A ESTRELA QUE ANTECEDE O “SOL DA JUSTIÇA”

Se prestarmos atenção ao céu pouco antes da aurora, poderemos ver uma estrela a pouca altura do horizonte acima do ponto onde o sol despontará. Esse fato passa despercebido a muitos, pois nessa hora, ou ainda se dorme, ou já se está no corre-corre matutino.

Embora essa estrela não seja vista em todas as latitudes ou em todos meses do ano, a sua frequência fez a voz do povo chamá-la de “estrela da manhã”. Terá isso algum simbolismo de algo mais alto?

Deus espalhou por todo universo — desde as estrelas imensas até os minúsculos seres — aquilo que São Tomás de Aquino chama de “vestígios” de Deus. Por vezes “vestígios” tão evidentes como o que nos leva a chamar Deus de Pai, pois os pais são um reflexo de Deus, como a mãe é de Maria Santíssima.

O que representa esta “estrela matutina”?

É muito conhecida a bela expressão referindo-se a Nosso Senhor Jesus Cristo como o “Sol da Justiça”. Assim como a referida estrela aparece próxima ao horizonte indicando onde o sol nascerá, assim também o nascimento de Maria Santíssima foi o sinal de que logo nasceria Jesus.

Virgem Maria Bebê – Granada – Espanha

Os escritores sagrados referem-se a esse fato nos seguintes termos: durante quatro mil anos os Patriarcas, os Profetas e os Santos do Antigo Testamento suspiraram pela vinda do Redentor prometido a nossos primeiros pais (Gn 3, 15). Muitos dos livros do Antigo Testamento atestam o ardor dessa súplica. Apenas uma criatura, escolhida por Deus desde toda eternidade haveria de obter a vinda do Redentor: Maria Santíssima.

Segundo a tradição oral confirmada pelos Padres Apostólicos (que conviveram com os Apóstolos e discípulos), a Santíssima Virgem nasceu numa data do calendário judaico, que transposta para o calendário romano dá no dia 8 de setembro.

NASCE UMA LINDA MENINA

Maria Menina – Equador

Neste feliz dia, aproximadamente no ano 15 a. C., Santa Ana deu à luz uma linda menina a qual recebeu o nome de Miriam (em latim “Maria”) que em hebraico, significa “Senhora soberana”. Segundo alguns pesquisadores, provém do sânscrito “Maryáh”, que quer dizer literalmente “a pureza, a virtude, a virgindade”.

Foi Maria escolhida por Deus para ser a Mãe de seu Divino Filho, Jesus, sendo concebida sem pecado original, cheia de graça — conforme a saudação do anjo Gabriel —, co-Redentora, medianeira universal de todas as graças. A Ela recebemos por Mãe, conforme as palavras de Jesus a São João Evangelista: “Filho, eis aí tua Mãe”. (Jo 19, 27)

GRANDEZAS DA “ESTRELA”

“Era necessário que a Mãe de Deus fosse também puríssima, sem mancha, sem pecado. E assim, não apenas quando donzela, mas em menina foi santíssima, e santíssima no seio de sua mãe, e santíssima em sua concepção. Pois não convinha que o santuário de Deus, a mansão da Sabedoria, o relicário do Espírito Santo, a urna do maná celestial, tivesse em si a menor mácula. Pelo que, antes de receber aquela alma santíssima, foi completamente purificada a carne até do resíduo de toda mancha, e assim, ao ser infundida a alma, não herdou nem contraiu mancha alguma de pecado(…). Quer dizer, a mansão da divina Sabedoria foi construída sem a inclinação para o pecado”, ensina São Tomás de Villanueva. (1)

Santana e Nossa Senhora Menina

Escreve São João Eudes: “A gloriosa Virgem não apenas foi preservada do pecado original em sua concepção, como foi também adornada da justiça [no sentido de santidade] original e confirmada em graça desde o primeiro momento de sua vida, segundo muitos eminentes teólogos, a fim de ser mais digna de conceber e dar à luz o Salvador do mundo. Privilégio que jamais foi concedido a criatura alguma humana nem angélica, pertencendo somente à Mãe do Santo dos Santos, depois de seu Filho Jesus. […]

“Todas as virtudes, com todos os dons e frutos do Espírito Santo, e as oito bem-aventuranças evangélicas se encontram no coração de Maria desde o momento de sua concepção, tomando inteira posse e estabelecendo n’Ela seu trono num grau altíssimo e proporcionado à eminência de sua graça”. (2)

Nas palavras do grande doutor mariano, São Luís Grignion de Montfort, Maria Santíssima “é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, (…) e a esposa fiel do Espírito Santo, onde só ele pode penetrar. Maria é o santuário, o repouso da Santíssima Trindade, em que Deus está mais magnífica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem excetuar seu trono sobre os querubins e serafins” (3)

(1) VILLANUEVA, São Tomas de. Obras. 3. ed. Madrid: BAC, 1952. p. 210. Apud Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, ACNSF, 2ª ed., 2010, p. 131.
(2) EUDES, San Juan. La Infancia Admirable de la Santísima Madre de Dios. Bogotá, 1957. p. 63 e 66. Apud Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP,  Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, ACNSF, 2ª ed., 2010, p. 132.
(3) GRIGNION DE MONTFORT, São Luís Maria, “Tratado da verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, Ed. Vozes, Petrópolis, 46ª edição, terceira reimpressão, 2017, nº 5, p. 20-21.
Ilustrações: Arautos do Evangelho, Wiki

Fonte: Arautos do Evangelho em Montes Claros

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SANTO DO DIA: SANTO EXPEDITO, PADROEIRO DAS CAUSAS URGENTES!

Amigo e amiga, devotos de Santo Expedito. Precisam de uma graça? Algo lhes aflige? Estão em busca de solução para algum problema? Então… Vamos colocar tudo nas mãos de um soldado! Sim! Vamos colocar nas mãos de um guerreiro todas as nossas aflições!

Quem é esse nosso santo?

A iconografia católica nos desenhou sua figura. Ela nos mostra um jovem vestido como soldado romano, com armadura, túnica e um manto vermelho. Nas mãos ele tem uma cruz onde pode-se ler a palavra latina: Hodie, que significa “hoje”.

Conta a história que Expedito recebeu a graça de conhecer e entregar-se a Jesus Cristo depois de adulto, enquanto servia ao exército romano em um alto posto militar.

Santo Expedito - Igreja de São José - Porto Alegre - Brasil.jpg

Imagem de Santo Expedito de André Arjonas Igreja de São José – Porto Alegre – Brasil

Tomando a resolução definitiva de converter-se à fé católica, o demônio, desejando continuar possuindo aquela alma de escol, apareceu-lhe em forma de um corvo que gritava “crás! crás!”. Palavras que ele entendia: “amanhã! amanhã!”. E que sabia o que o demônio queria dizer com isso: Deixe para amanhã sua conversão!

Rapidamente Expedito mostrou-lhe a cruz e exclamou bem alto: “Hoje”!

O maligno não suportou esse súbito e afirmativo gesto: a tentação foi afastada prontamente; o demônio foi vencido!

Por isso encontramos nas imagens do Santo aquela ave que representava o mal sendo esmagada sob os pés do centurião romano.

E é desse modo que o nosso intercessor Santo Expedito atende as nossas causas: pronta e rapidamente.

Ele é o santo das causas urgentes. É o patrono das causas materiais imperativas.

Mas, Expedito é também patrono de todas as almas que querem deixar logo as vias do pecado, do vício, da discórdia, da ira, da inveja, da impureza… E que as quer deixar, logo, imediatamente.

Não quer abandonar o mal “crás”, mas “hodie”!

Quer abandonar o mal logo! Hoje! E não, como sugere o demônio, amanhã! Depois, mais tarde, …nunca!

Dados como data e lugar de nascimento do Santo escapam aos historiadores, porém a pessoa de Expedito existiu, sua vida é comprovada.

Provavelmente ele era armênio e nasceu na pequena cidade de Metilene, onde também morreu como mártir.

Ele pertenceu a uma legião romana conhecida como “fulminante”. Uma legião que tinha como encargo defender e expulsar os bárbaros que ameaçavam o Império Romano.

Muitos dados históricos e heroicos dos legionários que dela faziam parte foram guardados mas, infelizmente, pouco ou quase nada restou da memória de seus chefes.

Sabe-se, porém, que, como verdadeiro cristão, o Centurião Santo Expedido, a tal ponto lutou com valentia, destemor e… santidade que seus feitos chamaram a atenção de todos e chegaram ao conhecimento do Imperador Deocleciano.

Esse ímpio Imperador, instigado por pessoas que lhe eram próximas, acabou por desatar uma perseguição sangrenta contra todos os cristãos. Por ódio à Fé ele matou parentes, autoridades religiosas, simples leigos e até soldados da Legião Romana que o protegia! Santo Expedito foi martirizado nessa perseguição.

E o nome Expedito? De onde vem?

Sabe-se que na Legião Romana havia duas categorias de soldados: os “expeditus, que tinham mais liberdade de ação quanto aos armamentos e comando de soldados, e os “impeditus”, que eram mais restritos, menos atuantes.

Pode ser que o nome de nosso santo venha desse seu modo de ser e das atribuições que tinha na Legião: Expeditus.

Mas há pessoas que atribuem nome por causa da personalidade corajosa, prontidão nas ações e fidelidade à Fé verdadeira que professava. Quando suas atitudes eram de um verdadeiro Legionário “Expeditus”.

Sendo cidadão romano e alto oficial do exército romano, podemos crer que foi com uma espada que seu martírio foi perpetrado.

Sua alma foi de encontro ao Salvador no dia 19 de abril de 303, da era cristã, quando Deocleciano era Imperador de Roma.

Santo Expedito o santo das causas urgentes.

Quantas vezes vivemos, em nossos dias, situações que necessitam de soluções urgentes, rápidas e definitivas.

Temos ao nosso lado um soldado, um guerreiro que intercede por nós junto a Deus Nosso Senhor.

Expedito, que em terra travou, valentemente, batalhas humanas; que enfrentou o próprio demônio, agora, do Céu, vem em nosso auxílio, em nosso socorro… rapidamente, logo, de um modo ligeiro, expedito!

Confiemos, portanto… Com fé peçamos aquilo de que mais precisamos. Peçamos por nós e também não nos esqueçamos de pedir pelos que são nossos e precisam de nossas orações.

Santo Expedito atende logo!

Como rezar a Santo Expedito? Pode ser com uma novena, como esta que abaixo sugerimos:

***

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Orações iniciais:

Ato de Contrição

Meu Pai e meu Senhor Jesus Cristo, caridade sem fim, eu sinceramente me arrependo dos meus pecados.

Concedei-me, portanto, o perdão dos meus pecados e a graça que peço pelos méritos das dores de Sua Mãe amorosa e pelas virtudes de Seu mártir Santo Expedito.

Oração a Santo Expedito

Oh, Santo Expedito, meu protetor! Eu coloco a minha esperança no fato de que minhas petições podem ser concedidas se forem para o meu próprio bem. Por favor, pedi ao Senhor, por intercessão da Virgem Santíssima, o perdão dos meus pecados e a graça de mudar a minha vida, particularmente a graça … (mencionar aqui a graça particular desejada). Eu prometo seguir seus exemplos e propagar esta devoção.

Oração final

(Reza-se a cada dia, no final da novena, do tríduo ou no dia que pedimos a graça)

Rezar três Pais-nossos em honra da Santíssima Trindade, 3 ave-marias e 3 glórias ao Pai.

Lembre-se, graciosa Virgem Maria que nunca se ouviu dizer que qualquer um que se refugiou sob vossa proteção, implorou a vossa ajuda e procurou vossa intercessão foi deixado desamparado. Inspirado por essa confiança, eu recorro a vós, Virgem das virgens, minha Mãe. Para vós eu venho, diante de vós estou, pecador e triste. Mãe do Verbo Encarnado, não desprezeis as minhas palavras, mas graciosamente ouvi-me e atendei a minha oração. Amém.

Rezar uma Ave Maria em honra de Nossa Senhora das Dores.

– Primeiro Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito! Pela fé viva que foi concedida por Deus, peço-lhe para despertar a mesma fé no meu coração, para que eu também acredite sinceramente que há Deus, mas muito especialmente para que eu possa ser salvo de pecar contra Ele.

– Segundo Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito! Pela esperança dada por Deus, orai para que aqueles de pouca fé possam ser modificados por alguns raios de esperança, para que eles também recebem as coisas eternas. Por favor, orai para que ardente esperança em Deus seja também me dada e me segure firme no meio de sofrimentos.

– Terceiro Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito! Pelo amor infinito que Nosso Senhor plantou em seu coração, por favor, retire do meu todos os grilhões atados pelo mundanismo, que sem eles eu possa amar somente a Deus em toda a eternidade. Amém.

– Quarto Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito, que sabia perfeitamente bem o ensinamento do Mestre Divino para carregar a cruz e segui-Lo! Peça-Lhe as graças de que eu preciso para que possa lutar contra as minhas próprias paixões.

– Quinto Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito, pelas graças abundantes que recebeste do céu, que possa me conservar todas as suas virtudes, concedei-me também que possa ser livre de todos os sentimentos que bloqueiam o meu caminho para o céu.

– Sexto Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito! Pelos sofrimentos e humilhações que recebeste para o amor de Deus, concedei-me esta graça também que é muito agradável a Deus e me liberta da raiva e da dureza de coração, que é a pedra de tropeço da minha alma.

– Sétimo Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito! Tu sabes que a oração é a chave de ouro que abrirá o Reino dos Céus, ensinai-me a orar de uma forma que é desejável a Nosso Senhor e ao Seu coração, para que eu possa viver somente para Ele, que eu possa morrer sendo d’Ele, e que eu possa orar somente a Ele em toda a eternidade.

– Oitavo Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito! Por meio de um desejo puro, que reinou em todos os seus sentimentos, palavras e ações, por favor, guiai-me na minha busca incessante para a glória de Deus e o bem dos meus semelhantes.

– Nono Dia

Oh, glorioso mártir Santo Expedito, que foi muito amado pela Rainha do Céu, que nada lhe foi negado, pedi a ela, por favor, oh meu advogado, que, pelos sofrimentos de seu Filho Divino e suas próprias tristezas, eu possa receber neste dia a graça que peço, mas, acima de tudo, a graça de morrer sem cometer algum pecado mortal. Amém.

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Fonte: Arautos do Evangelho

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PAZ DE CONSCIÊNCIA. QUEM NÃO QUER? – VÍDEO

Passou a Semana Santa. Se você não fez a confissão pela Páscoa, ainda é tempo. É uma boa ocasião para voltar a ter paz de consciência por meio de uma boa confissão.

Lembremo-nos que Jesus sofreu toda a Paixão e Morte para nos redimir. Ele, o Inocente, quis sofrer tudo quanto sofreu para que fôssemos salvos, e, enquanto vivos, fôssemos perdoados toda vez que caíssemos. Para voltarmos à amizade com Deus, Ele só pede que nos arrependamos sinceramente e recebamos a absolvição do sacerdote: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados”. (Jo 20, 23)

Para ajudá-lo a se preparar para essa confissão que lhe trará a paz, assista o vídeo a seguir, clicando na imagem.


Fonte: Arautos do Evangelho em Montes Claros

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O MARAVILHOSO PODER DA ÁGUA BENTA

Fazer devotamente o sinal-da-cruz com água benta traz incontáveis benefícios para o corpo e para a alma: afugenta os demônios, obtém o perdão dos pecados veniais, pode livrar-nos de acidentes e até curar doenças.

Afirmou-me um sacerdote amigo que inúmeros católicos, mesmo dos mais instruídos, não sabem para que serve a água benta. É pena! Por isso, não se beneficiam desse precioso instrumento instituído pela Igreja para ajudá-los em praticamente todas as circunstâncias e dificuldades da vida!

Para que serve?

Há várias formas de usá-la. A mais comum é persignar-se com ela. Outra é aspergi-la sobre si mesmo, sobre outras PIA DE AGUA BENTA..jpgpessoas, lugares ou objetos. Qualquer leigo ou leiga pode fazer isto. Naturalmente, quando feito por um sacerdote tem mais peso.

Seu efeito mais importante é afastar o demônio. Este “ronda em torno de nós como o leão que ruge”, procurando fazer- nos toda espécie de mal, como nos adverte São Pedro (I Ped 5,8). Os espíritos malignos, cujas misteriosas e sinistras operações afetam às vezes até as atividades físicas do homem, querem, antes de tudo, induzir-nos ao pecado grave, que conduz ao inferno. Para isto empregam todos os recursos. Às vezes, por exemplo, provocam em nós um sem número de incômodos físicos ou psicológicos.

Outras vezes provocam pequenos incidentes, em nosso dia-a-dia, criam atrapalhações que parecem ter causas meramente naturais.

Por exemplo, na hora de cumprir um dever, a pessoa sente um inexplicável mal-estar, um inesperado desânimo, uma estranha dor de cabeça… Em certas oportunidades, sem qualquer motivo, o marido fica repentinamente irritado contra a esposa, ou vice-versa, daí surge uma discussão e se quebra a paz do lar. Ou, então, o pai ou a mãe deixa-se levar por um movimento de impaciência e repreende duramente o filho, em vez de admoestá-lo com doçura. O filho se revolta, sai de casa. Está criado um problema! Tudo isso pode ser evitado afugentando o demônio com um simples sinal-da-cruz, feito com água benta. Quando você sentir uma irritação estranha, faça essa experiência, e preste atenção no efeito salutar que produz! Logo lhe voltará a serenidade.

Além do mais, a água benta é um sacramental que nos alcança o perdão dos pecados veniais, pode livrar-nos de acidentes (trânsito, assaltos, quedas), e ajuda até a curar doenças. O conhecido livro “Tesouro de Exemplos” conta que uma criança gravemente enferma ficou imediatamente curada ao receber a bênção de São João Crisóstomo com água benta.

A água benta, como todo sacramental, leva-nos a invocar, nas diversas circunstâncias do dia, o socorro do Divino Espírito Santo, para o bem de nossa alma e de nosso corpo.

Outro benefício muito interessante e pouco conhecido: ela pode ser usada eficazmente em proveito de pessoas que se acham distantes de nós. E mais, cada vez que a utilizamos para fazer o sinal da- cruz, na intenção das almas do purgatório, elas são aliviadas dos seus sofrimentos.

De onde vem esse poder maravilhoso?

Vem do fato de ser ela um sacramental instituído pela Santa Igreja Católica (ver box ao lado). O sacerdote benze a água, enquanto ministro de Deus, em nome da Igreja e na qualidade de representante dela, cujas orações nosso Divino Salvador sempre atende com benevolência.

É importante lembrar que para ser verdadeiramente água benta, ela precisa ser benzida pelo sacerdote segundo o cerimonial prescrito pela Igreja, no “Ritual de Bênçãos” e no próprio “Missal Romano”, ambos publicados pela CNBB.

São belas e altamente significativas as orações para a bênção da água. Por exemplo, esta: Senhor Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda a vida, abençoai esta água que vamos usar confiantes para implorar o perdão dos nossos pecados e alcançar a proteção da vossa graça contra toda doença e cilada do inimigo.

Concedei, ó Deus, que, por vossa misericórdia, jorrem sempre para nós as águas da salvação para que possamos nos aproximar de Vós com o coração puro e evitar todo perigo do corpo e da alma. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Portanto, não se esqueça!

É muito conveniente ter sempre consigo água benta para usar em qualquer circunstância. Por exemplo, benzer-se com ela ao sair e ao entrar na igreja, em casa ou no local de trabalho; ao iniciar uma oração, um serviço, uma viagem. Para afastar do lar a influência maléfica dos demônios, é muito aconselhável aspergir na casa algumas gotas de vez em quando. Isto pode ser feito por qualquer pessoa da família. É claro que pedir a um Padre para benzer a casa é muito melhor! Portanto, a água benta é sempre benfazeja e eficaz.

(Revista Arautos do Evangelho, Junho/2006, n. 30, p. 32 e 33)


Fonte: Arautos do Evangelho

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AS APARÊNCIAS ENGANAM

Esse é um dito da sabedoria popular, tantas vezes confirmado no nosso dia a dia. Seria válido para quem tivesse a alegria e a graça de conviver com Jesus?

Mesmo com base nos Evangelhos as respostas podem ser desencontradas: para uns Jesus era apenas “o filho do carpinteiro”, para outros era o Messias tão esperado, o Filho de Deus.

O artigo do Mons. João Clá, Fundador dos Arautos do Evangelho condensado a seguir pode esclarecer o assunto.

APARÊNCIA E REALIDADE (*)

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Na aparência, a vida de Jesus até cerca de 30 anos transcorreu como a de um homem comum. Velando os reflexos de sua divindade, ajudava o pai no serviço e era conhecido como “o filho do carpinteiro” (Mt 13, 55),

Embora Jesus e José fossem bem conceituados na pequena Nazaré, pela honestidade, perfeição e responsabilidade com que executavam seus trabalhos, é evidente que tal apreciação estava muito aquém de sua autêntica dignidade.

Entretanto, em certo momento morre São José e, algum tempo depois, Nosso Senhor começa o seu ministério, dirigindo-Se a cidades mais importantes do que Nazaré. Conforme narram os evangelistas, Ele “percorria toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo”(Mt 4, 23).

