivo que contribuíra para a promulgação da mencionada festa no calendário litúrgico:

“Ainda que renovemos todos os dias na Missa a memória da instituição desse Sacramento, estimamos todavia, conveniente que seja celebrada mais solenemente pelo menos uma vez ao ano para confundir particularmente os hereges; pois, na Quinta-Feira Santa a Igreja ocupa-se com a reconciliação dos penitentes, a consagração do santo crisma, o lava-pés e muitas outras funções que lhe impedem de voltar-se plenamente à veneração desse mistério”.

Assim, a solenidade do Santíssimo Corpo de Cristo nascia também para contrapor a perniciosa influência de certas ideias heréticas que se alastravam entre o povo, em detrimento da verdadeira Fé.

Já no século XI, Berengário de Tours se opusera abertamente ao Mistério do Altar, negando a transubstanciação e a presença real de Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade nas sagradas espécies. Segundo ele, a Eucaristia não passava de um pão bento, dotado de um simbolismo especial.

E em inícios do século XII, o heresiarca Tanquelmo espalhara seus erros em Flandres, principalmente na cidade de Antuérpia, afirmando que os Sacramentos, e sobretudo, a Santíssima Eucaristia, não possuíam valor algum.

Embora todas essas falsas doutrinas já estivessem condenadas pela Igreja, algo de seus ecos nefandos ainda se faziam sentir pela Europa cristã.

Assim, Urbano IV não julgou supérfluo censurá-las publicamente, de modo a tirar-lhes todo prestígio e penetração.

A Eucaristia passa a ser o centro da vida cristã

A partir desse momento, a devoção eucarística desabrochou com maior vigor entre os fiéis: os hinos e antífonas compostos por São Tomás de Aquino para a ocasião – entre os quais o Lauda Sion, verdadeiro compêndio da teologia do Santíssimo Sacramento, chamado por alguns o credo da Eucaristia – passaram a ocupar lugar de destaque dentro do tesouro litúrgico da Igreja.

No transcurso dos séculos, sob o sopro do Espírito Santo, a piedade popular e a sabedoria do Magistério infalível aliaram-se na constituição dos costumes, usos, privilégios e honras que hoje acompanham o Serviço do Altar, formando uma rica tradição eucarística.

Ainda no século XIII, surgiram as grandes procissões conduzindo o Santíssimo Sacramento pelas ruas, primeiro dentro de uma ambula coberta, e mais tarde exposto no ostensório.

Também neste ponto o fervor e o senso artístico das várias nações esmeraram-se na elaboração de custódias que rivalizavam em beleza e esplendor, na confecção de ornamentos apropriados e na colocação de imensos tapetes florais ao longo do caminho a ser percorrido pelo cortejo.

Os Papas Martinho V (1417-1431) e Eugênio IV (1431-1447) concederam generosas indulgências a quem participasse das procissões. Mais tarde, o Concílio de Trento – no seu Decreto sobre a Eucaristia, de 1551 – sublinharia o valor dessas demonstrações de Fé:

“O santo Sínodo declara que é piedoso e religioso o costume, introduzido na Igreja de Deus, de celebrar todos os anos com singular veneração e solenidade, em dia festivo e peculiar, este excelso e venerável Sacramento, levando-O em procissões por vias e locais públicos com reverência e honra”.

O amor eucarístico do povo fiel não se restringiu, porém, a manifestações externas; pelo contrário, elas eram a expressão de um sentimento profundo posto pelo Espírito Santo nas almas, no sentido de valorizar o precioso dom da presença sacramental de Jesus entre os homens, conforme Suas próprias palavras:
“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20).

O mistério de amor de um Deus que não só Se fez semelhante a nós para resgatar-nos da morte do pecado, mas quis, num extremo de ternura, permanecer entre os Seus, ouvindo seus pedidos e fortalecendo-os em suas tribulações, passou a ser o centro da vida cristã, o alimento dos fortes, a paixão dos santos.

