MILAGRE NO CONVENTO DA PENHA

Solidamente assentado sobre elevado rochedo, o Convento da Penha é um dos mais abençoados lugares de peregrinação do Brasil. Sua localização lembra as antigas fortalezas medievais. Sua história, considerada lendária pelos céticos e milagrosa pelos homens de fé, está pontilhada de fatos luminosos, próprios a alimentar a piedade do bom povo de Deus.

Vejamos algo dela.

O CONVENTO DA PENHA E A LEGIÃO TEBANA

Antonio Queiroz

Em 1558, aportou em Vila Velha um irmão leigo franciscano, espanhol, chamado Frei Pedro Palácios, trazendo um quadro a óleo de Nossa Senhora dos Prazeres (ou das Alegrias), de fascinante beleza artística e tocante comunicabilidade sobrenatural.

Espalhou-se a crença de que a própria Rainha do Céu lhe havia indicado um penhasco onde ele deveria construir a ermida que deu origem ao atual Santuário.

Instalando-se aí, o devoto de Maria da Penha entregou-se à vida contemplativa. Às tardes, descia com o quadro da Mãe de Deus para evangelizar os índios e inflamar na fé os habitantes da Vila. Concedia ao sono poucas horas, deitado sobre uma tábua, tendo por travesseiro o degrau de pedra do altar.

Em 1570, gasto pelos jejuns, penitências e trabalhos apostólicos, foi encontrado morto junto ao altar, ajoelhado e de mãos postas, como em devota oração, justo aos 70 anos de idade. Nesses doze anos de vida edificante, granjeou a celebridade da qual goza até nossos dias.

FATOS PRODIGIOSOS NA VIDA DE FREI PALÁCIOS

Frei Pedro Palácios catequisa colonos – Quadro de Benedito Calixto

Durante uma de suas missões em Itaquari, a 60 km de Vitória, uma terrível febre devastava as crianças dessa vila. Ele mandou os habitantes construírem uma capela em louvor de São Francisco, prometendo- lhes que Deus teria misericórdia deles. Concluída a obra, cessou a epidemia.Segundo as crônicas, quando de sua vinda para as terras brasílicas, o navio que o transportava foi sacudido por furiosa tempestade. Um marujo, tomando-lhe o manto, lançou-o sobre as ondas revoltas, e estas logo se acalmaram.

Durante a construção da primeira ermida, no local onde está hoje o Convento, um operário ia despencando pelo penhasco abaixo. “Pára!” – bradou o homem de Deus. E ele parou como que seguro pela pedra, até ser resgatado.

Nessa mesma ocasião, faltando água para a construção, Frei Palácios ajoelhou-se sobre a rocha, em fervorosa oração, e logo jorrou o valioso líquido.

Incumbiu um certo homem de mandar esculpir em Portugal uma imagem de Nossa Senhora, em madeira, para o altar da capela. Este, porém, ocupado demais com os negócios deste mundo, esqueceu os do Céu… e não fez a encomenda. Entretanto, na véspera de sua partida, um desconhecido entregou-lhe a imagem, na exata medida e forma desejada pelo santo frade franciscano. É a que atualmente se venera no Santuário.

A LEGIÃO TEBANA ENVIADA EM DEFESA DO SANTUÁRIO

“A visão dos holandeses”, pintura de Benedito Calixto, Santuário da Penha

Em 1625, Vila Velha foi acometida pelos calvinistas holandeses. Das crônicas de Frei Jaboatão, consta um fato, tão milagroso quanto misterioso. Preparavam-se eles para atacar, quando o Santuário se transformou em magnífica fortaleza, cercada de fortes muralhas e defendida por temível esquadrão de soldados. Ao avançar rumo à Ermida, perceberam os invasores muita gente, a pé e a cavalo, portando armas reluzentes e marchando de encontro a eles.

Esse aterrador espetáculo pôs em debandada os inimigos da Fé. Deste modo, o Convento da Penha foi salvo dos saques e sacrilégios que os calvinistas costumavam promover.

Como era 22 de setembro, festa dos santos mártires da Legião Tebana, os católicos reconheceram naquele “misterioso exército celeste” a valorosa legião romana. Pode-se ver ainda na Penha uma pintura de Benedito Calixto retratando esse prodígio. Na ocasião, erigiu-se um altar em honra de São Maurício, comandante dessa famosa Legião, composta por 6.600 combatentes, todos martirizados no ano 303.

Por que terá a Rainha dos Mártires enviado essa heroica Legião para atuar no Brasil, um país com o qual nem se sonhava na época em que ela foi exterminada? Deixemos esta pergunta para o leitor fazer a São Maurício no Céu, quando o encontrar naquele belo dia em que “não haverá mais noite” (Ap 22,5).

Da nossa parte, ao visitarmos o abençoado Santuário da Penha, roguemos à Mãe de Deus que, em outras eventualidades, envie novamente esses heróis da Fé em missões para o bem de nossa Pátria.

Convento da Penha

(Revista Arautos do Evangelho, janeiro de 2004, n. 25, p. 20-21)

 Ilustrações: Arautos do Evangelho, Biblioteca Nacional, acnsf

Fonte: Arautos do Evangelho em Vitória

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