Sua fama logo se difundiu “por todos os lugares da circunvizinhança” (Lc 4, 37), de sorte que “onde quer que Ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-Lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de suas vestes” (Mc 6,56).

Jesus acalma a tempestade

Quando instruía o povo, “maravilhavam-se da sua doutrina, porque Ele ensinava com autoridade” (Lc 4, 32) e, ao operar milagres, provocava assombro a ponto de suscitar a exclamação das multidões: “Jamais se viu algo semelhante em Israel” (Mt 9, 33).

Uma simples ordem d’Ele fez cessar a tempestade e acalmou o mar, impressionando tanto os discípulos, que estes se perguntavam uns aos outros: “Quem é este Homem a quem até os ventos e o mar obedecem?” (Mt 8, 27).

Todavia, esse impacto por Ele causado produzia incômodo nos judeus. Por quê?

ESPERAVAM UM MESSIAS TEMPORAL

Fariseus

A classe mais alta da sociedade judaica era constituída pelos saduceus e fariseus, dois influentes partidos religiosos que se digladiavam. Enquanto os primeiros, acomodados aos privilégios de que gozavam, pouco se preocupavam com a vinda do Messias, os fariseus incutiam uma ideia equivocada, segundo a qual o principal objetivo do Salvador seria o de promover a supremacia político-social e econômica de Israel sobre todas as outras nações da Terra.

Ora, diversas características apresentadas por Nosso Senhor não coincidiam com tal anseio. Se, sob certo aspecto, Jesus superava as expectativas messiânicas, também é verdade que várias vezes a opinião pública mostrava-se chocada em relação a Ele.

Quando — depois da multiplicação dos pães e de ter caminhado sobre as águas — anunciou a Eucaristia, declarando: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que Eu hei de dar, é a minha Carne para a salvação do mundo” (Jo 6,51), os judeus se escandalizaram, pois interpretaram suas palavras no sentido de canibalismo. Inclusive, “desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com Ele”(Jo 6, 66).

Nesta mesma ocasião o Mestre perguntou aos Doze: “Quereis vós também retirar-vos?” (Jo 6, 67), como a dizer: “a opinião pública abandonou-Me; não quereis segui-la?”. E São Pedro Lhe respondeu: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6, 68).

UM MÉTODO PARA FORMAR OS APÓSTOLOS

Jesus cura um cego de nascença

A Paixão estava próxima e era preciso separar definitivamente os Apóstolos da sinagoga— da qual eram membros fervorosos —, deixando-lhes claro que a instituição que Ele vinha fundar levaria aquela à plenitude e seria a realização de todas as profecias da Antiga Lei.

Na pergunta formulada pelo Divino Mestre — “Que dizem os homens ser o Filho do Homem?” — podemos entrever o interessante método empregado para formar os Apóstolos.

Estes foram comprovando por si, ao ouvirem as pregações e presenciarem os milagres, o quanto Ele era um Mestre incomum. Entretanto, se não houvesse uma revelação, eles jamais cogitariam ser Jesus o próprio Deus! Nem sequer os Anjos, no estado de prova, chegariam a esta conclusão por si mesmos, pois o mistério da união hipostática é algo que escapa completamente não só à inteligência humana, como também à angélica. (1) Os demônios não tinham, por isso, uma noção clara a respeito da divindade de Cristo. (2)

Deste modo, velava aos olhos dos homens os fulgores de sua divindade, não permitindo que eles percebessem com clareza quem Ele era: a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, igual ao Pai e ao Espírito Santo.

A tal ponto que, na Última Ceia, São Filipe ainda pede a Jesus para lhes mostrar o Pai, e recebe d’Ele esta resposta: “Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheceste, Filipe! Aquele que Me viu, viu também o Pai” (Jo 14, 9).

“E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?”

Na segunda pergunta — “E vós, quem dizeis que Eu sou?” — é importante ressaltar como o Divino Mestre Se refere a Si mesmo, pois já não diz “o Filho do Homem”, mas indaga: “quem dizeis que Eu sou?”.

São Pedro, cujo temperamento expansivo o levava a dizer tudo quanto pensava, adiantou-se a responder: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”!

Jesus entrega as chaves a São Pedro

[Jesus lhe diz:] “Por isso Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la”

Com tais palavras Cristo dá a Pedro o poder divino, absoluto e inabalável, de sustentar a Santa Igreja e a garantia da infalibilidade, ao declarar que suas decisões na Terra serão ratificadas no Céu — “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus; tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus”. (Mt 16, 16-19)

O CARISMA DA INFALIBILIDADE

Graças ao carisma da infalibilidade o Sumo Pontífice não erra quando se pronuncia ex cathedra, “isto é, quando, no desempenho do múnus de pastor e doutor de todos os cristãos, define com sua suprema autoridade apostólica que determinada doutrina referente à Fé e à moral deve ser sustentada por toda a Igreja”.(3)

Dir-se-ia ser um perigo depositar tal tesouro nas mãos de um homem… Sim, caso não fosse Deus o Doador! Quem o entrega a São Pedro é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo e, na realidade, é Ele quem governa a Igreja.

Se nela houve abusos e desvios ao longo da História, foram por Ele permitidos para provar que, ainda que o elemento humano esteja presente, sempre prevalecerá o elemento divino.


(*) Título nosso.
(1) SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.57, a.5, ad 1; q.58, a.5.
(2) Idem, q.64, a.1, ad 4.
(3) DENZINGER, 3074. (Edição brasileira com base na 40ª edição alemã (2005), Ed. Paulinas e Loyola, São Pulo, 2007, p. 659-660)
(Condensado do artigo do Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, “A fé de Pedro, fundamento do Papado”, na revista “Arautos do Evangelho”, nº 152, de agosto de 2014), p. 8-15. Para acessar a revista Arautos do Evangelho do corrente mês clique aqui )
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…COMO O PAI É PERFEITO

No Evangelho Jesus tem esta frase: “sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).Algumas pessoas se questionam: “Como é possível ser perfeito como Deus? É impossível! O que quis Jesus dizer nesse aparente impossível?”

Numa homilia, o Mons. João Clá, Fundador dos Arautos do Evangelho, elucidou bem o assunto.

Explicava ele que, ao apontar assim uma meta infinita, Jesus quis deixar claro que para a perfeição, para a santidade, não há limites: por mais que avancemos nas vias das virtudes, jamais chegaremos a uma santidade semelhante à de Deus. Trata-se, portanto, de progredir nas virtudes tanto quanto possamos, com o auxílio da Graça. Apontando uma meta infinita, Jesus não deixa possibilidade de alguém julgar-se já chegado à inteira perfeição a que Deus o chama.

Foi tendo bem em vista essa meta ousada, lançada pelo Divino Salvador, que os Cooperadores dos Arautos do Evangelho da “Grande Vitória”, no estado do Espírito Santo, passaram a ter encontros periódicos de formação.

O mais recente, realizado na casa dos Arautos do Evangelho em Cariacica, iniciou-se com uma Missa celebrada pelo Pe. Cristian Bittencourt, EP, seguida de Adoração e bênção do Santíssimo Sacramento.

Seguiu-se uma palestra de formação e preparação para a evangelização característica dos Arautos do Evangelho, sempre inserida no contexto da Nova Evangelização.

A manhã de formação foi concluída com um almoço durante o qual, num clima de distensão e benquerença, os participantes manifestaram o quanto lhes foi útil e lhes falou à alma os vários momentos do Encontro. E manifestaram o desejo de que logo possam fazer outro Encontro…


Fonte: Arautos do Evangelho em Vitória

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O QUE ATRAIU DEUS À TERRA?

Devido a coincidência com a Semana Santa, a Igreja comemorou neste último dia 16, a Anunciação do Anjo e a Encarnação de Jesus no seio virginal de Maria Santíssima. Quantas vezes muitos de nós rezamos o terço sem meditarmos um pouco no significado do mistério contemplado em cada dezena…

A Anunciação e Encarnação constituem acontecimentos dos mais altos de toda a História: o Filho de Deus se fez homem e habitou entre nós. É o início da história da Redenção concluída com a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

Vejamos um dos aspectos deste mistério.

A HUMILDADE DE NOSSA SENHORA E A ENCARNAÇÃO

Durante a permanência da Virgem Maria no Templo, onde passara a viver desde os quatro anos, em suas altíssimas meditações tornou-se bem claro para Ela a infinita santidade de Deus e portanto a “distância” que A separava da perfeição divina. Maria Santíssima contemplando o Criador, sentia a própria pequenez, embora fosse a mais excelsa das criaturas, superior mesmo aos mais altos Anjos.

Nascimento de Jesus

Por mais elevada que é, Maria considerava-se, como diz São Luiz Grignion de Montfort, “menos que um átomo, um nada, pois só Ele [Deus] é ‘Aquele que é’ (Ex 3. 14)” ⁽¹⁾. Qualquer ser criado, mesmo o maior deles, é finito, limitado, face a Deus, infinito, eterno e todo poderoso.

Por outro lado. Nossa Senhora conhecia a promessa divina de que o Messias nasceria de uma descendente de Davi — e Ela o era —, mas devido a sua profunda humildade, julgou que jamais poderia ser antepassada do Messias e, menos ainda, a própria Mãe d’Ele. Por esta razão fez o voto de virgindade, renunciando deste modo a estas altíssimas dignidades.

Observe-se que entre as moças descendentes de Davi, era um ponto de honra casar-se: “A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d’Aquele que havia de restaurar o reino de Israel” ⁽²⁾.

Foi essa renúncia por humildade, uma das causas da atitude de Maria ao aparecer-lhe o Anjo, saudá-La e anunciar-Lhe que conceberia o Messias.

Nossa Senhora do Brasil – São Paulo

A humildade de Maria, renunciando à maternidade ao fazer o voto de virgindade, levou Deus a dar-Lhe o maior dos privilégios concedidos a uma mulher: ser Mãe do Messias, Jesus, o Filho de Deus.

Vê-se ainda a humildade de Maria na sua atitude ao aceitar o desígnio de Deus: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Aqui também ocorre o mesmo: a humildade de Maria, declarando-se “escrava do Senhor”, leva Deus feito homem a depender d’Ela para ser gestado, amamentado, ninado, etc, quando pequeno, e, mesmo já crescido o Evangelho afirma: “era-lhes submisso” (Lc 2, 51). Ainda nesse sentido, lembremos que Jesus conviveu trinta anos com Nossa Senhora, e dedicou apenas três à sua missão pública.

Em contraste com essas cogitações, hoje, sob a capa de uma pretensa liberdade, que não passa de escravidão ao pecado e às paixões desordenadas, uma multidão de homens se ufana em escolher o caminho da desobediência aos Mandamentos e conselhos do Senhor. E, cabe perguntar, não será essa uma das causas mais profundas da rápida deterioração do mundo atual?

⁽¹⁾ São Luís Maria Grignion de Montfort, “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, Ed. Vozes, Petrópolis, 2012, 42ª edição, nº 14, p. 27.
⁽²⁾ Michel Gasnier, José, o silencioso, Quadrante, São Paulo, 1995, p. 42.
Ilustrações: Arautos do Evangelho, Vitor Domingues, Timoty Ring.

Fonte: Arautos do Evangelho em Montes Claros

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SANTA TERESA DE LOS ANDES: ESCRAVA DE MARIA

Quais eram os anseios mais profundos de Juanita Fernandez del Solar, essa moça carinhosa e bela, que nos deleita com seu trato afetuoso e alegre? Sua alma, excessivamente pura para ficar no mundo, ansiava se converter em esposa mística de Cristo.

Observe, leitor, a fotografia abaixo de Juanita Fernández del Solar. É uma jovem de 18 anos, nas vésperas de entrar para um austero convento carmelita no qual tomou o nome de Irmã Teresa de Jesus. Viveu santamente nesse convento durante nove meses apenas. Morreu aos 19 anos, como vítima expiatória pelos sacerdotes, por sua família, pela sociedade em que brilhara. E hoje é conhecida e venerada em todo o mundo como Santa Teresa de los Andes.

Numa primeira vista, sua fisionomia agrada. Ela é bela e acolhedora. Em seu rosto, ainda muito jovem, destacam-se luminosamente seus lindos olhos azuis. Embora aristocráticos e altivos, cientes de seu próprio valor, eles não rejeitam quem está diante de si. Pelo contrário, parecem nos acolher, nos introduzir na presença desta jovem, não de uma forma protocolar como quem diz: “Prazer em conhecê-lo”, mas envolvendo-nos com um afeto suave e discreto de tal forma que, após alguns segundos contemplando-a, nos sentimos como se ela já fizesse parte de nossa vida.

A fotografia denota uma pureza alcandorada, uma inocência reluzente. Juanita até dá a impressão de que a Providência a tenha limpado do pecado original já nos primeiros instantes de sua vida. Como todas as impressões, estas têm algo de pessoal, mas por certo o efeito que esta fotografia produz em nós tem muito a ver com a jovem por ela representada.

Alma contemplativa

Menina bela e encantadora, alegre e comunicativa, ela era o centro de todos os ambientes na aristocrática sociedade chilena de início de século.

Primeira santa carmelita latino-americana, Santa Teresa de los Andes nasceu em Santiago do Chile, em 13 de julho de 1900, numa família católica e aristocrática. “Jesus não quis que eu nascesse como Ele, pobre. E nasci no meio das riquezas, mimada por todos” – escreve em seu diário.

Seus biógrafos coincidem em ressaltar que ela era sempre o centro das atenções onde estivesse, pela sua amabilidade, graça e simpatia. Era alegre e comunicativa, mas também séria e de um temperamento enérgico.

        Suas brincadeiras eram animadas e entusiasmadas. À sua casa acorriam muitos parentes e amigos. Uma tarde anunciou a todos os seus irmãozinhos e primos que presenciariam algo nunca visto por olhos humanos. Eles teriam o privilégio de assistir à Assunção da Santíssima Virgem. Os meninos se puseram diante de uma mesa sobre a qual estava uma imagem de porcelana da Virgem Maria, com uma coroa de metal. Juanita escondeu-se atrás de um biombo e “magicamente” a imagem começou a subir, ante a admiração dos pequenos, até desaparecer por trás de um cortinado. O “milagre” tinha sido operado por Juanita por meio de um delgado fio amarrado na coroa da imagem.

Quando se tratava de brincar, era a primeira de todas, a mais animada, a mais alegre, a mais ativa. Na fazenda Chacabuco, de seus pais, andava a cavalo montada de lado como uma grande dama. Era difícil ultrapassá-la nos passeios a galope com seus irmãos e primos. Nas férias, no balneário de Algarrobo, perto de Valparaíso – num ambiente de pudor e compostura hoje difícil de imaginar – era ela uma ousada nadadora. Jogava tênis. Fazia caminhada com as amigas.

Mas sobretudo contemplava. Em carta a uma amiga, escrevia: “Não podes imaginar paisagens mais bonitas que as que víamos… colinas cobertas de árvores e no fundo uma abertura onde se via o mar, sobre o qual se refletiam nuvens de diversas cores. E, por trás, o sol ocultando-se. Não podes imaginar coisa mais bela, que faz pensar em Deus, que criou a terra tão formosa. Que será o Céu? – pergunto-me muitas vezes.”

E à Madre Priora do Carmelo que a iria acolher, contava: “O mar, em sua imensidade, me faz pensar em Deus, na sua infinita grandeza. Sinto então uma sede do infinito.” Estando já no Carmelo, e sabendo que sua mãe passaria férias de novo na mesma praia, lhe escrevia: “Cada vez que a senhora olhar o mar, ame a Deus por mim, mãezinha querida.”

Festejada por todos

Suas companheiras de aula a descrevem como sendo uma moça alegre e amável, suave no trato, de maneiras muito finas, firme e constante na ação. Entretida e divertida por seu caráter alegre e sem complicações. Muito bonita, com belos olhos azuis, nariz bem cortado, tez branca, bastante alta. Todas a festejavam. Tinha uma bela voz de contralto e sempre lhe pediam que cantasse.

Durante as férias na fazenda, muito cedo se dirigia à capela para saudar o Senhor Sacramentado e tocar o harmônio como forma de oração. Durante as tardes, após o rosário em família, pediam-lhe para tocar também o harmônio, o que ela fazia com encanto de todos, mas sobretudo de Deus. Escrevia muito bem, e no colégio obtinha as melhores notas em literatura, história, religião e filosofia. Suas colegas sempre procuravam sua companhia e a chamavam carinhosamente de Mater admirabilis.

O afeto e o carinho familiar que uma sociedade perdeu

Na vida hostil, impura e materialista de nossos dias, é difícil entender o que era o afeto existente nas famílias católicas, há poucas décadas. Vejamos, a título de amostra, alguns trechos de uma carta que Juanita escreveu a seu pai, o qual ficara no campo trabalhando, enquanto a família passava férias de verão no balneário de Algarrobo. Depois de narrar-lhe belos passeios e exercícios de natação, Juanita manifesta a seu pai seu filial carinho: “Como o senhor vê, paizinho, não falta mais que o senhor para sermos felizes. Enquanto nós nos divertimos aqui, o senhor está trabalhando, de sol a sol, para nos proporcionar comodidade. Não temos, paizinho, meio de lhe pagar, pois é grande demais seu sacrifício. Mas nós, seus filhos, compreendemo-lo e o enchemos de carinho e cuidados, pois achamos que esta é a melhor maneira de agradecer a um pai. Por que não vem aqui pelo menos por uns dias? Não sabe a tristeza que me dá quando vejo as outras meninas felizes com seus papais. Por favor, venha, pois nós o temos tão pouco durante o ano!”

Em outra carta, assim se despede do pai: “Receba, paizinho, abraços e beijos de mamãe e de meus irmãos, mais mil beijos e carinhos desta sua filha que mais lhe quer e que se lembra a cada momento de seu paizinho querido.”

O Pai, por sua vez, mostra a reciprocidade do afeto, numa carta escrita depois de a ter autorizado a entrar no Carmelo:

“Minha filhinha querida,

“Recebi as duas cartas pelo que muito te agradeço, embora me façam tanto sofrer, ao pensar que quem me escreve e que me toca desta forma a alma vai se separar de mim para sempre. Mas o sacrifício está feito e eu o ofereci a Deus para que me perdoe por aquilo em que eu O tenha ofendido na minha vida. E como o sacrifício é tão grande, Ele o vê e o terá em conta.

“Minha querida filhinha, não sabes o bem tão grande que tuas cartas me fazem, não só agora, mas antes mesmo de tua resolução, porque via nelas tanto carinho e ternura. Elas me deram nova vida e desejo de trabalhar por teus irmãos (…)

“Feliz, tu, mil vezes, minha filhinha, que te consideras feliz e sentes essa paz de alma que tão poucos podem sentir e que há tanto tempo foge de mim. Só desfruto algo dela depois das férias que passamos juntos na intimidade (…)

“Não creias em nenhum momento, minha querida filhinha, que me tenha arrependido de haver-te dado meu consentimento. Muito pelo contrário. Pois creio que as preces de uma alma tão pura como a tua serão ouvidas por Deus, e elas me acompanharão o resto de minha vida e serão meu melhor refúgio para me preservar dos muitos perigos. E não te esqueças jamais que meu pensamento te acompanhará noite e dia (…) Que Deus me mande todas as provas e sofrimentos e os afaste de ti.

“Não te canses, minha filhinha, de continuar pedindo por teu pobre papai… Para ti, um milhão (de beijos e abraços) de teu pai que não te esquece um instante.”

As graças místicas iluminaram toda a sua vida

A vida de Santa Teresa dos Andes foi marcada pela intensa alegria de viver, pela grande devoção a Nossa Senhora e pelo infinito amor por Jesus

Aos dez anos a pequena Juanita fez sua Primeira Comunhão. Desde então, como ela revelou a seu confessor, o Pe. Antonio Falgueras, SJ, “Nosso Senhor me falava depois de comungar; dizia-me coisas das quais eu não suspeitava. E quando eu Lhe perguntava, me revelava coisas que iam suceder e que de fato aconteciam. Mas eu achava que ocorria o mesmo com todas as pessoas que comungavam.”

Em carta a seu pai, pedindo permissão para ser carmelita, narra: “Desde pequena amei muito a Santíssima Virgem, a quem confiava todos os meus assuntos. Só com Ela me desafogava. Ela correspondeu a esse carinho; protegia-me, e escutava sempre o que eu lhe pedia. E Ela me ensinou a amar Nosso Senhor (…) Um dia (…) ouvi a voz do Sagrado Coração que me pedia que eu fosse toda d’Ele. Não creio que isso tenha sido uma ilusão, porque nesse mesmo instante me vi transformada: aquela que procurava o amor das criaturas, não desejou senão o de Deus.”

Já no Carmelo de Los Andes, escreve ao Padre Colom, SJ: “Também Nosso Senhor se apresenta a mim, às vezes, interiormente e me fala. Durante aproximadamente uma semana, vi-O na agonia, mas de uma maneira tal como jamais teria sonhado. Sofri muito, porque essa imagem me aparecia constantemente e me pedia que O consolasse. Depois foi o Sagrado Coração, no tabernáculo, com o rosto muito triste. E, por último, no dia do Sagrado Coração, apresentou-Se a mim com uma ternura e beleza tal que minha alma se abrasava em seu amor.”