São Pedro Julião Eymard, ardoroso devoto e apóstolo da Eucaristia, exprimiu em termos cheios de unção esta celestial “loucura” do Salvador ao permanecer como Sacramento de vida para nós: “Compreende-se que o Filho de Deus, levado por Seu amor ao homem, tenha-Se feito homem como ele, pois era natural que o Criador tivesse interesse na reparação da obra saída de Suas mãos. Que, por um excesso de amor, o Homem-Deus morresse sobre a Cruz, compreende-se também. Mas o que já não se compreende, aquilo que espanta os débeis na Fé e escandaliza os incrédulos, é que Jesus Cristo glorioso e triunfante, depois de ter terminado Sua missão na terra, queira ainda permanecer conosco, num estado mais humilhante e aniquilado do que em Belém e no Calvário”.

“Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa”

A Eucaristia é o maior e o mais sublime de todos os Sacramentos. Embora o Batismo, sob certo ponto de vista, mereça o primeiro lugar por nos introduzir na vida divina, tornando-nos filhos de Deus e participantes de Sua natureza, a Eucaristia supera-o quanto à substância, pois tratasse do verdadeiro Corpo, Sangue Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O próprio momento e as circunstâncias solenes em que foi instituído indicam sua importância e a veneração que Cristo queria infundir nas almas de seus discípulos por este admirável Sacramento. Para isto reservou Ele as últimas horas que Lhe restavam de convívio com os Apóstolos antes de caminhar para a morte, pois “as últimas ações e palavras que fazem e dizem os amigos no momento de se separar, gravam-se mais profundamente na memória e imprimem-se mais fortemente na alma”.

Naqueles instantes – poder-se-ia afirmar – Seu adorável Coração pulsava com santa pressa de realizar, no tempo, aquilo que desde toda a eternidade contemplara em Sua ciência divina.

Suas palavras “desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer” (Lc 22, 15), deixam transparecer claramente os inefáveis anseios de amor do Deus Encarnado por todos os homens, a “multidão de irmãos” (Rm 8, 29), pelos quais iria oferecer-Se naquela mesma noite.

O desejo do Divino Mestre era de que o mistério de Seu Corpo e Sangue se perpetuasse pelos séculos futuros: “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22, 19). Entretanto, devemos considerar que já bem antes da Encarnação havia a Divina Providência multiplicado os símbolos e as figuras que permitiriam aos homens melhor compreender e amar este Sacramento.

A este respeito, diz São Tomás de Aquino: “Este Sacramento é especialmente um memorial da Paixão de Cristo; e convinha que a Paixão de Cristo, pela qual Ele nos redimiu, fosse prefigurada para que a Fé dos antigos se encaminhasse ao Redentor”.

Melquisedec: Símbolo e prenúncio do Supremo Sacerdote

Um dos sinais mais remotos da Eucaristia aparece no capítulo 14 do Gênesis, naquele personagem fascinante e misterioso que saiu ao encontro de Abraão quando este voltava de sua vitória contra os reis, e o abençoou, oferecendo pão e vinho. Melquisedec, “rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14, 18), reunia em si as glórias da realeza, a santidade sacerdotal e o carisma profético.

Ele é bem o símbolo d’Aquele que mais tarde proclamaria diante de Pilatos: “Eu sou Rei” (Jo 18, 37) e a propósito do qual todos comentavam: “um grande profeta surgiu entre nós” (Lc 7, 16).

Mas naquilo em que Melquisedec mostrou-se mais plenamente imagem de Cristo, foi na posse de um sacerdócio superior ao de Aarão, como está escrito na Carta aos Hebreus: “Se a perfeição tivesse sido realizada pelo sacerdócio levítico, […] que necessidade havia ainda de que surgisse outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedec, e não segundo a ordem de Aarão?

Isto se torna ainda mais evidente se se tem em conta que este outro sacerdote, que surge à semelhança de Melquisedec, foi constituído não por prescrição de uma lei humana, mas pela sua imortalidade. Porque está escrito: ‘Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedec'” (Hb 7, 11. 15-17).

Jesus Cristo, porém, ao descer à terra, não mais oferece pão e vinho, como outrora Melquisedec, mas sim a oblação pura de Seu Corpo e Sangue: “Não Vos comprazeis em nenhum sacrifício, em nenhuma oferenda, mas formastes-Me um corpo: não desejais holocausto nem vítima de expiação. Então Eu disse: ‘Eis que venho'” (Sl 39, 7-8). Assim Ele levou à plenitude aquilo que Melquisedec apenas prenunciara.