Escrava de Maria, grandes provações

A jovem Juanita ingressou no convento de Los Andes no dia 7 de maio de 1919, tomando o nome de Irmã Teresa de Jesus. Fez votos de pobreza, obediência e castidade em 27 de junho e recebeu o hábito de noviça em 14 de outubro do mesmo ano. No dia 8 de dezembro, consagrou-se como escrava de Maria, segundo o método ensinado por São Luís Grignion de Montfort. Doravante, seus atos e sacrifícios seriam todos para Nossa Senhora. “Combinei com a Santíssima Virgem que Ela passasse a ser meu sacerdote, que me oferecesse a cada momento pelos pecadores e pelos sacerdotes, mas banhada com o sangue do Coração de Jesus” – escreveu.

No curto tempo passado por Juanita no convento, sua superiora, com um extraordinário senso das almas, determinou que continuasse seu apostolado por meio de cartas à sua família e às suas amigas. Os resultados não se fizeram esperar. Sua mãe se fez terciária carmelita. Sua irmã menor, Rebeca, ingressou no mesmo convento, meses após a morte da Irmã Teresa. Várias de suas amigas, moças da melhor sociedade, tinham por ela tal estima e admiração que decidiram também consagrar suas vidas a Jesus, no Carmelo ou em outros institutos religiosos. Atravessando crises e ambientes adversos, perduram até hoje os efeitos de seu bom exemplo, atraindo muitas jovens para a vida contemplativa e para as atividades de apostolado leigo na sociedade.

No dia 1º de abril de 1920, a Irmã Teresa adoeceu gravemente. Ante a iminência de sua morte, e dada a santidade de sua vida, a Superiora permitiu que fizesse os votos de carmelita professa e Esposa de Cristo, in articulo mortis, no dia 7 desse mês.

Mas estavam por vir as grandes provações espirituais que uma vítima expiatória costuma receber. Quis Deus que ela, como outros santos, sofresse a terrível sensação de ter sido não só abandonada mas condenada por Ele. Assim, ardendo em febre, fazia esforços para retirar seu escapulário e afastar os objetos de piedade que a rodeavam. Num tom de voz acabrunhador, exclamou: “Nunca pensei que a Santíssima Virgem fosse me abandonar!”. Depois de certo tempo de luta terrí­vel, foi-se acalmando aos poucos, até que num momento disse sorrindo, como se tivesse uma visão: “Meu esposo!” … Morreu suavemente três dias depois, em 12 de abril de 1920.

De forma inesperada, o povo da cidade de Los Andes acorreu em grande número ao velório dessa até então desconhecida freira, que vivera apenas nove meses no Carmelo. Todos pediam para tocar seus objetos de piedade no corpo da “santa”, todos recebiam graças de paz, de benquerença, de afervoramento e de piedade.

Em 3 de abril de 1987, S.S. João Paulo II beatificou a Irmã Teresa. Sua fama de santidade cresceu de forma impressionante no Chile e em todo o mundo, sem que ninguém se preocupasse em difundi-la. Por fim, o mesmo Papa a canonizou, no dia 21 de março de 1993. Um imponente santuário foi construído em sua honra, tendo como fundo de quadro uma grandiosa vista da Cordilheira dos Andes. (Revista Arautos do Evangelho, Fev/2003, n. 14 e Março/2003, n. 15)

Clique no vídeo para assistir

 


Fonte: Arautos do Evangelho

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OS ANJOS NA VIDA DOS SANTOS

Nossos Anjos guardiães estão ao lado de cada um de nós, incansáveis, solícitos, bondosos, prontos a nos ajudar em tudo quanto precisarmos, quer sejam necessidades materiais ou espirituais. Vejamos alguns exemplos de pessoas favorecidas com a graça de ver o seu Anjo da Guarda e com ele conversar repetidas vezes ao longo da vida.

Por certo, em nossos conturbados dias, isso contribuirá para aumentar em nós a devoção ao nosso melhor amigo, e nos estimulará a recorrermos com mais empenho ao seu concurso.

Santa Gemma Galgani (1878-1903) teve a constante companhia de seu Anjo protetor, com quem mantinha um trato familiar. Ela o via, rezavam juntos, e ele até mesmo deixava que ela o tocasse. Enfim, Santa Gemma tinha seu Anjo da Guarda na condição de um amigo sempre presente. Ele lhe prestava todo tipo de ajuda, até mesmo levando mensagens para seu confessor, em Roma.

Este sacerdote, o padre Germano de Santo Estanislau, da Ordem dos Passionistas, fundada por São Paulo da Cruz, deixou Santa Gemma Galgani..jpgnarrado o convívio de Santa Gemma com seu celeste protetor: “Frequentes vezes ao perguntar-lhe eu se o Anjo da Guarda permanecia sempre no seu posto, ao lado dela, Gemma voltava-se para ele com um à vontade encantador e logo ficava num êxtase de admiração todo o tempo que o fixava”.1 Ela o via durante todo o dia. Ao dormir pedia-lhe que velasse à cabeceira da cama e que lhe fizesse um sinal da Cruz na fronte. Quando despertava, pela manhã, tinha a imensa alegria de vê-lo a seu lado, como ela mesma contou a seu confessor: “Esta manhã, quando acordei, lá o tinha junto de mim”.2

Quando ia se confessar e precisava de auxílio, sem demora seu Anjo a ajudava, segundo conta: “[Ele] me traz ao espírito as ideias, dita-me até algumas palavras, de forma que não sinto dificuldade em escrever”.3 Além disso, seu Anjo da Guarda era um sublime mestre de vida espiritual, ensinando-a como proceder retamente: “Lembra-te, minha filha, que a alma que ama a Jesus fala pouco e abnega-se muito. Ordeno-te, da parte de Jesus, que nunca dês o teu parecer se não te for pedido, e que não defendas a tua opinião, mas que cedas logo”. E ainda acrescentava: “Quando cometeres qualquer falta, acusa-te logo dela sem esperares que te interroguem. Enfim, não te esqueças de resguardar os olhos, porque os olhos mortificados verão as belezas do Céu”.4

Apesar de não ser religiosa, levando uma vida comum, Santa Gemma Galgani desejava, entretanto, consagrar-se de maneira mais perfeita ao serviço de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém, como às vezes pode acontecer, o simples anseio de santidade não basta; é preciso a sábia instrução de quem nos guia, aplicada com firmeza. E assim acontecia a Santa Gemma. Seu suavíssimo e celeste companheiro, que a todo tempo estava sob seu olhar, não colocava de lado a severidade quando, por algum deslize, sua protegida deixava de seguir as vias da perfeição. Quando, por exemplo, resolveu usar algumas joias de ouro, com certo comprazimento, para visitar um parente de quem as havia recebido de presente, ouviu uma salutar admoestação de seu Anjo, ao regressar a casa, que a olhava com severidade: “Lembra-te que os colares preciosos, para enfeite da esposa de um Rei crucificado, só podem ser seus espinhos e sua Cruz”.5 Fosse qual fosse a ocasião em que Santa Gemma se desviasse da santidade, logo uma angélica censura se fazia ouvir: “Não tens vergonha de pecar na minha presença?”.6 Além de custódio, bem se vê que o Anjo da Guarda desempenha o excelente ofício de mestre de perfeição e modelo de santidade.

Trinta anos de convívio com o Anjo da Guarda

Os olhos percorriam atentamente as linhas do texto e, de quando em quando, mais uma página era virada. Em torno reinava o silêncio, entrecortado às vezes por algum som típico de uma cidade do interior, no início do século passado. Estamos em 1917. Uma jovem, com seus 17 anos, tranquila, estuda numa sala próxima à entrada de casa. Era mais uma quente noite de verão em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai.

A porta da rua se encontrava aberta, talvez com a finalidade de arejar um pouco o ambiente, castigado pelo abafamento característico dessa época do ano. Os criados estavam ocupados nos afazeres domésticos, longe daquela parte da casa.Cecy Cony.jpgConcentrada na leitura, nem mesmo percebeu a entrada de um estranho na dependência, o qual se postou do outro lado da mesa diante da qual estava. A surpresa foi tão grande quando, ao levantar os olhos do livro, divisou um homem, com sinais de embriaguez, que agarrava com as duas mãos a borda da mesa. Era forte e alto, mal-encarado e olhar covarde. Envolvendo a cintura com uma faixa, ali levava presa uma faca, como é costume usar nessa região.

O forasteiro permaneceu algum tempo a observar a moça, meio aturdida por tal visão, e depois foi rodeando a mesa na direção dela, sem deixar de se apoiar. Quebrou o silêncio reinante e disse em espanhol: “Tú hablas, yo te estrangulo”.7

O terror se apoderou da moça, que nada pôde dizer, a não ser umas poucas palavras a meia voz: “Meu novo amigo!”. No mesmo instante sentiu pousar sobre o ombro uma mão, aquela mesma que, por vezes, sentira em outras ocasiões de desalento. Era seu fiel Anjo da Guarda que, ao lhe tocar no ombro, lhe restituía como que por encanto a tranquilidade, dissipando com incrível rapidez o terror que sentia. Teve, com isso, forças para se levantar e correr ao encontro de Acácia, uma das empregadas da casa, enquanto o temido homem fugia, derrubando na fuga uma cadeira, com grande barulho.8

Fatos como o que acaba de ser descrito ocorreram na vida de Cecy Cony, uma brasileira nascida em 1900, na cidade de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Brasil, e mais tarde religiosa na Congregação das Irmãs Franciscanas da Penitência e da Caridade Cristã, onde ingressou com o nome de Maria Antônia. Foi dotada de grande quantidade de dons, entre os quais tem primazia a graça de ver o Anjo da Guarda desde os cinco anos de idade.                                    

Ainda mais próximo de nós, encontramos São Pio de Pietrelcina (1887-1968), dotado de muitos dons místicos, inclusive o dos estigmas, isto é, as chagas da crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, e grande incentivador da devoção aos Anjos da Guarda. Em diversas ocasiões ele recebeu recados dos Anjos da Guarda de pessoas que, à distância, necessitavam de algum auxílio dele.

Um senhor de nome Franco Rissone, sabendo do constante empenho de São Pio para que houvesse maior devoção aos São Pio de Pietrelcina.jpgcelestes custódios, todas as noites, do hotel onde estava hospedado, enviava seu Anjo da Guarda ao padre Pio para que lhe transmitisse as mensagens desejadas. Franco duvidava que o Santo ouvisse seus recados. Certo dia, ao se confessar com São Pio, perguntou: “Vossa Reverendíssima ouve realmente o que lhe mando dizer pelo Anjo da Guarda?”. Ao que o religioso respondeu: “Mas então julgas que estou surdo?”.10

As incertezas de muitos com relação ao convívio de São Pio de Pietrelcina com os Santos Anjos, apesar de não indicarem confiança, serviam, entretanto, para ressaltar ainda mais esta sua familiaridade com os Anjos.

Certa senhora, de nome Franca Dolce, resolveu perguntar a São Pio o seguinte: “Padre, uma destas noites mandei o Anjo da Guarda tratar com Vossa Reverendíssima uns assuntos delicados. Veio ou não veio?”. Respondeu o confessor: “Julgas, porventura, que o teu Anjo da Guarda é tão desobediente como tu?”. A senhora, querendo saber mais, acrescentou: “Bom, então, veio; e o que é que ele lhe disse?”. São Pio respondeu: “Ora essa, disse-me o que tu lhe disseste que me dissesse”. Não contente com a resposta, a senhora tornou a perguntar: “Mas o que foi?”. São Pio respondeu: “Disse-me…”, e então repetiu com exatidão todas as palavras que a senhora ditara ao Santo Anjo, para surpresa dela mesma.11

Ainda mais eloquente é o fato ocorrido com outra senhora, chamada Banetti, camponesa residente a alguns quilômetros de Turim, na Itália. No dia 20 de setembro, data em que se comemorava a recepção dos estigmas do padre Pio, era costume as pessoas mais devotadas do santo confessor lhe enviarem cartas das mais variadas partes da Itália e até de outros países.

A senhora Banetti não encontrou quem fosse à cidade para pôr sua carta no correio. Encontrava-se aflita por não poder enviar seus cumprimentos a São Pio. Lembrou-se, entretanto, da recomendação que lhe fizera o Santo, na última vez em que com ele estivera: “Quando for preciso, manda teu Anjo da Guarda ter comigo”.12 No mesmo instante dirigiu uma prece a seu celeste guardador: “Ó meu bom Anjo, levai vós mesmo os meus cumprimentos ao padre, pois não tenho outra forma de mandá-los”.13 Poucos dias depois, a senhora Banetti recebe uma carta vinda de San Giovanni Rotondo, lugar onde vivia São Pio, enviada pela senhora Rosine Placentino, com as seguintes palavras: “O padre pede-me que lhe agradeça em seu nome os votos espirituais que lhe enviaste”.

Santa Francisca Romana, nascida em 1384 no seio de uma distinta família, era uma alma especialmente favorecida por Deus, desde a juventude. Tal obséquio da Divina Providência se tornou ainda mais notável quando, depois da morte de um de seusSanta Francisca Romana.jpg filhos, chamado Evangelista, passa a ter convívio diário com seu “zeloso guardador”.

Certa noite encontrava-se ela a dormir e, quase ao raiar do dia, o quarto foi inundado por uma grande claridade, em meio à qual apareceu o filho Evangelista, falecido havia quase um ano, com uma formosura incomparavelmente maior do que a manifestada nesta Terra. Ao lado de Evangelista estava também outro jovem ainda mais formoso: era o Anjo da Guarda deste.

Passados alguns instantes em que permanecera atônita com a visão, tomada de alegria, pergunta a Evangelista onde estava, o que fazia e se ainda se lembrava de sua mãe. Olhando para o Céu, ele responde: “Nossa ocupação é contemplar o abismo eterno da bondade divina, louvar e bendizer sua majestade com transportes de alegria e amor. Inteiramente absortos em Deus nessa celeste beatitude, não somente não sofremos dor, como não podemos tê-la e gozamos de uma paz que durará sempre. Não queremos, nem podemos querer senão o que sabemos ser agradável a Deus, que é nossa inteira e única beatitude. Saiba que os coros que estão acima de nós nos manifestam os segredos divinos”.15 Foi então que disse à sua mãe o lugar onde se encontrava no Céu: o segundo coro da primeira hierarquia, isto é, entre os Arcanjos. Acrescentou também que o outro jovem, mais formoso, estava em grau mais elevado no Céu, razão de seu maior esplendor, e que havia sido designado por Deus para a consolar em sua peregrinação terrena. Permaneceria com ela perpetuamente e, doravante, poderia ter a consolação de vê-lo dia e noite, sem cessar. (Excertos do livro “A Criação e os Anjos”, Coleção “Conheça a sua Fé”, v.III) – Revista Arautos do Evangelho, Julho/2015, n. 163, p. 22 a 25.


Fonte: Arautos do Evangelho
TV Arautos

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NA BAHIA, FIÉIS CELEBRAM OS 273 ANOS DA DEVOÇÃO DO SENHOR DO BONFIM

No próximo dia 18 de abril, os fiéis soteropolitanos comemoram os 273 anos da Devoção do Senhor do Bonfim. Os festejos serão antecipados e acontecem a partir deste sábado, 7 de abril.

Na Bahia, fiéis celebram os 273 anos da Devoção do Senhor do Bonfim.jpg

Na ocasião, haverá às 17h a missa mensal dedicada ao grupo católico, que foi responsável pela construção e manutenção da Basílica Santuário do Nosso Senhor do Bonfim, bem como pelo desenvolvimento da região de Itapagipe.

Criada em 1745 por um grupo de leigos católicos, a Devoção do Senhor do Bonfim tem como intuito de propagar no Brasil o culto ao Senhor do Bonfim e a Nossa Senhora da Guia.

Teodhósio Rodrigues Farias foi o responsável pela fundação do movimento. Naquela época, o capitão da Marinha Mercante portuguesa, após salvar-se de um naufrágio, fez promessas de construir um templo inspirado na igreja existente na cidade de Setúbal, em Portugal.

Francisco José Pitanga Bastos, o 95º juiz da devoção, revelou que a irmandade, hoje com 126 membros, é proprietária e responsável pelo conjunto arquitetônico, tombado pelo Patrimônio Nacional.

“A Devoção cuida das imagens, promove o culto ao Senhor do Bonfim, gerencia o centro administrativo, centro comunitário e um conjunto de empreendimentos no entorno do santuário”, explicou Francisco. (LMI)

Clique acima para ouvir

Glória a ti neste dia de glória
Glória a ti, redentor, que há cem anos
Nossos pais conduziste à vitória
Pelos mares e campos baianos

Desta sagrada colina
Mansão da misericórdia
Dai-nos a graça divina
Da justiça e da concórdia

Glória a ti nessa altura sagrada
És o eterno farol, és o guia
És, senhor, sentinela avançada
És a guarda imortal da Bahia

Desta sagrada colina
Mansão da misericórdia
Dai-nos a graça divina
Da justiça e da concórdia

Aos teus pés que nos deste o direito
Aos teus pés que nos deste a verdade
Canta e exulta num férvido preito
A alma em festa da tua cidade

Desta sagrada colina
Mansão da misericórdia
Dai-nos a graça divina
Da justiça e da concórdia


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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SANTO DO DIA: SANTA GEMMA GALGANI

SANTA GEMMA GALGANI - Arautos do Evangelho

“Se todos soubessem como Jesus é belo, como é amável, não procurariam senão o seu amor. Nosso coração é feito para amar uma só coisa: nosso grande Deus”.

Gema Maria Humberta Pia Galgani teve seu nome escolhido pelo tio e padrinho Maurício, que nele reuniu a pedra preciosa e as homenagens à Virgem, ao rei da Itália e ao Papa recém-falecido, além do nome de família. Nascida a 12 de março de 1878, recebeu o santo batismo no dia seguinte, cercada por vários familiares que nunca imaginariam a vida de sofrimento daquela menina que se tornaria uma destacada santa na família passionista, fundada por São Paulo da Cruz.

PERSONALIDADE DE SANTA GEMA

Diversos registros fotográficos evidenciam Santa Gema como dotada de uma impressionante profundidade de reflexão. Nota-se que seus pensamentos não são deste mundo. Vê-se nela o desapego das coisas terrenas, unido a uma extraordinária dignidade e uma castidade virginal.

INFÂNCIA

Gema, ainda pequena, acompanhou o sofrimento de sua mãe Aurélia, vítima de tuberculose (doença que ceifava muitas vidas no século XIX). A menção a Dona Aurélia esteve presente no início das experiências místicas de Gema, o que ocorreu em seguida à sua crisma, quando sentiu uma voz interior lhe indagar: “Gema, dá-me tua mãe?” A resposta da jovem, então com sete anos de idade, foi a seguinte: “sim, se me levares com ela”. Mas a condição não teve concordância: “Por enquanto terás de ficar com o teu papai. Tua mãe, vou levá-la para o céu. Dá-me de boa vontade?” E Gema, sem alternativa, aceitou, mas Dona Aurélia só partiu para a Casa do Pai dezesseis meses depois, após longo definhamento físico paralelo a um notável engrandecimento espiritual que a preparou para passar à eternidade.

Com a idade de nove anos Gema recebe a Primeira Eucaristia mas, nos dias que antecederam a recepção desse Sacramento, ao receber a catequese ministrada por uma religiosa sentiu uma profunda pena e compaixão ao ouvir falar da flagelação de Jesus e de sua coroação com espinhos. Isso lhe causou uma febre e a deixou acamada no dia seguinte.

FALSAMENTE ACUSADA DE SOBERBA

“Tia, a madre superiora disse-me: ‘Gema, minha gemazinha, esta manhã cometeste um pecado de soberba’. Tia, diga-me como se comete um pecado de soberba?” Esse fato, registrado por Gema, foi depois testemunhado por sua tia Elisa, a qual perguntou à pequena o que houvera feito. “Não sei! Eu não sei o que é um pecado de soberba”. Tal acusação, que foi uma grande prova interior para a inocente Gema, havia sido feita pela madre superiora apenas para a experimentar, como depois ela própria esclareceu, mas essa difamação da inocente menina como “soberba” se difundiu entre algumas pessoas. Na canonização de Gema a religiosa Julia Sestini ali estava para prestar homenagem à nova Santa, a quem indevidamente rotulara de soberba…

GUARDAR A PUREZA

Aos dezoito anos Gema emitiu privadamente o voto de castidade. Nessa idade começou a olhar detalhadamente para seu futuro, querendo entregar-se totalmente a Jesus. Certo dia, ao contemplar atentamente o Crucifixo, passou por um sofrimento tão intenso que caiu por terra, desmaiada.

“O nosso corpo é templo do Espírito Santo”, ouviu Gema do pregador em seu primeiro retiro espiritual. Ela registrou em sua autobiografia: aquelas palavras impressionaram-me tanto que procurei com todas as forças conservar puro o meu corpo. Nessa intenção Gema rezava diariamente três Ave-Marias. Decidida a ser toda de Jesus, recusou ela o caminho matrimonial e empenhou-se em conservar em altíssimo grau a virtude angélica.