O Cordeiro entregue à morte pelos pecados do povo

No Livro do Êxodo abundam as figuras que nos aproximam da Eucaristia.

Encontramo-las, sobretudo, na ceia pascal, prescrita em suas minúcias pelo próprio Deus a Moisés, na qual deveriam os israelitas imolar um cordeiro sem defeito e comê-lo com pães ázimos ao cair da tarde.

A este respeito, ensina o Doutor Angélico:
“Neste Sacramento podemos considerar três aspectos: o que é o sinal sacramental, ou seja, o pão e o vinho; o que é realidade e sinal sacramental, ou seja, o verdadeiro Corpo de Cristo; e o que é só realidade, a saber, o efeito deste Sacramento. […]
O cordeiro pascal prefigurava este Sacramento sob os três aspectos. Quanto ao primeiro, porque era comido com pães ázimos, conforme a prescrição: ‘Comerão a carne com pães sem fermento’. Quanto ao segundo, porque era imolado no décimo quarto dia do mês por toda a multidão dos filhos de Israel: nisto era figura da Paixão de Cristo que por Sua inocência é chamado de cordeiro.
Quanto ao efeito, porque pelo sangue do cordeiro pascal os filhos de Israel foram protegidos do anjo devastador e libertos da escravidão do Egito”.

O pão sem fermento, com o qual deviam os judeus comer a carne do cordeiro, representava também a integridade do Corpo de Cristo, concebido no seio puríssimo de Maria, sem mancha alguma de pecado, e que, após a morte, não experimentou a corrupção do sepulcro, como anunciara Davi:
“Não permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção” (Sl 15, 10).

Por isso o Salvador escolheu a noite da Páscoa, principal das festas judaicas, para deixar à humanidade Seu legado de amor, dando a entender que Ele mesmo é o Cordeiro imaculado, entregue à morte para tirar os pecados do mundo, por cujo sangue seria afastada a sentença de condenação que sobre nós pesava desde a queda de Adão e Eva.

Aquela oferenda que os israelitas, reunidos em Jerusalém, imolavam sob as sombras de uma figura profética, o Senhor, rodeado de um punhado de discípulos, levava à perfeição, no exíguo ambiente do Cenáculo.

Entretanto, aquilo que as circunstâncias obrigavam Jesus a realizar na escuridão, os Apóstolos deveriam, no momento propício, dizer às claras e publicar de cima dos telhados (cf. Mt 10, 27), de maneira que o Sacrifício da Nova Aliança substituísse definitivamente os antigos sacrifícios e fosse celebrado diariamente sobre todos os altares da terra. Cumprir-se-ia assim a palavra do Espírito Santo pronunciada pela boca de Malaquias: “Do nascente ao poente, Meu nome é grande entre as nações e em todo lugar se oferecem ao Meu nome o incenso, sacrifícios e oblações puras” (Ml 1, 11).

A respeito desta passagem profética, assim comenta Alastruey:
“Estes, são, pois, os caracteres do novo culto vaticinados por Malaquias: universalidade absoluta de tempos e lugares; pureza objetiva da vítima em si, incapaz de ser manchada por indignidade alguma do ofertante; excelência insigne, da qual resultará uma grande glorificação de Deus entre os povos”.

Alimento que reparava as forças e dava vigor

Outra imagem de grande eloquência é a do maná, ao qual o próprio Jesus faz alusão no sermão sobre o Pão da Vida, referido no capítulo sexto de São João. Este alimento branco e miúdo como a geada (cf. Ex 16, 14), contendo em si todos os sabores (cf. Sb 16, 20), que nutriu o povo eleito durante a longa viagem pelo deserto, é símbolo também do Pão do Céu, penhor da ressurreição futura, que alimenta todo cristão, dando-lhe as graças e a fortaleza necessárias para atravessar o deserto desta vida e chegar à Terra Prometida, ou seja, à Pátria Celeste.

“O maná – comenta ainda São Pedro Julião Eymard – que Deus fazia cair cada manhã sobre o acampamento dos israelitas, continha todos os gostos e propriedades; reparava as forças decaídas, dava vigor ao corpo e era um pão muito suave. Também a Eucaristia, prefigurada no maná, contém todo gênero de virtudes; é remédio contra nossas enfermidades, força contra nossas fraquezas cotidianas, fonte de paz, de gozo e felicidade”.