AMOR AO PRÓXIMO E DESAPEGO

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Santa Gemma Galgani aos 21 anos

Aos 21 anos, recordou Gema em sua autobiografia, praticava a caridade ao distribuir dinheiro e víveres aos pobres, e até mesmo roupas, porém seu confessor a proibiu de assim proceder. Como seu pai não lhe dava dinheiro e Gema não dispunha de recursos próprios, passou ela a detestar vestidos e bagatelas, desapegando-se das coisas mundanas, o que desagradou seus familiares.

SOFRIMENTOS

Muitos foram os sofrimentos morais que se abateram sobre Gema: insultos, difamações, comentários sobre seu rendimento escolar, sobre sua debilidade física, e tantas coisas mais. Aceitava-os sempre com espírito de sacrifício, pedindo a Deus para as outras pessoas a conversão e a salvação.

A saúde frágil proporcionou a Gema inumeráveis ocasiões de oferecer sofrimentos a Jesus. Tinha o consolo de seu anjo da guarda, em meio a experiências místicas. Certa vez seu angélico companheiro respondeu-lhe à dúvida que expressou: “se Jesus te mortifica no corpo é para purificar-te cada vez mais no espírito”.

Chegou a se submeter (contra sua vontade, pois aceitava as doenças como sofrimento) a procedimentos cirúrgicos, mesmo sem anestesia, porém registrou em seus escritos que a dor foi nula, e o que a fez sofrer foi permanecer quase despida diante dos médicos.

OBSTINAR-SE NO PECADO É OBRA DE DEMÔNIOS

Certa vez recebeu provocante carta de sua irmã Ângela, a quem respondeu de forma humilde e ao mesmo tempo firme:

Escrevo-te para saberes que recebi tua carta. Conste, contudo, que não mereces resposta, porque senti que a escreveste sob pressão, sem saberes o que dizias.

Escuta-me de uma vez para sempre. Que te dei maus exemplos, que te ensinei coisas más, que te escandalizei? Tudo isso eu sei perfeitamente! Já o confessei e espero que me tenhas perdoado. Agora, apenas procuras desafogar a tua raiva recordando o tempo em que vivíamos juntas. Fica sabendo, também, que se Deus quisesse que me confessasse em público, eu não teria medo de fazê-lo, com voz clara e forte, sem necessidade de nada esconder. Espero que desta vez me tenhas entendido bem.

Desejo-te um Natal feliz e boas-festas. Espero que entendas que, pecar acontece com os santos, mas obstinar-se no pecado é obra de demônios…

Adeus, e procura ser boa. Sou a tua irmã Gema.

SÃO GABRIEL DE NOSSA SENHORA DAS DORES

Em meio a sofrimentos corporais ela teve por empréstimo um livro contendo passagens da vida de um jovem passionista, Gabriel de Nossa Senhora das Dores (atualmente canonizado), com o qual passou a ter diálogos místicos, um dos quais seguido da imposição do emblema passionista a Gema, a quem se referiu como “minha irmã”.

ESTIGMAS DA PAIXÃO DO SENHOR

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Santa Gemma pouco antes de sua morte em 1903

Gema teve a graça de receber os estigmas da Paixão do Senhor, que lhe surgiram em junho de 1899. Frequentemente as feridas se abriam, com extravasamento de sangue, e para disfarçar o que lhe ocorria (e atenuar a má impressão que poderia causar em algumas pessoas) Gema vestia luvas mesmo em ocasiões em que o uso de tal adereço não era habitual. Por vezes sentia dores na cabeça e em várias partes do corpo, o que se acompanhava de efusão de sangue, manifestação orgânica relacionada à coroação com espinhos e a flagelação do Senhor (fenômenos atestados por diversas testemunhas, algumas das quais declararam tê-la visto suar sangue, alusão à agonia de Jesus no Horto das Oliveiras). Em meio aos sofrimentos, “essas dores, em vez de me atormentar, enchiam-me de uma paz perfeita”, registrou Gema. E o diagnóstico médico, feito por um profissional acompanhado por um dignitário eclesiástico (Mons. Giovanni Volpi) em um momento de sangramento durante o êxtase, foi simplesmente “histerismo”.

OBTIDA A CONVERSÃO DE UM PECADOR DURANTE UM ÊXTASE

Desconcertado com os fenômenos que aconteciam com Gema, Mons. Volpi (que se tornara bispo diocesano) encarregou o Pe. Germano de Santo Estanislau a analisá-los, tendo este chegado a aventar a possibilidade de nela praticar um exorcismo. Gema recebeu-o com alegria, e em meio ao jantar, pressentindo o êxtase, levantou-se ela e retirou-se para seu quarto. Alguns momentos depois, chamado pela irmã do dono da casa (onde Gema estava residindo) a adentrar o cômodo, o sacerdote deparou-se com a jovem em pleno êxtase, conversando com Jesus e instando-o a converter um pecador cujo nome pronunciava claramente: “Jesus, quero pedir-te por aquele pecador… Salva-o, Jesus! Por que não te compadeces dele? Não me levanto daqui enquanto não me prometeres que o salvas”.

Os pedidos se multiplicavam com insistência, mas parecia que Jesus dizia a Gema que aquele pecador já havia ultrapassado os limites: “Jesus, sei que ele cometeu muitos pecados, porém mais os cometi eu e tiveste compaixão de mim”. E os pedidos continuaram, chegando a serem apresentados por intercessão de Maria Santíssima, até que chegou o momento em que Gema mudou de aspecto, e alegremente exclamou: “Salvou-se! Jesus, venceste! Triunfa sempre assim!”

Já em seus aposentos, o Pe. Germano recebeu um pedido para atender uma pessoa que queria fazer a confissão: era o tal pecador convertido pelos pedidos de Gema. O sacerdote, ao fim da confissão, contou-lhe o que presenciara, obtendo permissão do penitente para divulgar o que com ele ocorreu.

TERMINA A VIDA PEDINDO MAIS DOR

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Relicário contendo o coração de Santa Gemma – Igreja de Santa Gemma Galgani, Madri

Em 1901, aos 23 anos, Gema recebe a ordem de redigir a autobiografia, que ela chamava “o caderno dos meus pecados”. Graças a essa edificante obra pôde-se saber detalhes da vida de sofrimento dessa mística italiana, que viveu no mundo a espiritualidade passionista. Aos 25 anos, no Sábado Santo de 1903, depois de uma vida de muitas humilhações Gema entregou sua alma ao Criador, devorada pelos sofrimentos, mas pedindo – até o último momento – mais dor. Revestida do hábito passionista – que lhe fora negado em vida por não ter condições de saúde compatíveis com os rigores do convívio comunitário – Gema teve seu corpo velado por familiares e amigos. Sepultado no dia seguinte, o corpo foi exumado quinze dias após a morte, procedendo-se à retirada de seu coração (que não exibia sinais de decomposição). Foi ele posto em um relicário, sendo atualmente venerado no seu Santuário em Madrid, na Espanha.

***

A alma de Gemma entrou na glória enriquecida pelo único e real tesouro, aquele que nunca acabará: a caridade. “Se todos soubessem como Jesus é belo, como é amável, não procurariam senão o seu amor”.

Com efeito, como o mundo seria outro se ouvisse o conselho da virgem de Lucca e pudesse afirmar como ela: “Meu coração palpita continuamente em uníssono com o Coração de Jesus. Viva Jesus! O Coração de Jesus e o meu são uma mesma coisa.[…] Sim, eu sou feliz, Jesus, porque sinto meu coração palpitar com o vosso, e porque Vos possuo”.

ATÉ NO BRASIL

Um irmão mais velho de Gema – Heitor – mudara-se para o Brasil após a morte do pai a fim de enriquecer, fugindo do empobrecimento que se abateu sobre sua família na Itália, tendo viajado com numerosos conterrâneos que buscavam uma nova pátria. Decidira voltar à Itália somente quando alcançasse o objetivo a que se propôs. Radicou-se no interior do estado de São Paulo, porém perdeu os bens que ainda possuía. Não se casou na Igreja (somente procedeu ao casamento civil), e afastou-se escandalosamente de Deus e da religião, perdendo o contato com seus familiares no país de origem. Mas a Providência fez com que uma estampa de Gema fosse parar em suas mãos, e então Heitor a pôs em uma moldura não por causa da fama de santidade, mas por ser sua irmã, simplesmente.

Em 1923, por ocasião de uma missão redentorista feita em Araraquara, um sacerdote que visitava os enfermos foi à casa de Heitor, que se encontrava doente. Deparando-se com a estampa de Gema Galani (por quem tinha devoção), foi informado pelo enfermo que ela era sua irmã, o que causou um alegre espanto no missionário visitante, feliz pelo encontro porém sem compreender como aquela pessoa, tão indiferente às coisas da religião, pudesse ser irmão de uma santa. O sacerdote transmitiu a Heitor vários aspectos da vida de virtudes heróicas de Gema, dos fenômenos extraordinários que nela se manifestavam, e dos milagres que Deus operava através de sua irmã, falecida vinte anos antes.

Heitor ficou admirado: “minha irmã, uma santa, e eu tão afastado da Igreja?” Tocado pela graça Heitor decidiu ir à igreja imediatamente, e os fiéis presentes ficaram estupefatos por verem ali chegar uma pessoa cujos exemplos de vida destoavam dos bons costumes e da santa religião. Preparou-se ele para receber o sacramento da Reconciliação, e seu exemplo multiplicou-se naquele lugar, mostrando que por intercessão de Gema não somente seu irmão se converteu, mas também numerosos outros habitantes que foram tocados pelo exemplo de Heitor. A missão, que nos quatro primeiros dias parecia destinada a obter escassos frutos, depois dessa marcante conversão evoluiu para um êxito fenomenal.

Seguem, abaixo, algumas fotos – clicando nelas ficam em tamanho maior – da cidade de Lucca e do Santuário dedicado à Santa Gema Galgani:


Fontes: Arautos do Evangelho
Divina Providência

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A EUCARISTIA NOS SALMOS

Os Salmos têm uma eficácia especial para suscitar nas almas o desejo de todas as virtudes”, diz Santo Atanásio. De alguma maneira, todas as páginas da Bíblia possuem esse dom, mas de forma especial os Salmos, pois chegam facilmente a comover os corações e a inflamar sentimentos de piedade

Pe. Rafael Ramón Ibarguren Schindler*, EP

No centro da Sagrada Escritura está o mistério da Encarnação. Por isso, todo o Antigo Testamento anseia e celebra o advento do esperado das nações, Jesus Cristo, o Senhor.

Após a Encarnação, e assim o será até a consumação dos séculos, a presença sacramental de Jesus em seu corpo e em seu sangue adoráveis, é uma constante na vida da Igreja; é assim que o mistério redentor se atualiza, nutrindo as almas com o viático necessário para chegar ao céu.

Não surpreende, pois, que encontremos nos Salmos numerosas referências, sempre implícitas, ao Sacramento do Altar. Vamos às citações.

O Salmo 04 é um salmo de ação de graças. Diz no versículo 06: “oferecei sacrifícios legítimos”. E no 08, o salmista exulta dizendo: “Mas tu, Senhor, puseste em meu coração mais alegria que se abundasse em trigo e em vinho”. O pão e o vinho são, precisamente, as espécies que são o objeto de transubstanciação na Celebração Eucarística, “sacrifício legítimo” por excelência.

O Salmo 22 celebra o Bom Pastor que “repara minhas forças” (2). E o versículo 05 reza: “Preparas uma mesa diante de mim (…) e meu cálice transborda”. Acaso as referências ao altar e ao cálice não nos fazem pensar em nossa Missa, celebração privilegiada onde se restauram as forças?

Por outro lado, o Salmo 25 retrata a oração confiada do inocente. O versículo 08 confessa: “Senhor, eu amo a beleza de sua casa, o lugar onde reside a sua glória”. É uma alusão aos templos, aos altares, aos tabernáculos, onde reside a presença real de Cristo glorificado.

No Salmo 35 se enfrentam a depravação do malvado e a bondade de Deus. Os versículos 09 e 10 dizem que os humanos “se nutrem do saboroso de tua casa, lhes dá a beber da torrente de tuas delícias, porque em ti está a fonte viva, e tua luz nos faz ver a luz”. Como não ver neste trecho uma alusão à Eucaristia, mistério luminoso que contêm em si todas as delícias?

Já o Salmo 41 desperta a nostalgia do templo e a sede do próprio Deus: “Assim como o cervo procura pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo”. O cervo que mata sua sede em uma torrente é um dos símbolos mais sugestivos da comunhão sacramental. O texto deste salmo dá a letra do célebre cântico eucarístico “Sicut Cervus”. (clique abaixo para ouvir esse cântico)

Na história da salvação é uma constante que a infidelidade do povo contraste com a bondade sem trégua de Deus. O extenso Salmo 77 em seus versículos 19, 20, 24 e 25 canta: “Falaram contra Deus: Poderia Deus preparar-nos uma mesa no deserto? Ele feriu a rocha, brotou água e derramaram as torrentes; poderá também dar-nos pão, prover de carne ao seu povo? (…) Fez chover sobre eles o maná, lhes deu um trigo celestial, e o homem comeu o pão dos anjos”. Aqui, a prefiguração da Eucaristia é claríssima.

O Salmo 103 é um hino para o Criador. Nos versículos 14 e 15 se diz: “Ele tira pão dos campos e vinho que alegra o coração”. São as ofertas que na Missa serão transformadas em seu corpo e em seu sangue.

A Ação de Graças é a nota tônica do Salmo 106. O versículo 09 nos diz que Deus “acalmou a sede dos sedentos e aos famintos cumulou de coisas boas”. Pois isso é o que acontece quando uma alma se aproxima da Mesa Eucarística.

Rei David, autor de vários salmos

Também o Salmo 110 é de ação de graças. O fiel canta “Ele dá alimento aos seus fiéis, recordando sempre a sua aliança” (versículo 05). Pensemos no cálice da nova e eterna aliança e no mandato: façam isto em memória de mim.

Na mesma clave “eucarística” reza o Salmo 115 em seu versículo 04: “Alcançarei o cálice da salvação, invocando seu nome”. Como não ver nesta citação uma referência ao cálice que se ostenta depois da consagração do vinho?

O Salmo 131 celebra as promessas feitas à casa de Davi. Os versículos 15 e 16 rezam: “Abençoarei as suas provisões, aos seus pobres saciarei de pão, vestirei os seus sacerdotes de gala, e seus fiéis aclamarão”. O salmista parece ter uma antevisão do Sacrifício Eucarístico com seu ofertório e comunhão, celebrada por um ministro ornamentado que anuncia e proclama com os fiéis.

Caro leitor; em um passeio rápido, reunimos essas “pérolas eucarísticas” de dentro dos salmos. Que elas toquem nossos corações e mentes, e concorram para dar-nos maior fervor ao mistério eucarístico que tanto supera as expectativas dos profetas e dos santos da Antiga Lei. Maria Santíssima, que deu sua carne e seu sangue para a concepção do Filho de Deus, nos faça insaciáveis adoradores do Pão dos Anjos.

Mas… Pão dos Anjos? Acaso os anjos comungam? Claro que não. Para eles, a Eucaristia é o “Pão dos Homens”! O fato de que podemos receber a comunhão enche os anjos de santa inveja; pois eles veem, adoram, assistem e servem ao Senhor, mas não alcançam essa união intimíssima que somente se alcança quando se recebe em seu peito a Sagrada Comunhão.

*Conselheiro de Honra da Federação Mundial das Obras Eucarísticas e da Igreja.

Fonte: Apostolado do Oratório

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SR. DR. PLINIO COMENTA: “MÃE DO MESSIAS, SERÁS TU!”

Mãe do Messias, serás Tu!” Aquela que deseja ser a escrava da Mãe do Salvador fora escolhida para ser a Mãe do próprio Deus.
Assista o comentário de Dr. Plinio sobre a Festa da Anunciação do Senhor, clicando no vídeo abaixo.

Para assistir com legenda em espanhol, clique aqui.

 

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SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA: FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA

“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores (…).

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Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas.

Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças”, prometeu Nosso Senhor Jesus Cristo em uma de suas aparições a Santa Faustina Kowalska.

A Festa da Misericórdia é celebrada pela Igreja no segundo domingo da Páscoa. Nela comemora-se a Divina Misericórdia.

Trata-se de uma festa litúrgica que permite ao fiel alcançar a graça do perdão dos pecados.

S´só isto já seria um convite misericordioso para que todos recorram à Misericórdia Divina: Que ninguém se sinta impossibilitado, excluído dessa bondade.

E esta foi uma recomendação do próprio Senhor transmitida a sua serva Faustina:
“Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate”.

A Instituição da Festa

A instituição da Festa da Misericórdia foi um ato do Papa São João Paulo II, no ano 2000.

Dois anos depois, em 2002, foi publicado pela Santa Sé o “decreto sobre as indulgências recebidas na Festa da Divina Misericórdia”. Um dom que, misericordiosamente, também pode ser alcançado pelos doentes e navegantes em alto mar.

As Misericórdias desta Festa

Dentro do espírito de Misericórdia em que a Festa foi instituída, no Segundo Domingo da Páscoa, a Igreja concede indulgência plenária ao fiel que, esteja dentro das condições habituais exigidas para obtenção de indulgências, ou seja, a confissão sacramental, a comunhão eucarística e a oração pelas intenções do Santo Padre, também “participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso que pode ser, por exemplo esta: ‘Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti’”.

Mais Misericórdia e Pequena Exigência

Na Festa da Misericórdia a indulgência parcial é concedida “ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das invocações piedosas legitimamente aprovadas”.

Ainda dentro do espirito de Misericórdia que a Igreja quer ressaltar nesta Festa, também os doentes e as pessoas que os assistem, os navegantes, os afetados pela guerra, conflitos ou clima severamente adverso bem como ainda “todos os que, por uma justa causa, não podem abandonar a casa ou desempenham uma atividade que não pode ser adiada em benefício da comunidade, poderão obter a Indulgência plenária no Domingo da Divina Misericórdia”.

Para isso, devem, com total rechaço de qualquer pecado e com a intenção de cumprir logo que possível as três condições habituais, rezar “diante de uma piedosa imagem de Nosso Senhor Jesus Misericordioso, o Pai-Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso”.

Misericórdia Sem Fim

Além de todas as facilidades já apontadas, a Misericórdia parece não ter limites:

Se nem mesmo essas exigências puderem ser cumpridas, poderão obter a indulgência plenária “todos os que se unirem com a intenção de espírito aos que praticam de maneira ordinária a obra prescrita para a Indulgência e oferecem a Deus Misericordioso uma oração e juntamente com os sofrimentos das suas enfermidades e os incômodos da própria vida, tendo também eles o propósito de cumprir logo que seja possível as três condições prescritas para a aquisição da Indulgência plenária”.

E hoje é o Domingo da Festa da Misericórdia. (JSG)


Fonte: Arautos do Evangelho

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AUTENTICIDADE, FUNDAMENTO DO APOSTOLADO

Qual o “segredo” pelo qual alguns têm fruto no apostolado que fazem e outros não têm?

O “segredo” é revelado pelo Mons. João Clá, EP, Fundador dos Arautos do Evangelho, no texto que damos a seguir (1).

SE QUEREMOS SER SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO, TEMOS QUE SER ÍNTEGROS

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

O Evangelho expressa com muita clareza a obrigação de cuidarmos de nossa vida espiritual não só pelo desejo da salvação pessoal. Sem dúvida, é mister abraçar a perfeição para contemplar o Criador face a face por toda a eternidade no Céu, o mais precioso dom que possamos obter; e precisamos ser virtuosos, porque o exige a glória de Deus, para tal fomos criados e disso prestaremos contas.

Entretanto, Nosso Senhor nos quer santos também com vistas a sermos sal e luz para o mundo!

Enquanto sal, devemos empenhar-nos em fazer bem aos demais, pois temos a responsabilidade de lhes tornar a vida aprazível, sustentando-os na fé e no propósito de honrar a Deus. São eles credores de nosso apoio colateral, como membros do Corpo Místico de Cristo.

        Nossa Senhora da Luz

E seremos luz na medida em que nos santificarmos. Deste modo, nossa diligência, aplicação e zelo no cumprimento dos Mandamentos servirá ao próximo de referência, de orientação pelo exemplo, fazendo com que ele se beneficie das graças que recebemos.

Assim, seremos acolhidos por Nosso Senhor, no dia do Juízo, com estas consoladoras palavras: “Em verdade Eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim mesmo que o fizestes!” (Mt 25, 40).

Pelo contrário, se sou orgulhoso, egoísta ou vaidoso, se somente me preocupo em chamar a atenção sobre mim, significa que me converti num sal insosso que já não salga mais, e privo os outros de meu amparo; se sou preguiçoso, significa que apaguei a luz de Deus em minha alma e já não proporciono a iluminação que muitas pessoas necessitam para ver com clareza o caminho a seguir. E devo me preparar para ouvir a terrível condenação de Jesus: “Em verdade Eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer” (Mt 25, 45).

Em última análise, tanto o sal que não salga quanto a luz que não ilumina são o fruto da falta de integridade. O discípulo, para ser sal e para ser luz, deve ser um reflexo fiel do Absoluto, que é Deus, e, portanto, nunca ceder ao relativismo, vivendo na incoerência de ser chamado a representar a verdade e fazê-lo de forma ambígua e vacilante.

Procedendo desta maneira, nosso testemunho de nada vale e nos tornamos sal que só serve “para ser jogado fora e ser pisado pelos homens”. Quem convence é o discípulo íntegro que reflete em sua vida a luz trazida pelo Salvador dos homens.

Peçamos, pois, à Auxiliadora dos Cristãos que faça de cada um de nós verdadeiras tochas que ardem na autêntica caridade e iluminam para levar a luz de Cristo até os confins da Terra


Fonte: Arautos do Evangelho Vitória

 
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COMO CONFESSAR-SE BEM?

Instituindo o Sacramento da Reconciliação, Jesus Cristo manifestou claramente o modo como quer perdoar os pecados dos homens. Quais são as condições para nos beneficiarmos de sua incomensurável misericórdia?

Era uma quinta-feira ensolarada e úmida na capital paulistana, perto do fim do ano. A Catedral da Sé abriu suas portas para os fiéis já cedo, como de costume. Às nove horas começavam alguns padres a caminhar pelos corredores laterais do grande edifício em direção aos confessionários, diante dos quais vários fiéis aguardavam a chegada do sacerdote.

– Para que essas filas dentro da Igreja? – perguntou a um deles um curioso observador.

– Estamos esperando para nos confessarmos.

– Como assim?

– Essa fila é para a Confissão, para que o padre nos atenda. Você é católico?

– Sim… Faz tempo que ouvi falar disso. Somente na minha Primeira Comunhão. Como é mesmo?

– A Confissão é para Deus perdoar nossos pecados. Ajoelhamos ali no confessionário, junto ao padre, e ele perdoa em nome de Deus.

– Ah! E… Deus perdoa mesmo?

– Sim, claro, desde que haja arrependimento.

– Já fiz tanta coisa errada na vida…

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Deus poderia perdoar os pecados de outra maneira, mas expressou claramente sua vontade de fazê-lo através de um sacerdote

Seguiu-se um silêncio prolongado, enquanto o visitante ia mudando de expressão e se abstraia das coisas em torno de si. Entrara na Catedral movido por mera curiosidade e sentia-se agora convidado a mudar  de vida. Há tanto tempo não se confessava, e já nem sabia como fazer. Trinta, quarenta anos?

– Eu também posso entrar na fila?

Qualquer um perceberia o drama interno desse desconhecido, a quem Deus chamava à conversão.

– Sim, entre aqui na minha frente.

Um passo decisivo fora dado na vida daquele homem rumo à salvação de sua alma. Colocou-se junto ao demais, à espera de sua vez, mas não conseguia mais falar, pois as lágrimas corriam às torrentes pelo seu rosto.

“Terei Eu prazer com a morte do ímpio?”

Casos como este não são raros em nossos dias. Quantos e quantos homens fizeram bem sua Primeira Comunhão, mas depois, infelizmente, levados pelas preocupações da vida, deixaram-se arrastar pelas atrações do mundo e esqueceram-se por completo de seus deveres para com Deus!

Continuam sendo católicos, sim, mas católicos cuja fé tornou-se como uma brasa abafada debaixo da espessa camada de cinzas dos pecados. E mal guardam na memória alguns resquícios de suas primeiras lições de Catecismo, aprendidas na infância.

Deus, entretanto, não os esquece. Em certo momento Jesus Cristo bate paternalmente à porta de suas almas com um carinhoso convite para fazerem uma boa Confissão.

Que coisa terrível seria uma pessoa, por causa dos seus graves pecados, ser condenada às masmorras eternas, onde os réprobos são castigados com o afastamento de Deus, para o qual foram criados, e sofrem terríveis tormentos, sem um só instante de alívio!

Ele, porém, sumamente misericordioso, não deseja para o pecador esse destino: “Terei Eu prazer com a morte do ímpio? – diz o Senhor. – Não desejo, antes, que ele se converta e viva?” (Ez 18, 23). Deus quer nos perdoar, e para isso estabelece esta condição: a confissão de nossos pecados a um de seus ministros.

Deus perdoa através do sacerdote

A Confissão é um dos mais palpáveis sinais da bondade de Deus. Gravemente ofendido por aquele que peca mortalmente, Ele tem poder para fulminar com uma sentença de eterna condenação o pecador, e ao fazê-lo, praticaria apenas um ato de justiça. Deixou-nos, entretanto, este Sacramento por meio do qual perdoa ao penitente todos os pecados, por mais graves e numerosos que sejam.

É bastante conhecido o episódio da primeira aparição do Divino Mestre a seus discípulos, após a Ressurreição. Com medo de serem, também eles, perseguidos e condenados, estavam reunidos numa sala com as portas fechadas, quando de repente apareceu-lhes Jesus. Soprando sobre eles, disse nosso Redentor: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23). Estava instituído o Sacramento da Confissão!

Assim, desde os primórdios da Igreja os fiéis procuraram os Apóstolos para confessar-lhes suas faltas, e receber deles a absolvição. Esse poder de perdoar, dado por Cristo à sua Igreja, é conferido aos presbíteros através do Sacramento da Ordem. E é assim que foi passando de geração em geração através dos séculos até os nossos dias.

Requisitos para uma boa Confissão

Claro está que Deus poderia perdoar os pecados de outra maneira, mas expressou claramente sua vontade de fazê-lo através de um sacerdote no Sacramento da Reconciliação: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a Terra serásacerdote arauto atende_ confissoes..jpg ligado no Céu, e tudo o que desligardes sobre a Terra será também desligado no Céu” (Mt 18, 18), disse Jesus aos Apóstolos. Como nos beneficiarmos desse Sacramento?

Deus sumamente misericordioso é também justo. Ele quer que, para utilizarmos bem esse maravilhoso recurso, nos submetamos a algumas condições sem as quais a Confissão não só de nada nos serviria, mas se tornaria nociva para a alma.

Quais são esses requisitos? Sintetizando, a Igreja nos ensina que cinco coisas são imprescindíveis para uma boa Confissão: fazer um bom exame de consciência, ter dor dos pecados, fazer o propósito de não mais cometê-los, confessá-los e cumprir a penitência imposta pelo confessor. Mas em que consiste precisamente cada uma dessas exigências?

O exame de consciência

Antes de tudo, deve-se fazer um exame de consciência. O fiel desejoso de obter o perdão de suas faltas, precisa antes auscultar sua alma, para saber quais pecados ainda não foram confessados. Não é necessário trazer à memória os pecados de toda a vida, mas apenas os cometidos desde a última Confissão bem feita.1

Um fato narrado nas Sagradas Escrituras bem demonstra a importância do exame de consciência. O Rei Davi cometera dois pecados: adultério e homicídio. Enviado por Deus, o profeta Natã supriu por meio de uma severa advertência a falta do exame de consciência da parte do rei. E só assim este caiu em si e foi capaz de se arrepender e pedir perdão (cf. II Sm 12, 1-13).

Nesse episódio do Antigo Testamento, podemos verificar outro bom motivo para o exame de consciência: auxilia-nos a ter dor de nossos pecados, isto é, nos ajuda a arrepender-nos. Se nos detivermos em conhecer seriamente cada uma das ofensas feitas a Deus, dispomo-nos a sentir por elas verdadeira tristeza e, assim, a obter o perdão.

O exame de consciência precisa ser feito com cuidado, sem precipitação. É importante rememorar os pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões, percorrendo, para esse fim, os Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja, a lista dos pecados capitais e as obrigações de nosso próprio estado. O exame deve abranger também os maus costumes
a serem corrigidos, e as ocasiões de pecado a serem evitadas.

Mas a Igreja, como boa mãe, nos recomenda também evitar de nos deixarmos levar pela exagerada preocupação de ter esquecido alguma falta ou circunstância. Certa vez, Santa Margarida Alacoque, inquieta e perturbada, estava fazendo com excessivo cuidado seu exame de consciência para a Confissão. Apareceu-lhe então o próprio Nosso Senhor e a tranquilizou: “Por que te atormentares? Faze o que podes. Eu amo os corações contritos que se acusam sinceramente dos pecados que conheçam, com a vontade de não mais desagradar-Me”.

Qualquer pessoa, seja por deficiência de memória, seja por relaxamento, pode sentir dificuldade em rememorar os pecados ainda não confessados. Sem a ajuda de Deus, ninguém consegue fazer nada bem. Por isso, é muito adequado começar o exame de consciência com uma oração, pedindo-Lhe, através de Nossa Senhora ou de nosso Anjo da Guarda, que ilumine nossa mente para reconhecermos todas as nossas faltas e nos dê força para detestá-las.

Quantas vezes pequei? Eis uma importante pergunta a ser feita. Um soldado recebeu em combate três graves ferimentos. Levado ao hospital, mostrou ao médico só duas de suas feridas; ocultou a terceira, movido por um tolo sentimento de vergonha. De nada adiantou o médico ter curado as duas lesões que conhecia, pois o soldado morreu em decorrência do agravamento da terceira.

Ora, a Confissão também é um ato de cura. Se quisermos reatar  nossa amizade com Deus, e termos a alma curada das chagas de nossos pecados, devemos pedir perdão de todos e cada um deles. Por isso, em se tratando de pecados mortais – faltas em matéria grave, com pleno conhecimento e pleno consentimento da vontade -, deve-se investigar tudo; inclusive, na medida das possibilidades, quantas vezes foi praticado determinado ato pecaminoso, e em que circunstâncias. É relevante relatar na Confissão as situações que agravam o pecado. Por exemplo, roubar de um pobre é mais grave que de um rico. Tratar mal os pais, a quem devemos a vida, é mais grave do que fazer o mesmo a um colega da escola. As circunstâncias agravantes devem ser apontadas porque o sacerdote, para perdoar, precisa conhecer com clareza os pecados. Da mesma forma como um médico, ao atender um paciente, precisa primeiro avaliar bem o quadro da doença, a fim de poder aplicar-lhe o remédio mais adequado. Se omitirmos essas informações por malícia, a Confissão será mal feita, portanto, nenhum pecado será perdoado.

Ter dor dos pecados

O mais importante para o penitente obter o perdão de Deus é o arrependimento, ou seja, ter um desgosto pela falta cometida e uma vontade firme de não mais recair nela. Naturalmente, não há necessidade de derramar lágrimas pela dor dos pecados, mas é preciso no íntimo do coração se lamentar de ter ofendido a Deus, mais do que se nos tivesse ocorrido qualquer outra desgraça.

Sem arrependimento, a Confissão não tem nenhum valor. Não é possível obter o perdão de Deus sem odiar a falta A cura da hemorroísa - Catedral de Salamanca (Espanha.jpgcometida, sem a disposição de jamais repeti-la. Essa postura de alma deve estender-se a todos os pecados mortais, sem exceção. E para obter o perdão de nossas faltas na Confissão, basta um arrependimento por medo dos castigos acarretados pelo pecado – a atrição -, embora o melhor seja que nos arrependamos por termos ofendido a Deus – a contrição.

O arrependimento também abrange a confiança na misericórdia divina pois, a dor dos pecados sem essa virtude poderia dar em desespero.

O firme propósito

Havendo, de fato, arrependimento pelos pecados cometidos, se produzirá na alma o propósito, a firme vontade, resolutamente determinada, de nunca mais repeti-los e de fugir das ocasiões próximas, de evitar tudo o que induz ao mal: pode ser uma pessoa, um objeto, um lugar ou mesmo uma circunstância que me põe em perigo de ofender a Deus.

Devo humildemente me acusar?

Conta-se que, certo dia, estava Santo Antonino de Florença numa igreja e percebeu um demônio bem próximo da fila da Confissão. Desgostado, o Arcebispo dirigiu-se ao anjo mau e lhe perguntou:

– O que estás fazendo aqui?
– Ora, pratico uma boa ação.
– Mas será isso possível?!

– Sim, vim fazer uma devolução. Normalmente os cristãos têm vergonha do pecado. Por isso, antes de caírem eu procuro tirar-lhes a vergonha. Agora que vieram para se confessar, devolvo-a, para que diante do confessor eles omitam as suas faltas.

Uma Confissão mal feita pode levar uma alma a condenar-se, e é isso que o demônio quer. Por vezes, pode acontecer de sermos tentados a calar os nossos pecados ao confessor, ou a não contá-los direito. Para que isso não aconteça, é interessante recordar também como deve ser a acusação dos pecados no Sacramento da Confissão.

Primeiramente é preciso, seguindo o mesmo princípio do exame de consciência, contar ao padre todos os pecados mortais cometidos após a última Confissão bem feita. Se alguém oculta um só pecado grave propositalmente na Confissão, além de não receber o perdão de nenhum, acaba cometendo outro, por estar ofendendo algo sagrado instituído pelo próprio Cristo. Ou seja, é ao próprio Jesus que se está mentindo.

A Confissão deve ser sincera. O penitente deve acusar ao sacerdote os seus pecados com objetividade, evitando desnecessárias delongas, que podem até prejudicar a clareza da matéria. A falta de sinceridade quanto à maneira de acusar os pecados é outra tentação do demônio contra a qual é imprescindível precaver-se. E também as desculpas podem ser ocasião de tentação: justificar os pecados, criando atenuantes, não se reconhecendo inteiramente culpado de suas próprias faltas ou colocando a culpa nos outros.

Por fim, devo cumprir a penitência

No fim da Confissão, o sacerdote impõe a penitência também chamada de satisfação. Em geral é uma oração ou uma obra boa, que o confessor ordena ao penitente como expiação de seus pecados.

Pelo nosso senso de justiça, sabemos que a toda ofensa deve corresponder uma reparação proporcional. O mesmo princípio se aplica a Deus: quando ofendido, Ele também merece uma reparação. Se a ofensa contra Deus é grave, o pecador merece o inferno, pois a punição reparadora deve ser proporcional ao ofendido: neste caso, eterna. Mas a Confissão sacramental, além de perdoar a culpa do penitente, apaga a pena eterna, que é comutada numa pena temporal. Por isso, quando alguém se confessa, seus pecados estão completamente perdoados, mas sua dívida com Deus ainda não foi inteiramente paga. Por isso o sacerdote impõe a penitência após a Confissão: ela tem o objetivo de reparar o mal cometido contra Deus. Entretanto, pode ocorrer de ser perdoada a pena temporal inclusive na própria Confissão; quando o penitente tem uma extraordinária dor por seus pecados.

Claro está que o próprio Jesus, com seus sofrimentos e sua morte na Cruz, satisfez a divina justiça quanto aos nossos pecados, pagando já a nossa dívida em relação a Deus. Por isso na Confissão é perdoada a nossa culpa e a punição eterna. Mas Deus exige, com todo direito, que também nós, quando possível, façamos algo como satisfação dos nossos pecados. E essa pequena satisfação também é exigida para a compreensão da gravidade de nossas faltas, para que nos sirva de remédio aos pecados e nos preserve de recaídas.

Deus perdoa os que se confessam bem

Tudo na vida deve ser levado a sério e mais ainda as coisas relacionadas com Deus. Por isso, devemos praticar com muita fidelidade os ensinamentos da Igreja acerca do Sacramento da Confissão, sempre confiantes de que, através dele, são perdoados todos os nossos pecados, somos auxiliados a não recair neles e nos é restituída a paz de consciência. Certa vez, apresentou-se a Santo Antônio de Pádua um grande pecador para confessar-se. O coitado estava tão confuso que mal conseguia falar. Chorava e soluçava com tanta veemência que não conseguia exprimir ao Santo nenhuma de suas faltas. Para ajudá-lo o confessor sugeriu-lhe docemente que fizesse um exame de consciência escrito:

– Vai, escreve os teus pecados e, depois, volta para confessá-los.

O penitente seguiu o conselho. Depois, leu no confessionário as suas faltas, tal como as havia escrito. Assim que terminou a Confissão, grande milagre! O papel onde o pecador havia escrito cuidadosamente suas ofensas a Deus ficou completamente em branco, pois tudo o que havia sido escrito desaparecera!

Este prodígio muito nos consola e anima para nos aproximarmos com retidão e confiança do Sacramento da Penitência, que é capaz de destruir em nós o pior mal que existe, o pecado. Nosso Senhor instituiu este Sacramento para todos os membros pecadores da sua Igreja, dando-lhes uma nova possibilidade de se encontrarem com Deus e de restaurarem a amizade com Ele. ² 1 Somente a Confissão bem feita perdoa de fato os pecados. Se alguém, por malícia ou vergonha, deixasse de acusar-se de um ou mais pecados, sua Confissão seria inválida. (Revista Arautos do Evangelho, n.149, Maio/2014, p. 33 à 37)

Clique acima para o vídeo

Fonte: Arautos do Evangelho
TV Arautos

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COMO SE PREPARA UMA CERIMÔNIA DE DEVOÇÃO DO PRIMEIRO SÁBADO?

São centenas as paróquias onde o Apostolado do Oratório promove a devoção dos Primeiros Sábados, nas quais a Virgem Santíssima derrama suas graças abundantemente. Entretanto, os preparativos dessas cerimônias demandam muito esforço, dedicação e fervor. Para conhecermos melhor como são esses preparativos, trazemos aqui o depoimento de alguns de nossos coordenadores

Por Josiane Lazzarin, supervisora na Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus em Cascavel/PR

Em nossa paróquia, nos reunimos toda última quinta feira do mês, para organização da Comunhão Reparadora, liturgia e para troca de experiências com a passagem do oratório nas casas.

Apesar de muitas pessoas trabalharem e estudarem à noite, nosso grupo se reúne sempre. Nunca falhamos. Até mesmo algumas mães trazem seus filhos, mas fazem questão de participar. Distribuímos as funções da cerimônia com as coordenadoras presentes na reunião e procuramos convidar sempre mais pessoas, pois sabemos muito bem como Nossa Senhora quer que esta devoção seja feita pelo maior número possível de fiéis.

Um ponto importante que ressalto, é que sempre rezamos por todos aqueles que estão escalados para funções na cerimônia. Pedimos que Nossa Senhora olhe com especial atenção por estes, para que também tudo saia conforme o desejo da Mãe de Deus.

No dia do terço as famílias participantes dos grupos marcam presença. Entramos na igreja em procissão com os oratórios e com as capas laranja, símbolo do Apostolado do Oratório.

Padre Adriano

O nosso pároco, padre Adriano,  sempre que possível canta durante o terço (no início, no intervalo dos mistérios e no final, quando nos consagramos à Nossa Senhora).

Mesmo organizando tudo sempre temos uma ansiedade, como se o inimigo quisesse tirar nossa coragem, nos desanimar, etc. Mas rezamos e Nossa Senhora vem e nos fortalece.

Clique acima para baixar o texto da Meditação de Abril

Por Liene Arminda de Oliveira, supervisora da Paróquia São Miguel Arcanjo, Riacho Fundo I, Brasilia/DF

Preparando para a devoção reparadora do Primeiro Sábado!

Somos no total um grupo de 43 oratórios. Nos reunimos na última quarta feira do mês na sala de reuniões da igreja ou na casa de uma de nós.  Primeiro rezamos o terço, fazemos uma chamada de presença e após ser redigida a Ata, lemos e aprovamos. Este momento é muito importante para registrar a presença e tudo o que tem ocorrido.  Tratamos das famílias que recebem os oratórios e qualquer problema tentamos resolver lá mesmo.

No sábado chegamos uma hora antes da missa. Preparamos o Oratório Base, (o grande que guarda os pequenos)  sentamos todas juntas, de uniformes e com as capas laranja.

Rezamos o terço, cada uma de nós um mistério. Fazemos a meditação que nos é enviada pelos Arautos. Na missa, entramos em procissão! Cada qual com o seu oratório na mão.  E também na missa, temos funções a cumprir na liturgia (comentários, salmos, leituras e preces).

É um  trabalho lindo que envolve toda a comunidade e para as famílias que recebem os oratórios, um conforto em meio a tantas tribulações.

Com a  presença dos oratórios nas casas acontecem verdadeiros milagres!  E muitos testemunhos de  conversão. Esses testemunhos, bem como as graças recebidas pelas famílias que recebem os oratórios, são lidos no final da missa. Sempre são muito comoventes e só se veem pessoas enxugando as lágrimas…

Vale registrar que com a ajuda dos Arautos que deram o Curso de Consagração a Virgem Maria, houve uma ocasião em que foram consagradas 550 pessoas no mesmo dia, num total já de 730 pessoas consagradas, todas registradas na paróquia.

Por Ana Maria de Souza, supervisora da Paróquia Santana em Posse/GO

Salve Maria! Nos reunimos toda última segunda feira do mês.

No primeiro momento fazemos a reza do Santo Terço, depois passamos a fala para cada coordenador sobre como está o acompanhamento às famílias (como anda o oratório, problemas nas famílias, como fazer para superar as dificuldades enfrentadas.

Falamos sobre problemas de saúde, dificuldades na circulação do oratório e até de famílias que estão precisando de ajuda financeira. Sobre esse ponto, em datas especiais  – no mês de Maria, aniversário do oratório, Natal, quaresma, entre outros – programamos um  gesto concreto, onde levamos alguma ajuda financeira ou em alimentos para algumas dessas famílias em necessidade.

No final, distribuímos as atividades do primeiro domingo* – organizar a igreja, ornamentar o andor, liturgia, etc. Encerramos com uma oração e a equipe da liturgia ainda permanece um pouco mais para os detalhes da liturgia.