A mesa revestida de ouro

Encontramos por fim, ainda no Êxodo, mais uma prefigura desse divino Sacramento, na ordem dada por Deus a Moisés para fazer uma mesa de madeira revestida de ouro puro, onde seriam colocados permanentemente diante do Senhor os pães sagrados ou pães da proposição.

Aqueles pães, “porção santíssima” (Lv 24, 9) que só aos sacerdotes era permitido comer, exigiam a pureza ritual dos corpos (cf. I Sm 21, 4-5) e deviam ser consumidos “em lugar santo”(Lv 24, 9).

De nós, se queremos nos aproximar da mesa da Eucaristia, exige-se uma purificação muito superior àquela prescrita pela Lei mosaica: nossa alma – animada por uma reta intenção e com o firme propósito de enveredar pelas vias da perfeição – deve estar livre de pecado mortal.

De outro modo, esse inefável Sacramento será para nós causa de condenação:
“Todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (I Cor 11, 27-29).

Por outro lado, se os pães da proposição estavam reservados exclusivamente a Aarão e seus descendentes, Nosso Senhor Jesus Cristo, o verdadeiro Pão da proposição, oferece-Se em alimento a todos os fiéis, sem exceção, dando aos homens um privilégio do qual aos Anjos, por sua natureza, não é dado gozar. “Coisa admirável! Os pobres, os servos e os humildes comem o seu próprio Senhor” – canta-se no hino Sacris Solemnis, também composto por São Tomás de Aquino para a festa do Corpus


A mesa de ouro sobre a qual se achavam os pães encerra outro simbolismo muito elevado: ela prefigura a Mãe de Deus, em cujo seio foi formado o Corpo de Jesus. Assim comenta o padre Jourdain: “Maria é a mesa mística magnificamente ornada e feita de madeira incorruptível, que Deus preparou para os que se comprazem na meditação das coisas divinas. Ela é a mesa santa e sagrada, portando o Pão da Vida, Jesus Cristo Nosso Senhor, o sustentáculo do mundo”.

Muitos outros indícios do Sacramento da Eucaristia no Antigo Testamento poderiam ser mencionados: Abraão oferecendo seu filho Isaac em sacrifício (cf. Gn 22, 1-13); o pão cozido sob cinza, pelo qual Elias recobrou as forças para andar quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Horeb, Monte de Deus (cf. I Rs 19, 5-8); a multiplicação dos pães operada pelo profeta Eliseu para alimentar cem pessoas (cf. II Rs 4, 42-44); etc.

Preparação próxima para a revelação da Eucaristia

Já no Novo Testamento encontramos três sinais insignes pelos quais o Salvador preparou as almas para o grande mistério cuja manifestação reservara para a véspera de Sua Paixão.

Primeiro, a transmutação da água em vinho, nas bodas de Caná da Galileia, cujo efeito nos é relatado por São João: “manifestou a Sua glória, e os Seus discípulos creram nEle” (Jo 2, 11).

Mais tarde, a multiplicação dos pães, pela qual Jesus saciou mais de cinco mil pessoas que O haviam seguido até o deserto (cf. Mt 14, 15- 21).

A este segundo milagre sucedeu-se outro, poucas horas depois: estando os discípulos na barca, em meio ao mar agitado, viram Jesus aproximar-Se deles caminhando sobre as águas (cf. Mt 14, 24-33).

Através desses prodígios, o Divino Mestre quis demonstrar o poder absoluto que possuía sobre o vinho e o pão, bem como sobre o Seu próprio Corpo.

Tão belos exemplos nos mostram como o Criador, enquanto divino Pedagogo, foi passo a passo preparando as mentalidades para a revelação do Sacramento da Eucaristia, eterno testemunho de Seu amor e de Seu desejo de permanecer entre nós.

Ajoelhemo-nos diante do Tabernáculo!

Quais devem ser nossa atitude e nossos sentimentos de alma ao considerarmos o extremo de bondade de Deus feito Homem que, tendo-Se encarnado, não abandonou a criatura resgatada por Seu Sangue, mas mantém-Se presente, assistindo e amparando todos os que d’Ele queiram se aproximar?