Só tenho que testemunhar que toda essa atividade, apesar de exigir muito de todos nós, tem sido muito gratificante. Pois saber que estamos propagando e levando a mensagem da Mãe de Deus a tantos lares e as graças que são dadas a todas as famílias, compensam em muito todo o esforço.

“Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”

As palavras da Santíssima Virgem em Fátima são mais atuais do que nunca.

Se você deseja praticar esta devoção, procure seu pároco para implantá-la em sua paróquia. Ou se preferir, pode fazê-la em casa com sua família. Veja aqui como proceder.

Que mais e mais almas atendam este pedido da Mãe de Deus e que se cumpram o quanto antes sua promessa:

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

______________________

*Também é permitido realizar essa devoção aos domingos, conforme revelação a irmã Lúcia: Na Vigília de 29 para 30 de maio de 1930, Nosso Senhor, falando à Irmã Lucia, resolveu ainda outra dificuldade: “Será igualmente aceita a prática desta devoção no domingo seguinte ao primeiro sábado, quando os meus sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas”. (cf. “Memórias e Cartas da Irmã Lucia”, p. 410).

Fonte: Apostolado do Oratório

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PRIMEIRO SÁBADO DO MÊS DE ABRIL

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SANTO DO DIA: SÃO VICENTE FERRER

Imagine um pregador cujas homilias durassem de duas a três horas e que na Sexta-feira Santa elas chegassem a durar até seis horas…

Um grande pregador!

Se o pregador fosse São Vicente Ferrer haveria. … E muitos! Pois, as igrejas onde ele costumava fazer suas homilias tornavam-se pequenas para conter a multidão que ele atraia.

Em Tolosa, na Espanha, um de seus sermões prolongou-se por seis horas seguidas! Seus ouvintes dessa cidade costumavam dizer: “Este homem veio a esta cidade para nossa salvação ou para nossa perdição. Para que nos salvemos, se fizermos o que ele nos diz; para que nos condenemos, se nos descuidarmos de obedecer-lhe.” E afirmavam ainda: “Até aqui podíamos dizer que não tínhamos quem nos ensinasse bem o que somos obrigados a fazer. Agora já não podemos dizer isso”.

Foi tão grande a devoção que habitantes de Tolosa tiveram por ele que, depois de sua partida, transformaram em relíquias tudo que dele puderam guardar. O palanque que ele usou para fazer suas pregações era tocado e beijado como se fosse algo sagrado.

Em certas localidades, enquanto São Vicente Ferrer fazia sua pregação, tudo parava. As lojas fechavam e até as audiências nos tribunais eram suspensas. Todos queriam ouvi-lo. Nos dias em que São Vicente Ferrer pregou em Tolosa, por exemplo, não houve pregador que quisesse fazer sermão, porque todo mundo ia atrás do Santo.

Quando sabiam que ele se aproximava de uma cidade, era comum o povo ir ao seu encontro. Havia então, verdadeiras disputas para que se conseguir um lugar que ficasse o mais próximo possível do Santo. Então para ele não ser esmagado pela veneração e entusiasmo popular, era necessário que quatro homens jovens e fortes conduzissem umas pranchas de madeira que formavam um quadrilátero no interior do qual São Vicente Ferrer podia caminhar com segurança.

De onde lhe vinha a atração e o sucesso

Com uma oratória brilhante e cheia de fogo, São Vicente Ferrer mantinha a lógica das argumentações escolásticas. Seus ouvintes percebiam nele a presença do sobrenatural e suas palavras eram carregadas de amor de Deus. Era isso que atraia seus ávidos ouvintes. A graça divina estava nele. Seus inflamados sermões não só atraíam multidões mas, obtinham incontáveis conversões, inclusive de judeus e maometanos que ainda dominavam a península Ibérica.

Sem dúvida, o sucesso e as graças obtidas nesse apostolado eram frutos de sua obediência amorosa a Nosso Senhor Jesus Cristo que, em uma visão tida pelo Santo, ordenou que ele pregasse a verdadeira Fé católica pelo mundo todo.

Sempre esteve próximo à Ordem dos Pregadores

A casa de seus pais ficava nas imediações do Real Convento da Ordem dos Pregadores, os dominicanos. Isto ajudou a que, ainda jovem, Vicente decidisse tornar-se religioso, vestindo o hábito dos frades dominicanos.

Fez sua profissão religiosa em 1368 e foi ordenado sacerdote em 1374. Alternou o estudo e o ensino da filosofia com a aprendizagem da teologia passando pelas cidades de Lérida, Barcelona e Tolosa, todas na Espanha. Aprofundou-se no estudo e conhecimento perfeito da exegese bíblica e da língua hebraica. Quando regressou a Valência, sua cidade natal, ensinou teologia, escreveu, pregou e foi um exímio conselheiro.

Alguns anos mais tarde, passou a viver na França, exercendo suas funções na cidade de Avignon, onde caiu gravemente enfermo sofrendo uma doença que o levou à beira da morte. Por ocasião dessa enfermidade, ainda em Avignon, Vicente teve uma visão de Deus. Ele viu Nosso Senhor Jesus Cristo acompanhado por São Domingos, fundador de sua Ordem Religiosa e por São Francisco de Assis. Nessa visão, Nosso Senhor conferiu a ele a missão de pregar o evangelho pelo mundo.

Após ter aceito essa difícil e nobre incumbência, repentinamente, ele recuperou a saúde. A 22 de novembro de 1399, deixou a França e saiu pregando a palavra de Deus no Ocidente. Sua ação foi um contínuo espalhar de tesouros de sabedoria.

Uma época conturbada, dentro e fora da Igreja

São Vicente Ferrer - Revista Arautos do Evangelho - Revista CatólicaSão Vicente Ferrer veio ao mundo no ano de 1350, em Valência, numa Espanha que ainda lutava contra os árabes maometanos invasores da península ibérica. O Ocidente passava por uma grande crise espiritual que atingia direta ou indiretamente todas as nações. Nenhuma escapava!

A França encontrava-se assolada pela Guerra dos cem anos; na Itália, havia conflitos entre “guelfos” e “gibelinos”. As regiões espanholas de Castela e Aragão viviam um momento de anarquia. Fora das fronteiras da cristandade o perigo maometano era uma constante. Para piorar o ambiente de confusão dessa fase histórica, houve uma crise religiosa.

Foi durante esse período que eclodiu no seio da Igreja o Cisma do Ocidente. Cardeais declararam inválida a eleição de Urbano VI como Papa, surgiram outros Papas. Um deles foi Clemente VII.

Um Papa ficava em Roma, o outro em Avignon. Os dois se excomungavam mutuamente. Nações e reinos tomaram partidos de acordo com suas conveniências: a Cristandade dividiu-se.

São Vicente Ferrer chegou escrever um tratado sobre este cisma. Esforçou-se e colocou todo peso de seu prestígio em toda a Cristandade para que o Cisma do Ocidente tivesse um desfecho favorável aos interesses da própria Igreja.

Foi dentro dessas circunstâncias históricas que envolviam o Ocidente Cristão que São Vicente Ferrer deveria desenvolver seu apostolado.

O perfil moral e religioso de Vicente

Foi, antes de tudo, um religioso dominicano fiel ao carisma de São Domingos. Vicente pregava sobre a segunda vinda de Jesus no Juízo Final. E isso de um modo tão compenetrado que provocava a conversão nas pessoas. Era um homem de penitência, da verdade, da esperança, que semeava a unidade e a expectativa do Senhor que voltará. A Providência abençoava seu apostolado: sua pregação era confirmada com sinais, milagres e conversões. Sua vida foi uma confirmação de que a Palavra de Deus precisa ser anunciada com o espírito e com uma vida a serviço da verdade e da Igreja.

Diariamente, dez mil pessoas osculam suas mãos

São Vicente Ferrer - Revista Arautos do Evangelho - Revista CatólicaEm seus sermões, a voz de Deus falava por sua boca: as inimizades públicas cessavam, os pecadores eram movidos ao arrependimento, almas desejosas de perfeição o seguiam. Pregava sempre para multidões que, às vezes chegavam a mais de 15.000 pessoas colocadas ao ar livre. Pessoas contemporâneas do Santo afirmavam que, embora falando na sua própria língua, era entendido por quem não a conheciam.

Em Tolosa foi tão grande a quantidade de pessoas, que o próprio Arcebispo pediu para que o sermão fosse na praça de Santo Estêvão que fica ao lado da Igreja e onde podia caber um público maior. Vicente pregou e celebrou Missa solene na praça quase todos os dias.

Os fiéis tinham tanto desejo de conseguir um lugar nas cerimônias que se levantavam à meia noite e se dirigiam para a praça com lanternas e archotes e cada um trazia seu próprio assento. Todos afirmavam que podiam ouvi-lo estando perto ou longe dele.

Mesmo assim, todos queriam estar juntos dele. Queriam vê-lo bem, observar como oficiava as cerimônias religiosas, como curava os doentes que vinham ao palanque onde ele se encontrava. Todos queriam estar o mais próximo dele para mais facilmente poder beijar-lhe as mãos e, assim que o sermão terminasse, poderem voltar para casa tendo recebido dele a bênção. De certa feita, num vilarejo, as dez mil pessoas que ouviam seu sermão beijaram respeitosamente suas mãos. E este gesto foi repetindo nos onze dias seguintes em que ele ali pregou.

Converteu mouros, ressuscitou uma desafiante judia

São Vicente trabalhou com afinco também pela conversão dos judeus e dos maometanos. Os historiadores afirmam que foram 25.000 judeus e 8.000 maometanos que ele converteu com seu exemplo e palavras.

No Domingo de Ramos de 1407, ele pregava numa igreja de Ecija, na Espanha. Uma senhora judia, rica e poderosa, seguia seus sermões por mera curiosidade. Fazia sarcasmos a meia voz e, em forma de desafio, levantou-se de improviso e atravessou a multidão para sair. Ela não conseguia esconder sua fúria. O povo, explicavelmente, ficou indignado com sua atitude.

“Deixai-a sair, disse o Santo, porém afastai-vos do pórtico”… E foi justamente esse pórtico da entrada da Igreja que despencou sobre ela e a matou. São Vicente disse, então, em alto e bom som: “Mulher, em nome de Cristo, volte à vida!” A mulher ressuscitou! Depois disso, a senhora converteu-se à verdadeira Religião… Na cidade, anualmente, uma procissão passou a comemorar a morte, ressurreição e conversão da senhora judia.

Ele profetizou sua canonização e quem o canonizaria

Com o correr dos anos, a idade chegou e com ela o cansaço e os males físicos. Muitas vezes, era obrigado a caminhar amparado.

Quando começava a pregar, porém, tudo desaparecia. Seu rosto como que se transfigurava, a pele parecia retomar o frescor da juventude. Seus olhos brilhavam e sua voz era clara e sonora. Sua convicção era firme e transparecia em suas palavras, deixando todos admirados. Os frutos dos sermões continuavam abundantes e de tal modo que eram sempre necessários muitos sacerdotes para ouvir as confissões que eles geravam.

Sua missão apostólica continuou até 1419. Ele estava na Bretanha, quando percebeu que sua vida estava chegando ao fim. Porque ele amava muito sua terra natal, ele foi colocado em um navio para ser transportado até ela e lá morresse. O navio navegou toda a noite. Mas, pela manhã, inexplicavelmente, encontrava-se no porto. Era um sinal de que Deus queria que morresse na Bretanha.

Aos 69 anos, assistido por amigos, por seus irmãos dominicanos e por damas da corte da Duquesa da Bretanha, entregou sua combativa alma a Deus. Era o dia 5 de abril de 1419. O processo de canonização começou no dia seguinte. A Igreja reconheceu como autênticos 873 milagres.

Em 1455 foi canonizado Papa Calisto III que, muitos anos antes de ser Papa, foi favorecido por uma profecia de São Vicente. Durante uma das pregações do Santo em Valência, entre a multidão dos que se aproximavam dele para se encomendar às suas orações, São Vicente pos sua atenção em um sacerdote, que lhe pedia também a caridade de rezar por ele. O Santo disse-lhe: “Eu te felicito, meu filho. Tendes presente que és chamado a ser um dia a glória de tua pátria e de tua família, pois serás revestido da mais alta dignidade a que pode chegar um homem mortal. E eu mesmo serei, após minha morte, objeto de tua particular veneração”.

São Vicente Ferrer ao cumprimentar um jovem franciscano dizendo-lhe: “Oh! Vós estareis nos altares antes do que eu”. O jovem era o futuro São Bernardino de Siena, canonizado em 1450. São Vicente Ferrer, Rogai por nós. (JS)

Fontes:

* Henri Gheon, San Vicente Ferrer, Ediciones e Publicaciones Espanholas S.A., Madrid, 1945
* Ludovico Pastor, Historia de los Papas, vol. II, Ediciones G. Gili, Buenos Aires, 1948.
* Frei Vicente Justiniano Antist, Vida de San Vicente Ferrer, in Biografía y Escritos de San Vicente Ferrer, BAC, Madrid,
1956.


Fonte: Arautos do Evangelho
TV Arautos

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SR. DR. PLINIO COMENTA: “O QUE MAIS AMEI EM MINHA VIDA!”

Assista e descubra o que Plinio Corrêa de Oliveira mais amou em sua vida.

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Para assistir:

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PAZ DE CRISTO NO REINO DE CRISTO!

Tendo o homem rompido com a justiça, a paz tinha desaparecido da face da Terra. Era preciso que Jesus viesse devolvê-la.

Darei paz à vossa terra, e vosso sono não será perturbado. Afastarei da terra os animais nocivos, e a espada não passará pela vossa terra” (Lv 26, 6). No Antigo Testamento, a paz era considerada um dos maiores dons oferecidos por Deus ao
povo eleito, e o bem por ele mais desejado.

“Senhor, proporcionai-nos a paz”

Conturbados pelos terríveis efeitos do castigo decorrente do pecado original, os homens sentiam-se inquietos. Não só a morte, mas também privações, enfermidades e tantos outros males os impediam de desfrutar uma existência serena. AJesus - portal Catedral de Barcelona..jpgintranquilidade os atormentava. Faltava-lhes um elemento essencial constitutivo da paz, definida por Santo Agostinho como “a tranquilidade da ordem”.1

Por isso ansiavam por esta paz, obra exclusivamente divina a seus olhos, que lhes seria concedida como prêmio à sua fidelidade: “Senhor, proporcionai-nos a paz! Pois Vós nos tendes tratado segundo o nosso procedimento” (Is 26, 12).

O ideal do varão justo, amado por Deus, era o do homem pacífico. “A alegria está naqueles que dão conselhos de paz” (Pr 12, 20), e eles terão como recompensa a plenitude dessa paz.

Chegou o Libertador esperado

Ora, tendo o homem rompido com a justiça, a paz tinha desaparecido da face da Terra e era preciso que alguém viesse devolvê-la para, finalmente, realizar-se aquilo de que falara o rei-profeta: “A misericórdia e a fidelidade se encontraram juntas, a justiça e a paz se oscularam” (Sl 84, 11). O profeta Jeremias antevira esse Libertador esperado, portador da tão almejada paz messiânica, aplicando-Lhe estas palavras: “Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco – oráculo do Senhor -, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança” (Jr 29, 11).

Seu nascimento não foi coberto de pompas e glória, mas nasceu pobre, numa gruta nos arredores de Belém. Não era – como sonhavam os judeus – a figura do Messias dominador enviado para arrebentar as pesadas cadeias do jugo romano e exterminar ao fio da espada todos os inimigos do povo eleito. Não. Foi um tenro Menino, que ocultou sob as debilidades da infância o poder de um Deus. É verdadeiramente o “Príncipe da Paz” (Is 9, 5), prometido por Isaías, que veio trazer à Terra um oceano de bem e de amor, capaz de transmitir a felicidade plena ao universo inteiro e a mil mundos, caso existissem. Os Anjos do Céu, arautos de seu advento, transmitiram a boa-nova cantando um hino de paz: “Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na Terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 14).

“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”

Ao longo de sua vida pública, Jesus mostrou-Se todo amor e misericórdia. Fazer o bem era o seu lema. Não veio para condenar, mas para perdoar, para aliviar nossas costas dos fardos, e trazer ao mundo uma economia da graça totalmente nova. Chorou sobre a cidade de Jerusalém, soltando esta pungente lamentação: “Se tu conhecesses ainda o que te pode trazer a paz!” (Lc 19, 42). Chamou de bem-aventurados os pacíficos (cf. Mt 5, 9) e ordenou a seus discípulos: “Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!” (Lc 10, 5).

Após a Última Ceia, antes de partir para o Pai, quando Se preparava para derramar todo o seu Sangue como preço de nossa Redenção, deixou aos seus um precioso legado que os sustentaria em meio às tribulações que se aproximavam: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!” (Jo 14, 27).

A tranquilidade e o equilíbrio, arrebatados ao homem depois do pecado, foram-lhe restituídos com aquela saudação: “A paz seja convosco” (Jo 20, 19), empregada por Cristo, vitorioso sobre a morte, ao aparecer milagrosamente no meio de seus discípulos.

Assim, a paz entre Deus e os homens foi restabelecida pela Morte e Ressurreição do próprio Filho de Deus, o Verbo Eterno feito carne, o qual Se submeteu, obediente, ao que o Pai em sua justiça Lhe ordenara.  Mais tarde, São Paulo realçou essa pacificação, ao afirmar: “Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5, 1).

Que o Espírito Santo faça reflorescer a virtude na Terra

Entretanto, percorrendo com os olhos o mundo de nossos dias, encontramo-lo no extremo oposto da paz. No interior dos corações penetraram o tédio, a apreensão, a angústia e a frustração, para não falar do verme roedor do orgulho e da sensualidade. A instituição da família tornou-se, em muitos lugares, peça de museu. Os homens digladiam entre si, sem levar em conta o direito alheio. Em síntese, não há paz individual, nem familiar, nem mundial.

Mais uma vez na História, o povo anda na escuridão e jaz nas mais pavorosas trevas. A humanidade parece caminhar às apalpadelas e torna-se premente a necessidade de uma luz que a ilumine e guie, qual nova estrela de Belém.

Por esta razão, nossos corações se voltam à Rainha da Paz a fim de suplicar sua poderosa intercessão para que o Divino Espírito Santo, repetindo o milagre de Pentecostes, ateie nos corações o fogo da caridade. Se Ele fizer reflorescer a virtude na Terra, os homens procurarão a Deus de toda a alma, orientarão seus passos nas pegadas de Jesus, “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), e tomarão como fonte de conhecimento e modelo a ser imitado Aquele que disse: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Teremos assim uma sociedade impregnada de santidade, reflexo da sublimidade de Deus. Uma sociedade onde a força e a comiseração, a majestade e a bondade, a seriedade e a suavidade andarão juntas e se oscularão. Quanta doçura! Quanta ordem! Que paz!

Realizar-se-á afinal aquela profecia de Isaías: “Ah! Se tivesses sido atento às minhas ordens! Teu bem-estar assemelhar-se-ia a um rio, e tua felicidade às ondas do mar; tua posteridade seria como a areia, e teus descendentes, como os grãos de areia; nada poderia apagar nem abolir teu nome de diante de Mim” (Is 48, 18-19). Ou seja, firmar-se-á no mundo, como nunca antes, a paz de Cristo no Reino de Cristo. (Revista Arautos do Evangelho, Fevereiro/2015, n. 158, p. 18-19)


Fonte: Arautos do Evangelho

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PARA TUDO HÁ TEMPO

Se nos lembrássemos com frequência de que Deus é senhor de nossas vidas e tudo dispõe para nossa salvação eterna, certamente nos inquietaríamos menos com as dificuldades grandes ou pequenas.

Não faz muito tempo, tive oportunidade de visitar uma pequena aldeia de pescadores, numa região bastante afastada do centro urbano. A mim, acostumado desde criança aos recursos e facilidades que a grande cidade oferece, chamou-me a atenção a marcante diferença entre o estilo de vida do citadino e o do aldeão. E mais ainda, entre os dois tipos humanos.

As casas, bem alinhadas sobre uns rochedos próximos à costa, eram simpáticas e aconchegantes, embora longe de trazer a por do sol.JPGmarca da riqueza. Do lado de fora, sólidas redes de pesca penduradas, algumas com remendos, outras cobertas por uma espécie de limo verde.

Caminhando pelas ruas estreitas e irrepreensivelmente limpas, cruzei com bandos de crianças alegres e despreocupadas, homens caminhando sem pressa e, de vez em quando, uma mulher toda trajada de negro, cujo luto rigoroso era um sinal do destino de tantos homens que têm a ousadia de enfrentar o mar…

Vi só barcos médios e pequenos; alguns jaziam sobre a areia, outros balouçavam na água. Pelas redondezas da praia, grupos de pescadores entretinham- se numa conversa aparentemente sem fim, uns sentados em toscos bancos, outros em pedras ou mesmo no solo. Não vi indício algum de preparação para a pesca na manhã seguinte, mas, mesmo assim, perguntei ao velho aldeão que me servia de cicerone:

– A que horas vão sair para pescar amanhã?

– Oh, não… Amanhã é impossível… Vê aquelas pequenas nuvens que se avolumam lá longe no horizonte, e sente esse ventinho que sopra do sul? Esta noite desabará uma tempestade, e durante todo o dia de amanhã o mar estará revolto. Você compreende… Somos pescadores, e vivemos à mercê do mar. Se Deus nos concede bom tempo, saímos. Se Ele permite mau tempo, sentamos e esperamos. Não há de que se preocupar, muito menos de se irritar… Para tudo há tempo.

O velho pescador dizia isso muito tranqüilo, enquanto apertava os olhos para melhor observar as tais nuvens por ele indicadas. Seu tom de voz transmitia uma serenidade quase tão grande quanto o número de anos que lhe pesavam sobre os ombros.

Pouco depois, outros pescadores juntaram- se à conversa, contentes por poderem contar suas experiências a um visitante vindo da cidade grande. Durante algumas horas, narraram-me histórias de festivos dias de abundante pescaria, como também de dias tristes de escassez, e de lances trágicos em que, cheios de dor mas impotentes, viram um companheiro desaparecer para sempre sob as ondas do oceano impiedoso.

Causou-me viva impressão a naturalidade com que esses homens, curtidos pelo sal e pelo sol, encaravam essa oscilação entre a alegria e a dor, entre a abundância e a carência. No fim da tarde, segui meu caminho. Ao subir a colina, passei por uma enorme cruz, ali erguida em memória daqueles que o mar havia tragado. Ao longe, nuvens negras se aproximavam, confirmando a previsão do velho e experiente marinheiro.

Enquanto caminhava pela estrada, eu meditava no que tinha visto e ouvido. Admirava-me ver como aqueles aldeões seguiam, em sua vida de incertezas e sofrimentos, o exemplo de resignação dado pelo Divino Mestre: “Não se faça como Eu quero, mas sim como Tu queres” (Mt 26, 39).

A conformidade com a vontade de Deus nem sempre é uma virtude fácil de praticar. Se nos lembrássemos com freqüência de que Deus é senhor de nossas vidas e, em sua sabedoria, tudo dispõe para nossa salvação eterna, certamente nos inquietaríamos menos com as dificuldades grandes ou pequenas com as quais nos deparamos. A exemplo dos pescadores, saberíamos esperar passarem as tempestades e, contentes, “lançar de novo as redes” logo que sair o sol.

Claro está que a virtude da resignação não significa deixar-se cair num imobilismo fatalista, muito menos afundar-se mar.JPGnum comodismo que espera inerte as benesses caírem das nuvens. Trata-se de ter a sabedoria de se lançar com ardor nas lutas da vida, sabendo que, neste vale de lágrimas, os reveses são permitidos por Deus e os sofrimentos não constituem surpresas.

A Sagrada Escritura traz muitos ensinamentos a esse respeito, mas poucas passagens, a meu ver, ilustram tão bem esse espírito de serenidade e de submissão aos desígnios divinos como o capítulo terceiro do Eclesiastes, no qual o Sábio nos ensina:

“Todas as coisas têm o seu tempo e todas elas passam debaixo do céu segundo o termo que a cada uma foi prescrito. Há tempo de nascer e tempo de morrer. Há tempo de plantar. Há tempo de arrancar o que se plantou. Há tempo de matar e tempo de sarar. Há tempo de destruir e tempo de edificar. Há tempo de chorar e tempo de rir. Há tempo de se afligir e tempo de dançar. Há tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar. Há tempo de dar abraços e tempo de se afastar deles. Há tempo de adquirir e tempo de perder. Há tempo de guardar e tempo de lançar fora. Há tempo de rasgar e tempo de coser. Há tempo de calar e tempo de falar. Há tempo de amor e tempo de ódio. Há tempo de guerra e tempo de paz” (Ecl 3, 1-8).

Ao que parece, os rijos marinheiros da pequena aldeia não conhecem estas sábias considerações, nada neles indica homens muito versados nas Escrituras… Contudo, na simplicidade de suas vidas de sinceros cristãos seguem o exemplo a nós dado pelo Salvador: “Desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a de meu Pai que Me enviou” (Jo 6, 38).

Ao invés de viverem como tantas pessoas dos dias de hoje – cheias de angústia por falta de confiança na infinita bondade do Criador – aqueles resolutos pescadores enfrentam as inevitáveis dificuldades da vida, mas sabem esperar a bonança enviada por Deus, enquanto com voz calma e pausada repetem: “Para tudo há tempo…” (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2006, n. 54, p. 50-51)


Fonte: Arautos do Evangelho

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LANÇAMENTO DE NOVOS ORATÓRIOS EM SANTA TEREZA DO OESTE/PR

Após a Missão em Cascavel, prosseguindo as atividades de evangelização no Oeste Paranaense, os missionários partiram para a cidade de Santa Tereza do Oeste

Ir. Mozart Ramiro, EP

Entre os dias 05 e 11 de março deste ano, os missionários da Cavalaria de Maria realizaram Missão na Paróquia Santa Tereza D’Ávila em Santa Tereza do Oeste/PR, atendendo ao pedido do pároco, Revmo. Pe. Rosevaldo Bahls.

Percorreram as ruas da cidade, levando aos lares e estabelecimentos a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, a qual foi recebida com amor, carinho e grande entusiasmo pela população. As famílias abriram seus lares e o coração para receber Nossa Senhora.

Novos grupos do Apostolado do Oratório foram formados durante a Missão. Como sempre, se pôde notar a irresistível atração que Maria Santíssima exerce sobre as almas que Ela quer mais perto de Si e de seu Divino Filho.

Veja algumas fotos da Missão.


Fonte: Apostolado do Oratório

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SANTO DO DIA: SÃO FRANCISCO DE PAULA

São Francisco de Paula - Revista Arautos do Evangelho - Revista Católica

Místico e analfabeto, teve uma vida longa e santa voltada para o amor de Deus e santificação dos homens. A Santa Igreja o elevou às honras dos altares e sua festa é comemorada em 2 de abril, dia em que morreu, aos 91 anos, na Sexta-feira Santa de 1507

De um santo casal sem filhos…

Tiago e Viena formavam um casal que vivia em Paula, pequena cidade da Calábria, na Itália. Tiago era agricultor. Viena ajudava o marido no que era possível a uma mulher fazer. Juntos, eles constituíam um casal católico exemplar.

Embora levando uma vida difícil, procuravam santificar-se: rezavam bastante, jejuavam, praticavam boas obras, faziam penitência. Consideravam-se felizes. A felicidade de situação em que viviam, no entanto, era empalidecida por algo lhes penalizava: não conseguiam ter filhos.

…milagrosamente, nasce um menino…

Não faltavam pedidos, orações e sacrifícios para que Deus lhes enviasse um filho. Pediam muito a intercessão de São Francisco de Assis, de quem eram devotos. Prometeram até que, se o santo lhes atendesse, dariam o nome de Francisco ao primeiro dos filhos que tivessem.

Deus ouviu tão prementes e piedosos pedidos: nasceu-lhes um filho. O menino tinha uma infecção nos olhos e poderia ficar cego. De novo procuraram São Francisco. Com respeito, pediam que ele atendesse por inteiro o pedido deles e não apenas pela metade.

Tiago e Viena prometiam ao Santo que, se ele curasse o menino, tão logo a idade o permitisse, ele seria vestido com o hábito de frade franciscano e colocado, por um ano, num convento da Ordem de São Francisco.

Novamente o casal foi atendido. Francisco crescia saudável, abençoado por Deus e com evidentes pendores para a santidade. Até os 12 anos seguia o exemplo paterno: rezava e praticava penitência.

…que se tornou um “menino frade”, exemplar, obediente e milagreiro.

São Francisco de Paula - Revista Arautos do Evangelho - Revista Católica

O tempo passou e Tiago e Viena não tinam cumprido ainda a promessa feita. Um dia apareceu na casa deles um frade franciscano lembrando que chegara a hora de cumprirem a promessa feita. Os pais, de bom grado, levaram o jovenzinho com o hábito de São Francisco para o convento de São Marcos, onde era observava rigorosamente a regra da Ordem dos Frades Menores.

O jovem Francisco, mesmo não estando obrigado, cumpria com exatidão as normas conventuais. E isso a tal ponto que se tornou modelo de observância da regra. Era exemplo até para os frades mais experimentados e vividos nas práticas religiosas. Já nessa ocasião, alguns fatos extraordinários marcaram a vida do pequeno Francisco.

Um dia o irmão sacristão ordenou-lhe que fosse buscar brasas para o turíbulo. Porém, esqueceu-se de dizer a Francisco como deveria proceder. Com toda simplicidade e inocência, ele atendeu ao pedido colocando as brasas em seu hábito e as levou ao irmão sacristão. Seu hábito nada sofreu.

Em uma outra ocasião, ele ficou como encarregado da cozinha. Pôs os alimentos em uma panela e a colocou sobre o carvões e lá a deixou. Em seguida foi para a igreja rezar, esquecendo-se de acender o fogo…

Rezando, entrou em estase, e tempo foi passando. Um frade entrou na cozinha e viu o fogo apagado. Procurou Francisco perguntando se a refeição estava pronta. O jovem respondeu que sim e, em seguida, foi para a cozinha. Não se sabe como, o certo é que o fogo estava aceso e os alimentos cozidos…

Fez-se um Eremita adolescente…

Claro que os bons frades do convento de São Marcos queriam que o jovem Francisco continuasse entre eles. Era um adorno para o convento aquele adolescente que já dava tantos indícios de santidade. O jovem, no entanto, sentia-se chamado para outro estado de vida.

Tendo já cumprido a promessa de ficar um ano no convento, com os pais, ele foi conhecer Roma, Assis, Loreto e Monte Cassino. Ficou impressionado com Monte Cassino.

Soube que naquele lugar São Bento estabelecera-se aos 14 anos para entregar-se todo a Deus, ele fez também o mesmo propósito: pediu aos pais que o deixassem viver como eremita na chácara que habitavam. Tiago e Viena aceitaram o pedido do filho. E não só consentiram que se mudasse para sua “ermida”, mas passaram a levar-lhe a alimentação.

Mas, Francisco deseja ser mais radical em sua solidão. Um dia ele desapareceu: havia subido a uma montanha próxima. Nela encontrou uma pequena gruta e a transformou no local onde passou a morar por seis anos.

Vivia exclusivamente para Deus, na contemplação e penitência. Seu alimento eram raízes e ervas silvestres.

De acordo com uma tradição corrente na Ordem fundada por ele, foi nessa gruta eremítica que ele recebeu, das mãos de um Anjo, o hábito monástico.

…aprovado pelo Bispo e com discípulos, funda uma Ordem Religiosa.

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Com 19 anos de idade, Francisco obteve licença do Bispo local para construir um mosteiro no alto de um monte próximo a Paula. Logo surgiram os primeiros discípulos e auxiliares.

Da construção desse Mosteiro participaram os habitantes da cidade. Pouco importando que fossem ricos ou pobres, nobres ou plebeus. Era um verdadeiro milagre: todos queriam ajudar. Eles foram testemunhas de inúmeros milagres.

Viram pedras se deslocarem à uma simples ordem de Francisco. Árvores pesadas e pedras enormes tornavam-se leves para serem removidas ou transportadas. Os víveres, cuja quantidade mal daria para saciar a fome de um só trabalhador, alimentavam a muitos. Até pessoas enfermas que iam participar das construções ficavam curadas.

Foi dai que nasceram as origens da “Ordem dos Mínimos”, ordem religiosa fundada oficialmente por São Francisco de Paula em 1435.

Arcanjo São Miguel era seu protetor e também da Ordem que ele fundou. Foi o Arcanjo quem trouxe-lhe uma espécie de ostensório no qual aparecia o sol tendo um fundo azul e escrita a palavra Caridade. São Miguel mostrou-lhe ostensório e recomendou ao Santo tomá-lo como emblema de sua Ordem.

Francisco tinha na simplicidade de vida um coroamento de todas suas virtudes. Ele era bom, franco, cândido, serviçal, sempre disposto a fazer o bem a qualquer um. Esse espírito, ele comunicou em abundância a seus filhos espirituais.

Fatos, profecias e mais milagres

A Divina Providencia distribui seus dons a quem fará uso deles para maior glória de Deus. Sendo assim, é o caso de dizer que São Francisco de Paula glorificou muito a Deus, aplicando esses dons abundantemente. Até parece que seu carisma constituía-se em fazer milagres.

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Um autor chegou a afirmar sobre ele: “Não há espécie de doenças que ele não tenha curado, de sentidos e membros do corpo humano sobre os quais não tenha exercido a graça e o poder que Deus lhe havia dado. Ele restituiu a vista a cegos, a audição a surdos, a palavra aos mudos, o uso dos pés e mãos a estropiados, a vida a agonizantes e mortos; e, o que é mais considerável, a razão a insensatos e frenéticos”. “Não houve jamais mal, por maior e mais incurável que parecesse, que pudesse resistir à sua voz ou ao seu toque. Acorria-se a ele de todas as partes, não só um a um, mas em grandes grupos e às centenas, como se ele fosse o Anjo Rafael e um médico descido do Céu; e, segundo o testemunho daqueles que o acompanhavam ordinariamente, ninguém jamais retornou descontente, mas cada um bendizia a Deus de ter recebido o cumprimento do que desejava” (1).

Francisco ressuscitou seu próprio sobrinho chamado Nicolas. Ele queria ser monge na Ordem que seu tio havia fundado. Mas sua mãe se opôs ferrenhamente a isso.

Nicolas adoeceu e morreu.

O corpo estava sendo velado na igreja do convento e Francisco pediu que o conduzissem à sua cela. Passou a noite em lágrimas e orações. Foi assim que, naquela noite, ele obteve de Deus que o rapaz fosse ressuscitado.

Quando, na manhã seguinte, a mãe de Nicolas veio para assistir ao sepultamento do filho, Francisco perguntou-lhe se ela ainda se opunha a que ele se fizesse religioso. “Ah!” – disse ela em lágrimas – “se eu não me tivesse oposto, talvez ele ainda vivesse”. – “Quer dizer que você está arrependida?” – insistiu o Santo. – “Ah, sim!”. Francisco, então, trouxe-lhe o filho são e salvo.

Em prantos, a mãe abraçou o filho concedendo a licença que havia negado.

Tornou-se famosa outra ressurreição realizada pela intercessão de Francisco. Foi aquela em que viveu novamente um homem malfeitor que a justiça havia enforcado três dias antes.

São Francisco de Paula não só lhe restituiu a vida do corpo, como também a da alma. Mas Francisco também ressuscitou duas vezes a mesma pessoa: Tomás de Yvre, era habitante de Paterne, França, e trabalhava na construção do convento de sua cidade. Num acidente ele foi esmagado por uma árvore. São Francisco o ressuscitou.

Algum tempo depois, Tomás caiu do alto do campanário e morreu em consequência da queda. Novamente o Santo restituiu-lhe a vida. São Francisco era também dotado de uma graça especial para a obtenção do favor da maternidade para mulheres estéreis. Muitos milagres desse gênero foram relatados no processo de canonização do Santo em Tours. Alguns deles foram acontecidos em casas reais ou principescas.

Um analfabeto cheio de sabedoria e santidade

Na verdade ele era analfabeto, mas isso pouco importa. Em suas homilias, ele pregava com tanta sabedoria que deixava seus ouvintes extasiados e entusiasmados: a boca fala é da abundancia do coração…

Em seu modo de ser, de portar-se e agir brilhavam em grau heroico a virtude da sabedoria, além da prudência, da justiça, da temperança e da fortaleza. Por isso, mesmo é que esse Santo não alfabetizado mão sentiu nenhum constrangimento ao conversar ou dar conselhos a Papas, reis e a grandes deste mundo.

Ficar na França foi discernimento da vontade de Deus

Sua fama chegou até na França. O Rei Luís XI estava atacado por doença que poderia levá-lo à morte. E não duvidou: pediu ao Santo que fosse até a França para curá-lo. Mas Francisco só se dirigiu à côrte francesa depois de uma ordem formal do Papa.

A ida dele foi providencial para a expansão de sua Ordem não só na França, mas também em outros países da Europa, como Alemanha e Espanha.

Estando com o Rei, ele discerniu que a vontade de Deus não era que ele se curasse, mas, em seus desígnios queria levá-lo desta vida. Sem temor, ele disse isso a Luís XI e, com isso, preparou-o para a morte. Foi nessas circunstancias que o monarca confiou a Francisco a formação de seus filhos, sobretudo ao principe herdeiro que tinha, então, apenas 14 anos.

Francisco foi também o confessor da Princesa Joana. Depois que de repudiada por seu marido, o futuro Luís XII, tornou-se religiosa e, morrendo santamente, foi canonizada recebendo a maior das honras, a dos altares. Foi por conselho de Francisco que o Rei Carlos VIII casou-se com Ana de Bretanha, herdeira única daquele ducado, que veio assim unir-se ao Reino da França.

Imitou Jesus até a morte

São Francisco de Paula - Revista Arautos do Evangelho - Revista Católica

Francisco dormia sobre umas pranchas. Isso quando dormia, pois, geralmente passava grande parte das noites rezando. Parecia viver continuamente em espírito de quaresma. Muitas vezes, comia apenas a cada oito dias. Para melhor imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo, uma vez, passou toda uma quaresma sem alimentar-se.

Seu hábito era de um tecido grosseiro, bem rude. Embora, como penitencia, o usasse dia e noite, era limpo e dele subia um odor agradável a todos os olfatos.

Seu rosto, sempre tranquilo e ameno, parecia não se ressentir das austeridades que praticava e nem dos efeitos da idade.

A alguém com uma vida assim levada por amor de Deus, não haveria demônio que o resistisse. Foram inúmeros os casos de possessos que ele livrou do jugo diabólico.

São Francisco de Paula tinha como devoções particulares o culto ao mistério da Santíssima Trindade e da Anunciação da Virgem, uma veneração aos nomes santíssimos de Jesus e Maria e uma verdadeira adoração à pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto padecendo a Paixão.

Seria indício de uma identificação a mais com Nosso Senhor, quem, tendo essas devoções viesse a morrer no dia em que nossa Redenção se consumou.

E foi o que aconteceu: na Sexta-feira Santa do ano de 1507, aos 91 anos de idade ele faleceu.

Mas, ele “morreu” ainda uma segunda vez…

Durante as Guerras de Religião na Europa, os protestantes calvinistas, em 1562, invadiram o convento de Plessis, França. Ali estava enterrado o Santo. Então, como ele havia predito, seu corpo, ainda incorrupto, foi tirado do sepulcro e foi queimado com a madeira pertencente a um grande crucifixo da igreja. Ele, praticamente, foi martirizado depois da morte.

A gloria de São Francisco de Paula permanece até nossos dias, apesar do ódio dos inimigos da fé. E permanecerá para sempre.

São Francisco de Paula


Fonte: Revista Arautos do Evangelho

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PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO

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A RESSURREIÇÃO DO SENHOR

Quia surrexit sicut dicit… Tal como havia anunciado aos seus (Mt 16, 21; 17,9; 17, 22; 20, 19; Jo 2, 19, 20 e 21; Mt 12, 40), Jesus ressuscitou

 

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Esse supremo fato já havia sido previsto por David (Sl 15, 10) e por Isaías (Is 11, 10).

São Paulo ressaltará o valor desse grandioso acontecimento: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Cor 15, 14).

Daí a importância capital da Páscoa da Ressurrei­ção, a magna festa da Cristandade, a mais antiga, e centro de todas as outras, solene, majestosa e pervadida de júbilo: “Haec est dies quam fecit Dominus. Exultemus et laetemur in ea” — esse é o dia que o Senhor fez, seja para nós dia de alegria e felicidade (Sl 117, 24).

Na liturgia, essa alegria é prolongada pela repetição da palavra “aleluia”, pelo branco dos paramentos e pelos cânticos de exultação. Com razão dizia Tertuliano: “Somai todas as solenidades dos gentios e não chegareis aos nossos cinqüenta dias de Páscoa” (De idolatria, c 14).

Na Ressurreição do Senhor, além de contemplarmos o triunfo de Jesus Cristo, celebramos também a nossa futura vitória, sendo aplicáveis a nós as belas palavras de São Paulo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?” (1 Cor 15, 55).

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“Morrendo, destruiu a morte, e, ressurgindo, deu-nos a vida; Nossa morte foi redimida pela sua e na sua Ressurreição ressurgiu a vida para todos; Imolado, já não morre; e, morto, vive eternamente; E, destruindo a morte, garantiu-nos a vida em plenitude” (Liturgia de Páscoa).


Fonte: Apostolado do Oratório

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SÁBADO SANTO: A VIGÍLIA PASCAL

No sábado santo honra-se a sepultura de Jesus Cristo e a sua descida ao Limbo, e, depois do sinal do Glória, começa-se a honrar a sua gloriosa ressurreição.

A noite do sábado santo é especial e solene, é denominada também como Vigília Pascal.

A Vigília Pascal, era antigamente à meia-noite, mas depois foi mudada para ser a partir das 20 horas, no entanto, ela não pode começar antes do início da noite e deve terminar antes da aurora do domingo.

É considerada “a mãe de todas as santas Vigílias” (S. Agostinho, Sermão 219: PL 38, 1088. 1). Nela a Igreja mantém-se em vigília, à espera da Ressurreição do Senhor. E celebra-a com os sacramentos da Iniciação cristã. Esta noite é “uma vigília emfogareiro - Sábado santo.jpg honra do Senhor” (Ex 12,42).