Ajoelhemo-nos diante do Tabernáculo ou, melhor ainda, diante do Ostensório, entreguemos a Jesus Sacramentado todo o nosso ser – nosso corpo com todos os seus membros e órgãos, nossa alma, com suas potências, suas qualidades e até as próprias misérias – e ofereçamos a Deus Pai o divino Sangue de Seu Filho, derramado na Cruz em reparação de nossas faltas.

De modo análogo aos raios do sol que, incidindo sobre o rosto, deixam-no corado e moreno, assim também, diante do Santíssimo Sacramento nossa alma recebe uma renovada infusão de graças, convidando-nos ao abandono total nas mãos de Jesus, por meio de Maria.

Assim, nossas almas irão se transformando rumo à santidade para a qual Deus nos chama. E se em algum momento, as dificuldades da vida nos fizerem sentir desânimo ou aridez, lembremo-nos destas tocantes palavras do padre Faber:

“Muitas vezes, quando o homem é tomado de desespero e assaltado por questões, dúvidas, desânimos e incertezas, em considerar a sua vida, e se sente cercado de inimigos, que lhe uivam ao redor, como feras furiosas, então um impulso, que é uma graça, o leva a ajoelhar-se ante o Santíssimo Sacramento e, sem que faça qualquer esforço, eis que todos aqueles clamores se afundam no silêncio. O Senhor está com ele: as vagas se aquietaram, a tempestade abateu-se e diretamente, sem embaraço, a viagem vai terminar no ponto procurado. Não foi necessário mais que olhar para a face de Jesus, e as nuvens se dissiparam e a luz se fez. O esplendor do Tabernáculo reaparece como o sol”.


Fonte:  Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP
(in “Revista Arautos do Evangelho”, n. 90, p. 24 à 31)

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O SANTO DO DIA: SANTO ANTÔNIO

 Corria o ano de 1221. No austero convento franciscano de Forli, Itália, encontravam-se reunidos alguns filhos de São Francisco e de São Domingos para uma celebração litúrgica, durante a qual vários religiosos receberam o Sacramento da Ordem. No final da mesma, o Provincial dos Frades Menores pediu que um dos Irmãos Pregadores pronunciasse as palavras de encerramento. Todos, porém, esquivaram-se da honra, pois ninguém tinha preparado aquele discurso e o improviso nem sempre é aconselhável em ocasiões solenes…

Para remediar a situação, o Provincial dos franciscanos decidiu incumbir do encargo a quSanto Antônio de Pádua - Revista Católica - Revista Arautos do Evangelhoalquer um dos seus subalternos, confiando na inspiração da graça. E designou para isto um frade português que desempenhava a função de ajudante de cozinha no Eremitério de São Paulo. Com a simplicidade das almas acostumadas à obediência, o humilde religioso, até então em silêncio, se dispôs a cumprir a ordem. E o fez, diante da surpresa geral, fazendo perfeito uso da língua latina.

Vencida a timidez inicial, as palavras daquele irmão, fundadas nas Escrituras, foram adquirindo cada vez maior brilho, fogo e clareza. E, ao terminar, ninguém mais se lembrava do fato de ser ele um apagado cozinheiro, transmudado diante de todos, agora, num insigne predicador.

Assim se iniciou a vida pública de Santo Antônio de Pádua. A batalha contra si mesmo e contra o mal, conduzida até aquele momento na solidão e austeridade do claustro, tomava ali uma proporção missionária. Deus o chamava a evangelizar as multidões, auxiliando-as, através do ministério da palavra, na perpétua e ferrenha luta do homem contra o pecado.

Luta? Talvez alguém estranhe ouvir falar dela na vida de um santo cujas imagens sorridentes nos levam a imaginá-lo sempre cheio de alegria, doçura e consolo. Entretanto, o combate contra os próprios defeitos e contra o mal é inseparável companheiro do homo viator, em consequên­cia do pecado original. E jamais conseguiremos compreender a espiritualidade de um bem-aventurado sem analisarmos nele esse aspecto essencial e onipresente em nossa existência neste vale de lágrimas: a luta, o combate, o sofrimento.