Assim ouvindo a advertência de Nosso Senhor no Evangelho (Lc 12, 35), aguardamos o retorno do Senhor, tendo nas mãos lâmpadas acesas, para que ao voltar nos encontre vigilantes e nos faça sentar à sua mesa.

A vigília desta noite é dividida do seguinte modo:
1º – A celebração da luz;
2º – A meditação sobre as maravilhas que Deus realizou desde o início pelo seu povo, que confiou em sua palavra e sua promessa;
3º – O nascimento espiritual de novos filhos de Deus através do sacramento do batismo;
4º – E por fim a tão esperada comunhão pascal, na qual rendemos ação de graças a Nosso Senhor por sua gloriosa ressurreição, na esperança de que possamos também nós ressurgir como Ele para a vida eterna.

Benção do lume novo

As luzes da igreja estão todas apagadas. Do lado de fora está um fogareiro preparado pelo sacristão antes do início das funções, com a faísca tirada de uma pedra.

Junto está uma colher para recolher as brasas e colocá-las dentro do turíbulo. Então o celebrante abençoa o fogo e o turiferário recolhe algumas brasas bentas e as coloca no turíbulo.

A benção se originou na Gália (França). O costume de extrair fogo golpeando uma pedra provém da antiguidade germânica. A pedra representa Cristo, “a pedra angular” que, sob os golpes da cruz, jorrou sobre nós o Espírito Santo.

O fogo novo, representativo da Ressurreição de Nosso Senhor, luz Divina apagada por três dias, que há de aparecer ao pé do túmulo de Cristo, que se imagina exterior ao recinto da igreja, e resplandecerá no dia da ressurreição.

Este fogo deve ser novo porque Nosso Senhor, simbolizado por ele, acaba de sair do túmulo. Essa cerimônia era já conhecida nos primeiros séculos. Tem sua origem no costume romano de iluminar a noite com muitas lâmpadas. Essas lâmpadaspassam a ser símbolo do Senhor Ressuscitado dentro da noite da morte.

O círio pascal

Este talvez seja o único objeto litúrgico que pode ser visto apenas por quarenta dias. Surge no início da vigília pascal e no dia da Ascensão do Senhor desaparece. O círio pascal é símbolo da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a evocação de Cristo glorioso, vencedor da morte.

Originalmente o círio tinha a altura de um homem, simbolizando Cristo-luz que brilha entre as trevas. Os teólogos enriqueceram-no com elementos simbólicos. Um acólito traz ao celebrante o círio pascal, que grava no mesmo as seguintes inscrições:

1º – Uma cruz. Dizendo: “Cristo ontem e hoje. Princípio e fim”.

2º – As letras Alfa e Ômega, a primeira e a última do alfabeto grego. Isso quer significar que Deus é “o principio e o fim de tudo”, que tudo provém de Deus, subsiste por causa dele e vai para ele: “Alfa e Ômega”.

3º – Os algarismos, colocados entre os braços da cruz, marcando as cifras do ano corrente. É para expressar que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é o princípio e o fim de tudo, o Senhor do tempo, é o centro da História e a Ele compete o tempo, a eternidade, a glória e o poder pelos séculos, a ele oferecemos este ano e tudo o que nele fizermos; “A ele o tempo e a eternidade a glória e o poder pelos séculos sem fim. Amém”.

4º – Cinco grãos de incenso em forma de cravos, nas cinco cavidades previamente feitas no meio do círio, dispostas em forma de cruz. Esse cerimonial simboliza as cinco chagas de Nosso Senhor nas quais penetraram os aromas e perfumes levados por Santa Maria Madalena e as santas mulheres ao sepulcro.

O incenso é uma substância aromática que queimamos em louvor a Deus. Sua fumaça, subindo, simboliza nosso desejo de permanente união com Ele e de que nossa vida, nossas ações e nossas orações sejam agradáveis ao Senhor.

A fumaça representa também, nossa oração, que desejamos chegue a Deus, como suave perfume de amor. Esses grãos simbolizam ainda as cinco chagas gloriosas do Cristo Ressuscitado que lhe possibilitaram amar-nos totalmente, conforme EleCírio Pascal..jpg mesmo dissera: “Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15, 13): “Por suas santas chagas, suas chagas gloriosas, Cristo Senhor nos proteja e nos guarde. Amém”. O sacerdote acende depois o círio, no fogo novo por ele abençoado. O círio servirá para dar lume às demais velas e à lamparina do santuário.

A procissão feita com o Círio Pascal

Após a cerimônia de preparação do Círio Pascal, é ele solenemente introduzido no templo por um diácono que por, três vezes, ao longo do cortejo pela nave central, canta elevando sucessivamente o tom: “Lumen Christi” (Eis a luz de Cristo).

O coro e o povo respondem: “Deo gratias”. (Graças a Deus). Em cada parada, aos poucos, vão sendo acesas as velas.

Na primeira parada é acesa a vela do celebrante; na segunda, feita no meio do corredor central, são acesas as velas dos clérigos; na terceira vez por fim, se acendem as velas dos assistentes que comunicam as chamas do círio bento até toda a igreja estar iluminada.

As velas são acesas no Círio Pascal, pois nossa luz vem de Cristo.

O diácono, que vem vindo, é, portanto, mensageiro e arauto da nova auspiciosa. Anuncia ao povo a Ressurreição de Cristo, como outrora o Anjo às santas mulheres.

As palavras “Lumen Christi”, significam que Jesus Cristo é a única luz do mundo.

A procissão, que se forma atrás do Círio Pascal é repleta de símbolos.

É alusão às palavras de Nosso Senhor: “Eu Sou a Luz do mundo. Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12; cf. Jo 9,5; 12,46).

O círio, conduzido à frente, recorda a coluna de fogo pela qual Javé precedia na escuridão da noite o povo de Israel ao sair da escravidão do Egito e lhe mostrava o caminho (Ex 13, 21).

O cristão é aquele que, para iluminar, se deixa consumir, que em sua luz acende outras, dando sua própria, vida, como ensinou e o fez Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Jo 15,13).

O Precônio pascal

Ao término da procissão, na qual se introduz o Círio no interior do Templo, é ele colocado em local apropriado. Com a vela acesa na mão renovamos nossa fé, proclamando Jesus Cristo como sendo a Luz do mundo que ressurgiu das trevas para iluminar nosso caminho.

Lembras-se aqui também que, por vocação todo cristão é chamado a ser também luz, como o próprio Cristo nos diz: “Vós sois a luz do mundo. Que, portanto, brilhe vossa luz diante dos homens, para que as pessoas vejam vossas boas obras, e glorifiquem vosso Pai que está nos céus!” (Mt 5,14.16).

O diácono, após incensar o círio e o livro, canta o Precônio Pascal (Praeconium pascale, significa anunciação da páscoa), emque se exaltam os benefícios da Redenção, e que é um belo poema, fruto de uma meditação realizada a partir da vela, contemplando o trabalho das abelhas e o material para a confecção da vela, o significado da luz ao longo da história de Israel e, de modo especial, sobre Jesus, a Luz do mundo.

As palavras deste hino são atribuídas a Santo Ambrósio e Santo Agostinho.

É esse canto o antigo lucernário da vigília pascal. O nome lucernário foi dado às orações que se diziam na reunião litúrgica ao acenderem-se as luzes ao anoitecer. Dai em diante o Círio Pascal estará aceso em todas as funções, durante quarenta dias, recordando a permanência na terra de Cristo ressuscitado.

O Círio será retirado do presbitério no dia da Ascensão, isto é, no momento em que Jesus Cristo ressuscitado sobe ao céu.

Leitura das profecias

Nos primórdios da Igreja, aqui estava como que o centro da Vigília, antes da Missa Pascal.

Nesta hora, aproximavam-se os catecúmenos, para receberem o Batismo. A fim de ocupar a atenção dos fiéis e para maior instrução dos catecúmenos, liam-se na tribuna passos da Sagrada Escritura apropriados ao ato. Eram as doze profecias, como que um resumo histórico da religião: criação, dilúvio, libertação dos israelitas, oráculos messiânicos.

Atualmente são feitas apenas nove leituras, sete do Antigo Testamento e duas do Novo.

Para cada leitura, há uma oração, com cântico ou salmo responsorial. Após a sétima leitura, são acesas as velas do altar a partir do Círio Pascal e o sacerdote entoa o canto do Glória in excelsis Deo, com acompanhamento de instrumentos musicais e de sinos, que ficaram calados durante todo o tríduo sagrado. A Igreja, portanto, entra inteira na alegria pascal. Logo em seguida é feita a primeira leitura, do Novo Testamento (Rm 6,3-11), que é sobre o Batismo. Após o término das leituras, o sacerdote entoa o canto solene do “Aleluia”, quebrando o clima de tristeza que acompanhava o tempo da quaresma. Esse leitura das profecias - Sábado santo.jpgcanto solene, repetido gradativamente três vezes em tom cada vez mais alto, representa a saída de Cristo da sepultura e expressa o crescente júbilo pela vitória do Senhor.

Por fim, proclama-se um trecho do evangelho sobre a Ressurreição de Jesus, levando-se em consideração o ciclo anual de A, B e C.

Eis as leituras todas: 1ª leitura: Gn 1,1-2,2 (ou 1,1.26-31a); 2ª leitura: Gn 22,1-18 (ou 22,1-2.9a.10-13.15-18); 3ª leitura: Ex 14,15-15,1; 4ª leitura: Is 54,5-14; 5ª leitura: Is 55,1-11; 6ª leitura: Br 3,9-15.32-4,4; 7ª leitura: Ez 36,16-17a.18-28; 8ª leitura: Rm 6,3-11; Evangelhos (9º texto): a) Ano A: Mt 28,1-10; b) Ano B: Mc 16,1-12; c) Ano C: Lc 24,1-12.

Bênção da pia batismal

Terminada a leitura das Profecias, vai o Clero para a pia batismal.

Na frente do cortejo, a cruz e o círio pascal, símbolos de Cristo que deve alumiar a nossa peregrinação terrena, como em outras eras a nuvem luminosa norteava o rumo dos israelitas no deserto.

O celebrante abençoa a água num magnífico prefácio em que são lembradas as maravilhas que Deus quis operar por meio da água; depois, com a mão divide em quatro partes a água já purificada, e derrama algumas gotas nos quatro pontos cardeais.

Na pia batismal, mergulha-se, por três vezes, o Círio Pascal, simbolizando o poder regenerador que Jesus Ressuscitado dá a essa água e, também, nossa participação em seu mistério pascal, no qual morremos ao pecado e ressuscitamos para a vida da graça.

Ainda é colocada nessa pia com água batismal um pouco do óleo dos catecúmenos e do santo crisma. Essa água será usada nos batizados ao longo do ano e na aspersão do povo.

Quando não há batismo-confirmação, sempre se benze a água, que é levada solenemente até a pia batismal.

Antigamente, após os ritos preparatórias, era administrado o batismo solene aos catecúmenos (os que se iniciavam na fé cristã) e que, durante três anos, estavam, num processo intenso de preparação para ingressar na Igreja, com um rigor maior na Quaresma e na Semana Santa. E findos os ritos preparatórios, os catecúmenos eram levados ao lugar onde receberiam o Batismo.

Esta cerimônia recorda a aspersão dos fiéis que o celebrante faz através da igreja, com a água acabada de benzer.

Depois da benção da Pia Batismal, o cortejo volta ao coro cantando a “Ladainha de todos os Santos” para recordar os que viveram com fidelidade a graça batismal.

Chegados ao pé do altar, o celebrante e seus ministros prostram-se para meditar ainda na morte e sepultura de Nosso Senhor.

A apresentação dos candidatos à comunidade e o canto da ladainha de Todos os Santos mostram a universalidade da Igreja.

O final do Sábado Santo, com seus três aspectos do mesmo e único mistério pascal, morte, sepultamento e ressurreição de Jesus, está no ápice do Tríduo Pascal.

Primeiro está a morte na Sexta-feira; depois Jesus no túmulo, no sábado; e, em seguida, a ressurreição, no Domingo, iniciada, porém, na noite de sábado, na Vigília Pascal.

Missa solene

A missa é a primeira das duas que são cantadas na páscoa. Esta celebração mostra um caráter de extremo júbilo e magnificência, em forte contraste com a mágoa intensa da sexta-feira santa.

Vemos agora os altares e os dignatários paramentados em grande gala. Ouvem-se as notas alegres do Gloria in excelsis, unidas ao repicar festivo dos sinos.

O aleluia que não era ouvido desde o início da quaresma, volta a ser entoada após as leituras. Essa é na realidade a missa da madrugada da Páscoa. É por assim dizer, a aurora da ressurreição. (Por Emílio Portugal Coutinho)


Fonte: Arautos do Evangelho

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Ó CRUZ, ÚNICA ESPERANÇA!

O culto oito vezes secular à “Santíssima e Vera Cruz” de Caravaca lembra-nos que o Sagrado Madeiro não é símbolo de morte e de derrota, mas sim anúncio de salvação e caminho seguro para a glória celeste.

22Cruz_de_caravaca.jpgCorria o ano de 1232. A Península Ibérica encontrava-se ainda em plena Reconquista, dividida em vários reinos. Sancho II governava em Portugal; Jaime I, em Aragão; e Fernando III, o Rei Santo, em Leão e Castela.

Do lado muçulmano, o declínio da dinastia Almóada fora aproveitado por Ibn-Hud para se apossar de uma ampla região do sul da Espanha e se fazer proclamar emir em Múrcia. A cidade de Valência, entretanto, era ainda governada por Ceyt Abu-Ceyt, descendente daquela dinastia. Sob o domínio deste último encontrava-se a fortaleza de Caravaca, em cujo alcácer, segundo a tradição histórica local, deu-se no dia 3 de maio desse ano, “um acontecimento maravilhoso e único”.1

Acompanhemos o relato que dele nos fazem as antigas crônicas.2

Dando ocupação aos prisioneiros

Encontrando-se naquela fortaleza, e visando tirar melhor proveito dos prisioneiros que lá havia, o governador Abu-Ceyt começou a interrogá- los sobre a respectiva profissão e ocupá-los segundo as respectivas aptidões. Quando chegou a vez do padre Ginés Pérez Chirinos, o governador perguntou-lhe:

– E tu, que sabes fazer?

– Eu sei celebrar Missa.

– O que significa isso? – replicou Abu-Ceyt.

Padre Ginés explicou-lhe ser o mais alto e principal encargo do sacerdote cristão celebrar a Eucaristia, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo na Última Ceia. Durante a mesma, esclareceu, o pão e o vinho passam a ser o Corpo e o Sangue do Deus verdadeiro.

– Não acredito! – replicou-lhe incrédulo. Mostra-me como isso acontece.

– Se me deres quanto preciso para celebrar Missa, eu o farei – redarguiu o sacerdote.

Abu-Ceyt aquiesceu. Feita a lista dos paramentos e alfaias litúrgicas necessários, o alcaide mandou logo providenciá-los.

Milagrosa aparição da Cruz

No dia seguinte, o padre Chirinos rezou bem de manhã seu breviário. Logo após, dirigiu-se ao salão principal da fortaleza, onde fez cuidadosamente todos os preparativos para a Eucaristia e vestiu os paramentos.

Já seguia rumo ao improvisado altar para dar início à celebração quando percebeu a ausência do crucifixo. Sem conseguir explicar como pudera esquecê-lo, disse consternado ao governador:

– Senhor, falta-me uma das coisas mais importantes para celebrar a Missa: a Cruz.

– Mas… não é isso que está em cima da mesa? – perguntou o alcaide apontando para o altar.

O sacerdote voltou-se e viu, admirado, uma Cruz patriarcal de 17cm de altura com duas hastes transversais, de 7 e 10cm. Transido de devoção, ajoelhou-se, osculou-a e deu início à Santa Missa, terminada a qual, Abu-Ceyt pediu para ser batizado.

Oito séculos de devoção

A Cruz de Caravaca é um lignum crucis – fragmento da verdadeira Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo – recolhido no interior de um belo relicário. Segundo antiga tradição, este era usado como cruz peitoral pelo Patriarca de Jerusalém, Dom Roberto, empossado como Bispo da Cidade Santa no ano de 1099. Daí o seu singular formato, com duas hastes transversais, símbolo do poder patriarcal. Sejam quais forem as circunstâncias em que ela chegou a Caravaca, não se pode duvidar de sua presença na cidade em pleno século XIII. Já no ano de 1285 sua silhueta é representada no escudo da municipalidade, e datam da mesma época os primeiros relatos orais do miraculoso aparecimento.

Desde os primórdios, a devoção à “Santíssima e Vera Cruz” de Caravaca difundiu-se por todo o mundo cristão. Da Espanha medieval – onde logo adquire fama de milagrosa protetora na tormentosa vida fronteiriça- passou para os outros países europeus e estendeu-se depois às nações americanas.

A partir de 1392 – quando Clemente VII concede as primeiras indulgências -, os Papas têm outorgado regularmente privilégios aos peregrinos que acorram a venerar a sagrada relíquia. Em 1736, é-lhe reconhecido pela Igreja o culto de latria.

Ao longo desses quase oito séculos, desenvolveu-se também um rico e variado ritual em torno dela: bênção das flores e dos campos, uma peculiar bênção da água e do vinho, além de uma espécie de romaria durante a qual a sagrada relíquia visita as casas dos enfermos impedidos de comparecer à igreja.

Em fins do século XV, a pequena capela do alcácer de Caravaca foi acrescida de uma nave de maiores proporções. E, em 1617, iniciou-se a construção da atual Basílica-Santuário.

Também o relicário que contém o lignum crucis tem passado por sucessivas reformas, sendo o atual uma maravilhosa obra de ourivesaria, ornada com pedras preciosas.

Uma mensagem atual

Setecentos e cinquenta anos após a milagrosa aparição, o culto à “Santíssima e Vera Cruz” recebeu um novo impulso por parte do Papa João Paulo II. Em 1981, ele concedeu à Basílica-Santuário um ano jubilar para comemorar esse aniversário. Em 1996, proclamou novo Ano Santo e, dois anos depois, outorgou um jubileu in perpetuum, de sete em sete anos, a começar em 2003.

O primeiro desses períodos de graça foi precedido por uma Missa solene na basílica, celebrada pelo Cardeal Joseph Ratzinger, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 1º de dezembro de 2002, primeiro domingo do Advento. Durante a homilia, ele fez uma esplêndida interpretação teológica do antiquíssimo relato, tomando por base o exemplo do padre Ginés Pérez Chirinos, para recordar a grandeza da vocação sacerdotal e lembrar que é o próprio Cristo quem toma possessão do presbítero, atuando por meio dele e “pronunciando por boca do sacerdote as palavras santas que transformam as coisas terrenas num mistério divino”.

Após estender-se nas relações entre a Eucaristia e a Cruz, concluiu o atual Papa com esta tocante exortação: “A cruz, à qual nos remete a Santa Eucaristia e cujo sinal exterior é a Santa Cruz de Caravaca, é a força santa com que Deus bate à porta dos nossos corações e nos acorda. Ver a Cristo crucificado significa vigiar e, em consequência, viver com retidão. Senhor, abri o Céu! Fazei- -nos vigilantes para que Vos reconheçamos, oculto no meio de nós”.

A frase adotada como lema para o Ano Santo 2010, que agora celebramos – Ó Cruz, única esperança! -, foi escrita pelo próprio Cardeal Ratzinger, por ocasião dessa sua visita ao Santuário. Ela nos recorda que a Cruz é nossa esperança no presente e o será em todos os tempos. A Cruz não é um símbolo de morte e de derrota; ao contrário, é anúncio de salvação e caminho seguro para chegar à glória celeste.


Por Padre Carlos Toneli, EP

(in “Revista Arautos do Evangelho”, Set/2010, n. 105, p. 38-39)

……………………………………………

1 – Homilia pronunciada pelo Cardeal Joseph Ratzinger, na Basílica-Santuário da Santíssima e Vera Cruz de Caravaca (1/12/2002). Texto íntegro em http://www.diocesisdeteruel. org/pdf y otros/Adviento 2007/HOMILIAS/Homilía en el SantuarioCaravaca.pdf.

2 – Uma interessante análise historiográfica dos relatos do milagre é feito em BALLESTER LORCA, Pedro. La Cruz de Caravaca – Historia, rito y tradición. 11.ed. Caravaca de la Cruz: Real e Ilustre Cofradía de la Cruz, 2006.


Fonte: Conteúdo publicado em gaudiumpress.org

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AS SETE DORES DE NOSSA SENHORA

A quaresma, sobretudo na Semana Santa, é uma época oportuna para acompanharmos as dores de Nossa Senhora

Assista ao vídeo

Convidamos você para estarmos ao lado de Virgem Dolorosa em sete das dores sofridas pela Mãe de Deus.

Aqui estão episódios extraídos dos Santos Evangelhos. Eles formam o caminho de dores da Filha amorosa de Deus Pai sofrendo em sua alma padecimentos semelhantes aos da Paixão de seu Divino Filho.


Fonte: Apostolado do Oratório

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A MAJESTADE CRUCIFICADA

A Majestade Crucificada, eis como Dr. Plinio considera o Divino Redentor pregado na Cruz. Medite com Dr. Plinio nesta Sexta-feira Santa. Assista o vídeo publicado pela TV Arautos.

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