Vocação franciscana

USanto Antônio de Pádua - Revista Católica - Revista Arautos do Evangelhom novo impulso do Espírito Santo surgia no seio da Igreja, naquele tempo. Opondo-se ao luxo desregrado e ao apego aos bens materiais que começavam a desviar o espírito de Fé característico do homem medieval, levantaram-se varões como Domingos de Gusmão e Francisco de Assis, os quais increpavam os erros da época pela palavra e pelo exemplo, convidando os cristãos a retomarem o caminho do fervor através da prática da pobreza.

O zelo comunicado pelo Seráfico de Assis à Ordem dos Frades Menores foi tal que, apenas onze anos após a fundação, cinco de seus filhos morriam mártires no norte da África. A arrojada empresa missionária desses religiosos, irredutíveis na pregação da Fé de Cristo, acabou por suscitar a cólera do miramolim de Marrocos, que mandou executá-los.

Com grande pompa chegaram a Coimbra, em meados de 1220, os restos mortais desses heróis da Fé, sendo expostos à veneração dos fiéis na capela do Mosteiro de Santa Cruz. O fato soou para o Cônego Fernando como uma aprovação do Céu ao seu desejo de unir-se aos filhos de São Francisco no Convento de Santo Antônio de Olivares, aos quais muito admirava.

Obtida a licença dos superiores, o Cônego Fernando recebeu o hábito dos Frades Menores algum tempo depois, tomando o nome de Frei Antônio. Sob aquela pobre vestimenta, o brilhante sacerdote lisboeta sacrificava sem pesar o prestígio, as comodidades e a vasta cultura que possuía.

Eloquente pregador

Santo Antônio pregou em Portugal, na África, na Itália e na França. Seu zelo levava-o a interessar-se por qualquer um que estivesse sem conhecimento da verdade católica.

De tal maneira cativava as multidões com sua eloquência, que seus ouvintes, vindos de todas as partes, esqueciam-se do tempo e de suas ocupações e, tocados profundamente, punham-se com decisão a odiar os seus pecados.

Milagres

São incontáveis os “sinais e prodígios” que Deus manifestou através de Santo Antônio.

Santo Antônio de Pádua – detalhe Giotto – Legend of St Francis: Apparition at Arles – 1297-1300

Em 1224, o santo religioso foi enviado a pregar no sul da França, onde se alastrava a heresia cátara ou albigense. Durante três anos percorreu as cidades de Montpellier, Toulouse, Le Puy e Limoges, levando-lhes a luz da verdadeira Fé. De muitos dos seus ouvintes recebeu manifestações de sincero arrependimento; de outros, desprezo e zombaria, apesar de serem acompanhadas suas pregações por numerosos milagres.

Em Toulouse, por exemplo, um cátaro* que persistia em negar a presença real de Cristo na Eucaristia propôs-lhe um desafio: durante três dias deixaria uma mula sem qualquer alimento, e a levaria depois para a praça pública, onde Frei Antônio lhe apresentaria a custódia com o Santíssimo Sacramento, enquanto o herege lhe ofereceria um monte de feno. Assim se fez e o animal, ainda que faminto, não provou o alimento sem antes fazer uma profunda reverência a Jesus Eucarístico. Muitos se converteram à vista de tamanho milagre.

Martelo do hereges

Santo Antônio foi chamado de “Martelo dos Hereges”, isso porque em seus sermões os adversários da Igreja encontravam nele um inimigo formidável. A mais antiga de suas biografias conta que “dia e noite (Frei Antônio) tinha discussões com os hereges; expunha-lhes com grande clareza o dogma católico; refutava vitoriosamente os preceitos deles, revelando em tudo ciência admirável e força suave de persuasão que penetrava a alma dos seus contrários”. Talvez por isso sua língua esteja miraculosamente conservada em Pádua, há quase 800 anos.

Combativo e militar

Santo Antônio com as insígnias de Capitão de Infantaria

Em 1710, Santo Antônio, cuja imagem esteve colocada na muralha de um convento, defendeu o Rio de Janeiro contra os franceses, o que lhe valeu a patente de Capitão de Infantaria.

Esta imagem é histórica , visto que acompanhou o Exército brasileiro na vitória sobre os franceses quando eles invadiram a Baia da Guanabara, e em gratidão, o Santo  foi feito membro do Exército brasileiro e passou a receber soldo como um herói de guerra. Esse soldo foi pago a Santo Antônio até 1911.

Ademais, nos seguintes Estados do Brasil S. Antônio tem patente de oficial do Exército: Paraíba, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás. Recebia antigamente também o soldo correspondente. Era uma esmola que entregavam geralmente aos Conventos Franciscanos para o culto do Santo, em agradecimento pela proteção a que dispensava à suas armas.

Em outra ocasião, fora do Brasil, foi objeto de um ato de devoção especial da parte de um almirante espanhol. Uma esquadra espanhola sitiava a cidade de Orán, na África e não havia meio de conseguir resultado eficaz.

Então, o almirante espanhol dirigiu-se a uma imagem de Santo Antônio, colocou o chapéu de almirante sobre a imagem, deu-lhe as insígnias de comando e pediu-lhe que investisse [contra] Orán. Os mouros** fugiram inesperadamente e interrogados, disseram que tinha estado entre eles um frade vestido com o chapéu do almirante e que tinha ameaçado Orán com o fogo de céu, e que por causa disso eles tinham achado mais prudente ir embora.


Fontes:  “Santo Antônio – vida, milagres, culto”, pgs. 144-146, Frei Basílio Röwer, “Santo Antonio: Arca do Testamento e Martelo do Hereges”, Plinio Correa de Oliveira.
Revista dos Arautos

 

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CONVITE PARA O CURSO DE TEOLOGIA

Convite para a 6ª aula do Curso de Teologia, que acontecerá no dia 18/06/2017, às 14, com o tema: A Criação: Os Anjos, na Capela Nossa Senhora da Reconquista e São Domingos, na Sede dos Arautos do Evangelho,  em Lauro de Freitas/Bahia.

Como chegar:  (ver mapa) – ao lado do Batalhão de Choque da PM

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DESTINADO A MAIS ALTA MISSÃO

Mons. João S. Clá DiasConta-nos o Êxodo como a vitória de Josué na luta em defesa dos hebreus dependia inteiramente da oração de Moisés, o qual – afastado do combate físico, e retirado no alto da montanha santa – intercedia pelo povo junto a Deus, transformando-se assim no verdadeiro artífice do triunfo

Ao longo de 77 frutuosos anos, Mons. João Scognamiglio Clá Dias viveu em total fidelidade à Cátedra de Pedro, confirmando sua adesão ao Magistério com inumeráveis e portentosos trabalhos em prol da salvação das almas. Sobretudo, grandes foram os sofrimentos que enfrentou, com ânimo cada vez maior, oferecendo tudo para a exaltação e glória da instituição que ele tanto ama: a Santa Igreja Católica Apostólica e Romana.

Não obstante, apenas no céu conheceremos tudo aquilo que ele conquistou junto a Deus, pois, apesar de serem múltiplas as obras que tem realizado, diante de Deus o ser é muito mais do que o fazer, e nisto encontra ele seu verdadeiro mérito.

Tendo bem claro o grande crescimento e proporção atingidos pela obra nascida de suas mãos, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, em 2 de junho de 2017, se elevou à posição de mediador junto a Deus pelos seus, ao apresentar sua renúncia aos cargos de Superior Geral da Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli e de Presidente Geral da Associação Privada de fiéis Arautos do Evangelho, a fim de que um de seus filhos espirituais continue a obra por ele começada.

Contudo, mesmo não possuindo mais o título de Superior Geral, jamais caberá a outro a missão de pai e, como tal, o papel dele junto a seus filhos é insubstituível, pois foi constituído por Deus como modelo e guia deles, permanecendo o guardião deste sublime carisma, confiado a ele pelo Espírito Santo. Assim, Deus lhe reserva façanhas ainda maiores em relação às que ele já fez, e entre estas está a de impetrar ardorosamente a instauração do Reino de Maria Santíssima sobre a terra.


Fonte:

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“SOU TODO VOSSO (A) E TUDO QUE POSSUO É VOSSO, Ó VIRGEM GLORIOSA E BENDITA!”

Após participarem de onze encontros preparatórios sob a responsabilidade de uma Comissão de Terciários dos Arautos do Evangelho, entre os meses de março a maio de 2017, ao longo dos quais Nossa Senhora foi derramando abundantes graças, no dia 31 de maio de 2017, cerca de 90 fiéis realizaram a sua Consagração a Jesus pelas Mãos de Maria, segundo o método ensinado por São Luís Maria Grignion de Montfort, em sua magnífica obra “O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”.

A Missa Solene foi realizada na Igreja Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no bairro do Imbuí (Salvador), tendo como presidente da Celebração, o Revmo. Padre Marcos Studart, da Congregação de São Eudes. Além disso, estiveram presentes o Coral dos Terciários dos Arautos do Evangelho que muito contribuiu, com seus belos cantos, para a atenção e espírito de fé, de todos que participaram da Celebração Eucarística. 

A Igreja estava repleta de fiéis, de modo que algumas pessoas tiveram que se acomodar nas imediações externas próximas às portas de acesso ao Santuário.

Em sua homilia, o pe. Marcos realizou comentários sobre a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel. Enfatizando que o principal fruto da meditação sobre tão belo mistério era o espírito de serviço ao próximo, o sacerdote evidenciou de modo tão belo a visita pressurosa de Maria para que este exemplo seja imitado por todos nós, sobretudo aqueles que iriam se consagrar a Ela naquela noite. Ao término, agradeceu aos Arautos do Evangelho pelo zelo e pela dedicação que demonstraram na preparação do grupo de consagrados.

Foi muito emocionante e bonito quando os neo-consagrados se postaram diante da Imagem de Nossa Senhora de Fátima e leram o texto da Consagração elaborado por São Luís M. Grignion de Montfort e pronunciaram as palavras: “Sou todo Vosso (a) e tudo que possuo é Vosso, ó Virgem gloriosa e bendita!”. Em seguida, o Pe. Marcos  oferta aos já consagrados o botton de Nossa Senhora de Fátima e uma correntezinha, símbolo da pertença de cada um a Jesus.

Portanto, peçamos a Nossa Senhora que conduza estes novos filhos consagrados a serem cada vez mais santos, conforme as palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort: “Quanto mais uma alma estiver consagrada a Maria, tanto mais estará consagrada a Jesus Cristo”. Assim, “minha querida e amadíssima Mãe, se for possível, faz com que eu não tenha outro espírito a não ser o teu para conhecer Jesus Cristo e os seus desejos divinos; que não tenha outra alma a não ser a tua para louvar e glorificar o Senhor; que não tenha outro coração a não ser o teu para amar Deus com caridade pura e ardente como tu”.

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ARAUTOS NO MUNDO:ENCONTRO DO APOSTOLADO DO ORATÓRIO EM FÁTIMA

No mês de maio, em homenagem aos cem anos das aparições de Nossa Senhora, em Fátima, os representantes do Apostolado do Oratório dos Arautos do Evangelho reuniram-se no Santuário de Fátima. Em uma jornada mariana, mais de dez mil pessoas estiveram presentes para rezar, a fim de que se cumpra  a promessa de Nossa Senhora: “Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração”[1].

O encontro iniciou com a Santa Missa celebrada pelo Bispo Castrense de Portugal, Monsenhor Manuel Linda, e abrilhantada pelo Coro dos Arautos. Em seguida, a Adoração ao Santíssimo e recitação do santo Rosário. Terminado este evento, deu-se a procissão na esplanada em direção à Capelinha das Aparições. Cada membro levava consigo seu Oratório, bem como orações de famílias por onde a imagem de Nossa Senhora de Fátima visitou. Em seu Tratado da Verdadeira Devoção, comenta São Luis: “Maria é a Rainha do céu e da terra por graça, como Jesus é o Rei por natureza e conquista. Ora, como o reino de Jesus Cristo consiste principalmente no coração ou interior do homem, segundo esta palavra: O reino de Deus está no interior de vós, assim também o reino da Santíssima Virgem está principalmente no interior do homem, isto é, na sua alma. E é principalmente nas almas que Ela é glorificada com seu Filho do que em todas as criaturas visíveis, e podemos chamá-la, com os santos, a Rainha dos Corações”[2].

 Portanto, cheios de alegria e confiantes na esperança de Deus, comprometamo-nos a fazer o que Jesus nos disser por intermédio de sua Mãe Santíssima.


Fonte:
[1]Nossa Senhora, 1917
[2] Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, nº 38

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